Preciso começar esta review de Inazuma Eleven – Victory Road fazendo uma confissão. Eu nunca tinha jogado nenhum game da franquia antes deste e isso já me torna um genuíno “marinheiro de primeira viagem”, embora isso tenha seus pontos negativos, mas pense bem, o lado positivo é que eu não terei nenhum título para fazer comparações.
Para quem, como eu, nunca tinha jogado um título da franquia Inazuma Eleven, Victory Road é uma surpresa imensa. Lançado em novembro de 2025 pela Level-5, ele marca o retorno da série após mais de uma década, com desenvolvimento iniciado em 2016.
Originalmente pensado para acompanhar o anime e disponível em todas as plataformas modernas, o jogo sofreu atrasos e mudanças de nome — de Inazuma 11 Series para Great Road of Heroes, até finalmente se tornar Victory Road.
O resultado é um título gigante e cheio de conteúdo, que consegue ser acessível para novatos e, ao mesmo tempo, recompensador para fãs da série. Sem mais enrolação, vamos para a review de Inazuma Eleven: Victory Road.

Nunca foi só futebol

A narrativa de Victory Road se passa cerca de 25 anos após os eventos do primeiro jogo da série. No modo principal, você assume o papel de Destin Bellows, um jovem que inicialmente evita o futebol, mas que, aos poucos, aprende a construir seu próprio clube.

A história se desenrola por meio de interações diárias, missões secundárias e eventos que mesclam exploração e batalhas, transformando o jogo em uma experiência que lembra um JRPG com elementos de esportes, mais do que um simples simulador de futebol. Achei que a história poderia engrenar um pouco mais rápido e isso pode afastar os jogadores mais afoitos.
Interações do dia a dia e missões secundárias durante a história

Durante a história, além das partidas de futebol, Victory Road oferece diversas interações diárias que tornam a campanha mais dinâmica.
Você anda pela escola, explora a cidade e realiza missões secundárias, como ajudar velhinhas a encontrar lugares, procurar itens perdidos para cidadãos ou até mesmo achar um gato desaparecido.

Portanto, ao completar essas tarefas, você recebe uma espécie de “cartas”, que funcionam como moeda do jogo. Elas podem ser usadas para comprar itens na loja, personalizar seu time e adquirir equipamentos, como chuteiras e pulseiras, que melhoram os atributos dos jogadores.

Essas atividades são importantes para evoluir seu time e maximizar seu desempenho nas partidas principais. Durante essas missões, também acontecem pequenas batalhas por turno, inspiradas no clássico sistema de papel, pedra e tesoura.



Elas são simples e rápidas, e caso você não queira jogá-las manualmente, o próprio jogo pode automatizar o processo com o tempo acelerado, permitindo que você apenas assista ao resultado. Essas batalhas rendem moedas e contribuem para a evolução dos personagens que participam delas.
O jogo ainda insere pequenas interações durante essas atividades, como chutar bolas para outros personagens ou desviar de obstáculos apertando apenas um botão.

São mecânicas simples, mas que ajudam a manter a campanha fluida e divertida. O mapa é relativamente pequeno e possui um sistema de viagem rápida, permitindo ir a qualquer local com facilidade.

Personagens com camadas

Um dos pontos altos é a maneira como o jogo conecta a progressão do time ao desenvolvimento de Destin como personagem.
Pequenas decisões, como escolher em quais atividades participar ou em quais jogadores investir, fazem com que o jogador sinta a evolução do clube e se envolva emocionalmente com a história.
Embora a história de Victory Road possa parecer simples à primeira vista, ela possui muitas camadas e trata de assuntos delicados com profundidade.
Nela, vemos temas como bullying, rejeição, pessoas desistindo de sonhos, personagens com baixa autoestima, personagens que vivem o sonho dos pais em vez do seu próprio, e até aqueles que alcançaram o ápice do sucesso e não sabem mais o que fazer da vida.

Cada personagem que vamos recrutando para o time durante a campanha possui traumas e motivações próprias, o que me surpreendeu demais. Isso dá uma densidade rara para um jogo de futebol, mostrando que Victory Road se preocupa com a construção de personagens e histórias que vão além das partidas em si.

Essa complexidade faz com que cada novo integrante do time seja significativo, e fortalece a sensação de que você está realmente montando uma equipe com propósito e história.
Modos de jogo
Para a realização desta review de Inazuma Eleven, eu joguei todos os modos disponíveis e, obviamente, alguns me prenderam mais do que outros. Victory Road se destaca pela diversidade de modos, cada um oferecendo uma experiência única:
- Modo História: Combina exploração, interações sociais e partidas de futebol. Você constrói seu clube, conhece personagens e participa de torneios, enquanto desbloqueia gradualmente mecânicas de jogo mais avançadas.

- Modo Crônica: Permite revisitar a história da franquia, recrutar personagens lendários e montar seu time ideal.
Cada partida exige planejamento estratégico e decisões acertadas, como uso de habilidades especiais e combinações de movimentos. Ah e fique de olho na sua Tensão, vai precisar dela.



- Estádio Baía da Batalha: Uma espécie de modo arcade, voltado para partidas rápidas contra equipes clássicas ou desafiadoras. Serve como aprendizado das mecânicas de futebol do jogo, incluindo passes, técnicas especiais, barras de tensão e combos. Aqui a loucura é liberada.



- Estação Kizuna (modo estilo The Sims): Surpreendentemente, o jogo inclui um modo de gerenciamento de cidade, onde você organiza os jogadores e visita cidades de outros jogadores. Confesso que esse foi o modo que menos joguei, afinal não sou muito fã do estilo.



- Modo Competição: Para partidas online e torneios, permitindo testar seus times contra outros jogadores em modos ranqueados e amistosos.

Além desses, há lojas e sistemas de tokens que conectam todos os modos, permitindo evoluir personagens e adquirir itens, visando fortalecer o time de maneira significativa.
Embora sejam robustos e divertidos, nada me encantou tanto quanto Destin e sua jornada no Modo História. Enquanto estava jogando outros modos, eu ficava pensando que poderia estar descobrindo qual seria o próximo desafio dos protagonistas.
Personalização e construção de time

O nível de personalização é notável. Ao criar seu personagem, você pode definir aparência, altura, tipo físico, cicatrizes, cabelo, cor dos olhos, uniforme, posição em campo, estilo de jogo e tipo de personalidade. Até a voz do personagem pode ser escolhida, influenciando poses e comemorações.
Além disso, o time também é altamente personalizável: cada jogador possui skill trees, equipamentos e técnicas especiais que podem ser desbloqueadas e evoluídas ao longo do jogo.

Em conjunto com o modo Crônicas, essas ferramentas permitem criar um time verdadeiramente único, adaptado ao estilo do jogador.
A jogabilidade é uma delícia
A jogabilidade mistura futebol tradicional com elementos de RPG tático. Cada partida exige atenção à energia, tensão, habilidades especiais e formações, permitindo combinações de movimentos que podem decidir o resultado do jogo.
A gameplay é extremamente dinâmica e divertida. O dinamismo das partidas é impressionante: a variedade de golpes, dribles e técnicas especiais é surreal, tornando cada jogo imprevisível e emocionante.



Evoluir seus personagens é muito gratificante, pois você vê claramente o progresso deles e como aprendem novas habilidades ao longo do tempo.
Além disso, o time é extremamente flexível; você pode mudar praticamente tudo, desde posições até estratégias, e realmente se sente como um técnico comandando sua equipe.



Menos “Choques”, por favor!
Um ponto que poderia ser melhor é a frequência excessiva de Choques, os embates entre dois jogadores no campo. Eles são divertidos e estratégicos, permitindo ganhar tensão e executar habilidades, mas durante as partidas eles acontecem de forma exagerada.

Houve momentos em que eu saía de um choque e, poucos segundos depois, outro já se iniciava, quebrando o ritmo da partida. Portanto, o ideal seria diminuir a frequência desses embates, assim deixaria o fluxo do jogo mais fluido e agradável, sem perder a profundidade estratégica que eles oferecem.
Victory Road é visualmente muito bonito

Victory Road impressiona pelo visual estilizado e detalhado, animações fluidas e cutscenes em estilo anime. O som e a trilha sonora acompanham a intensidade das partidas e algumas lembram as clássicas dos animes antigos, embora a música durante a partida tenha me incomodado um pouco, não é nada que faça você querer diminuir o volume.

Embora sejam pouco variados, os cenários são muito bem elaborados, com grande atenção aos detalhes e são bons de explorar. Além disso, as animações das cenas de eventos, batalhas e partidas são excelentes.
Ressalto neste review de Inazuma Eleven que o game não possui dublagem em PT-Br, mas é todo localizado para o nosso idioma. Joguei com o áudio em inglês e percebi algumas falhas na sincronização e alguns erros de tradução na legenda.

Considerações finais
Finalizo esta minha review de Inazuma Eleven – Victory Road com uma sensação maravilhosa e triste. Calma, eu explico: maravilhosa devido o título ser muito divertido e ter me prendido horas e horas e, em nenhum momento, eu me senti cansado e enjoado. E triste porque eu queria ter mais tempo para aproveitar os mais variados modos do game. É vício puro!
Para quem nunca jogou Inazuma Eleven, Victory Road é uma porta de entrada excelente, combinando narrativa envolvente e surpreendentemente boa e uma quantidade impressionante de conteúdo. Ele vai além do futebol, acredite!
É um jogo que consegue agradar tanto quem busca partidas rápidas quanto quem prefere se aprofundar em história simples, mas prazerosa e virar o Pep Guardiola treinando jogadores poderosos. Pra quê melhor, não é mesmo?!
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Um golaço da Level-5
Inazuma Eleven: Victory Road é uma ótima opção para quem busca um jogo de futebol que vai além do esporte, misturando elementos de RPG, uma história bem construída e uma jogabilidade que engaja desde as primeiras partidas.
A variedade de modos ajuda a manter o interesse ao longo do tempo e garante muitas horas de diversão. E isso vem de alguém que nunca tinha jogado nada da franquia: mesmo assim, Victory Road conseguiu conquistar espaço rapidamente e deixar uma impressão muito positiva.
Aquele golaço de bicicleta
- Jogabilidade dinâmica e viciante
- Variedade absurda de poderes, dribles, chutes, defesas, etc
- Progressão flexível
- História parece simples, mas possui camadas importantes e acaba prendendo o jogador
- Modos de jogo variados
- Fator replay enorme
- Boa dosagem entre futebol e RPG
Bola Fora
- Quantidade excessiva de choques
- Missões secundárias poderiam ser melhores
- Pedra, papel e tesoura enjoa rápido
- Curva de aprendizado pode afastar afoitos e/ou iniciantes
- A história demora a engrenar
- Visuais
- Desempenho
- Jogabilidade
- História
- Trilha Sonora
