Se existe algo que sempre me fascinou, são os jogos de terror psicológico, experiências que vão além do jumpscare e apostam em uma atmosfera perturbadora, capaz de mexer profundamente com a mente do jogador. São jogos que nos colocam em dúvida, fazendo questionar o que é real, o que é ilusão e até onde vai a nossa visão do mundo. A franquia BrokenLore, da renomada Serafini Productions, sempre soube trabalhar muito bem com esses elementos, o que torna tudo ainda mais assustador ao longo de 7 títulos que marcariam o gênero.
Apesar de apresentar uma temática mais profunda e impactante, explorando questões como saúde mental, distúrbios psicológicos e bullying, BrokenLore: Unfollow entrega elementos que outros títulos do gênero não conseguiram até hoje. O jogo se destaca por sua narrativa envolvente, ainda que em alguns momentos acabe seguindo caminhos previsíveis e problemas em sua gameplay.
Será que Unfollow cumpre o seu papel, entregando uma experiência sólida, sombria e imersiva? É isso que você irá descobrir em nossa análise!
Esta review foi produzida graças a um código de PC cedido gentilmente pela Serafini Productions.
Pode ficar tranquilo(a): esta análise é totalmente livre de SPOILERS!
Traumas do passado
Em BrokenLore: Unfollow, os jogadores assumem o papel de Anne, uma jovem que sofreu bullying durante a infância por ser obesa. Além dos traumas deixados no período escolar, seus problemas psicológicos aumentaram pela falsa sensação de amizade, já que muitas pessoas que se diziam próximas, mas nunca foram verdadeiramente amigáveis. Desde os primeiros momentos da campanha, o jogo deixa claro o quão conturbada foi sua infância, marcada por feridas que não cicatrizaram nem mesmo com o passar dos anos.
Um exemplo claro desse conflito surge no Capítulo 2, quando o game apresenta duas escolhas ao jogador, refletindo diretamente os desejos e frustrações do passado de Anne. Essas decisões são relevantes e impactam n narrativa, colocando o jogador diante de um dilema: aprender a conviver com os traumas e superá-los ou seguir um caminho de vingança.
Ao expor essas situações, o jogo mostra que a garota faz constantes comparações com YouTubers, alimentando a busca por uma perfeição inalcançável. Esse comportamento acaba gerando uma rivalidade e a leva a se medir o tempo todo com outras pessoas.

Assim como nos títulos anteriores, BrokenLore mantém o mesmo padrão de gameplay, no qual o jogador precisa escapar de stalkers bizarros, coletar itens, resolver puzzles e avançar para novas áreas. Desta vez, Unfollow traz novidades ao apresentar novos assassinos mais assustadores, tornando a experiência mais tensa. Curiosamente, alguns trechos se destacam após a aparição de uma criatura conhecida como “Mãe”, cuja presença deixa tudo ainda mais perturbador, diante do contexto da personagem.
Por outro lado, em alguns momentos o jogo pode se tornar cansativo (assim como nos jogos anteriores) ao insistir na dinâmica de ir do ponto A ao ponto B apenas para coletar itens e avançar na campanha. Em determinadas situações, isso pode incomodar parte dos jogadores, que podem acabar encarando a experiência mais como um walking simulator do que como um jogo de terror psicológico.
Outros momentos que chamam a atenção em determinados capítulos do game são os trechos que incorporam a temática dos Backrooms. Para quem não conhece, os Backrooms são um conceito de terror psicológico surgido em fóruns de creepypastas, cuja proposta gira em torno de um espaço infinito fora da realidade, composto por ambientes vazios, repetitivos e perturbadores.

Ao longo da campanha, é possível notar sequências ambientadas em áreas como piscinas, além da constante sensação de estar preso em um loop temporal. Essa escolha se mostra um grande acerto do estúdio, ao unir uma temática que vem se popularizando e se tornando viral na internet com um contexto que se encaixa perfeitamente na narrativa, especialmente ao retratar uma protagonista viciada em redes sociais e obcecada pela busca do sucesso.
Com cerca de duas horas e meia de duração, Unfollow se mostra uma ótima escolha para um final de semana chuvoso. Embora não seja um jogo inovador e esteja longe de alcançar o impacto de Layers of Fear, ele cumpre bem a proposta ao manter o jogador tenso. Os stalkers são um dos grandes acertos do game, responsáveis por sequências de perseguição, especialmente em ambientes apertados, como a biblioteca, onde a sensação de perigo é constante, sendo sempre perseguido por um maníaco com gancho.

Aspectos técnicos
Desenvolvido na Unreal Engine 5, BrokenLore: Unfollow aposta em uma abordagem mais realista, criando uma estética que “brinca” com o psicodélico em determinados momentos, mesclando distorções visuais com a realidade. O resultado disso tudo são gráficos que impressionam, tornando a experiência mais sombria, imersiva e perturbadora.
Objetos de cenário também compõem os locais, deixando tudo ainda mais assustador. É uma verdadeira obra de arte, entretanto, as coisas não são perfeitas!
A Unreal Engine 5 é conhecida por dificultar a vida dos desenvolvedores, e em Unfollow isso não seria diferente! Em diversos momentos, o jogo sofre com problemas de desempenho e engasgos, principalmente no PC. Apesar de não ter jogado a versão dos consoles, pude notar problemas durante os momentos de perseguição, ataques do stalker e até áreas da casa que reduziam o FPS bruscamente.

O que chama ainda mais a atenção é que os testes foram realizados em uma RTX 5090, com todas as configurações no Ultra. A otimização definitivamente não é o ponto forte do game, algo que pode acabar frustrando uma parcela considerável dos jogadores.
Em relação à trilha sonora, o jogo acaba tropeçando em alguns aspectos, com músicas repetitivas e pouco melancólicas, algo que poderia ter sido explorado de forma melhor por se tratar de um terror psicológico. Grande parte da música surge apenas durante a aparição dos inimigos, o que, por outro lado, é uma escolha interessante e pode funcionar muito bem, mantendo os jogadores em alerta.
Review de BrokenLore: Unfollow – Vale a Pena?
Como um grande fã de BrokenLore, Unfollow está longe de ser o melhor título da franquia, entretanto, sua gameplay é divertida e os stalkers estão cada vez melhores. Apesar dos problemas de desempenho e uma campanha divertida (mas que não surpreende), esse pode ser o ponto de partida inicial para conhecer os outros jogos, criando uma atmosfera tensa.
Programado para ser lançado em 16 de janeiro de 2026, o jogo se torna uma verdadeira carta de amor para os fãs do gênero de terror psicológico, oferecendo temas pesados, sensíveis, mas que são essenciais para o nosso cotidiano.
Um título obrigatório para os fãs e uma ótima oportunidade para os novatos conhecerem um pouco mais das histórias da Serafini Productions!
Retornando como uma das grandes promessas do terror psicológico em 2026, BrokenLore: Unfollow apresenta alguns tropeços pontuais, mas que são facilmente superados graças à sua narrativa imersiva, que aborda de forma intensa temas ligados à saúde mental e ao psicológico. Trata-se de um título indispensável para os fãs da franquia e também uma excelente porta de entrada para novos jogadores conhecerem a série.
Pontos Positivos
- Novos stalkers assustadores
- Gráficos surpreendentes
Pontos Negativos
- Problemas de desempenho
- Trilha sonora deixa a desejar
- História
- Jogabilidade
- Gráficos
- Trilha Sonora
- Desempenho
