O mundo do redator de games é imprevisível mesmo. Minha primeira análise de 2026 foi de Inazuma Eleven, um jogo de futebol com elementos de RPG, onde os jogadores possuem poderes absurdos e muitos outros aspectos. Agora, cá estou em mais uma review, agora com o simulador de escalada, Cairn. E sim, eu também torci o nariz no começo.
Cairn parece, à primeira vista, só isso: um jogo sobre subir uma montanha. Confesso que foi exatamente o que pensei quando comecei. Nunca fui muito do gênero. O máximo de contato que tive com algo parecido foi Jusant, que saiu Day One no Game Pass.
Gostei bastante, mas ele não é exatamente um simulador. Ele facilita muito! Cairn não. Aqui é escalada de verdade.
E, assim como muita gente ignora Death Stranding achando que é “simulador de entregador”, também vai ter quem ignore Cairn achando que é só “simulador de escalar pedra”.
No entanto, o problema é o mesmo nos dois casos: o jogo vai muito além desta ideia rasa. Se você der uma chance, Cairn vai te surpreender.
Sem mais enrolação vem conferir esta review de Cairn e saiba se vale a pena se aventurar no Monte Kami, o topo do mundo.

Um pouco sobre a desenvolvedora
Cairn é desenvolvido pela The Game Bakers, estúdio conhecido por Furi (2016) e Haven (2020). Dois jogos bem diferentes entre si, mas que compartilham algo importante: identidade. Dá pra sentir isso aqui também.
A demo de Cairn, lançada em 2024, foi muito bem recebida e após jogar a versão completa, fica claro o porquê. A mesma recebeu 99% de aprovação pelos usuários no Steam. Além disso, o game alcançou um número expressivo de adições a listas de desejos, mais de 700.000 pessoas demonstraram interesse no título.
História que parece simples, mas não é
Você joga com Aava, uma alpinista já reconhecida mundialmente. O jogo deixa isso claro em diálogos e textos espalhados pela jornada. Sendo assim, ela já escalou outros montes, já enfrentou desafios extremos e agora decide encarar o que parece ser o auge da carreira: o Monte Kami. Esse monte nunca foi escalado com sucesso.

Há mais de 70 anos, todos os anos, pelo menos 30 tentativas são feitas. Apenas cerca de 40% das pessoas retornam. Mais de cem mortes já aconteceram ali. O jogo não esconde isso, pelo contrário, ele faz questão de te lembrar o tempo todo.
A princípio, a história parece simples: mais uma alpinista tentando entrar para a história. Só que, conforme você sobe, fica claro que não é só isso.

Aava tem um agente que tenta contato várias vezes durante a escalada. Ela ignora.
A irmã dela, Naomi, também tenta falar com ela, preocupada, pedindo notícias. Aava ignora também.
Esse contato acontece por meio do Climbot, um robozinho que acompanha a escalada, ajuda com cordas, pitons e logística. No começo, ela trata ele como apenas isso: uma ferramenta. Um robô. Nada mais! E a gente sente raiva dela por isso, por essa frieza, mas isso muda, pode acreditar!
Não é uma subida. É uma fuga!

Aava não está ali apenas por fama. Ela parece querer fugir da humanidade. O jogo nunca explica isso de forma direta, mas deixa claro no comportamento dela e em encontros pontuais pelo caminho. Existem traumas ali. Uma vontade quase obsessiva de se afastar das pessoas.
Ela é arrogante em alguns momentos, egoísta em outros, mas profundamente humana. Ela sofre e se irrita como um bom ser humano. E isso funciona muito bem.
O vilão silencioso de Cairn
O Monte Kami deixa de ser só um cenário e vira um personagem, parece um vilão silencioso. Ele não quer ser escalado. Ele tenta te impedir o tempo todo. E isso você sente no gameplay, na narrativa e até no ritmo da escalada.

Ao longo do caminho, você encontra vestígios de uma antiga população que viveu ali: os Trogloditas. Pontes, esculturas, viveiros de peixes, cavernas, corpos de outros escaladores que falharam, mochilas abandonadas, cartas, histórias e mais. O Kami é repleto de detalhes pensados para te deixar imerso.





E o final… o final é interpretativo, mas forte. Sem spoiler: você vai tomar decisões difíceis. Daquelas que, dez minutos antes, pareceriam óbvias e que, naquele momento, não são mais. Lembra da decisão final em Life is Strange?! Pois é. Infelizmente, fiquei na curiosidade para saber o que aconteceria se eu tomasse a outra decisão, mas isso só saberei em uma segunda run.
Quando eu cheguei ao cume, depois de mais de 8 horas de gameplay, o sentimento foi claro:
nós conseguimos. Não foi só a Aava, eu estava lá, eu senti a sensação que ela sentiu. Poucos jogos conseguem gerar esse tipo de conexão. O último game que me causou essa sensação foi The Alters.
Cairn vai te desafiar com sua jogabilidade
Cairn oferece três opções de dificuldade:
- Explorador – com bastante assistência, rewind de quedas, pitons inquebráveis, menos punição física e save automático.
- Alpinista – dificuldade equilibrada, sem voltar no tempo, com ferimentos, fome, sede e saves apenas em barracas.
- Escalada Solo – morte permanente. Caiu de uma altura fatal, acabou.

Minha dica é simples: escolha o modo conforme o seu tempo e sua paciência. O modo Explorador não transforma o jogo em algo fácil, contudo, ele reduz o estresse. Mesmo com assistência, Cairn exige atenção e você vai passar raiva em alguns momentos.

O Monte Kami não quer se escalado
A escalada é manual aqui, braço por braço, perna por perna. Você analisa a rota com o L1 (no PlayStation), decide onde colocar pitons, gerencia vigor, além disso, é preciso ficar de olho no clima, horário, vento, chuva, neve. Lembra que falei que o Kami não quer ser escalado! O jogo te deixa escolher caminhos mais longos e seguros ou atalhos difíceis e arriscados.

Não esqueça de sempre explorar cavernas e afins, visando buscar recursos como comida, plantas e, principalmente, água e lixo (é isso mesmo). Você pode compostar o lixo com o Climbot e transformar o mesmo em magnésio, algo imprescindível na escalada, pois ele dá mais aderência às mão de Aava e, acredite, isso me salvou muito.

Encontramos alguns mapas pelo meio do caminho, onde eles mostram os melhores caminhos para a escalada, mas são bem difíceis de encontrar, afinal, faz parte do gameplay você olhar para cima e pensar: aqui é melhor ou naquela direção? Sem direção, só usando sua perspicácia e habilidade.

Vale ressaltar que, segundo a desenvolvedora, você pode escalar em qualquer lugar, mas você consegue fazer isso em qualquer lugar?! São coisas bem diferentes! Portanto, saber escolher bem a rota de subida faz parte do desafio da nossa alpinista.

O visual do ambiente é espetacular, já o dos personagens…
Cairn usa um estilo cel shading. Os modelos dos personagens, incluindo a Aava, não me agradaram tanto. É uma escolha estética clara, mas não me conquistou. Entretanto, o Monte Kami é outra história.

O visual do ambiente é simplesmente lindo. Pôr do sol, aurora boreal, tempestades, neve chegando, nuvens cobrindo tudo lá embaixo. O jogo sabe que é bonito e cria momentos pra você parar, sentar e olhar. Se prepara para usar muito o bom Modo Foto do game! Seguem algumas capturas que tirei durante minha gameplay:






Quanto mais você sobe, mais o jogo impressiona. A sensação de altura e de isolamento é absurda.
Desempenho é o maior problema do jogo
Aqui não tem como aliviar. O desempenho é o ponto mais fraco de Cairn. Quedas de FPS constantes, especialmente ao entrar e sair de cavernas. São quedas bruscas, frequentes, que atrapalham a experiência, ainda mais em um jogo que exige precisão.
Não tive bugs de progressão nem crashes, mas problemas de animação e colisão aparecem. Aava atravessando terreno e vários problemas de transições em áreas planas. Por muitas vezes me vi falando: “Aava, pelo amor de Deus, tu já está em terra plana, colocar os dois pés aí”. E ela tentando escalar algo que nem existia mais.
No entanto, não é nada que quebre o jogo, mas o desempenho precisa urgentemente de correções.
A trilha sonora! Aaaaa, a trilha sonora é inesquecível
Aqui é pancada de qualidade. A trilha sonora é excelente. Não chega a ser Death Stranding, mas segue a mesma linha contemplativa. Em momentos específicos, a câmera se afasta, a música entra, e você simplesmente curte o momento!
Ela é composta por Martin Stig Andersen, compositor e designer de áudio dinamarquês, ele também é responsável pelas trilhas de Limbo, Inside, entre outros games. Além de Martin, a banda The Toxic Avenger e a artista Gildaa também fazem parte da trilha sonora.
Além disso, os efeitos sonoros também são ótimos: chuva, vento, escalada, a passagem do magnésio nas mãos. Tudo contribui para a imersão.
Cairn possui um bom fator replay
O fator replay existe e funciona bem. Você pode escalar por outros lados do monte, encontrar cavernas que não viu, além de cartas escondidas e muito mais. Não há New Game Plus, então tudo começa do zero.

Levei cerca de 8h30 para chegar ao cume poder produzir esta review de Cairn. O 100% pode passar, facilmente, das 20-25 horas.
Depois de zerar, o jogo mostra todo o caminho que você fez pela montanha, uma sacada genial da dev, pois dá até vontade de voltar e tentar rotas diferentes.
Considerações finais
Finalizo esta review de Cairn ressaltando que ele não é para todo mundo. Infelizmente, muito irão deixar passar despercebido essa experiência singular. Mas se você gosta de jogos imersivos e desafiadores, Cairn é feito pra ti. É um daqueles games que ficam na cabeça depois que acabam.
Sempre digo que nunca chorei com nenhum jogo, já fiquei tenso, reflexivo e com muitos outros sentimentos, mas este quase me fez ir as lagrimas pela primeira vez. Comecei desconfiado esta review de Cairn, mas terminei satisfeito. E isso diz muito.
Cairn chega no dia 29 de janeiro de 2026 para PlayStation 5 e PC.
Curtiu esta review de Cairn? Consegui te convencer a escalar o Kami? Comente!
Muito mais do que um simulador de escalada
Não se engane pelo gênero. Cairn pode e vai te prender do início ao fim. Uma experiência única e com um nível absurdo de imersão. A The Game Bakers conseguiu transformar uma montanha em um verdadeiro mundo, repleto de histórias, nuances e detalhes que atingem diretamente o pensamento e coração do jogador. Cairn é um título que você deve colocar no seu radar e prepare o magnésio e os pitons para enfrentar o Monte Kami, não vai ser fácil, mas vai valer cada segundo!
Chegou no cume
- Imersão no talo
- O Monte Kami é repleto de detalhes impressionantes
- Visual do ambiente é espetacular
- Bom fator replay
- Trilha sonora maravilhosa
- Várias opções de assistência
- Modo Foto competente
Caiu da montanha
- Desempenho sofrível no PlayStation 5 base
- Visual dos personagens poderia ser melhor
- Um New Game+ seria interessante
- Alguns movimentos da Aava são bem esquisitos
- Visuais
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Trilha Sonora
