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    Home » Review: Cairn (PS5)
    Reviews

    Review: Cairn (PS5)

    Sherman CasteloSherman Castelojaneiro 29, 202610 Mins Read
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    review_Cairn
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    O mundo do redator de games é imprevisível mesmo. Minha primeira análise de 2026 foi de Inazuma Eleven, um jogo de futebol com elementos de RPG, onde os jogadores possuem poderes absurdos e muitos outros aspectos. Agora, cá estou em mais uma review, agora com o simulador de escalada, Cairn. E sim, eu também torci o nariz no começo.

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    Cairn parece, à primeira vista, só isso: um jogo sobre subir uma montanha. Confesso que foi exatamente o que pensei quando comecei. Nunca fui muito do gênero. O máximo de contato que tive com algo parecido foi Jusant, que saiu Day One no Game Pass.

    Gostei bastante, mas ele não é exatamente um simulador. Ele facilita muito! Cairn não. Aqui é escalada de verdade.

    E, assim como muita gente ignora Death Stranding achando que é “simulador de entregador”, também vai ter quem ignore Cairn achando que é só “simulador de escalar pedra”.

    No entanto, o problema é o mesmo nos dois casos: o jogo vai muito além desta ideia rasa. Se você der uma chance, Cairn vai te surpreender.

    Sem mais enrolação vem conferir esta review de Cairn e saiba se vale a pena se aventurar no Monte Kami, o topo do mundo.

    A tela inicial já demonstra a grandeza do Monte Kami – Captura por Sherman Castelo

    Um pouco sobre a desenvolvedora

    Cairn é desenvolvido pela The Game Bakers, estúdio conhecido por Furi (2016) e Haven (2020). Dois jogos bem diferentes entre si, mas que compartilham algo importante: identidade. Dá pra sentir isso aqui também.

    A demo de Cairn, lançada em 2024, foi muito bem recebida e após jogar a versão completa, fica claro o porquê. A mesma recebeu 99% de aprovação pelos usuários no Steam. Além disso, o game alcançou um número expressivo de adições a listas de desejos, mais de 700.000 pessoas demonstraram interesse no título.

    História que parece simples, mas não é

    Você joga com Aava, uma alpinista já reconhecida mundialmente. O jogo deixa isso claro em diálogos e textos espalhados pela jornada. Sendo assim, ela já escalou outros montes, já enfrentou desafios extremos e agora decide encarar o que parece ser o auge da carreira: o Monte Kami. Esse monte nunca foi escalado com sucesso.

    Aava é uma escaladora famosa e tem o Monte Kami como o maior desafio de sua vida – Captura por Sherman Castelo

    Há mais de 70 anos, todos os anos, pelo menos 30 tentativas são feitas. Apenas cerca de 40% das pessoas retornam. Mais de cem mortes já aconteceram ali. O jogo não esconde isso, pelo contrário, ele faz questão de te lembrar o tempo todo.

    A princípio, a história parece simples: mais uma alpinista tentando entrar para a história. Só que, conforme você sobe, fica claro que não é só isso.

    Aava e o Climbot na área de treinamento – Captura por Sherman Castelo

    Aava tem um agente que tenta contato várias vezes durante a escalada. Ela ignora.
    A irmã dela, Naomi, também tenta falar com ela, preocupada, pedindo notícias. Aava ignora também.

    Esse contato acontece por meio do Climbot, um robozinho que acompanha a escalada, ajuda com cordas, pitons e logística. No começo, ela trata ele como apenas isso: uma ferramenta. Um robô. Nada mais! E a gente sente raiva dela por isso, por essa frieza, mas isso muda, pode acreditar!

    Não é uma subida. É uma fuga!

    Encontramos várias frases esculídas nas rochas durante a jornada – Captura por Sherman Castelo

    Aava não está ali apenas por fama. Ela parece querer fugir da humanidade. O jogo nunca explica isso de forma direta, mas deixa claro no comportamento dela e em encontros pontuais pelo caminho. Existem traumas ali. Uma vontade quase obsessiva de se afastar das pessoas.

    Ela é arrogante em alguns momentos, egoísta em outros, mas profundamente humana. Ela sofre e se irrita como um bom ser humano. E isso funciona muito bem.

    O vilão silencioso de Cairn

    O Monte Kami deixa de ser só um cenário e vira um personagem, parece um vilão silencioso. Ele não quer ser escalado. Ele tenta te impedir o tempo todo. E isso você sente no gameplay, na narrativa e até no ritmo da escalada.

    Aava admirando o Monte Kami – Captura por Sherman Castelo

    Ao longo do caminho, você encontra vestígios de uma antiga população que viveu ali: os Trogloditas. Pontes, esculturas, viveiros de peixes, cavernas, corpos de outros escaladores que falharam, mochilas abandonadas, cartas, histórias e mais. O Kami é repleto de detalhes pensados para te deixar imerso.

    É comum encontrar cavernas antes habitadas pelo Trogloditas – Captura por Sherman Castelo
    Capturas por Sherman Castelo

    E o final… o final é interpretativo, mas forte. Sem spoiler: você vai tomar decisões difíceis. Daquelas que, dez minutos antes, pareceriam óbvias e que, naquele momento, não são mais. Lembra da decisão final em Life is Strange?! Pois é. Infelizmente, fiquei na curiosidade para saber o que aconteceria se eu tomasse a outra decisão, mas isso só saberei em uma segunda run.

    Quando eu cheguei ao cume, depois de mais de 8 horas de gameplay, o sentimento foi claro:
    nós conseguimos. Não foi só a Aava, eu estava lá, eu senti a sensação que ela sentiu. Poucos jogos conseguem gerar esse tipo de conexão. O último game que me causou essa sensação foi The Alters.

    Cairn vai te desafiar com sua jogabilidade

    Cairn oferece três opções de dificuldade:

    • Explorador – com bastante assistência, rewind de quedas, pitons inquebráveis, menos punição física e save automático.
    • Alpinista – dificuldade equilibrada, sem voltar no tempo, com ferimentos, fome, sede e saves apenas em barracas.
    • Escalada Solo – morte permanente. Caiu de uma altura fatal, acabou.
    Em Cairn a escolha da dificuldade é primordial para sua jornada – Captura por Sherman Castelo

    Minha dica é simples: escolha o modo conforme o seu tempo e sua paciência. O modo Explorador não transforma o jogo em algo fácil, contudo, ele reduz o estresse. Mesmo com assistência, Cairn exige atenção e você vai passar raiva em alguns momentos.

    Aava se machuca bastante durante a jornada, portanto tenha bastante curativo – Captura por Sherman Castelo

    O Monte Kami não quer se escalado

    A escalada é manual aqui, braço por braço, perna por perna. Você analisa a rota com o L1 (no PlayStation), decide onde colocar pitons, gerencia vigor, além disso, é preciso ficar de olho no clima, horário, vento, chuva, neve. Lembra que falei que o Kami não quer ser escalado! O jogo te deixa escolher caminhos mais longos e seguros ou atalhos difíceis e arriscados.

    Captura por Sherman Castelo

    Não esqueça de sempre explorar cavernas e afins, visando buscar recursos como comida, plantas e, principalmente, água e lixo (é isso mesmo). Você pode compostar o lixo com o Climbot e transformar o mesmo em magnésio, algo imprescindível na escalada, pois ele dá mais aderência às mão de Aava e, acredite, isso me salvou muito.

    Saber administrar os seus recursos é essencial – Captura por Sherma Castelo

    Encontramos alguns mapas pelo meio do caminho, onde eles mostram os melhores caminhos para a escalada, mas são bem difíceis de encontrar, afinal, faz parte do gameplay você olhar para cima e pensar: aqui é melhor ou naquela direção? Sem direção, só usando sua perspicácia e habilidade.

    Sei que não parece, mas isso é um mapa – Captura por Sherman Castelo

    Vale ressaltar que, segundo a desenvolvedora, você pode escalar em qualquer lugar, mas você consegue fazer isso em qualquer lugar?! São coisas bem diferentes! Portanto, saber escolher bem a rota de subida faz parte do desafio da nossa alpinista.

    Captura por Sherman Castelo

    O visual do ambiente é espetacular, já o dos personagens…

    Cairn usa um estilo cel shading. Os modelos dos personagens, incluindo a Aava, não me agradaram tanto. É uma escolha estética clara, mas não me conquistou. Entretanto, o Monte Kami é outra história.

    O modelo dos personagens não me cativou – Captura por Sherman Castelo

    O visual do ambiente é simplesmente lindo. Pôr do sol, aurora boreal, tempestades, neve chegando, nuvens cobrindo tudo lá embaixo. O jogo sabe que é bonito e cria momentos pra você parar, sentar e olhar. Se prepara para usar muito o bom Modo Foto do game! Seguem algumas capturas que tirei durante minha gameplay:

    Captura por Sherman Castelo

    Quanto mais você sobe, mais o jogo impressiona. A sensação de altura e de isolamento é absurda.

    Desempenho é o maior problema do jogo

    Aqui não tem como aliviar. O desempenho é o ponto mais fraco de Cairn. Quedas de FPS constantes, especialmente ao entrar e sair de cavernas. São quedas bruscas, frequentes, que atrapalham a experiência, ainda mais em um jogo que exige precisão.

    Não tive bugs de progressão nem crashes, mas problemas de animação e colisão aparecem. Aava atravessando terreno e vários problemas de transições em áreas planas. Por muitas vezes me vi falando: “Aava, pelo amor de Deus, tu já está em terra plana, colocar os dois pés aí”. E ela tentando escalar algo que nem existia mais.

    No entanto, não é nada que quebre o jogo, mas o desempenho precisa urgentemente de correções.

    A trilha sonora! Aaaaa, a trilha sonora é inesquecível

    “Only the Mountain” da banda The Toxic Avenger

    Aqui é pancada de qualidade. A trilha sonora é excelente. Não chega a ser Death Stranding, mas segue a mesma linha contemplativa. Em momentos específicos, a câmera se afasta, a música entra, e você simplesmente curte o momento!

    Ela é composta por Martin Stig Andersen, compositor e designer de áudio dinamarquês, ele também é responsável pelas trilhas de Limbo, Inside, entre outros games. Além de Martin, a banda The Toxic Avenger e a artista Gildaa também fazem parte da trilha sonora.

    Além disso, os efeitos sonoros também são ótimos: chuva, vento, escalada, a passagem do magnésio nas mãos. Tudo contribui para a imersão.

    Cairn possui um bom fator replay

    O fator replay existe e funciona bem. Você pode escalar por outros lados do monte, encontrar cavernas que não viu, além de cartas escondidas e muito mais. Não há New Game Plus, então tudo começa do zero.

    Cozinhar é uma arte e aqui é imprescindível – Captura por Sherman Castelo

    Levei cerca de 8h30 para chegar ao cume poder produzir esta review de Cairn. O 100% pode passar, facilmente, das 20-25 horas.

    Depois de zerar, o jogo mostra todo o caminho que você fez pela montanha, uma sacada genial da dev, pois dá até vontade de voltar e tentar rotas diferentes.

    Considerações finais

    Finalizo esta review de Cairn ressaltando que ele não é para todo mundo. Infelizmente, muito irão deixar passar despercebido essa experiência singular. Mas se você gosta de jogos imersivos e desafiadores, Cairn é feito pra ti. É um daqueles games que ficam na cabeça depois que acabam.

    Sempre digo que nunca chorei com nenhum jogo, já fiquei tenso, reflexivo e com muitos outros sentimentos, mas este quase me fez ir as lagrimas pela primeira vez. Comecei desconfiado esta review de Cairn, mas terminei satisfeito. E isso diz muito.

    Cairn chega no dia 29 de janeiro de 2026 para PlayStation 5 e PC.


    Curtiu esta review de Cairn? Consegui te convencer a escalar o Kami? Comente!

    Muito mais do que um simulador de escalada

    8.7 Ótimo

    Não se engane pelo gênero. Cairn pode e vai te prender do início ao fim. Uma experiência única e com um nível absurdo de imersão. A The Game Bakers conseguiu transformar uma montanha em um verdadeiro mundo, repleto de histórias, nuances e detalhes que atingem diretamente o pensamento e coração do jogador. Cairn é um título que você deve colocar no seu radar e prepare o magnésio e os pitons para enfrentar o Monte Kami, não vai ser fácil, mas vai valer cada segundo!

    Chegou no cume
    1. Imersão no talo
    2. O Monte Kami é repleto de detalhes impressionantes
    3. Visual do ambiente é espetacular
    4. Bom fator replay
    5. Trilha sonora maravilhosa
    6. Várias opções de assistência
    7. Modo Foto competente
    Caiu da montanha
    1. Desempenho sofrível no PlayStation 5 base
    2. Visual dos personagens poderia ser melhor
    3. Um New Game+ seria interessante
    4. Alguns movimentos da Aava são bem esquisitos
    • Visuais 9.3
    • História 9.2
    • Jogabilidade 8.5
    • Desempenho 7
    • Trilha Sonora 9.5
    Cairn PlayStation 5 Review The Game Bakers
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    Sherman Castelo

    Apaixonado por jogos desde que me conheço por gente! Jogos desafiadores são os meus preferidos, mas não rejeito um bom Super Mario.

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