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    Home » Review: Pokémon FireRed e LeafGreen (Switch 2)
    Reviews

    Review: Pokémon FireRed e LeafGreen (Switch 2)

    Jhonatan CarneiroJhonatan Carneiromarço 13, 202610 Mins Read
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    pokemon
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    À essa altura do campeonato, todos nós que acompanhamos a indústria dos games já estamos mais do que acostumados com os vários relançamentos de jogos que acontecem todos os anos, em seus mais variados formatos. Remakes, remasters, coletâneas e até mesmo simples ports um-para-um chegam às plataformas modernas quase todos os meses, em pacotes com os mais variados tamanhos, formatos e preços.

    Quando acontece um aniversário, então, durante o qual grandes franquias completam seus 10, 20, ou 30 anos, os relançamentos acabam até mesmo algo esperado. E foi justamente isso que aconteceu com a franquia Pokémon durante o seu aniversário de 30 anos. Uma semana antes do evento Pokémon Presents, que marca essa data fatídica, a The Pokémon Company resolveu anunciar o lançamento de um port de Pokémon FireRed e Pokémon LifeGreen, que chegou ao Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 no dia 27 de janeiro de 2026.

    Talvez a escolha mais difícil da infância de muita gente. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Lançados inicialmente em 2004 para o Game Boy Advance, Pokémon FireRed e LifeGreen são remakes dos dois primeiros jogos de Pokémon da história, que por sua vez haviam sido lançados inicialmente em 1996 para o primeiro Game Boy. 22 anos após o lançamento desse remake, e 30 anos após o lançamento dos jogos originais, os dois títulos chegam ao híbrido da Nintendo como ports pagos, oferecendo praticamente a mesma experiência encontrada no jogo de 2004.

    Devido à natureza específica desses relançamentos, acho que mais do que nunca essa minha análise precisa se focar em dois aspectos bastante diferentes, mas complementares. De um lado, precisamos falar sobre o jogo Pokémon FireRed e LeafGreen em si — a experiência que ele oferece, como é jogá-lo (ou rejogá-lo) em 2026, esse tipo de coisa. Todavia, não dá para falar desse jogo sem considerar também a natureza do seu relançamento — seu preço, o modo como o pacote é oferecido na eShop, a ausência de melhorias relevantes, e a sua não-inclusão no NSO, serviço de assinatura da Nintendo. Vamos lá?

    Revisitando os 151 Pokémon clássicos, com todas as suas fraquezas e resistências. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Temos que pegar?

    O apelo geracional de Pokémon é inegável. Desde o seu lançamento inicial há 30 anos, as 151 criaturinhas que compunham o jogo original (junto com as outras centenas que foram adicionadas em títulos subsequentes) passaram a dominar o imaginário popular de crianças, adolescentes e adultos, que em muitos casos cresceram jogando aos jogos de Pokémon, assistindo aos desenhos, e consumindo os mais diversos produtos oferecidos pela The Pokémon Company.

    Cientes disso, o lançamento de Pokémon FireRed e LeafGreen chega para atender uma demanda bastante latente dos fãs da franquia: sua vontade de jogar títulos clássicos nas plataformas modernas da Nintendo. O Nintendo Switch recebeu diversos jogos novos de Pokémon, incluindo Sword/Shield, Scarlet/Violet, Pokémon: Legends Z-A, além de spin-offs como New Pokémon Snap. Contudo, até o momento, não era possível jogar nenhum dos títulos clássicos na plataforma mais moderna da empresa.

    Quem assistiu o anime original vai encontrar algumas carinhas conhecidas. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Esse é, sem sombra de dúvidas, o aspecto mais positivo do relançamento de FireRed e LeafGreen no Switch. Afinal, estamos falando de dois jogos que continuam extremamente divertidos mesmo tanto tempo após o seu lançamento inicial. Graças à sua direção de arte cartunesca, com um estilo de pixel-art muito colorido e agradável, o jogo segue bastante atual, já que sua estética própria remete enormemente a estilos utilizados em jogos independentes atuais.

    Além disso, por serem jogos originalmente do Game Boy Advance, Pokémon FireRed e LeafGreen conseguem se enquadrar perfeitamente em um sweet-spot de jogo “retrô”, no qual ele não é nem muito antigo para entregar uma experiência truncada ou extremamente antiquada, nem novo demais para ser próximo demais aos jogos modernos. Isso significa que FireRed e LeafGreen consegue passar uma experiência clássica e nostálgica, ao mesmo tempo em que traz algo diferente do que você encontra nos jogos atuais de Pokémon.

    A história é simples, e envolve elementos bastante familiares. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Clássico é clássico, e vice-versa

    Caso você nunca tenha jogado FireRed ou LeafGreen antes, saiba que estamos falando de um jogo de Pokémon que traz todas as características mais clássicas da franquia. Isso significa que, além de se focar nas 151 criaturinhas originais, toda a estrutura de jogo é baseada na ideia de controlar uma criança que parte em uma aventura na região de Kanto, durante a qual ela precisará enfrentar a Equipe Rocket, derrotar oito líderes de ginásio, vencer a Elite Four, capturando e treinando o seu time de criaturas ao longo do caminho.

    Comparado com os títulos de Pokémon mais recentes, FireRed e LeafGreen entrega uma estrutura de jogo e design de mundo muito diferentes. Basicamente, a região de Kanto é composta por diversas cidades e locais de interesse, que são interligadas por rotas únicas. Enquanto as cidades englobam lojas, ginásios e construções variadas, as rotas são repletas de Pokémon selvagens, bem como treinadores que estão prontos para te desafiar caso você cruze o seu caminho.

    As rotas guardam encontros aleatórios e treinadores prontos para a batalha. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Para mim, a coisa mais interessante dessa estrutura (e que me soou um bocado “refrescante” quando comparado com jogos atuais) é a maneira como o mundo de FireRed e LeafGreen é todo interligado por meio de barreiras que precisam ser sobrepostas com itens ou habilidades específicas dos seus Pokémon. Árvores, pedras e até mesmo um Snorlax sonolento se configuram como obstáculos para o seu progresso, que precisam ser sobrepujados de maneiras específicas.

    É quase como se FireRed e LeafGreen tivessem leves elementos de Metroidvania, o que faz com que a exploração do seu mundo passe a impressão de não-linearidade. Muitas vezes, você vai avançar em um determinado caminho até perceber que existe algo impedindo o seu progresso. A solução, nesses casos, é explorar melhor o ambiente, encontrando caminhos e rotas alternativas, o que torna toda a experiência mais engajante.

    Um Snorlax incomoda muita gente, dois Snorlax… (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    É super efetivo!

    Se, por um lado, o mundo de FireRed e LeafGreen apresenta essa estrutura mais clássica, muito diferente dos jogos mais modernos, uma coisa que se mantém quase a mesma desde que o jogo foi lançado há mais de 20 é  o seu estilo de combate por turnos. Nesse aspecto, falamos de uma fórmula que se mantém quase a mesma (ao menos nos jogos mainline) desde a concepção da franquia, lá no Game Boy original.

    Por meio de um divertido sistema de “pedra-papel-e-tesoura”, FireRed e LeafGreen apresenta um combate por turnos clássico, mas muito divertido, durante o qual você precisa pensar estrategicamente em quais Pokémon você vai utilizar em cada situação. Com tipagens únicas (como planta, fogo, água, elétrico, psíquico, etc), cada Pokémon apresenta fraquezas e vantagens únicas. Utilizar o Pokémon certo em cada situação é crucial para a vitória, já que os golpes eficazes costumam tirar muito HP dos inimigos.

    O estilo artístico do jogo sobreviveu bem ao tempo, e algumas ceninhas destacam-se pelos detalhes. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Por ser um jogo mais clássico, FireRed e LeafGreen não possuem alguns dos “facilitadores” incluídos em jogos mais modernos, como o sistema de compartilhamento de experiência, por exemplo. Esse é um dos aspectos que mais modifica a experiência de jogar esses jogos, já que sua ausência faz com que seja muito mais difícil e trabalhoso treinar o seu time. Para fazer a Magikarp evoluir, por exemplo, é precisa colocá-la na batalha, depois removê-la para que ela participe e ganhe experiência.

    Aspectos mais “antiquados” como esse trazem coisas positivas e negativas à experiência. Por um lado, o jogo todo se torna muito mais desafiador, já que você precisa realmente pensar em quais Pokémon treinar para enfrentar cada ginásio ao longo do caminho. Comparativamente, os jogos modernos são muito mais fáceis que FireRed e LeafGreen. O ponto negativo, contudo, é que o jogo pode passar a exigir um certo nível de grinding em determinados pontos da aventura, principalmente se você estiver tentando capturar muitas criaturas e montar times variados.

    O combate é mais desafiador do que em jogos atuais, e exige um pouco de grinding. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Presente de aniversário, mas para quem?

    Quando analisamos Pokémon FireRed e LeafGreen isoladamente, vemos que, apesar de alguns aspectos que podem soar mais antiquados, os dois jogos conseguem sobreviver muito bem ao teste do tempo, já que entregam experiências de muita qualidade, com características bastante diferentes dos jogos modernos de Pokémon — o que torna o ato de jogá-los ou rejogá-los em 2026 muito divertido e até mesmo refrescante.

    Não obstante, precisamos falar do grande Dompan shiny na sala, que está relacionado com toda a metodologia de negócios escolhida pela The Pokémon Company. Para de começo de conversa, é preciso considerar o fato de esses dois ports de FireRed e LeafGreen apresentarem pouquíssimas melhorias quando comparado com os títulos originais. Vale dizer que esse pacote inclui os itens que permite acessar eventos especiais e capturar os Pokémon lendários Lugia, Ho-oh e Deoxys, o que é bastante positivo.

    Uma pequena árvore para Kanto, um enorme obstáculo para um treinador. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Todavia, tirando isso, o jogo basicamente não apresenta nenhuma função nova — nem mesmo suporte à funções online! Isso significa que a única maneira de trocar Pokémon ou batalhar com amigos é estando no mesmo ambiente, já que o jogo só apresenta comunicação local. FireRed e LeafGreen receberão suporte ao Pokémon Home, o que permitirá enviar seus monstros para outro jogo. Porém, essa função só chegará em um update futuro, e não está disponível em seu lançamento.

    Além disso, não dá para deixar de comentar a respeito de como esses jogos estão disponíveis no Switch 1 e 2. Ao invés de serem incluídos no Nintendo Switch Online + Expansion Pack, que já oferece jogos de GBA em sua assinatura, cada um desses jogos só pode ser comprado separadamente, e custam R$120,99, cada. Não preciso nem dizer que não, a TPC não se deu ao trabalho de adicionar localização em português do Brasil. Bizarramente, cada uma das línguas é uma compra separada na eShop. Se você quiser jogar em espanhol, por exemplo, precisa comprar esse pacote específico.

    Capturar os 151 Pokémon clássicos e completar a Dex continua sendo uma atividade divertida. (Imagem: Jhonatan Carneiro)

    Review de Pokémon FireRed e LeafGreen — Ótimos jogos, péssimo pacote

    No final das contas, o aniversário de 30 anos de Pokémon trouxe coisas interessantes para os fãs dos monstrinhos de bolso. Pokémon Champions, por exemplo, chega em abril como uma opção free-to-play para aqueles que desejam explorar o lado competitivo da franquia. Além disso, Pokémon Ondas e Pokémon Ventos chegam no ano que vem com uma nova geração que promete muito, já que traz um estilo gráfico renovado, além da tão esperada localização em português do Brasil.

    Mesmo assim, o que poderia ser mais um grande elemento desse aniversário se torna essa experiência meio agridoce, única e exclusivamente devido à escolhas de negócio bastante questionáveis por parte da The Pokémon Company. Não me entendam mal, como jogos, Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen são extremamente divertidos, instigantes, desafiadores e eu gostei demais de (re)experimentar essa aventura mais clássica de Pokémon. É uma pena, contudo, que tudo de bom que o jogo tem a oferecer fica um pouco soterrado em polêmicas que estão para além do jogo em si.

    Caso você realmente queira essa experiência clássica em plataformas modernas, e nem a barreira de língua, nem a ausência de funcionalidades online, nem o preço elevado sejam problemas muito grandes para você, então saiba que Pokémon FireRed e LeafGreen são sim dois jogos muito bons da franquia. Jogos esses que continuam muito bons, mesmo 22 anos depois de sua primeira aparição.

    PS: A análise foi feita em um Nintendo Switch 2 através de uma cópia cedida pela Nintendo.

    7.5

    Mesmo após 22 anos de seu lançamento original, Pokémon FireRed e LeafGreen continuam jogos muito divertidos, que exploram uma estrutura de jogo clássica mas extremamente engajante. É uma pena, contudo, que esses jogos estejam disponíveis por meio de um pacote caro e com poucas melhorias reais.

    Pontos positivos
    1. Tão divertido quanto em seu lançamento original
    2. Estrutura de jogo incentiva exploração
    3. Combate desafiador e engajante
    4. Os 151 Pokémon originais tem um charme especial
    Pontos negativos
    1. Demanda um pouco de grinding
    2. Poucas melhorias reais
    3. Preço elevado
    4. Ausência de localização em pt-br
    • Narrativa 5
    • Mecânicas 8
    • Conteúdos 7
    • Performance 10
    • Visuais 7
    • Trilha Sonora 8
    Game Freak Nintendo Pokémon FireRed Pokémon LeafGreen RPG The Pokémon Company
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    Jhonatan Carneiro

    Pai, professor e editor de arte. Estou sempre envolvido em algum projeto de revista ou livro sobre Nintendo. Você pode me encontrar lá no Twitter em: @JhoCarneiro

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