A franquia Fatal Frame nunca recebeu o reconhecimento que realmente merecia por parte dos jogadores. Desde sua estreia no PlayStation 2, a série apresentou uma proposta de survival horror autêntica e bastante única para a época. No entanto, em meio a gigantes do gênero como Resident Evil e Silent Hill, seu destaque acabou sendo ofuscado ao longo dos anos, mesmo com alguns lançamentos em outros consoles.
Quando Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake foi anunciado, a reação inicial foi marcada por incerteza e por se tratar de um dos títulos mais queridos da franquia e frequentemente apontado pelos fãs como o melhor, qualquer mudança poderia gerar receio. Isso se intensificava ainda mais pelo fato de a Koei Tecmo ter lançado recentemente algumas remasterizações que não agradaram ao público.
Embora eu não seja um dos maiores fãs da série, tive a oportunidade de jogar Fatal Frame 2 pela primeira vez no PlayStation 2, e ele acabou se tornando um daqueles jogos responsáveis por várias noites de insônia na minha infância. Convenhamos: o terror japonês é sem dúvida, um dos mais perturbadores que existem. Ele provoca uma sensação real de pânico e vulnerabilidade ao espectador.
A grande questão aqui era: Crimson Butterfly Remake realmente faria jus ao título de remake ou seria apenas uma versão com gráficos melhorados? Felizmente, posso dizer que o resultado superou minhas expectativas. O jogo não se limita a melhorias apenas a melhorias visuais, trazendo também novas mecânicas de gameplay, uma expansão em alguns pontos da história e até mesmo um final completamente inédito.
Prepare um lanche, apague as luzes e venha descobrir por que este pode ser o jogo definitivo que os fãs da série sempre esperaram!
Esta review foi produzida graças a um código de PS5 cedido gentilmente pela KOEI TECMO.
Pode ficar tranquilo(a): esta análise é totalmente livre de SPOILERS!
O ritual da Vila Minakami
A história de Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake acompanha as irmãs gêmeas Mio e Mayu Amakura. Durante uma visita a um local marcante de sua infância, que em breve seria submerso pela construção de uma represa, Mayu se depara com uma misteriosa borboleta vermelha e decide segui-la pela floresta.
Percebendo que a irmã parecia agir de forma estranha e hipnotizada, Mio decide segui-la e acaba sendo conduzida a uma espécie de dimensão espiritual do passado, onde ambas chegam à Vila Minakami (conhecida como The Lost Village). O que inicialmente parecia apenas uma noite comum logo se transforma em algo muito mais sombrio, quando notamos que o vilarejo está preso em uma noite eterna, consequência do Sacrifício Escarlate, um ritual que acabou falhando e terminando em uma tragédia.
A partir desse momento, nosso principal objetivo passa a ser entender por que tantas almas vagam sem rumo por esse lugar amaldiçoado, encontrar Mayu que começa a demonstrar um comportamento cada vez mais estranho e tentar quebrar esse ciclo macabro. Como nossa principal aliada de toda franquia, a Câmera Obscura está de volta e é encontrada por Mio, servindo como uma “arma” para se proteger e exorcizar os espíritos que vagam na região.

Para os jogadores que nunca tiveram contato com a série, a Câmera Obscura funciona como a principal “arma” do jogo e utiliza diferentes tipos de filmes e filtros. Esses elementos atuam de forma semelhante a munições, mas dentro de uma única câmera. Cada filme ou filtro possui características próprias, como causar mais dano, reduzir o tempo de recarga entre as fotos ou até mesmo amplificar o dano causado aos espíritos. No entanto, esses recursos são bastante limitados e raramente encontrados durante a exploração.
Para registrar a foto perfeita e causar mais dano aos inimigos, é necessário executar o Fatal Frame no exato momento em que o espírito está prestes a atacar. Esse curto intervalo de tempo é essencial, pois a captura nesse instante aumenta significativamente o dano causado e ainda pode atordoar o inimigo, evitando ataques consecutivos.

Além disso, o jogo mantém o sistema de barra de HP e stamina, sendo que a stamina é consumida ao correr ou até mesmo em momentos de susto durante encontros com os fantasmas.
Novidades surpreendentes do Remake
Durante os primeiros minutos de gameplay, já é possível perceber mudanças significativas na construção do mapa. O vilarejo agora se apresenta de forma mais ampla, oferecendo maior liberdade para que o jogador explore seus arredores. Para acessar novas áreas, será necessário resolver novos puzzles, coletar documentos que expandem a lore do jogo e descobrir eventos que podem levar a pequenas missões secundárias.
A clássica câmera fixa do original foi deixada de lado nesta versão, dando lugar a uma perspectiva em terceira pessoa. Essa alteração torna a experiência ainda mais assustadora, especialmente nos momentos em que os fantasmas se aproximam do jogador. A nova abordagem aumenta a sensação de tensão durante as aparições e ao mesmo tempo, moderniza um jogo que permaneceu preso no tempo por quase 20 anos.
Outra novidade presente em Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake é a introdução de uma mecânica de furtividade, que permite ao jogador decidir entre enfrentar os fantasmas diretamente ou tentar escapar utilizando o stealth. A lanterna também continua desempenhando seu papel na exploração, ajudando a iluminar ambientes escuros, no entanto, mantê-la acesa aumenta as chances de ser detectado pelos espíritos que vagam pelo vilarejo.

Em diversos momentos, optei por utilizar a furtividade, especialmente porque alguns inimigos do vilarejo costumam atacar em grupo. Para quem já está familiarizado com a série, sabe que enfrentar três ou quatro fantasmas em sequência pode facilmente se tornar uma situação fatal.
Com a introdução dos Charms (Amuletos), o remake traz uma evolução interessante ao sistema de combate. Agora, os jogadores podem coletar amuletos pelo cenário ou adquiri-los utilizando pontos obtidos ao fotografar espíritos. Uma vez equipados, esses itens funcionam como atributos adicionais, oferecendo vantagens como redução do dano recebido, aumento da janela de Shutter Chance nas fotos ou até mesmo uma pequena recuperação de HP.
É engraçado como pequenos detalhes mudam tudo por aqui! No original, a Mio era muito mais vulnerável, limitada a utilizar curas básicas e ao clássico Stone Mirror para salvar o progresso. Agora, com esse sistema de amuletos, o jogo ganha uma camada mais tática que faz todo sentido e torna ainda mais acessível. Você sente que tem mais recursos para enfrentar os fantasmas, mas o medo de ser pego num corredor apertado continua exatamente o mesmo.

Por fim, além das melhorias significativas nas mecânicas mencionadas anteriormente, o jogo também apresenta o final “Vínculo de Sangue” (Frozen Butterfly), somando-se aos desfechos clássicos que já existiam desde a versão de 2003. No original de PlayStation 2, os jogadores basicamente se deparavam primeiro com o trágico final canônico e o final “bom” exigia condições específicas, que na prática, era quase impossível de alcançar na primeira run.
Todas essas mudanças foram fundamentais para reforçar o tom dramático de Fatal Frame e aumentar o fator replay. Confesso que essa deveria ter sido a abordagem da Koei Tecmo desde o anúncio dos remasters anteriores da franquia. É uma pena pensar que uma narrativa tão envolvente tenha ficado presa ao passado por tanto tempo. Por outro lado, é gratificante ver que finalmente temos uma versão que faz jus ao legado do jogo!

Os problemas do Remake
Após destacar todas as novas mecânicas e melhorias que ajudam a transformar este no que pode ser considerado o melhor jogo da franquia Fatal Frame, infelizmente alguns problemas sérios acabam se sobressaindo e podem se tornar uma verdadeira pedra no sapato para a maioria dos jogadores.
Antes de entrar nesses pontos, é importante esclarecer que esta análise foi realizada na versão de PlayStation 5 Pro, antes do lançamento oficial do jogo, o que normalmente poderiam ocasionar certos problemas. Ainda assim, para entender melhor o problema que me acompanhou durante toda a gameplay, é fundamental diferenciar aquilo que é uma escolha artística dos desenvolvedores, falhas técnicas ou até mesmo falta de uma atualização.
Ao iniciar o game, pude notar que o jogo estava extremamente escuro. Para resolver este problema, decidi abrir as configurações e aumentar o brilho ao máximo para tentar, de alguma forma melhorar esse aspecto. Tentei habilitar o HDR e até mesmo desabilitar para ver se de fato alguma mudança seria aplicada por aqui, mas o jogo seguia escuro, dando a impressão de que eu estava equipado o tempo todo com a Câmera Obscura.

O jogo utiliza o granulado de filme como uma escolha artística da equipe de desenvolvimento, criando uma atmosfera mais sombria e intensa. No entanto, os problemas de iluminação aliados à granulação constante acabam comprometendo a experiência em vários momentos. Em diversas situações, mesmo com a lanterna ligada, os cenários ficavam tão escuros que era difícil enxergar o caminho, me obrigando a me aproximar da televisão e manter o brilho no máximo para conseguir continuar jogando.
Curiosamente, ao tirar capturas de tela ou gravar vídeos, o problema simplesmente desaparecia, como se a iluminação estivesse funcionando normalmente no jogo. Para garantir que não se tratava de alguma configuração incorreta, decidi realizar dois testes diferentes.
- Baixar a demonstração no Nintendo Switch 2;
- Baixar a demonstração na Steam (PC);
Em todas essas versões o problema da escuridão excessiva não estava presente. O granulado ainda era perceptível, mas cumpria claramente seu papel artístico de tornar os ambientes mais sombrios, algo que remete diretamente à atmosfera do clássico lançado no PlayStation 2.
Acredito que a versão final do jogo possa receber uma atualização para corrigir esse problema no lançamento. Ainda assim, é importante destacar que tive acesso apenas à versão de PlayStation 5 Pro antes da chegada oficial do título. Não tive contato com as versões completas dos outros consoles, o que me permitiu testar apenas as demonstrações disponibilizadas nessas plataformas.
Minha suspeita é de que o jogo tenha recebido uma atualização diferente daquela disponível nas demos. Ainda assim, independentemente disso, esse problema acabou impactando diretamente minha experiência durante a análise.

E por falar em problemas, é impossível não mencionar a ausência de legendas em Português do Brasil (PT-BR). Em pleno 2026, ainda não termos suporte ao nosso idioma oficial continua sendo uma grande falha. Isso acaba se tornando uma barreira para muitos jogadores e afasta parte do público de um jogo que é fortemente centrado em sua narrativa.
Aqui, o título oferece apenas alguns dos principais idiomas, como inglês, espanhol e japonês, o que é uma pena, especialmente considerando a grande quantidade de documentos e arquivos espalhados pelo jogo que são essenciais para compreender a história. Isso se torna ainda mais evidente a partir do quarto capítulo, quando diversas revelações importantes começam a surgir.
Outro ponto que também pode incomodar alguns jogadores é a limitação de 30 FPS nos consoles. Durante meus testes na versão de PS5 Pro, não enfrentei travamentos ou quedas de desempenho que comprometessem a experiência, porém o jogo permaneceu travado nessa taxa de quadros.

No PC, por outro lado, é possível alternar entre 30 e 60 FPS, o que acaba sendo um pouco frustrante, especialmente considerando que o hardware dos consoles atuais teria capacidade suficiente para rodar o jogo com maior fluidez.
Aspectos técnicos
Em comparação com a versão anterior lançada no Nintendo Wii, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake apresenta melhorias gráficas significativas. Os cenários agora contam com uma maior quantidade de detalhes e objetos espalhados pelo ambiente, além de paisagens cuidadosamente construídas que remetem aos templos tradicionais do Japão. Tudo isso é aliado com um excelente level design que se conecta o tempo todo, ligando casas e até mesmo templos de um ponto ao outro para facilitar a sua rota.
O jogo também se destaca pelos efeitos sonoros perturbadores, que ampliam significativamente a sensação de imersão ao explorar o vilarejo. Para tornar a experiência ainda mais bizarra, recomendo utilizar um headset, já que assim é possível perceber detalhes como o ranger da madeira ao caminhar sobre o assoalho das casas, os sons dos espíritos se aproximando e até mesmo os gritos de agonia quando fotografamos um fantasma e causamos dano.

No geral, o game entrega uma boa experiência com gráficos satisfatórios, que estão longe de se tornarem os mais bonitos da geração, mas cumprem bem seu papel entregando uma atmosfera sombria e tensa para quem procura um verdadeiro survival horror assustador.
Review de Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake – Vale a Pena?
O folclore japonês é repleto de espíritos vingativos, rituais antigos e elementos perturbadores, o que sempre foi um grande destaque tanto em produções cinematográficas quanto em lendas urbanas presentes na cultura do Japão. Retornar a um clássico do passado exige um cuidado especial por parte da desenvolvedora, principalmente pelo forte fator nostálgico que inevitavelmente envolve os jogadores.
Mesmo com os problemas de iluminação mencionados, que podem ser corrigidos com ajustes futuros, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake consegue entregar exatamente aquilo que esperamos da franquia: terror na medida certa, com sustos inesperados, uma narrativa envolvente e confrontos únicos utilizando a icônica Câmera Obscura.
O jogo ainda se mostra pouco acessível para o público brasileiro, já que não conta com legendas em Português do Brasil. Isso acaba tornando a experiência menos atrativa para parte dos jogadores, especialmente porque a narrativa depende bastante de arquivos e documentos espalhados pelo cenário que detalham os acontecimentos históricos do vilarejo.
Por outro lado, o título compensa com diversas novidades na gameplay, incluindo um novo final que aumenta o fator replay e a mudança para uma câmera em terceira pessoa, algo que foi muito bem-vindo e ajuda a modernizar a experiência. No geral, Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake é um jogo envolvente e que certamente vale o tempo dos fãs de terror!
O problema de iluminação, inclusive, já vem sendo comentado por outros jogadores em vídeos de gameplay no YouTube e em discussões na internet. Por isso, é provável que uma atualização seja lançada para corrigir essa questão.
Fatal Frame 2: Crimson Butterfly Remake veio para mostrar que a franquia está mais viva do que nunca, com uma abordagem de câmera em terceira pessoa, novas mecânicas de gameplay que tornam o combate ainda mais desafiador e um novo final que promete aumentar o fator replay. Apesar dos problemas destacados e a falta de legendas em PT-BR, o jogo continua sendo um título obrigatório para os fãs do survival horror que esperaram pelo Remake de um dos jogos mais aguardados da franquia.
Pontos Positivos
- Novas mecânicas de gameplay aprimoram o combate
- História sombria e envolvente
- Maior fator replay
Pontos Negativos
- Bug de iluminação deixa o jogo extremamente escuro
- Falta de legendas em PT-BR
- Narrativa
- Jogabilidade
- Efeitos Sonoros/Trilha Sonora
- Direção de Arte
- Desempenho
