Tem jogos que você termina e pensa “ok, foi bom”. Tem outros que você gosta bastante, mas sabe que poderia ter ido além. E tem aquele tipo raro de sequência que pega tudo o que já funcionava antes, entende onde estavam os gargalos e volta maior, mais seguro e muito mais viciante. Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é exatamente isso.
J vou deixar o veredito logo de cara: minha nota é 10. E não é um 10 emocional nem por amor à franquia. É um 10 porque a Capcom acertou a mão em praticamente tudo aqui. Ela pegou um spin-off que já tinha personalidade dentro do universo de Monster Hunter, aparou as pontas, deixou os sistemas mais fluidos e entregou um RPG que te prende por horas sem se esforçar.
É o tipo de jogo em que você liga o console pensando em fazer uma missão rápida e, quando percebe, já perdeu a tarde inteira explorando os mapas, chocando ovos, testando builds de monstros e mexendo no seu time.
E quando um RPG consegue provocar esse tipo de sensação, já dá pra entender que tem alguma coisa muito especial acontecendo ali.
Um Monster Hunter diferente; e agora muito mais confiante
Desde o primeiro jogo, Monster Hunter Stories sempre foi uma leitura bem diferente da série principal. Enquanto os Monster Hunter tradicionais giram em torno de combate em tempo real e da caça direta de criaturas gigantes para fabricar armas e armaduras, Stories sempre puxou o universo da franquia para o lado de um RPG japonês clássico, com combate por turnos e foco nos vínculos.
Essa ideia já era boa antes. Só que em Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection a sensação é de que a série finalmente encontrou sua forma mais segura.

A história ajuda bastante nisso. A aventura se passa entre os reinos de Azuria e Vermeil, duas nações que vivem um momento de guerra, com recursos cada vez mais escassos e um conflito político prestes a explodir. Ao mesmo tempo, o mundo começa a sofrer com um fenômeno estranho chamado crostalização, que transforma criaturas e ambientes em estruturas de cristal e ameaça o equilíbrio natural das regiões.
No meio disso, o protagonista não é um aventureiro qualquer jogado no mundo. Você assume o papel do príncipe ou da princesa de Azuria, alguém que já possui responsabilidade dentro daquele universo e que também atua como Patrulheiro, uma espécie de guardião dos ecossistemas.

Essa decisão muda bastante a maturidade da história. Em muitos JRPGs você começa como um personagem completamente perdido que vai entendendo o mundo aos poucos. Aqui não. Seu personagem já conhece aquela realidade e já tem um papel fundamental dentro dela.
E mesmo mantendo a estética colorida e charmosa da série, com monstros carismáticos e uma direção de arte cheia de personalidade, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection passa a sensação de que os problemas realmente têm peso.
Um loop de gameplay simplesmente viciante
Se existe um ponto em que Monster Hunter Stories 3 realmente brilha, é no loop de gameplay.
Basicamente, tudo no jogo conversa entre si. Você sai para explorar o mapa procurando uma espécie específica, coleta materiais e usa para crafting, encontra um ovo raro, restaura habitats, testa novas variações de monstros, enfrenta inimigos mais fortes, ganha materiais melhores, fabrica equipamentos superiores e volta ao mapa ainda mais preparado.

É um ciclo extremamente bem conectado. E o mais impressionante é que quase nenhum sistema parece estar ali só para preencher espaço, algo que infelizmente acontece em muitos RPGs gigantes. Em Twisted Reflection, praticamente tudo tem uma função.
Um dos melhores exemplos disso é o sistema de restauração de ecossistemas. Em várias regiões do mapa existem monstros invasores que prejudicam o ambiente e impedem a fauna local de prosperar. Ao derrotá-los, você pode montar acampamentos e reintroduzir espécies na área.

Isso gera dois efeitos muito legais. O primeiro é narrativo: dá uma sensação genuína de estar melhorando o mundo. O segundo é mecânico: regiões restauradas começam a gerar ovos melhores, monstros mais fortes e novas possibilidades de build. Ou seja, o jogo recompensa diretamente quem se envolve com o sistema.
Combate estratégico e muito mais refinado
O sistema de batalha continua baseado no famoso triângulo de ataques: Força, Velocidade e Técnica. Em essência, ele funciona como uma espécie de pedra-papel-tesoura. Só que em Twisted Reflection essa base recebe muitas camadas.
Além do tipo de ataque, entram em jogo fatores como fraquezas elementais, tipo de arma, partes do corpo do monstro, gerenciamento de stamina e sinergias entre personagens e Monsties. Isso transforma cada luta em algo muito mais estratégico do que parece à primeira vista, mas ao mesmo tempo acessível e gerenciável.

Uma das adições que mais gostei foi a Barra de Alma Serpe. Ela funciona como um alvo estratégico adicional durante as batalhas. Dependendo da situação, atacar essa barra para quebrar o ritmo do inimigo e causar stun pode ser muito mais eficiente do que focar diretamente nas partes do corpo.
Outro detalhe excelente é a separação entre stamina e afinidade, o que melhora bastante o ritmo do combate de Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection. Agora você pode usar habilidades com mais liberdade sem sentir que está sabotando o seu próprio ataque especial.

E visualmente elas também estão ótimas. As animações de poderes especiais são lindíssimas, os ataques especiais são extremamente bem dirigidos e a câmera sabe valorizar os momentos importantes sem transformar tudo em uma verdadeira confusão visual; ou algo simples demais.
Um RPG que funciona por mérito próprio
Outra coisa que eu gostei muito em Monster Hunter Stories 3 é que ele abraça sem medo a estrutura de um JRPG clássico.
A campanha segue um ritmo bem tradicional do gênero. Você vai desbloqueando novas regiões, conhecendo personagens, entendendo os problemas locais e explorando cada bioma com seus próprios monstros e mecânicas.

Ao mesmo tempo, o jogo oferece uma quantidade enorme de conteúdo paralelo. Existem dragões anciões que aparecem à noite, espécies invasoras com mecânicas próprias, habitats para restaurar, builds complexas de monstros e uma monstropédia gigantesca para completar.
No PS5 base, que foi onde joguei, a experiência também foi excelente. A direção de arte é linda, o cel shading é muito bem trabalhado e as cutscenes têm uma qualidade de animação impressionante. Fora que o jogo está bem estável em termos de performance e qualidade gráfica.

A trilha sonora também merece elogio. Ela é belíssima e deve entrar no rol de obras de arte dos videogames. Um álbum extremamente agradável de se escutar.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é perfeito
No fim das contas, Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é facilmente o melhor jogo da sub-série até agora; e sem forçar muito, diria que é o melhor de toda a franquia Monster Hunter.
Ele pega tudo o que já funcionava nos títulos anteriores, melhora a fluidez dos sistemas, aprofunda o combate, fortalece a exploração e amarra tudo isso em um mundo que realmente parece vivo. E o mais importante: é um jogo que te prende de verdade.
Você sempre sente que existe algo novo para descobrir, algum monstro diferente para testar ou alguma build interessante para montar. E quando um RPG consegue provocar esse tipo de curiosidade constante, ele já está fazendo algo muito correto.
Por tudo isso, pra mim não tem muito mistério: Monster Hunter Stories 3 é um jogo nota 10. Parabéns para a Capcom, que se encontra em uma fase rara na história dos videogames.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é o melhor jogo do arco Stories e um dos melhores RPGs das últimas décadas.
Pontos negativos
- Excelente trilha sonora
- Combate dinâmico e muito intuitivo
- Gráficos e animações impressionam
- Grande quantidade de conteúdos
- Mecânicas substancialmente melhores em relação aos jogos passados
- Ótimo ritmo de jogo
- Dublagem de altíssima qualidade
Pontos negativos
- Não há
- História
- Desempenho
- Gráficos
- Som
- Diversão
- Jogabilidade