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    Review: Cultic (PS5)

    André CustódioAndré Custódiojulho 22, 20268 Mins Read
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    Cultic
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    Cultic mostra que os shooters retrô ainda têm muita munição

    Existe um limite pra quantidade de jogos inspirados nos shooters dos anos 1990 que o mercado consegue suportar? Talvez. Afinal, depois de tantos projetos tentando recriar os famigerados mapas labirínticos e a movimentação acelerada, é natural que algumas experiências comecem a parecer versões diferentes de um mesmo projeto.

    Cultic, porém, mostra que ainda há bastante espaço pra trabalhar dentro dessa fórmula. Desenvolvido praticamente por uma única pessoa, o jogo teve seu primeiro capítulo lançado em 2022 e recebeu o Capítulo Dois anos depois, mas apenas pra PC. Agora, finalmente temos a versão de consoles, e o resultado é que conhecemos um FPS diretamente inspirado por Blood, mas que não depende apenas da nostalgia pra justificar sua existência.

    Temos cultistas fortemente armados, criaturas deformadas, mapas enormes, muitos segredos, armas clássicas e uma quantidade absurda de violência. Porém, o título também encontra personalidade em sua direção de arte e em momentos de terror que mudam completamente o ritmo de um boomer shooter tradicional.

    Vai encarar?

    Em uma New Grandewel do ano de 1963, forças ocultas trabalham nos bastidores pra reviver uma antiga entidade ancestral. Com isso, a região fica marcada por uma grande quantidade de mortes e desaparecimentos, à medida que um culto satânico sacrifica pessoas pra realizar seus propósitos macabros.

    Um corajoso ex-detetive assume o caso sozinho, logo depois de ser emboscado e cair no meio desse pesadelo. Usando todo o arsenal que tá ao seu favor, ele inicia uma cruzada violenta pra exterminar todos que têm relação a esse culto, a fim de frustrar seus planos de invocar a força cósmica conhecido como “A Vontade”.

    Cultic é um jogo de tiro e de jogabilidade rápida fortemente inspirado por clássicos retrô, como Blood, DOOM, Shadow Warrior e Duke Nukem. A diferença fica por conta de uma proposta mais narrativa e menos apelativa do que o boomer shooter tradicional, pois apesar de termos um protagonista badass, elementos como frases de efeito e alívio cômico são inexistentes.

    O título é composto por dois capítulos e um interlúdio, que apesar de serem conectados narrativamente, são oferecidos como experiência standalone por meio do menu do jogo. O primeiro leva cerca de 5h pra ser zerado, enquanto o segundo é bem mais longo e pode chegar a mais de 10h dependendo do seu ritmo. Além disso, Cultic possui um modo sobrevivência pra você testar seus limites e capítulos bônus.

    Nessa visão geral, temos uma experiência sólida e rica de jogo. Fãs dos clássicos podem esperar muitas referências e segredos, com caminhos escondidos, colecionáveis, uma quantidade satisfatória de armas e tiroteio honesto baseado em hordas e na violência gráfica.

    Armas simples, mas extremamente satisfatórias

    O arsenal de Cultic é bastante tradicional. Pistola, espingarda, submetralhadora, rifle, explosivos e algumas opções mais pesadas aparecem ao longo do jogo, sem “perdíveis”, por sinal, pois elas surgem em alguns momentos da campanha caso você não tenha encontrado anteriormente. A diferença tá na forma como cada uma dessas armas responde.

    Os sons são fortes e impactantes, as animações são caprichadas, em especial de carregamento, e os inimigos reagem aos disparos de maneira exagerada. Mesmo a pistola inicial continua útil por boa parte da campanha, enquanto o rifle de alavanca facilmente se transforma na estrela do jogo; estando todos com uma quantidade generosa de munições oferecidas.

    Acertar um inimigo à distância e assistir ao resultado dificilmente perde a graça, mesmo depois de várias horas, enquanto a escopeta acerta vários adversários de uma vez, a carabina tem um ótimo senso de repetição, o lança-foguetes tem seu peso e as demais são marcadas por seus belos designs.

    As armas de Cultic também podem ser melhoradas com peças encontradas nos mapas, que nem sempre são fáceis de encontrar. As modificações são simples, mas acrescentam disparos alternativos e ajudam cada equipamento a continuar relevante, seja por meio do dano causado ou por conta da quantidade de munições abastecida.

    Além disso, Cultic entrega bastante dinamite e coquetéis incendiários. É possível acender os explosivos antes de arremessá-los ou jogá-los no chão pra detoná-los com um tiro, transformando grupos inteiros de inimigos em uma confusão de chamas e pedaços voando.

    Mapas enormes e cheios de detalhes

    Cultic não é construído como uma sequência de corredores que leva diretamente até a saída, assim como vimos em boomer shooters mais lineares. Os mapas são grandes, possuem diferentes níveis de altura com uma boa verticalidade, sempre têm segredos e normalmente apresentam caminhos que se conectam em algum ponto.

    Você procura chaves, libera atalhos, retorna a ambientes anteriores e encontra áreas secretas, sem a necessidade de realizar backtracking. Na maior parte do tempo, a exploração acontece de maneira natural, especialmente quando o jogo apresenta lugares que parecem existir além da função de servir como arenas, ou seja, te recompensando de alguma forma.

    Há minas, cidades, hospitais, igrejas, centros comerciais e construções antigas em Cultic. Cada fase tenta apresentar alguma característica própria, seja por sua arquitetura, pelos inimigos, pelos coletáveis, que incluem recompensas e itens de lore, ou por uma mudança no ritmo.

    Os cenários também possuem pequenas interações que não são essenciais, mas ajudam bastante na construção da personalidade do jogo. É possível mexer em máquinas de digitação, quebrar uma quantidade absurda de objetos, arremessar elementos do ambiente e descobrir pequenas áreas escondidas.

    Infelizmente, em alguns momentos essa vastidão do mapa paga seu preço. Cultic poderia ter tempos de carregamento melhores após uma morte ou durante a transição dos capítulos, enquanto esse mundo sofre com alguns problemas de colisão que permitem, por exemplo, ver outras áreas ao encostar nas paredes. Isso deve ser consertado em patches próximos.

    Temos elementos de terror também

    Apesar da ação acelerada, Cultic reserva alguns momentos onde os inimigos nem sempre ficam visíveis (literalmente), a música diminui e o jogador precisa atravessar ambientes praticamente vazios, com alguns deles bem escuros que exigem o uso de isqueiros ou de uma lamparina portátil.

    Esses trechos funcionam porque o jogo trabalha mais com expectativa do que com jumpscares óbvios. Há muitos corredores escuros e estreitos, sons distantes e objetos posicionados de forma estranha que criam uma sensação de que alguma coisa está prestes a acontecer. Aqui, temos um problema envolvendo apenas o som: ele apresenta inconsistências que nem sempre indicam o posicionamento correto de um inimigo.

    Uma das melhores sequências de Cultic, aliás, acontece em uma área comercial ocupada por manequins sem rosto. Eles não atacam diretamente, mas mudam de posição sempre que deixam de ser observados; uma referência moderna ao que Resident Evil 7 fez com o DLC de Rose e que vários outros jogos conseguiram aproveitar com uma certa eficiência.

    É curioso perceber que o aparecimento de inimigos comuns chega a causar certo alívio. Quando os cultistas surgem, o problema volta a ser conhecido: basta pegar a espingarda e sobreviver. Enquanto isso, as aberrações são mais rápidas e sinistras, com um design bem monstruoso e inspirado em tudo que Lovecraft foi capaz de criar.

    O segundo capítulo aposta mais nesses segmentos, embora exagere em algumas sequências roteirizadas. Mesmo assim, os melhores momentos mostram que Cultic consegue construir seu próprio estilo de terror sem transformar o jogador em uma cobaia nesse sentido.

    O segundo capítulo é maior, mas menos preciso

    O primeiro capítulo de Cultic apresenta um ritmo melhor, assumo. Seus mapas são maiores, mas normalmente desenvolvem uma ideia central e terminam antes que ela se torne cansativa ou previsível. Aqui, temos uma preocupação melhor com a narrativa, mas sem sacrificar o tempo de campanha que, cá entre nós, já é satisfatório com suas 5h.

    O segundo tenta ampliar praticamente tudo, mas estende desnecessariamente o tempo de jogo. Temos fases maiores, novos inimigos, mais chefes, armas adicionais e sequências mais elaboradas, com algumas delas sendo scriptadas e quebrando a liberdade que o boomer shooter costuma oferecer. Em seus melhores momentos, isso cria algumas das partes mais impressionantes do jogo, mas nem toda é bem-vinda.

    Alguns inimigos são mais frustrantes do que desafiadores, as lutas contra determinados chefes demoram demais e as novas armas nem de longe são tão interessantes quanto as originais. Há também mapas que continuam por mais tempo do que deveriam e são preenchidos por um vazio maior, apesar das recompensas ainda estarem lá.

    Cultic encontra sua personalidade em uma fórmula conhecida

    Cultic não possui o mesmo humor de Blood ou a variedade de DUSK, mas também não se trata de apenas uma cópia. O jogo é recheado de personalidade por meio de uma mistura de armas clássicas, mapas interativos, terror em bom nível e violência exagerada que criam uma experiência bastante particular.

    A personalidade do jogo acaba se encontrando nos pequenos detalhes, nos atalhos que levam a tesouros e a outros itens valiosos de lore, na variedade satisfatória da jogabilidade e em um ritmo muito bem estruturado, principalmente quando falamos do Capítulo Um.

    Os problemas começam a acontecer no Capítulo Dois. Temos aqui algumas questões de consistência e repetitividade, e sua paleta dominada por tons escuros pode se tornar visualmente cansativa. Ainda assim, quando a música começa e os inimigos ocupam a arena, poucos shooters retrô atuais conseguem entregar uma sensação parecida.

    Cultic não reinventa o gênero nem revoluciona algumas das ideias que formularam a história do boomer shooter, mas executa suas principais ideias com tanta competência que isso pouco importa. E respondendo novamente à pergunta do começo do review, o jogo prova que ainda não vimos o suficiente desse estilo.

    7.6 Bom

    Ágil e violento, Cultic é um jogo de tiro que cumpre bem o que propõe ao se inspirar nos maiores boomers shooters de todas as gerações de consoles.

    Pontos positivos
    1. Tiroteio eficiente e com muita variedade
    2. Bom sistema de progressão das armas
    3. Mapas grandes e cheios de segredos
    4. Dificuldade satisfatória e justa
    Pontos negativos
    1. Tempos de carregamento poderiam ser melhores
    2. Algumas falhas na colisão
    3. Sistema de som inconsistente
    • História 6
    • Desempenho 8
    • Gráficos 8
    • Som 7
    • Jogabilidade 9
    Cultic
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    André Custódio

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