God of War: Sons of Sparta é um novo jogo da famosa franquia iniciada pelo estúdio Santa Monica da PlayStation. Surpreendentemente a PlayStation topou terceirizar o projeto para a Mega Cat Studio, uma equipe conhecida por desenvolver jogos indies.
A nova aventura é protagonizada por um jovem Kratos que acompanha seu irmão, Deimos, em uma jornada para resgatar um jovem espartano que está desaparecido. Você vai descobrir nesse review de God of War: Sons of Sparta se a nova aventura de Kratos vale o seu tempo e se ela faz jus ao legado do personagem.
O mythos espartano
Muitos anos antes de Kratos se tornar um arauto da vingança, ele era um jovem espartano com sonhos e que servia como mentor de seu irmão, Deimos. God of War: Sons of Sparta funciona bem em mostrar o background dos personagens, como o código de ética e expertise deles foi forjado e, principalmente, passamos a compreender melhor a relação entre Kratos e Atreus.

Seu jeito de educar e direcionar Deimos lembra muito as aventuras nórdicas recentes da franquia. Uma coisa que chega a ser irritante para o ritmo é as interrupções constantes em forma de cutscenes obrigatórias. O estúdio não soube aplicar bem a frequência desses diálogos.
Outro ponto que causa um impacto negativo em relação à narrativa são os problemas de mixagem de som e até mesmo falta de sincronia nas legendas. Apesar do jogo estar dublado em nosso idioma, muitas vezes os personagens não conseguem terminar suas frases e a legenda ou aparece antes ou por vezes até depois do que foi dito.
No mais, a aventura tem uma duração satisfatória (cerca de 12 a 15 horas para concluir apenas a história) e o fim da jornada dos irmãos orna bem com o que foi apresentado dentro da franquia ao longo dos anos. O estúdio respeita muito bem o legado construído pela Santa Monica. A cereja do bolo consiste nos comentários de Calliope na medida que Kratos vai se aproximando do fim da história.

Por ser um prequel, jogar sabendo todo o efeito Dominó que acontece dentro da história e tudo que Kratos passa até chegar o momento atual com Atreus dá um gostinho ainda mais especial para a trama.
Agora confesso que a narrativa é excelente para um fã de God of War, contudo, para um jogador que não conhece a franquia, ela é um tanto quanto simplória e não é uma boa porta de entrada para a saga.
O início do Fantasma
Antes de Kratos se tornar o Fantasma de Esparta, ele já era um guerreiro bem versado no uso da lança e escudo. God of War: Sons of Sparta deixa isso evidente. Apesar de ainda não ser um adulto, Kratos consegue despachar inimigos formidáveis como Harpias, a Skolopendra, Cíclopes, Centauros e muito mais.

A variedade de inimigos é bem satisfatória e muitos deles entregam uma dose absurda de nostalgia, visto que caso você seja um fã da saga, passamos anos e anos destroçando esses adversários.
Além de usar sua lança e escudo nas batalhas, Kratos também consegue usar Bençãos dos Deuses que basicamente funcionam como magias. Apolo por exemplo consegue um estilingue impulsionado pelo poder do sol. Todas as bençãos podem ser aprimoradas, desbloqueando dois ataques especiais novos.
Um ponto formidável é que essas Bençãos além de serem incrivelmente úteis em combate, também possuem um grande valor na exploração e travessia. Podemos acionar mecanismos, destruir portas roxas mágicas, pular mais alto usando as botas da vitória concedidas por Nice e por aí vai.
A lança possui três partes, como a haste e a ponta, que podem ser aprimoradas no ferreiro, aumentando atributos como dano e poder de atordoamento. Dois pontos importantes em metroidvanias são a precisão de comandos e o impacto dos golpes e felizmente essas duas coisas foram bem aplicadas aqui.

Em suma, a Mega Cat seguiu a cartilha dos metroivanias enquanto respeitou as animações de combate da franquia principal, só que dois defeitos gigantescos seguram e muito a experiência.
O primeiro é o dano de colisão. Caso você encoste em um inimigo, você vai sofrer dano e vai ser jogado um pouco para trás. Esse mecanismo muitas vezes faz com que você fique travado em um lugar (aconteceu comigo dezenas de vezes nas 31 horas jogadas). As vezes os inimigos também ficam posicionados nas pontas das beiradas, impedindo que o jogador suba e progrida no cenário.
Somado a esse defeito irritante, temos um combate que fica repetitivo demasiadamente rápido pela falta de armas novas. A escolha do estúdio por apresentar apenas a lança como arma para Kratos foi um tanto quanto esquisita e torna os combates tão enjoativos que em certo ponto você vai fazer de tudo para simplesmente passar correndo.
Uma maratona de colecionáveis
God of War: Sons of Sparta apresenta uma quantidade surpreendentemente grande de conteúdos secundários. Precisamos coletar artefatos valiosos, cristais que funcionam como fragmentos de história, totens de gatos e por aí vai.
Muitos desses itens estão intimamente ligados à lore e ajudam a contextualizar mais sobre o mundo e a mitologia grega. É claro que eles também servem como uma alavanca para a progressão, concedendo almas que podem ser usadas para aprender novas habilidades.

O problema dessa maratona é que a travessia no mapa só fica menos irritante perto do final do jogo, quando liberamos a viagem rápida entre acampamentos. Antes disso, o ato de ir e vir é frustrante e engessado.
As botas de Nice ajudam a diminuir o tempo para chegar nos locais, contudo, seu uso está atrelado à uma das barras de recurso, o que não tem nenhum sentido lógico. Um lado muito positivo da platina do jogo é que as atividades secundárias e colecionáveis te deixam tão forte que você termina de fato se sentindo como um Deus, algo próximo da versão atual de Kratos em God of War: Ragnarok.
Defeito na forja
A quantidade de problemas técnicos em God of War: Sons of Sparta me fazem pensar que o jogo não teve um trabalho de QA aplicado de maneira extensiva.
Como mencionei no começo do review, temos problemas na mixagem de áudio, legendas dessincronizadas e além disso tive quedas de frames constantes e até crashes. Isso beira o absurdo visto que se trata de um jogo 2D em pixel art rodando no PlayStation 5 Pro.
E acaba também sendo uma pena, visto que a direção de arte está fantástica e emula bem os jogos principais da franquia e a trilha sonora e efeitos sonoros estão impecáveis. Eu confesso que nem a dublagem brasileira e nem a americana me agradaram, o sentimento é de que as vozes não casaram bem com os personagens mais jovens.
O departamento de animação também brilhou muito na construção do jogo, com finalizações brutais que fazem jus à franquia e animações de ataque dos inimigos que estão idênticas aos dos jogos principais, porém, claro, transportadas para um mundo 2D em pixel art.
Review de God of War: Sons of Sparta
God of War: Sons of Sparta é uma faca de dois gumes. Como um jogo que busca reproduzir a experiência da franquia através de um formato novo, ele funciona muito bem, contudo, analisando o jogo friamente como um metroidvania, as falhas são evidentes e escancaram a falta de experiência do estúdio com o gênero.
O problema aqui é que o gênero é um dos mais concorridos do mercado e as comparações com outras obras são inevitáveis. Somado a isso, temos uma parte técnica repleta de problemas que diminuem consideravelmente o quesito diversão, tornando a jornada frustrante em muitos trechos.
Somando todos esses pontos, eu só recomendo God of War: Sons of Sparta para fãs ferrenhos da franquia. Caso você não tenha qualquer tipo de conexão com a saga de Kratos, só cogite pegar o jogo em caso de uma promoção agressiva.
God of War: Sons of Sparta funciona muito bem como um prequel da história de Kratos, contudo, o jogo derrapa em pilares importantes de um metroidvania e apresenta vários problemas técnicos.
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
