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    Review: Death Howl (PS5)

    André CustódioAndré Custódiofevereiro 19, 2026Updated:fevereiro 19, 20265 Mins Read
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    Death Howl
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    Durante muito tempo, confesso que tive certa resistência com jogos independentes. Talvez por influência do que estava em alta entre amigos, talvez por hábito mesmo. No início dos anos 2000, praticamente tudo caía no mesmo balaio, e o debate sobre o que era ou não “indie” ainda engatinhava.

    Só que, com o tempo, essa visão mudou. Passei a enxergar o cenário independente como um espaço de liberdade criativa, onde ideias ganham forma sem as amarras típicas de grandes produções.

    Death Howl, desenvolvido pela The Outer Zone e publicado pela 11bitstudios, é um daqueles títulos que reforçam essa percepção. Disponível agora nos consoles, o jogo entrega uma experiência intensa, autoral e surpreendentemente profunda. Seus visuais simples remetem à essência indie, mas narrativa e jogabilidade caminham em um nível muito mais sofisticado.

    Recebi acesso antecipado ao jogo e investi mais de 50 horas até alcançar a platina, em um percurso exigente, mas extremamente recompensador. E poucos jogos conseguem unir história e sistema com tamanha coerência.

    Uma história sobre luto

    Em Death Howl, você controla Ro, uma jovem tribal que sonha em se tornar xamã. Depois de perder o filho em uma tragédia, ela mergulha em um luto devastador. Movida pelo desespero, decide ascender ao reino espiritual para tentar trazê-lo de volta.

    A premissa poderia soar simples, mas a execução está longe disso. O jogo evita qualquer alívio cômico e mantém o tom firme do início ao fim. A narrativa é alegórica, porém clara o suficiente para não se tornar pretensiosa. O sofrimento de Ro é retratado com sensibilidade, e mesmo em pixel art sua expressão transmite dor, dúvida e persistência.

    Ao longo da jornada, ela encontra personagens que não facilitam sua subida até o topo da montanha. Muitos deles não tentam impedi-la por maldade, mas porque acreditam que o verdadeiro propósito da travessia é aceitar a perda. Já os diálogos são diretos e carregados de significado, com cada conversa acrescentando camadas emocionais à história, sem exagero ou melodrama.

    Combate tático com alma de soulslike

    Se a narrativa impressiona, a jogabilidade é o que consolida Death Howl como algo especial. O sistema mistura combate tático em grade, inspiração soulslike e mecânicas de deckbuilding em uma estrutura única.

    Ro possui pontos de mana que determinam suas ações por turno. Cada carta consome uma quantidade específica, enquanto mover-se pelo campo também gasta recursos. Isso obriga o jogador a planejar com cuidado cada decisão, pois errar não é apenas um detalhe; pode significar derrota.

    Os inimigos funcionam como peças de xadrez. Alguns absorvem dano com escudos e buffs de força, já outros se movimentam rapidamente ou aplicam debuffs severos. Enquanto isso, os chefes de Death Howl introduzem regras próprias e exigem leitura atenta do padrão de ataque.

    Além disso, há cartas de maldição e interrupção que afetam diretamente o turno de Ro. Caso não sejam removidas a tempo, podem causar dano fatal. O combate, portanto, exige previsão e muita atenção.

    Deckbuilding como raramente visto

    A mecânica central gira em torno da construção de baralhos. As cartas estão vinculadas às regiões onde são obtidas, e usar cartas de áreas diferentes aumenta o custo de mana. Isso cria um dilema interessante: vale investir em sinergias puras ou misturar estratégias?

    Ro pode equipar até 15 cartas por deck e salvar diferentes combinações como loadouts. As opções são vastas: escudos, dano direto, invocações, veneno e efeitos especiais variados. Minha build, por exemplo, foi a de veneno, poderosa e arriscada ao mesmo tempo. Como Ro possui apenas 20 pontos de vida, qualquer descuido é punido com severidade.

    Há também um sistema de totens que concede bônus passivos, como dano aumentado ou escudos adicionais, mas sempre com alguma contrapartida. Já a progressão em Death Howl ocorre por meio de árvores de habilidades desbloqueadas em cada região.

    Regiões que moldam o combate

    O jogo conta com cinco mapas principais, cada um com propriedades próprias. Em uma região gelada, o vento congela Ro caso o combate se prolongue demais. Em outra, uma pedra da morte cria pressão constante para encerrar a luta rapidamente.

    Ro também desbloqueia ultimates específicas por região. Algumas amplificam dano, outras atingem múltiplos inimigos. Ainda assim, nada substitui um baralho bem construído.

    Um detalhe interessante é o uso de cartas temporárias adquiridas ao derrotar criaturas específicas. Elas permitem usar habilidades únicas desses inimigos, o que adiciona variedade às batalhas e torna tudo mais visualmente caprichado.

    Mundo espiritual e atmosfera marcante

    Os mapas são compactos, mas bem estruturados para um RPG isométrico. Há segredos, eventos paralelos e encontros opcionais que enriquecem a aventura, tudo em um mundo espiritual apresentado pelo jogo que carrega um peso constante de morte e luto.

    Visualmente, Death Howl impressiona pela simplicidade bem executada. Reflexos na água, partículas e iluminação criam um ambiente imersivo. Já a trilha sonora merece destaque especial: atmosférica e delicada, ela sustenta o clima introspectivo da campanha.

    Dificuldade e pequenos tropeços

    Apesar da solidez geral, há pontos que poderiam melhorar. Filtros de cartas ajudariam na organização dos decks, e um glossário de inimigos facilitaria a compreensão de habilidades específicas.

    A campanha principal dura entre 15 e 25 horas, enquanto a platina pode ultrapassar 50. E mesmo durante todo o período de teste, enfrentei apenas um congelamento de tela. No geral, é uma experiência bem otimizada.

    Death Howl é um indie obrigatório

    Death Howl é um dos indies mais impactantes dos últimos anos. Ele traz narrativa madura, combate desafiador e um sistema estratégico profundo em uma experiência coesa e cheia de personalidade. Não é um jogo fácil, mas recompensa quem se dedica.

    Para quem aprecia projetos autorais e experiências que tratam temas humanos com respeito, este é um título obrigatório. O cenário independente prova mais uma vez que criatividade e coragem podem gerar resultados memoráveis.

    9.2 Essencial

    Projeto indie cheio de personalidade, Death Howl é uma experiência folclórica única que vai te sugar até a alma.

    Pontos positivos
    1. História muito emocionante
    2. Trilha sonora inesquecível
    3. Cenários cheios de detalhes e de alternativas
    4. Excelente sistema de deckbuilding
    5. Boa variedade de gameplay
    6. Tempo satisfatório de campanha
    Pontos negativos
    1. Poderia haver mais filtros de acessibilidade
    • História 9
    • Diversão 9
    • Som 10
    • Jogabilidade 9
    • Desempenho 9
    • Gráficos 9
    Death Howl
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    André Custódio

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