Os videogames vão muito além de uma forma de arte. Eles exploram experiências que não podem ser reproduzidas em outras mídias, como o cinema, tornando tudo ainda mais emocionante para quem joga. A sensação de liberdade e de escolha vai além dos jogos baseados em decisões ou múltiplos finais.
Com o tempo, eu entendi que o videogame é muito mais do que uma narrativa bem construída ou uma gameplay fluída como a de The Last of Us Part II, mas um meio capaz de transmitir diretamente ao jogador as emoções. Em Despelote, novo título do estúdio equatoriano liderado por Julián Cordero e Sebastián Valbuena, essa proposta se mantém viva!
Após jogá-lo pela primeira vez no PlayStation 5, fiquei completamente encantado com sua narrativa emocionante, criando momentos únicos mesmo com apenas 2 horas de duração. Decidi dar uma chance para rejogá-lo no Nintendo Switch 2 e revisitar esse universo brilhante na palma de minhas mãos, e confesso que o resultado me surpreendeu!
Esta review foi produzida graças a um código de Nintendo Switch 2.
Pode ficar tranquilo(a): esta análise é totalmente livre de SPOILERS!
O amor pelo futebol
Apesar de usar um enquadramento em primeira pessoa, o jogo carrega várias camadas. Em alguns momentos, ele parece uma memória de infância interativa; em outros, funciona como um documentário esportivo misturado com drama social e uma reflexão transparente sobre o processo criativo.
Desde a cena de abertura, Despelote já faz refletir sobre o quanto os jogos de futebol evoluíram desde o início dos anos 2000. Ao final, pode ser difícil não pensar no crescimento do próprio meio dos videogames.
Logo nos primeiros minutos, no entanto, todas essas questões parecem distantes. Você assume o papel de Julián, um garoto de oito anos — uma versão levemente fictícia do próprio Cordero brincando com uma cópia de Kick Off, clássico top-down de Dino Dini.

A sensação é familiar, mas o controle é diferente: para chutar, é preciso usar o analógico direito, com a opção de recuar e aplicar mais força. Esse detalhe, na verdade, serve como um tutorial disfarçado, preparando o jogador para os momentos em que Julián terá uma bola real nos pés.
O cenário é um pedaço da cidade de Quito, incluindo sua casa, a escola e o Parque La Carolina. Em 2001, o Equador estava tomado pela febre do futebol, catalisada por um momento histórico: Agustín “Tin” Delgado, ídolo local, marcou um gol decisivo contra o Peru, deixando a seleção a poucos pontos da classificação inédita para a Copa do Mundo de 2002.
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Uma partida de futebol na palma das suas mãos
Despelote é uma experiência incrível para ficar apenas “nos consoles de mesa”! Assim como na primeira vez que joguei no PS Portal, dessa vez pude jogar de forma nativa através do Nintendo Switch 2. Com 2 opções disponíveis (Dock ou Handheld), optei por finalizá-lo completamente no modo portátil, tornando a experiência ainda mais divertida e memorável.
Utilizando a Unity Engine, o jogo oferece uma experiência visual com desenhos feitos à mão, reforçando ainda mais seu tom artístico. Além disso, o desempenho se mantém estável durante toda a jogatina, independentemente da forma escolhida para jogar no Nintendo Switch 2. Ao finalizar o game pela segunda vez, notei apenas um pequeno problema de áudio, no qual um trecho específico da narrativa ficou silenciado por alguns segundos.

O estilo visual do game pode não agradar a todos, já que aposta em uma paleta de cores mais escura, como tons de vermelho e cores claras para destacar os personagens. Ainda assim, esses elementos se encaixam de forma harmoniosa e com o passar do tempo, é fácil se identificar com as escolhas artísticas dos desenvolvedores.
Em suma, Despelote é uma experiência memorável e nostálgica, que resgata a infância de seu protagonista e apresenta de forma sensível à história de Julián, um garoto apaixonado por futebol e por pequenas lembranças de sua família no passado.
Não há muito mais a acrescentar: se você procura uma experiência sólida, com gameplay responsiva, narrativa imersiva e ótimo desempenho no Switch 2, este é, sem sombra de dúvidas, o jogo ideal para você!
Uma jornada linear de curta duração
Apesar de apreciar jogos lineares, de curta duração e com foco narrativo, é impossível não mencionar que Despelote oferece cerca de apenas duas horas de gameplay, sem conteúdos secundários que ampliem sua vida útil. Isso pode ser um ponto negativo para parte do público, mas, na minha concepção, não chega a ser um motivo para deixá-lo de lado.

Com uma narrativa curta e objetiva, o jogo apresenta um início, meio e fim bem definidos. Sempre que a experiência é voltada para as partidas de futebol, ambas se mostram divertidas e animadas, graças aos comentários dos personagens, que são carismáticos e contribuem para a jornada na vida de Julián.
Review de Despelote – Vale a Pena?
Divertido, envolvente e emocionante, Despelote é uma verdadeira carta de amor ao futebol, fugindo das fórmulas tradicionais de títulos como FIFA e apostando em uma narrativa mais sensível e imersiva, vivida sob a perspectiva de um garoto de apenas 8 anos. Apesar de ter jogado inicialmente no PS5, a versão de Nintendo Switch se mostra altamente recomendada, já que a experiência no modo portátil adiciona uma camada única de imersão.
O jogo não apresenta problemas de desempenho, afastando qualquer preocupação para quem busca sair do console tradicional e aproveitar uma experiência mais interativa na palma das mãos. Não há muito mais a ser dito além de uma recomendação direta: Despelote é um título que merece ser jogado por todos!
Como uma carta de amor para os fãs de futebol, Despelote oferece uma narrativa emocionante na perspectiva de um garoto de apenas 8 anos. A possibilidade de jogá-lo na palma das mãos é uma excelente forma de conhecer o game que pode ser finalizado em apenas uma tarde.
Pontos Positivos
- Narrativa emocionante
- Partidas de futebol são divertidas
- Perfeito para jogar no modo portátil
Pontos Negativos
- Curta duração da campanha
- Poderia oferecer novos conteúdos secundários
- História
- Jogabilidade
- Gráficos
- Trilha Sonora
- Desempenho
