Esta é a minha segunda review do ano e, naturalmente, I Hate This Place chamou minha atenção quase de imediato. Jogos de sobrevivência com câmera isométrica, que misturam ação e terror, sempre tiveram um apelo forte pra mim, principalmente quando a proposta envolve gestão de recursos e exploração.
Desenvolvido pela Rock Square Thunder (The Lightbringer, 2021)e publicado pela Feardemic (Stasis, 2025), o jogo tem uma perspectiva isométrica clássica, ciclo de dia e noite e uma ambientação inspirada nos quadrinhos de Kyle Starks e Artyom Topilin, que dão nome à obra, algo que já o diferencia de outros títulos do gênero à primeira vista.
Mesmo sem ter jogado a demo, acompanhei trailers e vídeos de gameplay que despertaram um interesse real, tanto pelo estilo visual quanto pela promessa de um terror mais focado em sobrevivência e estratégia do que em sustos bestas.
Ainda assim, ao colocar a “mão na massa” para a produção desta review, ficou claro que I Hate This Place não era exatamente aquilo que eu esperava, infelizmente! Bora para a análise.

Uma história que não envolve
Vamos começar esta review de I Hate This Place falando sobre sua narrativa. Ela parte de uma premissa bastante comum dentro do horror. Elena e sua companheira, Lou, cometem o erro clássico de mexer com forças que não compreendem, o que acaba trazendo uma entidade hostil para o mundo real.

A partir daí, o jogo estabelece um objetivo: sobreviver em um ambiente amaldiçoado enquanto Elena tenta encontrar e salvar sua amiga.
O cenário do Rancho Rutherford, que se expande para florestas, áreas abandonadas e estruturas subterrâneas, serve como pano de fundo para essa jornada.

O problema é que, na prática, essa história nunca conseguiu me envolver de verdade. Em nenhum momento senti um vínculo real com Elena, nem me importei com o destino de Lou ou com o que estava acontecendo naquele mundo.
A narrativa é funcional, cumpre o básico, mas permanece rasa do início ao fim. Mesmo quando o jogo apresenta missões secundárias, novos personagens e pequenos mistérios locais que ajudam a explicar o que levou aquele lugar à ruína, nada disso deixa uma impressão inesquecível.

Isso não torna a trama ridícula ou completamente descartável, mas é uma oportunidade perdida. Considerando que o gameplay também não consegue sustentar o interesse por conta própria, algo que entraremos em detalhes mais adiante, a história poderia ter sido mais bem trabalhada.
“I hate” a jogabilidade do título
Na teoria, I Hate This Place apresenta todos os elementos clássicos de um survival isométrico. Elena precisa gerenciar recursos, explorar o ambiente, criar itens e lidar com três barras diferentes: vida, vigor e saciedade.

Essa última exige muita atenção, já que a personagem precisa se alimentar para evitar penalidades como lentidão e perda de eficiência. É um sistema que, no papel, adiciona uma camada extra de gerenciamento e reforça a proposta de sobrevivência.
O jogo também conta com um ciclo de dia e noite bem definido, lembrando propostas vistas em títulos como Dying Light. Durante o dia, é possível explorar com mais liberdade, enfrentar inimigos em menor número e preparar o terreno.

À noite, o cenário muda: os inimigos ficam mais agressivos e o risco aumenta consideravelmente. Essa mudança de ritmo funciona como conceito, mas, na prática, não é suficiente para sustentar o interesse quando o restante da jogabilidade começa a mostrar seus problemas.
Combate foi a minha maior decepção do jogo
O sistema de combate adota o formato twin-stick shooter, em que um analógico controla a movimentação da personagem e o outro a mira. No entanto, a execução desse modelo é um dos pontos mais problemáticos da experiência.
Ao atirar enquanto se movimenta, Elena fica extremamente lenta, isso em um nível que não transmite vulnerabilidade, mas sim falta de responsividade. Mesmo considerando que a personagem não é uma combatente treinada, essa lentidão exagerada compromete qualquer tentativa de reação durante os confrontos.

O uso de armas de fogo também é frustrante. O impacto dos tiros é fraco, o feedback é ruim e, de forma inexplicável, inimigos costumam cair com mais facilidade usando armas corpo a corpo, como tacos, do que levando disparos diretos, inclusive de armas mais pesadas.
Em diversas situações, atirar parecia menos eficiente do que partir para o combate físico, algo que quebra completamente a lógica interna do sistema.

O resultado é um combate pouco satisfatório, sem peso, sem prazer e que, em vez de empolgar, incentiva o jogador a evitá-lo sempre que possível. Não por estratégia, mas por achar chato demais.
Snake ficaria chateado
Quando o combate direto falha, a expectativa natural seria recorrer ao stealth, mas essa alternativa também não funciona bem. Elena se movimenta muito lentamente ao agachar, qualquer superfície gera ruído e os inimigos percebem sua presença com facilidade excessiva.

Não existe um sistema de finalização furtiva, o que elimina qualquer sensação de vantagem ao se aproximar de um inimigo pelas costas.
Melhore o rancho
O jogo também tenta equilibrar sua proposta com um sistema de construção de base. Ao longo da campanha, é possível melhorar o rancho, instalar estruturas para fabricar curativos, munição, armas e explosivos. Esses aprimoramentos dependem de projetos encontrados durante missões e exploração, o que adiciona um senso básico de progressão.

Construção e exploração que não se conversam
Apesar de funcional, esse sistema é extremamente simples e pouco estimulante. Algumas áreas só podem ser acessadas com tipos específicos de explosivos, como dinamite, enquanto outros artefatos similares não funcionam sem explicação clara. Isso força idas e vindas desnecessárias até a base, quebrando o ritmo da exploração.

Saves a la Resident Evil
O sistema de salvamento segue um modelo semelhante ao de Resident Evil, com pontos específicos onde é possível salvar, dormir e organizar o inventário. Não há salvamento automático, o que significa que morrer resulta em perder um bom trecho de progresso.

Embora isso possa funcionar dentro do gênero, aqui o impacto é agravado por um combate travado e pouco confiável. Não é que o jogo seja difícil; ele é punitivo por falhas de design. A sensação recorrente é de perder progresso não por erro do jogador, mas porque os sistemas simplesmente não colaboram.
No fim das contas, a jogabilidade de I Hate This Place tenta abraçar muitas ideias ao mesmo tempo, sobrevivência, combate, stealth, base building, e acaba falhando em quase todas.
Um visual fiel aos quadrinhos
Visualmente, o game segue com bastante fidelidade a estética dos quadrinhos que deram origem ao jogo. Assim, a direção de arte aposta em um estilo cartunesco, com cores mais fortes e saturadas, contornos bem marcados e uma identidade que remete diretamente ao horror dos anos 1980.

O gráfico em si não é feio e cumpre o seu papel. Há momentos interessantes, principalmente na ambientação geral, mas também fica evidente que alguns elementos poderiam ter recebido mais cuidado.
Certas estruturas e detalhes de cenário passam uma sensação de acabamento mediano. O design dos inimigos e dos NPCs, em especial, é bastante simples e pouco inspirado, algo que pode até ser explicado pela estética adotada, mas que ainda assim não tem como deixar passar.
No fim das contas, o visual não chama atenção de forma marcante, mas também não compromete a experiência. Ele se mantém em um patamar “ok”, vamos dizer assim.
O game precisa de correções urgentemente
Se o visual se mantém dentro do aceitável, o desempenho técnico é, sem exagero, um dos pontos mais problemáticos do jogo. Joguei uma versão antecipada no PlayStation 5 base, enfrentei uma quantidade de falhas que hoje são difíceis de justificar. O jogo simplesmente fechou sozinho três vezes, sem qualquer aviso ou motivo aparente.
Os bugs vão além disso. Em duas ocasiões, o save foi corrompido: ao entrar no jogo, o arquivo simplesmente não existia mais, me forçando a reiniciar a campanha do zero. Não houve mensagem de erro ou recuperação possível. O progresso simplesmente desapareceu.
Também houve diversos momentos em que o jogo literalmente me impediu de continuar jogando. Elena ficava presa em vegetações e partes do cenário, sem qualquer forma de se soltar. Nenhuma ação funcionava e a única solução era fechar o jogo completamente e abrir novamente. Quando isso acontecia longe de um ponto de salvamento, todo o progresso era perdido.
Além disso, travamentos constantes de imagem são frequentes, especialmente ao sair de salas seguras e retornar ao mapa aberto. Os inimigos, em vários momentos, se movimentam deslizando pelo cenário de forma estranha.
Há falhas na exibição de legendas, algumas presas na tela mesmo após o fim de diálogos e pequenos erros que, somados, passam uma clara sensação de falta de polimento.
É um jogo que precisa urgentemente de correções. Falta cuidado, falta refinamento e falta estabilidade. Somando esses problemas técnicos à jogabilidade já problemática, fica difícil relevar falhas que impactam diretamente a experiência do jogador.
Trilha sonora é um dos poucos acertos
A trilha sonora é, sem dúvida, um dos pontos altos da experiência. A música do menu inicial, em especial, remete bastante à estética e ao clima de séries como Stranger Things, o que faz sentido dentro da proposta inspirada no horror dos anos 1980. É uma trilha que ajuda a criar expectativa e funciona bem como porta de entrada para o universo do jogo.
Os efeitos sonoros também cumprem um bom papel. Sons de passos em diferentes superfícies, o barulho ao pisar em cacos de vidro, o mato sendo pisado e até o uso das armas são bem representados e contribuem para a ambientação. Embora o berro dos bodes tenham me irritado bastante.
O áudio, como um todo, ajuda a sustentar a tensão e reforça a proposta de sobrevivência. Dentro de um conjunto problemático, trilha sonora e design de som acabam se destacando positivamente.
Review de I Hate This Place: Vale a Pena?
Finalizo esta review de I Hate This Place dizendo que ele acabou sendo uma grande decepção para mim. Ao assistir aos vídeos e acompanhar a divulgação do jogo, me interessei bastante pela proposta, pelo estilo visual e pela ideia de um survival horror isométrico com foco em sobrevivência. Infelizmente, a experiência final passou longe do que eu esperava.
O jogo não convence em praticamente nenhuma de suas vertentes principais. O combate é frustrante, a jogabilidade é travada, a história não envolve, as missões secundárias são esquecíveis e o desempenho técnico compromete seriamente a experiência.
Em especial, os problemas de performance, bugs, crashes e falhas de progressão são difíceis de ignorar e tornam a experiência mais irritante do que divertida.
É importante deixar claro que essa é a minha opinião sobre o jogo. Com certeza, outras pessoas podem se divertir com o gae, e tudo bem.
O título conta com uma demo disponível na Steam, o que permite testar a experiência antes de investir, algo especialmente relevante considerando que ele não chega a serviços de assinatura e precisa ser comprado.
Portanto, I Hate This Place precisa urgentemente de correções. No meu caso, passei mais raiva jogando do que me divertindo e isso, para um jogo, é sempre um sinal preocupante.
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A jornada problemática de Elena
I Hate This Place tinha tudo para funcionar: ele tem boas ideias. No entanto, o jogo falha em transformar boas intenções em uma experiência realmente envolvente. A jogabilidade frustrante, o combate pouco satisfatório e, principalmente, os inúmeros problemas técnicos acabam pesando muito mais do que os poucos acertos.
Apesar de uma trilha sonora competente e de um visual que cumpre bem seu papel, no conjunto da obra, a experiência não é divertida. A história não prende e os sistemas não conversam entre si. Para mim, ficou a impressão de uma experiência que prometia mais do que conseguiu entregar.
As poucas coisas boas
- Visual estilizado, puxando para os quadrinhos
- Trilha Sonora e efeitos de som satisfatórios
- Abundância de itens
O que não deu certo
- História rasa e esquecível
- Missões secundárias sem capricho
- Combate, no geral, decepcionante
- Problemas técnicos gravissímos
- Design das criaturas poderia e deveria ser melhor
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Trilha Sonora
