Uma das surpresas deste início de ano, MIO: Memories in Orbit chega com a promessa de renovar o espaço do metroidvania por meio de seu conceito visual. Com arte feita à mão, ele encanta em um primeiro momento, mas será que isso é o suficiente para se estabelecer?
Finalizamos MIO: Memories in Orbit e já temos o nosso veredito: esse novo metroidvania é um bom jogo? Ou você pode deixar para um próximo momento sem perder muita coisa?
Visão geral de MIO: Memories in Orbit
MIO: Memories in Orbit é um jogo de ação e aventura, no estilo metroidvania, com fortes inspirações em Hollow Knight e Ori. O título foi desenvolvido pelo Douze Dixièmes, um pequeno estúdio francês que foi comprado pela Focus Entertainment em 2021.
Nele, você assume o papel de Mio, uma robô com capacidades extraordinárias que recebe a missão de descobrir porque a nave Nau ficou à deriva no espaço. Com isso, ela deve explorar cada centímetro da nave para conversar com máquinas sobreviventes, reativar as IAs responsáveis pela Nau e sobreviver diante de robôs que nem de longe são amigáveis.

MIO: Memories in Orbit é um jogo longo, com cerca de 20h a 30h de campanha e mais tempo a frente, caso você queira fazer os 100% ou pegar uma platina. Além disso, ele tem diversos conteúdos extras, missões alternativas, chefes secretos e mais coisas pra fazer no endgame, como um final verdadeiro.
Em relação à estrutura, o jogo segue bastante os padrões do metroidvania, com avanço progressivo de mapa, muito backtracking, áreas secretas, evolução básica da personagem, habilidades de progressão desbloqueadas durante a campanha e mais. Fãs do gênero vão ficar bem satisfeitos com esse conceito geral, pois há claras referências ao que foi construído nos últimos anos e consolidado, por exemplo, com jogos premiados como hollow Knight.

Em termos de dificuldade, o jogo exige muita atenção, precisão e, especialmente, paciência. Há inúmeras sessões com armadilhas, perigos ambientais, inimigos e mais. E quando isso se mistura às mecânicas de jogo… bom. Definitivamente mesmo os jogadores mais experientes não terão vida fácil.
Conceito hipnotizante e único
O contraponto em MIO: Memories in Orbit fica por conta da proposta artística. Os visuais do jogo e o mundo desenhado a mão são simplesmente impressionantes. Os desenvolvedores estavam realmente muito inspirados quando fizeram a Nau, pois os cenários são muito detalhados, a variedade de biomas surpreende e aspectos técnicos, como reflexos e iluminação, são caprichados.
Outro ponto que vale notar é a trilha sonora. As músicas são muito bonitas e conversam muito bem com a narrativa complexa e fragmentada. Isso porque o jogo tem bem um estilo souls de contar história, com textos em documentos, falas sem muita clareza e progressão lenta principalmente dos eventos mais profundos.

Assim como todo metroidvania, o jogo tem um sistema de combate simples, mas preciso. Mio consegue usar um combo básico de ataques e é capaz de atacar enquanto salta ou aterrissa, com a possibilidade de melhorar seus atributos por meio de colecionáveis conhecidos como modificadores.
Já o escudo diz respeito à vida de MIO. Ela começa com poucos, mas aprimora à medida que compra capacidade e se fortalece pelos modificadores. Basicamente esse sistema consiste em golpes que a robô leva: toma um golpe, perde um escudo. Ah, e sem a possibilidade de recuperar. Não existe frasco no jogo ou ação que reverta a perda de uma vida.

Enquanto isso, Mio conta com algumas ações que permitem atravessar os mapas de diversas formas. Entre elas, está um grampo de cabelo que gera um impulso extra de salto, uma mecânica de planar por tempo limitado e um comando de escalar paredes e outras estruturas. Há muitas possibilidades e, no fim das contas, você que decide qual a mais adequada.
Diante disso tudo, os desenvolvedores de MIO elevaram a dificuldade as alturas, seja por escolha de design ou por alguns problemas que prejudicam muito, mas muito mesmo, a experiência na Nau.
Um verdadeiro teste de resiliência
MIO: Memories in Orbit é um jogo com muitos picos de dificuldade. Os inimigos são fáceis de enfrentar mesmo em zonas mais lotadas, mas os trechos com perigos ambientais chegam a ser muito frustrantes, ao ponto de te fazer querer desistir. E basicamente eles são atrapalhados por duas coisas: checkpoint e interface.
Antes de mais nada, vale reforçar que MIO é uma espécie de Hell is Us metroidvania. Não há qualquer indício sobre o que fazer, seja por meio dos poucos coletáveis de texto ou por ícones no mapa. Assim, se sentir perdido é muito fácil, especialmente em um jogo baseado no bate volta.

Os checkpoints são ainda mais problemáticos. No game, os pontos de salvamento são bonitos e funcionam como uma espécie de souls: descansar neles recuperar a energia, mas revive todos os inimigos mortos (com exceção de chefes e miniboss).
Também há um sistema de reviver supervisores, pois apenas eles são capazes de ativar a viagem rápida. Porém, alguns deles estão escondidos em zonas muito secretas, e você pode acabar ativando o checkpoint sem ter o supervisor; ou seja, sem viagem rápida.

Como se isso não bastasse, os saves automáticos ocorrem em zonas muito, mas muito distantes, dos perigos reais. Morrer no jogo, algo que acontecerá com muita frequência, vai te causar muita dor de cabeça, pois você vai precisar andar muito mesmo até chegar ao local de morte. E em basicamente todas as áreas são assim, com exceção do acesso a alguns chefes.
Outro problema grave, se não o mais problemático do jogo, é a interface. MIO: Memories in Orbit é lotado, mas lotado mesmo, de trechos com armadilhas no estilo Super Meat Boy. algumas dessas áreas requerem precisão extrema; algo que nem sempre funciona com os comandos muito simples do jogo.

Fora que a câmera prejudica muito. Não há mudança de perspectiva ou outra coisa do tipo. Muitas vezes será preciso morrer 50 vezes para literalmente decorar o que fazer e avançar. E quando isso parte para os trechos de perseguição, onde um monstro empurra o personagem pra frente e te impede de parar por um segundo sequer, é caso de desistir mesmo de jogar.
MIO: Memories in Orbit é agradável, mas há problemas
MIO: Memories in Orbit é uma experiência muito contemplativa, reflexiva, madura e profunda. A historia é realmente muito boa, os momentos de plot twist na campanha são incríveis e há um bom desenvolvimento do mundo, seja no sentido visual ou mais poético.
Infelizmente, as mecânicas um pouco imprecisas e falhas graves de interface prejudicam muito uma jogabilidade que já é desafiadora. Dessa forma, em incontáveis trechos, a diversão é totalmente substituída por uma frustração sem fim, que mesmo com alguns recursos de acessibilidade passa longe de ser mitigada.
MIO: Memories in Orbit é um metroidvania único em diversos aspectos e não há como negar que o trabalho artístico da Douze Dixièmes é impecável. No sentido de performance geral, o jogo não apresenta problemas, mas alguns bugs de áudio tornam a transição entre biomas diferentes mais grosseira. Poderia melhorar.
O jogo fica disponível em 20 de janeiro para PS5, Xbox Series, Nintendo Switch 1 e 2, e PC.
Charmoso e inteligente, MIO: Memories in Orbit é um eficiente metroidvania que traz uma dificuldade elevada e desafios algumas vezes mal moderados.
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Visuais
- Som
- Diversão