Logo nos primeiros minutos de Planet of Lana 2 já fica claro que não se trata apenas de repetir a fórmula anterior. A base está ali — silêncio, contemplação e narrativa interpretativa — mas existe uma camada extra de tensão que muda completamente o ritmo da jornada.
Tivemos o prazer de receber uma cópia digital para PlayStation 5 e testar antes do lançamento oficial. A experiência foi extremamente positiva e Novo nos surpreendeu de maneiras que não poderíamos imaginar. Muito passou pela qualidade dos puzzles e da interação entre Mui e Lana no gameplay.
O mesmo tempero, mas uma receita diferente

A Wishfully Studios manteve a decisão de contar a história em uma língua inventada, sem qualquer legenda. Isso, que já era marcante no primeiro jogo, aqui ganha ainda mais força. Como o mundo está mais complexo, a ausência de tradução obriga o jogador a prestar atenção em cada detalhe.
E essa atenção é necessária porque Novo não é mais o mesmo. Se antes acompanhávamos Lana tentando salvar sua irmã e sua aldeia de máquinas misteriosas, agora o planeta já passou pela invasão inicial. Ele mudou. As máquinas deixaram de ser apenas ameaça e passaram a fazer parte do cotidiano.
Essa transformação aparece logo no ponto de partida da trama. A irmã mais nova de Lana adoece após entrar em contato com um metal tóxico. A partir daí, a ameaça deixa de ser abstrata. Ela é física. Está dentro de casa. Está no corpo de alguém próximo.
Ainda mais imersivo!
Impedida de ir para a linha de frente enfrentar os exploradores, Lana assume outra missão: buscar os ingredientes necessários para produzir o antídoto. Essa escolha narrativa é importante porque desloca o foco da guerra direta para a corrida contra o tempo, mas os caminhos entre as facções e a busca, obviamente, acabam se cruzando.

E é nessa caça aos recursos que o jogo começa a mostrar como cresceu. Cada ingrediente leva a um bioma diferente, e cada bioma apresenta novas interações. Não é apenas mudança estética. É mudança de estrutura. O jogador precisa reaprender como se movimentar e resolver problemas.
Quando Lana alcança regiões com água mais profunda, por exemplo, ela passa a nadar e explorar áreas maiores. Já em florestas densas, o foco recai mais sobre furtividade e observação. Em áreas urbanas, sistemas eletrônicos entram com mais força nos puzzles.
Essa expansão conversa diretamente com as novas habilidades da protagonista. Lana agora consegue interagir com dispositivos tecnológicos do seu povo. Não é uma tecnologia agressiva ou destrutiva e o jogo explora bem essa ideia nos desafios.
Mui, sua vez!
Mas se Lana evoluiu, Mui evoluiu ainda mais. O pequeno companheiro deixa de ser apenas apoio e passa a ser peça central na maioria dos puzzles. E essa mudança é perceptível logo nas primeiras horas.
O controle dele é técnico e bem distribuído. Guiado pelo analógico direito, posicionado estrategicamente com R1, executando ações com triângulo e retornando com círculo, Mui funciona como uma extensão direta do raciocínio do jogador.
E isso se torna ainda mais interessante quando entram em cena novos animais com habilidades próprias. Cada região apresenta criaturas diferentes, e Mui pode interagir com elas para desbloquear caminhos, desativar sistemas ou manipular o ambiente.
Essa dinâmica transforma a dupla em uma engrenagem sincronizada. Enquanto Lana ativa um mecanismo, Mui se esgueira por uma abertura. Enquanto ele cria uma distração, ela atravessa uma área vigiada. Essa troca constante mantém o ritmo sempre ativo.
Mesmo em momentos stealth, Planet of Lana 2 se destaca
O stealth, aliás, ganhou peso. Guardas e torres de vigilância criam sequências tensas, onde observar padrões de movimento é fundamental. Não basta apenas apertar botão. É preciso entender o espaço.
É justamente nessas partes mais intensas que aparecem pequenos problemas de responsividade. Em momentos de fuga que exigem precisão absoluta, há situações em que o comando parece ter um leve atraso. Não compromete o conjunto, mas quebra a fluidez em pontos críticos.
Felizmente, isso não define a experiência. Porque, logo após um trecho mais acelerado, o jogo desacelera novamente. E essa alternância entre contemplação e urgência funciona muito bem.

Enquanto a busca pelos ingredientes avança, o passado de Novo começa a ganhar mais destaque. Aos poucos, o jogador descobre que uma civilização anterior entrou em colapso durante uma exploração espacial.
Essa revelação não vem em forma de exposição direta. Surge em ruínas, em estruturas esquecidas, em pequenos detalhes visuais. E o interessante é como isso dialoga com o momento atual do planeta.
A história deixa implícito que Novo já enfrentou ciclos semelhantes antes. O planeta guarda marcas. E Lana, mesmo focada em salvar sua irmã, acaba atravessando essas camadas históricas.
Uma saga para jogar relaxado e contemplar!
Visualmente, tudo isso é sustentado por um estilo artístico que continua impressionante. O jogo parece pintado à mão. As cores ajudam a contar a história. Áreas industriais trazem tons mais frios. Regiões naturais são vibrantes e cheias de vida. É a transição de cada momento do jogo quebrando a parede e conversando com quem está segurando o controle. É sutil? Sim, mas funcional.
Claro, a trilha sonora acompanha essa construção. Existem momentos em que a música cresce de forma sutil enquanto a câmera se abre para paisagens amplas. Em certos trechos, guardadas as devidas proporções, a atmosfera lembra Death Stranding 2 na forma como utiliza silêncio e ambientação para criar impacto.
Essa combinação de arte, som e narrativa reforça o caráter contemplativo do jogo. Mas, diferente do primeiro capítulo, aqui existe sempre um senso de urgência no fundo.
A campanha dura cerca de seis horas, podendo se estender um pouco mais dependendo do ritmo e da habilidade com os puzzles. Não é longa, mas é consistente. Cada novo ambiente traz algo diferente.
E é justamente nessa consistência que se percebe a evolução. O escopo é maior. As mecânicas são mais variadas. Mui ganhou protagonismo real. Lana interage mais com o mundo. O planeta parece mais vivo.
No fim, Planet of Lana 2 consegue algo difícil: expandir sem perder identidade. Ele mantém o silêncio como ferramenta narrativa, mantém a contemplação para brincar com a imersão, mas adiciona tensão, urgência e complexidade.
O resultado é uma sequência que respeita o que veio antes, mas não se acomoda. É maior, mais dinâmico e, principalmente, mais conectado emocionalmente com o jogador. Novo continua bonito. Continua frágil. E agora parece mais imprevisível do que nunca.
Planet of Lana 2
Planet of Lana 2 é uma sequência que entende exatamente onde precisava evoluir. O escopo cresceu, os biomas são mais variados, os puzzles ganharam novas camadas e Mui deixou de ser apenas suporte para se tornar peça central da experiência.
Pontos Positivos
- Consegue entregar uma sequência digna em relação ao primeiro jogo
- Os puzzles são difíceis, sim, mas são extramamente criativos e bem montados
- A relação entre a exploração e a resolução desses mistérios é muito bem conectada
- A melhor integração de Mui e a química com Lana fazem o jogo não se tornar tão repetitivo
- Trilha sonora e direção artística conseguem nos deixar imersos dentro de um universo onde a atuação dos personagens explica tudo!
Pontos Negativos
- Responsividade dos comandos é um problema - que pode ser resolvido
- Algumas coisas não integram a narrativa de uma forma coesa, como a participação da equipe de combate da facção de Lana
- Um pouco curto demais
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Som
- Visuais
