Em 2025 eu tomei a decisão de experimentar um leque maior de experiências dentro dos games. Jogos que normalmente eu passaria. Essa busca pelo novo me rendeu descobertas maravilhosas, como Kingdom Come: Deliverance 2.
Motivado por isso, decidi reprisar a estratégia em 2026 e topei fazer o review de Romeo is a Dead Man, o novo jogo de Suda51, um dos diretores mais autorais da indústria. Nesse review de Romeo is a Dead Man, você vai descobrir tudo que eu achei do jogo e se eu acredito que vale a pena adquirir ele no lançamento.
Uma história que atravessa o tempo
Romeu e Julieta é, inegavelmente, o casal mais famoso do mundo. Eternizados na obra de Shakespeare, a narrativa trágica da obra serviu de inspiração pra construção da lore de Romeo is a Dead Man. Aqui, Romeo é um policial que se depara com uma mulher misteriosa, sem memórias, numa estrada. Os dois se apaixonam e combinam de fugir juntos, até o fatídico dia de fugir chegar.
Uma criatura monstruosa aparece e acaba deixando Romeo em estado gravíssimo. Seu avô, do futuro, aparece e insere um dispositivo especial em Romeo, salvando a vida do rapaz com o custo de transformar ele em Deadman, um morto-vivo com grande aptidão física. Diante desse contexto, Romeo se torna um cadete do FBI (mas não o FBI que conhecemos). Uma agência governamental que caça alvos interdimensionais. Eu não vou entrar em mais detalhes sobre a trama porque Romeo is a Dead Man é um jogo singleplayer de 15 horas e a narrativa é um pilar central da experiência.

A assinatura de Suda51 está impregnada na parte narrativa, com diálogos cheios de humor ácido, referências hilárias à cultura pop, viagem no tempo, amor. A lore do jogo é bem original e lembra constantemente uma revista em quadrinho, coisa que vejo como ponto positivo! Os personagens secundários e antagonistas são bem mirabolantes, seguindo a essência dos projetos de Suda51.
Honestamente, em meio a tantas obras com o propósito completamente comercial, sem uma alma, Romeo is a Dead Man é como uma brisa de ar fresco lembrando que ainda existe espaço para histórias que fogem do comum.
Um retalho que funciona
A jogabilidade de Romeo is a Dead é majoritariamente pautada no gênero hack’n slash, contudo, o jogo bebeu um pouco da fonte dos soulslikes no que diz respeito ao posicionamento dos inimigos, respawn de adversários após interagir com as estações de descanso e principalmente nas lutas contra chefes.
Apesar de ter uma certa lógica, a proposta não casou bem e por vezes os sistemas parecem funcionar como amarras uns dos outros.
O jogo transita entre o Devil May Cry e o Dark Souls, ficando indeciso qual lado abraçar mais e, bom, nenhuma obra que fica em cima do muro consegue ser marcante o suficiente na história.
O combate tem um bom grau de variedade graças a presença de 8 armas diferentes, sendo 4 armas de combate corpo a corpo e 4 armas de fogo. Os arquétipos seguem o padrão de RPGs. Temos espadas de uma mão para um ataque mais veloz, um espadão de duas mãos, luvas pra quem gosta de um estilo mais ágil e maças para ataques mais amplos. As armas de fogo seguem arquétipos conhecidos apresentando uma pistola, uma espingarda, uma metralhadora e uma bazuca.

Os golpes possuem impacto, contudo, o jogo não conta com uma variedade de combos para cada arma. E, somado a isso, temos uma baixa variedade de inimigos, tornando os confrontos extremamente repetitivos após as primeiras três, quatro horas de jogo.
Um dos elementos especiais de Romeo is a Dead Man é o golpe especial Verão Sangrento. Ao atacar inimigos, podemos acumular sangue e ao preencher a barra, segurar o R1 para acionar o ataque que conta com uma animação bem bonita lembrando quadrinhos de super-heróis.
O jogador também pode acionar os Bastardos, zumbis que podem ser cultivados em uma horta, onde cada um tem um efeito hilário. Um invoca um campo de cura, outro funciona como um boliche, derrubando inimigos em uma linha, outro invoca feixes de luz. Um ponto de destaque no cultivo dos Bastardos é que toca uma faixa que lembra bastante o nosso forró.

A progressão é direta ao ponto. Ao eliminar inimigos, ganhamos um recurso que lembra esmeraldas. Com esse recurso podemos comprar itens e evoluir os atributos de Romeo através de um minigame peculiar que lembra Pac-Man. As armas possuem atributos diferentes que podem ser aprimorados, indo do nível 1 até o 5. Esses atributos podem ser evoluídos com itens chamados de Milezeros.
Apesar de ser bem enxuto nas estruturas, a jornada apresenta algumas atividades secundárias que foram brilhantemente conectadas com a progressão. O Palácio de Atenas são fendas, com mapas gerados de maneira procedural, que ajudam na aquisição de Milezeros. Já a Sala das Provações permite que os jogadores enfrentem os chefes da campanha em um modo com tempo.
Também podemos participar de um minigame de culinária onde preparamos Katsu-Karê, só que assim como as outras atividades secundárias, esse minigame é bem superficial e mais irrita do que serve como um complemento robusto.
Inconsistências no espaço
Romeo is a Dead Man é um caso bem curioso tecnicamente falando. O jogo claramente tem um orçamento mais compacto, podendo ser considerado um AA. Isso consequentemente torna certos aspectos menos rebuscados do que se esperava deles. As expressões faciais nas cenas deixam e muito a desejar e as texturas das construções não são lá essas coisas. Podem parecer problemas irrelevantes, mas, quando somados, diminuem a imersão na trama.
Em certos momentos o jogo consegue mitigar os problemas causados pelo orçamento menor com uma ótima direção de arte, só que isso não é sempre. Um problema mais grave são as constantes quedas de frames que acontecem quando vários inimigos surgem na tela de maneira simultânea.

A movimentação truncada serve como uma espécie de amarra pro combate desenfreado do game. Um ponto curioso é que Romeo is a Dead Man passam a sensação de que certos “estágios” foram melhor trabalhados do que outros.
O trecho do Manicômio é brilhante, praticamente transformando o jogo em um survival horror. Infelizmente, os outros cenários se repetem excessivamente e olha que são fases lineares. Isso faz com que as horas iniciais do game sejam maravilhosas, contudo, do meio pro final a situação piora consideravelmente graças a repetição excessiva no design de níveis.
Um ponto forte de Romeo is a Dead Man é a parte sonora. As atuações de voz combinam bem com os personagens e a trilha sonora é um show a parte. Temos até notas musicais do famigerado forró durante o gerenciamento dos Bastardos.
Review de Romeo is a Dead Man – Vale a Pena?
Com uma lore mirabolante e um trabalho sonoro impecável, Romeo is a Dead Man tropeça no combate e no desempenho. Por conta disso, não recomendo a compra do jogo no lançamento. O ideal é esperar algumas atualizações e uma promoção, deixando o preço um pouco mais condizente com a proposta do game. Caso você esteja procurando por uma aventura irreverente ou uma porta de entrada para as obras de Suda51, Romeo is a Dead Man é um ótimo ponto de partida!
Romeo is a Dead Man apresenta uma lore autoral e um trabalho sonoro impecável mas derrapa na jogabilidade e desempenho. As quedas de frames são constantes e o jogo se torna repetitivo rapidamente, tirando o brilho do que poderia ser uma aventura épica.
Pontos Positivos
- A lore é fantástica
- Trilha sonora excelente
Pontos Negativos
- Pouca variedade de inimigos
- Level design se repete constantemente
- Quedas de frames constantes
- Vários troféus bugados
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
