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    Home » Review: Unsealed: The Mare (PS5)
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    Review: Unsealed: The Mare (PS5)

    André CustódioAndré Custódiomarço 10, 20266 Mins Read
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    Unsealed: The Mare
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    Ao longo dos últimos anos, os jogos de terror foram encontrando um espaço bem curioso dentro da indústria. Enquanto o lado mais popular do gênero continua apostando em fórmulas já conhecidas, o cenário menor passou a tratar o horror quase como um laboratório.

    E isso, no fim das contas, tem sido ótimo. Com orçamentos mais modestos e menos pressão para agradar todo mundo, muitos estúdios independentes começaram a testar ideias mais ousadas, reaproveitar estruturas conhecidas e construir experiências bem particulares.

    É nesse espaço que aparece Unsealed: The Mare, título de terror do estúdio sueco Gamhalla que chamou atenção ainda na época da demo para PC. Agora, com a versão completa em mãos, dá para dizer com tranquilidade que existe algo interessante aqui.

    Não exatamente revolucionário, nem muito diferente do que fãs do gênero já conhecem, mas certamente eficaz no que se propõe. E, antes de tudo, vale agradecer à Perp Games pela chave de acesso antecipado.

    Presa em um pesadelo…

    A história acompanha Vera, uma mulher presa em um pesadelo dentro de uma casa que parece familiar demais. Para escapar daquele lugar, ela precisa encontrar pistas espalhadas pelos ambientes, recuperar memórias fragmentadas e abrir caminhos ligados ao passado.

    O problema é que essa jornada acontece sob a perseguição constante de uma entidade chamada The Mare, uma figura macabra que vaga pelos corredores escuros, sempre com um sorriso perturbador e com sons que parecem vir de tempos menos assustadores.

    A estrutura do jogo é simples. Unsealed: The Mare é um survival horror dividido em três capítulos narrativos, com progressão baseada em exploração, coleta de itens e resolução de pequenos bloqueios. O principal sistema gira em torno dos “selos”, algo que já aparece no próprio título.

    Na prática, o jogador precisa encontrar e queimar bichos de pelúcia com um isqueiro para abrir portas seladas. Cada área exige um número específico desses bonecos, e aí entra uma das melhores qualidades do jogo: ele sabe como transformar essa busca em um certo nível de desespero.

    Os bonecos nem sempre estão escondidos em locais óbvios, mas também não ficam à vista o tempo todo. Por isso, o jogo acerta ao criar aquela sensação de estar andando em círculos dentro de uma casa hostil, tentando lembrar o que passou despercebido enquanto a ameaça continua circulando.

    Além disso, existe outra mecânica importante chamada Focus Memory. Ao ativá-la, Vera passa a enxergar elementos que não existem no plano normal, como palavras escritas nas paredes, pistas visuais e objetos que liberam novas rotas. É um recurso interessante porque ajuda a variar a exploração e dá uma camada extra à narrativa, mesmo que nem sempre pareça tão intuitivo quanto deveria.

    Não quebre a cabeça pra sobreviver

    As ferramentas de sobrevivência são básicas, mas funcionam bem. Vera usa uma lanterna e um isqueiro, ambos com carga limitada. Em teoria, isso deveria criar mais pressão, mas na prática, o sistema é bem tolerante, já que as baterias espalhadas pelo mapa reaparecem com relativa facilidade ao entrar e sair de cômodos.

    Ou seja, o gerenciamento de recursos existe, mas está longe de ser injusto. Isso pode decepcionar quem procura algo mais punitivo, embora ajude bastante a manter consistente o ritmo da campanha.

    A grande estrela de Unsealed: The Mare é, sem dúvida, The Mare. A entidade não chega a ser especialmente inteligente nem muito agressiva em termos de perseguição, mas compensa isso com aura.

    O design visual é excelente, as aparições são muito bem dosadas e a criatura vai se transformando ao longo da campanha, ficando mais ameaçadora de formas que às vezes são óbvias e às vezes não. Os jumpscares também funcionam muito bem, principalmente porque o jogo entende a importância do sistema de som, mas se tornam apelativo depois de algum tempo.

    Aliás, jogar Unsealed: The Mare com fones de ouvido é praticamente obrigatório. O trabalho de áudio é o ponto mais forte do projeto. Rangidos de porta, luzes falhando, objetos caindo, ruídos ao longe e passos mal posicionados criam uma sensação de insegurança. Quase sempre parece que algo vai acontecer. E, mesmo quando nada acontece de fato, o jogo continua provocando essa expectativa. Nesse aspecto, ele lembra bastante o que MADiSON fez tão bem.

    Além disso, a atmosfera é muito bem construída. A casa, os corredores, os cômodos escuros e a forma como a iluminação é usada ajudam bastante a sustentar a campanha. Há também temas sensíveis por trás da narrativa, o que dá um peso mais pessoal ao jogo. O problema é que ele nem sempre equilibra bem essa história.

    Existe uma nebulosidade quase excessiva na forma como tudo é contado, e isso acaba tornando a trama mais confusa do que envolvente em alguns momentos. Dentro de certo recorte, as peças até se encaixam. Ainda assim, não demora muito para parte dos jogadores simplesmente desistir de interpretar tudo e passar a focar só em terminar.

    Curto, mas passa de ano

    Outro ponto que pesa contra o jogo é a duração. Zerar Unsealed: The Mare leva pouco mais de duas horas, e isso realmente deixa uma sensação de que dava para ter visto mais. Como o jogo é quase inteiramente baseado em gameplay, não dá para dizer que o tempo foi desperdiçado. Mesmo assim, faltam cenas extras, momentos narrativos mais elaborados e talvez algum respiro que aprofundasse melhor a jornada de Vera.

    Em compensação, o jogo oferece alguns sistemas adicionais que ajudam a deixar as coisas um pouco mais ricas. Vera pode coletar lâmpadas para iluminar permanentemente certas áreas e usar uma câmera especial para exorcizar elementos importantes, numa lógica que lembra um pouco Fatal Frame.

    Também existe um componente leve de stealth, já que em vários momentos é melhor se esconder e esperar a entidade passar. A inteligência da Mare não impressiona, mas esse tipo de interação ainda funciona bem para quem entra de cabeça.

    Unsealed: The Mare é acessível, mas precisa de mais

    No geral, Unsealed: The Mare faz exatamente aquele arroz com feijão bem executado. Ele não reinventa nada, não apresenta uma grande novidade dentro do terror e trabalha com elementos que fãs do gênero já viram inúmeras vezes. Só que faz isso com competência o suficiente, relativizando no caso.

    O som é excelente, a ambientação funciona, a criatura principal tem presença e o medo aparece na forma mais crua. Por outro lado, a campanha curta, a história confusa em excesso e a jogabilidade simples demais impedem que o jogo deixe uma marca mais forte.

    Ainda assim, para quem gosta de terror e sabe apreciar um projeto menor que entende o próprio tamanho, vale a atenção. Não é um dos mais memoráveis dos últimos tempos, mas definitivamente sabe assustar.

    7.7 Bom

    Jogo de terror do estúdio indie Gamhalla, Unsealed: The Mare faz o básico bem feito, mas aposta em uma atmosfera macabra que poderia ser melhor aproveitada... e contada.

    Pontos positivos
    1. Conceito do jogo bem macabro
    2. Puzzles inteligentes e bem conectados
    3. Jogabilidade bastante intuitiva
    4. Mundo misterioso com lore intrigante
    Pontos positivos
    1. Sustos apelativos em vários momentos
    2. Campanha muito curta
    3. Loop de gameplay bem vazio
    • História 7
    • Desempenho 8
    • Jogabilidade 8
    • Som 9
    • Diversão 7
    • Gráficos 7
    Unsealed: The Mare
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