A franquia Yakuza é uma das mais divertidas, engajantes e emocionalmente impactantes que me recordo de gostar, e os jogos clássicos foram determinantes para isso. Portanto, quando o Ryu Ga Gotoku Studio resolveu refazer esses jogos modernizando e atualizando pontos que fazem sentido na forma como jogamos hoje em dia, eu considerei um acerto enorme. Yakuza 0 Director’s Cut, Kiwami 1 e 2 são excelentes atualizações e altamente recomendados.
Dessa vez, o RGG chega com Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, o mais recente remake de um dos jogos clássicos menos favoritos dos fãs antigos da franquia. Neste review, te conto se vale a pena jogar para novatos e fãs antigos e contarei a maior parte do conteúdo novo desse jogo que é a campanha Dark Ties, focada no personagem Yoshitaka Mine.

Revisitando Okinawa (versão Kiwami)
Yakuza 3 para este que vos escreve é sem dúvida o pior jogo da franquia original, principalmente na parte do gameplay. Portanto, quando o RGG Studio apresentou a versão Kiwami, eu confesso que de cara fiquei animado. É a chance do estúdio modernizar e tirar esse gosto ruim que o jogo original deixou para muitas pessoas. E depois de jogar Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties, posso dizer que o trabalho foi bem feito.
Okinawa é sem dúvida a melhor coisa de Yakuza 3, e na versão Kiwami, a cidade ta mais bonita do que nunca, com os gráficos atualizados da Dragon Engine (a engine proprietária do estúdio), características mantidas da versão original, mas tudo modernizado para uma visão atual da cidade. Alguns cantos da cidade foram bastante nostálgicos de relembrar depois de tanto tempo.

Todas as atividades que existem na versão original foram mantidas aqui, com acréscimos e atualizações importantes que vêm de jogos recentes da franquia. Explicarei isso melhor na parte do gameplay. Mas tem um ponto que devo ressaltar aqui. Quando comparamos a versão original de Okinawa com a versão Kiwami, há uma diferença notável na coloração, que se a pessoa for saudosista, irá achar saturada ou exagerada. Eu confesso que estava preocupado com isso, mas jogando, achei a escolha das cores tranquila e não me incomodou.
Outro ponto digno de nota se refere a uma escolha do estúdio que pode incomodar os fãs antigos. O RGG trocou o modelo de um personagem que era um dos mais queridos na versão original por ser um design diferente do padrão, mas que na versão Kiwami, se não fosse o dublador ser o mesmo e o nome do personagem o mesmo, daria pra dizer que é outra coisa totalmente diferente. Não escreverei o nome do mesmo para não dar spoiler a quem não jogou e pretende.

Glória da Manhã (versão Kiwami)
Se tem um aspecto do Yakuza 3 que é inconfundível e relembrado sempre, é o Orfanato Morning Glory (Glória da Manhã na tradução), a casa de Kiryu e suas crianças. Aqui é onde existe uma parte das maiores mudanças ocorridas em Yakuza Kiwami 3, com um trecho que praticamente é um mini game de administração do local, em que Kiryu pode aprofundar a relação com as crianças do Orfanato de diversas formas diferentes, e que para cada nível subido, é necessário fazer um prato específico de cada criança.

Se você for fazer tudo que tem disponível nesse segmento, perderá algumas horas, pois são várias atividades e mini games que são o cerne do que é a franquia Yakuza, e é uma mudança bastante bem vinda nessa versão atualizada do jogo original, pois é algo que faltava e foi ponto de reclamação de muitos fãs.
Os mini games aqui puxam muito de coisas que existem nos jogos mais novos da franquia, como por exemplo: ajudar as crianças com deveres de casa (aqui na forma de pequenos testes como ocorre em Like a Dragon e Like a Dragon: Infinite Wealth), captura de insetos (como no segmento da ilha Dondoki de Like a Dragon: Infinite Wealth), pesca, criação de gado e uma horta (tudo presente nos jogos recentes da franquia). Isso mostra como o RGG sabe aproveitar o que faz a franquia ser o que é e como eles são inteligentes em reaproveitar coisas pra agilizar um processo de desenvolvimento sem parecer preguiça.

Gameplay
Vamos as principais mudanças no gameplay. O primeiro ponto e o mais fácil de explicar é que Kiryu possui 2 estilos de combate, e um deles é totalmente novo: o estilo Ryukyu (que o jogo diz que é um estilo próprio de Okinawa). Esse estilo tem por característica utilizar armas para o combate e é muito bom para os combates em grupo, pois os ataques tem amplo alcance. O estilo Dragão de Dojima funciona e serve mais pro combate de 1v1 com os chefes, por ser um combate focado em mano a mano mesmo.
Além disso, o RGG introduziu mecânicas e conceitos de jogos recentes aplicados ao momento histórico do jogo, que ocorre em 2007. Por exemplo, a mecânico de Like a Dragon: Infinite Wealth, onde o jogador vai fazendo amizade com os locais do Hawaí foi introduzida nesse jogo através do modo de um apontamento do celular, gerando uma associação automática com o outro (parece complicado, mas é bem intuitivo e prático). Além disso, você pode customizar o celular de Kiryu com apetrechos e o humor típico da franquia. Outro ponto de jogos recentes trazido pra esse jogo é o patinete elétrico introduzido no Like a Dragon.

O sistema de side quests se mantem o mesmo de todos os jogos. Em determinados momentos, aparecem ícones no mapa que indicam uma side quest, e é altamente recomendado serem feitas assim que possível, pois além de garantir dinheiro para os upgrades (já explico), aparecem personagens de jogos anteriores e tem histórias divertidas nesse meio.

Outra adição é uma parte totalmente nova relacionada a guerra de gangues (aqui, guerra de gangues de moto, chamado de Marginais). Existe toda uma história secundária envolta disso. Você começa com poucos membros, mas ao longo do jogo, seja fazendo side quests, ou recrutando pessoas no mapa, você vai aumentando o nível da sua gangue até o ponto em que pode desafiar um dos chefes de uma das outras gangues da cidade. Assim como o segmento do Glória da Manhã, se você for atrás de fazer toda essa história secundária, irá adicionar boas horas de gameplay ao jogo. Só pra deixar claro: eu adorei essa parte das guerras das gangues!

Se você se lembra, Yakuza é uma franquia que mini games são parte da experiência, e conforme citei anteriormente, além de todas as novidades comparado ao jogo original, os antigos estão aqui também: fliperama, karaokê, boliche, beiseball e por ai vai. De tédio, o jogador não pode reclamar ao jogar Yakuza Kiwami 3.
Sobre a evolução do personagem, igual Yakuza 0 Director’s Cut, os upgrades são feitos com dinheiro para dano e vida. Já as técnicas são upadas com o sistema de completar atividades no jogo que vai gerando pontos, e esses pontos que são utilizados nas técnicas. É um sistema bem honesto e que favorece o jogador que faz tudo que o jogo propõe, pois se você rusha o jogo, vai chegar um momento em que estará fraco demais e será necessário fazer atividades para evoluir.

Dark Ties
Quando Yakuza Kiwami 3 foi revelado, o RGG fez questão de destacar a maior novidade dessa versão: uma campanha focada em Yoshitaka Mine, chamada Dark Ties. Em resumo, essa campanha tem tudo que o jogo base de Yakuza Kiwami 3, mas aplicado no contexto do Mine, e o que isso significa? Ela é consideravelmente menor, possui sua própria forma de sidequests, além de um segmento chamado de Clube do Inferno, onde Mine entra em dungeons procedurais com limite de tempo, em que você se cura somente derrotando inimigos, com o objetivo de ganhar dinheiro para evoluir o personagem, e que possui uma história secundária própria também, aumentando o número de horas de jogo, caso o jogador queira completar.

Eu não abordei tanto a história do jogo neste review, mas aqui, acho válido dizer que é altamente recomendado que você só inicie a campanha Dark Ties após zerar o jogo principal, pois há spoilers enormes do fim da campanha principal, e se tem um ponto que Yakuza é realmente bom, é na forma como conta sua história e seus personagens.
Gráficos, Performance e Trilha Sonora
Seguindo a tendência dos jogos anteriores, os gráficos de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties são honestos e condizente com os jogos mais novos da franquia. Já a performance, destaco que não encontrei modos diferentes. O jogo está programado pra rodar a 60 fps no PS5 e foi assim que joguei. Não tive problemas de performance ou quedas perceptíveis. A experiência está bem lisa e tranquila.
A trilha sonora é boa mas nada especial. Cumpre bem seu papel mas não é algo que ao fechar os olhos e pensando no jogo eu consiga dizer que é marcante. A parte sonora de dublagem (joguei com a dublagem original em japonês), essa sim merece destaque porque é sensacional em todos os sentidos.
E por fim, destaco que o jogo está com legendas em português do Brasil, uma tendência que começou la no Like a Dragon e que continua desde então. Torço para que todos os próximos projetos da franquia, seja as versões Kiwami, ou novos jogos, que continuem dando esse suporte ao jogador brasileiro para que mais pessoas continuem chegando e conhecendo essa franquia fantástica.
Review de Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties – Vale a Pena?
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é uma releitura do original, com modernização de vários pontos, adições extremamente bem vindas e uma experiência ótima pra todo e qualquer jogador, seja novo na franquia ou veterano. A campanha Dark Ties é um ponto interessante e que abre possibilidade do RGG poder utilizar essa estratégia com outros personagens queridos da franquia.
Yakuza Kiwami 3 & Dark Ties é uma releitura do original, com modernização de vários pontos, adições extremamente bem vindas e uma experiência ótima pra todo e qualquer jogador, seja novo na franquia ou veterano. A campanha Dark Ties é um ponto interessante e que abre possibilidade do RGG poder utilizar essa estratégia com outros personagens queridos da franquia.
Pontos Positivos
- Campanha Dark Ties interessante
- Adições no Morning Glory e em Okinawa inteligentes
- Gameplay continua bom e divertido
Pontos Negativos
- Alguns inimigos defendem em exagero desde o original (não foi corrigido nesse jogo)
- Troca do modelo de um personagem importante
- História
- Gameplay
- Performance
- Trilha Sonora
- Conteúdo Secundário
