Mesmo que essa análise esteja sendo publicada mais tarde do que o esperado, acredito que este tenha sido o momento ideal para jogar Crimson Desert tanto nos consoles quanto no PC. Após testar ambas as versões para trazer um feedback ao público, ficou claro que a Pearl Abyss levou a sério a opinião dos jogadores, implementando diversas melhorias com atualizações desde o lançamento em março de 2026.
Tive a oportunidade de revisitar o jogo antes e depois dessas atualizações, o que mostra o comprometimento do estúdio em trazer uma experiência definitiva. As mudanças aplicadas impactam diretamente a gameplay, tornando o jogo ainda mais fluído. Mesmo diante das polêmicas iniciais, Crimson Desert se mantém como um forte candidato a jogo do ano, com mecânicas únicas inseridas em um mundo vasto e repleto de descobertas. No fim das contas, trata-se de um jogo imersivo de RPG em mundo aberto, capaz de oferecer mais de 100 horas de conteúdo.
Pensando nessa experiência, a equipe da República DG teve a oportunidade de testá-lo no PS5 Pro. Mas afinal, Crimson Desert realmente vale a pena? É isso que você irá descobrir em nossa análise!
Perdido na imensidão de Pywell
Conforme novos anúncios e trailers eram publicados, o continente de Pywell se mostrava vasto e repleto de atividades que refletiriam durante a campanha, seja no momento de exploração, missões secundárias ou até mesmo na narrativa que era complementada com o conteúdo secundário do jogo. Aqui, era nítido ver como o jogo era grandioso. Após jogá-lo eu tive certeza que o jogo entregava uma experiência única e diferente de tudo aquilo que já havia visto em jogos do gênero, porém, com uma identidade própria e repleto de segredos que surpreendem os jogadores a cada momento.
Em Crimson Desert, os jogadores assumem o papel de Kliff, um guerreiro determinado e líder dos mercenários conhecidos como Jubas Cinzentas. Após serem surpreendidos por uma emboscada do grupo Ursos Negros, a maior parte de seus companheiros é massacrada em um evento que mudaria completamente o rumo de sua vida, fazendo-o carregar o peso do fracasso como líder.

Embora essa seja apenas a base da narrativa, a história se desenvolve de forma mais complexa ao longo da jornada. Novos personagens surgem, antigos aliados são revelados como sobreviventes, e Kliff inicia uma busca para reunir uma equipe novamente. Seu objetivo passa a ser claro por aqui: reconstruir seu grupo e enfrentar o clã responsável pela emboscada, colocando um fim definitivo aos ataques sangrentos.
Para retomar seu posto de liderança, enfrentamos uma verdadeira jornada brutal. O guerreiro é obrigado a selar pactos com corruptos para financiar seu exército e recrutar novos combatentes. Entre a busca por armas poderosas e a reconstrução de um império, Kliff luta para sobreviver às cicatrizes de uma catástrofe que ainda assombra seu passado.
As missões secundárias também desempenham um papel importante na construção da narrativa. Embora algumas possam parecer superficiais ou com objetivos pouco relevantes, elas recompensam o jogador com itens únicos que contribuem diretamente para a progressão e evolução do personagem, como espadas, escudos e armaduras capazes de influenciar seus atributos.

Atividades como contratos de mercenário, solicitações de moradores de pequenos vilarejos, caçadas a monstros lendários e até desafios de puzzle estão espalhadas pelo mapa, incentivando a exploração. Além disso, áreas secretas escondem itens valiosos que contribuem diretamente para deixar o personagem ainda mais forte.
Apesar da grande quantidade de conteúdo secundário, fica a impressão de que a história principal acaba funcionando apenas como um pano de fundo para a progressão até o final do jogo. Isso porque as atividades paralelas de Crimson Desert se mostram muito mais divertidas do que a trama central, que segue uma abordagem baseada na clássica jornada de vingança e na busca por aliados. Veja bem… a campanha não chega a ser ruim, muito longe disso, mas deixa algumas pontas soltas e acaba recorrendo a elementos mais clichês.
Outro ponto que me incomodou bastante foi a falta de carisma dos personagens, que acabam sendo pouco memoráveis e, em muitos casos, parecem estar ali apenas para preencher lacunas na narrativa. Em diversos momentos, surge aquela sensação de “qual o propósito disso?” ou até mesmo “por que esse personagem está aqui?”, o que enfraquece o envolvimento com a história.
Tive a oportunidade de explorar Pywell por muitas horas e fiquei extremamente surpreso com muitas descobertas que fiz ao longo dessa jornada. Um exemplo disso é que algumas paredes escondiam grandes segredos, e que ao serem revelados, te mostram a real importância de explorar todo o mapa, além do mundo estar em constante evolução, onde você nunca ficará enjoado de explorar por horas.
Um dos principais problemas que notei em Crimson Desert está justamente no ritmo (pacing) da experiência. A campanha demora a engrenar, especialmente por conta da grande quantidade de tutoriais concentrados logo nas primeiras horas. Em vários momentos, acabei não utilizando muitas dessas mecânicas apresentadas, seja por simplesmente esquecer ou por parecerem pouco relevantes durante a exploração.

Por outro lado, assim que as primeiras horas se passam, o jogo finalmente revela seu verdadeiro potencial. É nesse momento que o mundo se abre de forma mais orgânica, incentivando a exploração e permitindo descobrir os inúmeros segredos espalhados por cada canto do mapa, bem como as missões e vilarejos descobertos.
E por falar na quantidade de sistemas, Crimson Desert entrega uma variedade impressionante de mecânicas, o que o torna um título complexo e bastante diferente do padrão do gênero. Com o tempo, o jogo recebeu atualizações importantes baseadas no feedback da comunidade, refletido principalmente em redes sociais e vídeos.
Essas melhorias ajudaram a refinar diversas mecânicas, simplificando algumas ações e tornando a experiência mais intuitiva. Como resultado, o gameplay se torna mais fluido e prático, sem a necessidade de executar diversos comandos para realizar determinadas ações.
Ao me aprofundar ainda mais no jogo, os confrontos contra chefes se destacaram de forma positiva. A variedade de inimigos é significativa, reforçando que a experiência não se torna repetitiva, seja pela diversidade de mecânicas, pela quantidade de NPCs ou pela variedade de missões. Além disso, os chefes apresentam uma boa variedade em seu moveset, muitas vezes exigindo preparo adequado em equipamentos por parte do jogador, tornando-se desafiador em diversos momentos.

No fim das contas, a Pearl Abyss entrega uma das experiências de mundo aberto mais marcantes de 2026, fazendo jus à proposta de oferecer algo próximo de um verdadeiro MMO. Mesmo com muitas dúvidas por parte do público, a empresa se mostrou competente e está sempre ouvindo o feedback para tornar o jogo cada vez melhor a cada atualização!
Combate único e estratégico
Após abordar as mecânicas de exploração, é importante destacar que o jogo também entrega uma experiência bastante imersiva no combate. O sistema permite a execução de combos com ataques fortes e fracos, além do uso de habilidades ativas e passivas, o que adiciona profundidade e torna as batalhas mais dinâmicas e envolventes.
Ainda assim, nem tudo funciona perfeitamente. Em alguns momentos, os combates podem se tornar cansativos, principalmente por conta da alta quantidade de HP de certos inimigos. Como já mencionado, alguns chefes exigem preparo estratégico e bons equipamentos para enfrentar as grandes hordas. Para quem aprecia um sistema de combate mais robusto, Crimson Desert certamente entrega, ainda mais após as atualizações que aprimoraram significativamente a jogabilidade.

O jogo apresenta uma árvore de habilidades (skill tree) segmentada em diferentes categorias. Entre elas, estão os atributos de saúde, que influenciam diretamente na sobrevivência, força e vitalidade; a stamina, essencial para a execução de combos, esquivas e a mobilidade de Kliff; e o espírito, responsável por liberar habilidades especiais, além de aprimorar a defesa e os contra-ataques.
Essas habilidades não são adquiridas apenas com o avanço de nível. O jogo também permite desbloquear novos movimentos por meio dos Artefatos do Abismo ou até mesmo ao observar e replicar técnicas utilizadas por inimigos durante os combates.
Crimson Desert não é um jogo para todos
Polêmico ou não, Crimson Desert entrega uma experiência imersiva e única, mas está longe de ser um título para qualquer pessoa. O jogo exige dedicação e paciência para dominar seu combate e compreender a ampla variedade de mecânicas disponíveis. Além disso, a narrativa pode não agradar a todos em diversos momentos, chegando a prejudicar o ritmo da progressão. Mesmo com certa variedade, algumas missões secundárias acabam se tornando repetitivas e cansativas ao longo da jornada.
O ritmo também pode parecer lento por muitas vezes, tendo em vista que o jogo não oferece recompensas imediatas para os jogadores, focando mais em premiar aqueles que estão explorando todos os cantos de Pywell.
Mais uma vez, vale reforçar: o jogo não é ruim, muito pelo contrário. Ainda assim, pode frustrar quem espera algo nos moldes de Skyrim ou The Witcher, títulos que combinam diversas mecânicas com uma narrativa envolvente do início ao fim. Confesso que minhas primeiras horas foram difíceis, principalmente pela quantidade excessiva de sistemas, que acabam tornando a experiência cansativa. Com o tempo, no entanto, fui me adaptando e passei a aproveitar bem mais o que o game tem a oferecer.
Aspectos técnicos
Como já era esperado, Crimson Desert surgiu como um dos projetos mais ambiciosos já anunciados, gerando enorme empolgação entre o público. No entanto, em diversos momentos, esse hype acabou “esfriando”, principalmente pela ausência de demonstrações do jogo rodando em consoles, o que acabou levantando dúvidas e gerando certa desconfiança por parte dos jogadores.
No aspecto técnico, envolvendo gráficos e desempenho, o jogo apresenta uma experiência sólida após as atualizações. Nos consoles, é possível escolher entre modos distintos: o modo desempenho, que prioriza 60 FPS com resolução dinâmica em torno de 1440p utilizando upscaling, e o modo qualidade/fidelidade, que entrega 4K nativo a 30 FPS.
Ainda assim, o título sofre com pop-ins frequentes, especialmente em áreas mais densas, como florestas ou vilarejos com grande concentração de NPCs. Essa questão se torna ainda mais perceptível nos consoles, devido às limitações de hardware. No PlayStation 5 Pro, por outro lado, há a opção do modo equilibrado, que oferece 40 FPS com Ray Tracing. Mesmo assim, ainda é possível notar pequenos engasgos em determinados momentos.

Visualmente, o jogo impressiona pela riqueza de detalhes, evidenciando o cuidado e a dedicação do estúdio. Esse capricho vai além do level design, refletindo também na construção do mundo e na elaboração dos puzzles, que contribuem para uma experiência mais imersiva.
A trilha sonora também se destaca, adaptando-se aos diferentes momentos do jogo. É possível perceber variações claras entre combates comuns, batalhas contra chefes e outros trechos da experiência, o que contribui para a imersão. Os efeitos sonoros complementam esse conjunto, com conversas de NPCs e sons ambientes bem trabalhados, como cachoeiras e o movimento da vegetação. No geral, trata-se de um projeto ambicioso e que consegue surpreender.
Review de Crimson Desert – Vale a Pena?
Dizer que Crimson Desert certamente não é um jogo para todos certamente pode acabar assustando alguns jogadores, mas precisamos destacar aqui que é necessário que os jogadores alinhem sua experiência para não achar que estarão jogando um título como The Witcher 3: Wild Hunt.
Com a vasta quantidade de conteúdo secundário, puzzles e exploração praticamente infinita, Crimson Desert se mostra como uma experiência obrigatória para todos, porém, a decepcção pode vir por parte da campanha, personagens com pouco carisma (assim como Kliff) e até mesmo a apresentação de milhares de mecânicas que fazem o jogo perder o ritmo e muitas se tornam até irrelevantes.
De forma geral, a Pearl Abyss entrega uma experiência envolvente e bastante competente, com potencial para figurar entre os principais concorrentes a jogo do ano em 2026.
O que reforça essa evolução constante é a atenção ao feedback da comunidade, refletida em atualizações frequentes que aprimoram a experiência. No fim das contas, Crimson Desert é o tipo de jogo capaz de garantir muitas horas de diversão e que, com as melhorias contínuas, tem tudo para se consolidar como um título indispensável para todos os jogadores!
Esta review foi produzida graças a um código de PS5 cedido gentilmente pela Pearl Abyss.
Crimson Desert entrega uma das experiências de mundo aberto mais ricas e expansivas de 2026, se destacando como um título marcante para os jogadores. Mesmo entre acertos e falhas, o game surpreende com um combate dinâmico e uma grande quantidade de conteúdo secundário para explorar.
Pontos Positivos
- Liberdade na exploração
- Combate e puzzles envolventes
- Atualizações constantes
- Trilha Sonora imersiva
Pontos Negativos
- Narrativa pouco desenvolvida
- Excesso de mecânicas que prejudicam em seu desenvolvimento
- História
- Jogabilidade
- Gráficos
- Trilha Sonora/Efeitos Sonoros
- Desempenho
