Desde que Ground Zero foi anunciado, ficou claro que a proposta era mirar direto nos fãs de survival horror clássico. A inspiração nos primeiros jogos da franquia Resident Evil não era nem um pouco sutil e, sinceramente, isso não é um problema.
Ground Zero chega para PlayStation 5, Xbox Series S/X e PC no dia 16 de abril de 2026. Ele foi desenvolvido pela Malformation Games e distribuído pela Kwalee. Esta review foi realizada com a versão de PS5 base do game.
Depois de passar um tempo em Busan, a sensação é de que Ground Zero não está apenas tentando replicar o passado, mas sim entender o que fazia esse estilo funcionar e aplicar isso com pequenas evoluções.
E o resultado, no geral, é bem consistente, ainda que com alguns pontos que poderiam ser melhor trabalhados.
Quer saber se o game pode matar a sua saudade de jogos survivor horror retrô? Pois fica comigo nessa review de Ground Zero e descubra.

Uma narrativa mais séria do que o esperado
A história começa com um desastre em Busan, na Coreia do Sul, após a queda de um meteoro que desencadeia mutações e transforma a população em criaturas que querem arrancar pedaçoes seus, literalmente. No controle de Seo-Yeon, somos enviados para investigar o que realmente está acontecendo.

Vale mencionar que o jogo acerta ao não cair totalmente no tom exagerado de muitos títulos retrô.
Apesar de uma introdução que flerta com algo mais simples, a narrativa rapidamente se ajusta e passa a tratar seus eventos com mais seriedade, envolvendo até interesses políticos e sociais sobre o que está acontecendo em Busan. Os diálogos funcionam bem e a história possui um clima denso e crescente.
Jogabilidade clássica com boas ideias no combate
Aqui é onde Ground Zero mostra que entende o gênero.
A base segue o padrão clássico: câmeras fixas, movimentação mais cadenciada e gerenciamento de recursos. Você pode escolher entre a jogabilidade tanque ou uma jogabilidade mais moderna. Joguei com os controles mais atualizados.
Se-Yeoun possui um arsenal interessante, mas nada de inovador. Ela faz uso de revolvér, escopeta, submetralhadora, lança-chamas, alguns tipos de granadas, etc. Além de enfrentar os seres humanos que viraram criaturas hostis, precisamos lidar com animais e até dinossauros.
O jogo adiciona algumas ideias que deixam o combate mais interessante. Diferente dos títulos mais antigos, aqui você não fica travado ao atirar. É possível se movimentar enquanto mira, além de contar com esquiva e até um parry em determinados momentos. Isso deixa os confrontos mais dinâmicos sem descaracterizar a proposta.

Outro ponto interessante está no sistema de recompensas. Ao derrotar inimigos, você coleta Geoma, uma espécie de moeda do game que pode ser usada em estações espalhadas pelo mapa para comprar recursos, como munição.

E o detalhe curioso é que a quantidade recebida varia de acordo com a forma como o inimigo é derrotado.
Se você usa armas mais pesadas, como uma escopeta e lança-chamas, o corpo fica mais danificado e a recompensa é menor. Já eliminações mais “limpas”, como com faca ou tiros bem precisos, rendem mais recursos. É uma mecânica que lembra bastante o sistema de qualidade de caça de Red Dead Redemption 2, e funciona bem dentro da proposta.
Tensão e gestão de recursos
Se tem algo que Ground Zero faz bem é manter a pressão.
A munição é limitada, os inimigos são perigosos e nem sempre o melhor caminho é enfrentar tudo. Em vários momentos, correr ou evitar confronto é a melhor decisão.
O sistema de salvamento também reforça isso. Aqui, o save manual está ligado a um item, mas ele costuma estar disponível próximo aos próprios pontos de salvamento e isso é ótimo, afinal quem nunca sentiu raiva de chegar em uma sala segura e não o recurso para salvar o game??
Level design traz variedade e escolhas
Um dos pontos mais interessantes está na estrutura dos cenários.
O jogo apresenta uma boa variedade de ambientes, de áreas urbanas a locais mais específicos como parque de diversões e regiões costeiras. E mais do que isso, ele permite escolhas de rota que impactam diretamente a experiência.

Logo no início, por exemplo, é possível escolher entre caminhos mais longos e seguros ou trajetos mais curtos, porém com maior dificuldade. Esse tipo de decisão adiciona uma camada estratégica interessante à progressão.
Os puzzles também aparecem com frequência, incluindo uma mecânica curiosa envolvendo cofres. Diferente do padrão clássico, aqui você precisa resolver pequenos enigmas para acessar o armazenamento de itens.

São desafios simples, mas que deixam essa interação mais ativa. E, no mesmo local, geralmente estão os pontos de salvamento, centralizando bem os sistemas.
Outro detalhe positivo é a possibilidade de ajustar separadamente a dificuldade do combate e dos puzzles, permitindo uma experiência mais personalizada.
Visual retrô funciona, mas poderia ir além
Visualmente, Ground Zero abraça totalmente a estética retrô e isso é parte importante da identidade do jogo.
Mas confesso que, em alguns momentos, ele acaba indo longe demais nessa proposta.
O estilo lembra bastante jogos da era PS2, com modelos e cenários mais simples. Funciona dentro da ideia do projeto, mas fica a sensação de que dava para dar um pequeno salto de qualidade sem perder essa identidade.

Não precisava deixar de ser retrô, mas um refinamento maior nos modelos e ambientes ajudaria bastante. Do jeito que está, em alguns momentos o visual soa mais datado do que deveria.
Trilha sonora cumpre bem seu papel
A parte sonora é um ponto positivo.
A trilha segue uma linha mais voltada para o suspense, ajudando a manter a tensão constante durante a exploração. Não é algo que chama atenção o tempo todo, mas funciona muito bem para reforçar a atmosfera.
Problemas de câmera e pequenos ajustes necessários
Nem tudo funciona perfeitamente.
A câmera, em especial, pode atrapalhar em alguns momentos. Como é comum nesse estilo, os ângulos mudam ao avançar pelos cenários, mas isso nem sempre é bem feito e acaba irritando e atrapalhando o controle do personagem.

Em algumas situações, você acaba andando na direção errada ou se reposicionando de forma confusa até se adaptar ao novo enquadramento. Pode ser questão de costume, mas ainda assim falta um pouco mais de refinamento.
Além disso, senti falta de uma maior variedade de inimigos ao longo da experiência. O jogo mantém bem a tensão, mas poderia diversificar mais os encontros para evitar repetição.
Review de Ground Zero – Vale a pena?
Finalizo esta review de Ground Zero dizendo que deu pra matar um pouco da saudade dos jogos antigos de franquias como Resident Evil, Alone in the Dark e Silent Hill. Ele é um survival horror que sabe exatamente o que quer ser.
Ele resgata elementos clássicos e adiciona pequenas melhorias que me divertiram, ainda que com algumas limitações técnicas e de variedade.
Após mais de 10 capítulos e de enfrentar alguns animais como chefes, digo que Ground Zero possui um bom tempo de campanha e isso é ótimo.
No fim, é o tipo de jogo que conversa diretamente com fãs do gênero e que, com alguns ajustes, pode se tornar algo ainda mais relevante dentro da cena atual.
Curtiu esta review de Ground Zero? Então fica de olho em outras análises do nosso time:
- Review – Mouse: P.I. For Hire (PC)
- Review: Marathon (PS5)
- Review de Pragmata após a platina (PS5 Pro)
Mate um pouco da saudade dos survival horrors antigos
Ground Zero entende muito bem as raízes do survival horror e entrega uma experiência nostálgica ao combinar elementos clássicos com pequenas melhorias modernas. O combate mais dinâmico e o sistema de recompensas ajudam a manter o jogo interessante, enquanto a atmosfera e a trilha sonora reforçam a tensão por toda a campanha.
Ainda assim, o visual excessivamente datado, problemas pontuais de câmera e a pouca variedade de inimigos impedem que o jogo alcance um nível mais alto. Mesmo com essas limitações, é uma experiência interessante para a velha guarda dos games, mas dificilmente vai atrair um público mais jovem e exigente.
Acertou em cheio
- Combate mais dinâmico que o padrão clássico
- Sistema de recompensas interessante ao derrotar inimigos
- Boa variedade de cenários e caminhos alternativos
- Atmosfera e trilha sonora eficientes
- Opções de dificuldade bem ajustáveis (jogo e puzzles)
Vacilos
- Visual retrô excessivamente datado
- Problemas de câmera em alguns momentos
- Variedade de inimigos poderia ser melhor
- Algumas movimentações faltaram refinamento
- Visuais
- Jogabilidade
- Desempenho
- Trilha Sonora
- História
