Anunciado de surpresa durante o Summer Game Fest, The Lost Wild pareceu ser exatamente o que os fãs de jogos de dinossauros desejam: um survival horror decente, com belos visuais e inspirado em franquias que marcaram o terror moderno.
Fugindo dos títulos mais conceituais da Annapurna, o projeto da Great Ape Games foi um dos destaques do evento não apenas pelo trailer de revelação, como também por estar disponível no Play Days. E graças a isso, pudemos ver mais de 30 minutos do título e descobrir algumas de suas novidades.
Dá pra assegurar que, de fato, se trata mesmo de um jogo de terror e sobrevivência. E caso você esteja esperando algo mais hardcore e que respeite seus instintos de jogo, pode ficar tranquilo: The Lost Wild tem de tudo pra fazer os jogadores arrepiarem a espinha.
Humano contra predadores
Logo no início da DEMO de The Lost Wild, percebemos que o jogo vai te colocar em uma situação injusta. Enquanto você precisa se adaptar a predadores ágeis, atentos e ferozes, os dinossauros ficam à espreita esperando seu primeiro passo errado. E isso pode se dar de diversas formas.
Ao longo dos 30 minutos, a Great Ape mostrou como será o sistema de sobrevivência no game. Assim como ocorre em títulos como Alien Isolation e outros, os predadores serão adaptáveis e percebem não apenas seus movimentos em terra firme, como o uso de outros objetos.

Em The Lost Wild, seus passos mostram sua posição e não há qualquer indício de onde os dinossauros estão vindo. Correr e se expor faz um medidor no canto superior da tela ser exibido; o olho aberto revela que você tá visível, enquanto o olho fechado confirma que Saskia, a protagonista, tá escondida.
Mas cuidado: todas as suas ações acontecem em tempo real e o mundo não para. Isso quer dizer que ativar mecanismos e progredir por meio da transição de áreas, por exemplo, não impede de que um dinossauro apareça e acabe com sua vida.

Durante a DEMO, os desenvolvedores mostraram como isso funciona na prática. Saskia ficou presa em uma selva, e um dos predadores APEX de The Lost Wild passou a caçá-la. Assim, além de ter que confiar em seus instintos, ela precisou usar todos os artifícios do mapa a seu favor.
Distração é uma arma
Saskia não tem como contra-atacar, mas pode usar coisas espalhadas pelo cenário pra tornar sua jornada menos complicada. Entre esses artifícios, tão alguns itens que fazem barulho e direcionam os dinossauros pra onde você quiser.
Essa mecânica não funciona de forma isolada, mas sim em adição às interações com a região. Há como jogar garrafas, por exemplo, em cantos vazios, mas não acontece o mesmo efeito de você arremessar em um carro pra disparar um alarme ou em uma placa pra gerar faíscas elétricas.

O tempo de distração em The Lost Wild não é generoso, então a protagonista deve aproveitar ao máximo essa janela pra seguir em frente. Porém, como predadores naturais, os dinossauros permanecem vigilantes e não fecham os olhos totalmente pros outros ruídos: fazer barulho ou ficar exposto continua sendo um grande problema por aqui.
The Lost Wild é promissor, mas há alguns alarmes
Com um gameplay voltado pra sobrevivência, The Lost Wild se mostrou como uma alternativa promissora pra quem gosta de survival horror em primeira pessoa. Mas a DEMO ligou um alerta que vale a pena mencionar.
Tecnicamente falando, os gráficos do jogo tão bem bonitos. Texturas de cenário, densidade da vegetação, efeitos de partículas, chuvas e mais… Temos aqui um capricho visual que deixa o game mais assustador e realista. Mas as animações precisam ser melhores, e o movimento do dinossauro pareceu meio robótico.

Enquanto isso, a animação de morte tá abruta e pouco orgânica, pegar itens é estranho (a mão não “captura” nada e o objeto simplesmente some), e a interface foi o que mais me incomodou. Os elementos tão “grosseiros” e sem qualquer tipo de identidade visual. O olho que indica seus movimentos, por exemplo, é excessivamente grande e acinzentado, e a retícula de mira quando algo é arremessado destoa muito do conceito mais realista de The Lost Wild.
Seria interessante ver algumas mudanças de interface na versão final; algo mais caprichado, discreto e condizente com a identidade do jogo. Mas, no geral, vimos uma boa experiência de terror cheia de detalhes, com cenários profundos e bem exploráveis, várias oportunidades de progressão e IA dos dinossauros que realmente mete medo.

A história de The Lost Wild também tá promissora e indica sair um pouco do que conhecemos como convencional. Há um bom grau de cinematografia, com diversos eventos acontecendo em plano sequência e algumas surpresas no final da DEMO. Vimos aqui uma boa apresentação em termos de narrativa.
O jogo tá planejado pra sair em 2027, sem data confirmada.