Recentemente eu tive a oportunidade de jogar Echo Generation 2 para review, sequência do indie da Cococucumber lançado em 2021. Eu não tive nenhum contato com o jogo anterior e consegui aproveitar bem a experiência, logo, caso você esteja em uma situação similar, não tenha receio em mergulhar direto no segundo jogo.
A narrativa funciona sem o conhecimento prévio por que ela foi estruturada para ser um jogo prequel. Ou seja, os eventos se passam antes dos acontecimentos do primeiro jogo.
Uma coisa que não me agradou aqui é que a história é fragmentada em capítulos. Na maior parte dos capítulos, jogamos com personagens diferentes, em locais diferentes. Essa falta de continuidade me incomodou um pouco e penso que o jogo funcionaria melhor se seguisse o formato tradicional do storytelling. Contudo, é justo mencionar que as partes meio que passam a “conversar entre si” do meio pro final do jogo, contudo os capítulos iniciais causam bastante estranheza.

A atmosfera e a lore lembram muito Stranger Things. Crianças especiais com poderes telepáticos, organizações governamentais e mais. A história é relativamente curta, logo, não vou dar detalhes específicos. Ela se expande muito e aborda temas que certamente vão agradar os fãs mais ferrenhos da temática sci-fi.
O storytelling varia muito graças à inspiração em temáticas de horror e cyberpunk, além disso, fiquei positivamente surpreso com o quão bem cada “episódio” é bem escrito e os personagens são muito bem abordados mesmo com boa parte dos capítulos durando entre 40 a 60 minutos. Um grande ponto negativo pra mim é a falta do voice acting nos diálogos. Isso diminui consideravelmente o impacto narrativo e a retenção da atenção de quem joga.
A jogabilidade
A exploração de Echo Generation 2 é bem direta ao ponto. Como os cenários são relativamente lineares, você pode vagar pelas salas para encontrar cartas e interagir com NPCs.
A grande mudança está no sistema de combate. O primeiro funcionava como um RPG de turnos tradicional, já a sequência conta com um sistema completamente novo, misturando os turnos com mecânicas de deckbuilding.
Fiquei positivamente surpreso com a variedade de cartas e efeitos, e o interessante é que essa variedade permite que os jogadores construam múltiplas maneiras de jogar. Você pode montar um deck completamente ofensivo, que foi o meu caso, ou montar um deck híbrido, com opções de ataque e recuperação de defesa.

Na medida que fui progredindo, fui mesclando as cartas ofensivas com cartas de efeito e utilitárias, permitindo que meu personagem jogasse múltiplas vezes durante um turno. As cartas podem acionar efeitos. Você pode causar queimadura nos inimigos e usar uma carta para desencadear uma explosão por exemplo, causando dano massivo.
Vale mencionar que tudo isso funciona de maneira super intuitiva. Eu não tinha nenhuma experiência com jogos de cartas com exceção de Gwent e consegui progredir normalmente. As horas iniciais do game funcionam bem como uma introdução e a curva de dificuldade é amigável.
O jogo tem até uma mecânica de RPG-lite atrelada à progressão. Os personagens ganham experiência e mudam de nível, ganhando pontos de habilidade que podem ser aplicadas numa árvore de habilidades bem simples.

Direção de arte, som e desempenho
Artisticamente falando, Echo Generation 2 é um jogo super autoral. O estúdio manteve a ideia do primeiro jogo, continuando a aposta nos visuais em voxel art. A cereja do bolo aqui é o incremento nas técnicas de iluminação e sombreamento, dando uma camada extra muito bem vinda de detalhes, favorecendo a imersão.
Graças aos capítulos fragmentados, temos uma variedade impressionante de cenários e ambientes, o que ajuda a afastar o sentimento de repetição mesmo em longas sessões de gameplay.

Outro ponto que preciso destacar é a qualidade das animações. Tanto as cutscenes quanto o acionamento de cada carta é acompanhado de animações e efeitos belíssimos que tornam a experiência ainda mais charmosa.
Eu joguei em um Predator Helios 300 e, por ser indie, o jogo rodou de maneira satisfatória. Não tive nenhum bug, queda de frame ou qualquer coisa do tipo, indicando que o jogo está muito bem otimizado.
A parte sonora acompanha a qualidade visual. Os efeitos e trilha sonora são muito competentes e ajudam na imersão da trama. Como mencionei lá em cima, a parte sonora só deixa a desejar por conta da ausência de vozes nos diálogos.
Review de Echo Generation 2 – Vale a Pena!
Ter jogado Echo Generation 2 me deu uma vontade enorme de jogar o primeiro título da franquia e consumir mais e mais coisas da saga, logo, diria que a Cococucumber acertou em cheio na sequência. Eles entregam uma narrativa intrigante revestida por um sistema de jogabilidade baseado em cartas que é altamente viciante, intuitivo e que está super em alta dentro do mercado. Somado a isso, temos uma parte técnica e artística super competente, com um trabalho sonoro cheio de identidade e visuais em voxel belíssimos que ajudam a destacar Echo Generation 2 perante outros games do gênero. Super recomendo!
Echo Generation 2 entrega uma excelente aventura dentro do gênero sci-fi com belos visuais em voxel art e um sistema de combate inteligente com mecânicas de deckbuilding.
Pontos Positivos
- Visuais em voxel art
- Lore fantástica
- Combate com mecânicas de deckbuilding
Pontos Negativos
- Falta de voz nos diálogos
- História fragmentada
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
