Eu fiquei encantado por The Adventures of Elliot desde o trailer de revelação do game. Muitos dos elementos dele exalavam jogos que eu acho fantástico, como Grandia, época em que os RPGs focavam no que realmente importava.
Graças à um código antecipado cedido pela Square Enix, pude conhecer as aventuras de Elliot e eu já adianto, sem cerimônia mesmo – é outro grande acerto da Square, resgatando pilares que ajudaram o gênero a virar uma febre mundial anos atrás.
Um conto de eras
Nossa história é protagonizada pelo aventureiro Elliot, um jovem experiente que adora ajudar os outros. Esse primeiro contato com Elliot já me agradou bastante. Eu particularmente sinto falta de histórias com protagonistas puros e altruístas, e o jogo entrega exatamente isso, fazendo alusão aos RPGs clássicos de outrora.

Após eventos iniciais que servem para introduzir a figura de Elliot, acabamos nos deparando com a investigação de uma ruína que abriga uma porta misteriosa. A porta acaba se revelando uma espécie de portão temporal que leva Elliot para uma era diferente.
Como a narrativa é o grande foco do jogo, não entrarei em mais detalhes específicos sobre a trama. Mas confirmo que eu gostei da história e ela conta com finais múltiplos, adicionando um fator replay ao game.
A construção de mundo fica a cargo dos diálogos e dos colecionáveis que encontramos e podemos aprender mais sobre a cultura, costumes e locais do universo de Elliot. Os diálogos são bons, reais e os personagens aliados são bem escritos.

Eu particularmente achei o antagonista principal um tanto quanto caricato, suas motivações são óbvias, mas não é algo que chega a incomodar. Os dois pontos negativos da narrativa pra mim é que nem todos os diálogos são dublados e, o principal, a ausência de textos em nosso idioma. O inglês aqui é básico, logo, você não precisa ter um nível avançado para entender a trama, contudo, é obrigatório ter uma boa noção do idioma, o que torna a aventura restritiva.
A campanha, sem fazer 100%, levou 13 horas pra ser concluída.
Hora da aventura
Jogar The Adventures of Elliot me fez pensar muito em um dos meus filmes prediletos da infância – A História sem Fim. O sentimento de ficar imerso em um mundo com um alto senso de descoberta e ser a “chave” para a solução de grandes problemas é uma peça central do jogo.
E um aspecto que eleva esse charme é que as mecânicas, incluindo o combate, são simples e diretas ao ponto. Podemos atacar, bloquear, usar habilidades especiais.. o jogo foge das armadilhas de jogos modernos que apostam na complexidade para segurar o jogador.
Os comandos são bem intuitivos e a jornada entrega algo que eu considero ser fundamental em bons RPGs: um excelente senso de progressão. Elliot é um aventureiro experiente, contudo, ele não possui muitos trunfos no começo do jogo. Na metade pro final, vamos desbloqueando novos armamentos poderosos, habilidades de travessia e magicites bem poderosas que elevam a escala de poder de um jeito bem satisfatório.
Adotar o estilo de movimentação livre tornou possível até que o jogo brincasse com trechos de plataforma dentro de calabouços, o que adiciona uma variedade bem vinda no loop de gameplay. As batalhas contra chefes se tornam ainda mais especiais e eles estão com um belo design, tanto visualmente quanto mecanicamente falando.

Tratando-se de progressão do personagem, Elliot se comporta como um Zelda-like e não como um RPG. Não ganhamos experiência ao derrotar monstros. Ganhamos moedas que são usadas para comprar coisas como equipamentos e consumíveis.
O jogo conta com um engenhoso sistema de bônus acumulativo que vai aumentando mediante a quantidade de inimigos que você derrota sem levar dano. Isso é incrivelmente satisfatório e faz com que você preste muita atenção em todos os combates, inclusive contra os adversários comuns.
Por falar neles, essa foi minha única ressalva tratando-se do combate do game. Poderíamos ter uma variedade maior de inimigos. Eles se repetem com frequência. Não é algo que destrói a experiência mas certamente tira um pouco do seu brilho.
Ao longo da campanha, também podemos concluir missões secundárias. Algumas delas concedem novos tipos de armas ou consumíveis importantes como as bombas, item essencial na exploração. Isso adiciona um temperinho de metroidvania no game. Nas horas iniciais da aventura nos deparamos frequentemente com locais que ainda não podemos acessar pela falta de algum item, como a mencionada bomba.

Por falar em exploração, o jogo conta com vários calabouços e templos, como os Templos de Vida. O layout dessas dungeons varia bastante, ajudando a elevar o nível da experiência.
Uma coisa que me agradou muito foi em relação ao mapa e os recursos de qualidade de vida para o jogador. O mapa mostra exatamente onde tem um baú após removermos a “névoa” dele. Outro ponto é que podemos viajar livremente entre os pontos de viagem rápida, mesmo estando em diferentes eras. É legal ver um game facilitando a vida do jogador em questões que realmente deveriam ser facilitadas, como é o caso da travessia pelos cenários.

Charme retrô
Artisticamente falando, temos o retorno da proposta HD-2D mas numa versão evoluída. Como a movimentação aqui é livre e o jogo foi estruturado como um jogo de ação em tempo real e não por turnos, o cenário foi modificado pra dar uma sensação maior de verticalidade e imensidão.

O combate em tempo real, nos moldes dos Zeldas clássicos, exigiu que as animações também evoluíssem, tornando-se mais fluidas e estilosas. A HUD também foi levada em consideração, implementado técnicas como porta-retratos pintados em balões de diálogos, dando um aspecto artesanal bem-vindo ao game. A parte sonora também merece destaque (e muito!).
A trilha sonora está fantástica, lembrando os Dragon Quest originais e os diálogos que possuem dublagem são surpreendentemente “pés no chão”, fugindo dos exageros que marcam jogos com propostas similares.
Os efeitos sonoros, como os das bombas explodindo obstáculos, as gramas sendo cortadas e vasos quebrados, também reforçam o cuidado da equipe nesse departamento.
Um ponto que talvez incomode os veteranos do gênero é que a companion de Elliot acaba dando pistas auditivas em excesso. Por exemplo, ao entrar em uma sala e ver um baú, ela já vai falar coisas como: “olha, um baú, deve ter alguma coisa valiosa dentro”. O game tem um forte intuito em ser acessível, mesmo em situações que não precisava ser.
Review de The Adventures of Elliot – Vale muito a pena!
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é a prova cabal que grandiosidade não reside em visuais de ponta e aventuras mirabolantes com 100 horas de duração e mecânicas super complexas. Compacto, honesto e divertido, o jogo é um dos melhores games da Square nos últimos 5 anos e representa um passo da empresa na direção certa.
Apesar da ausência da localização dos textos em nosso idioma, recomendo as aventuras de Elliot para quem busca uma boa aventura que relembra a era de ouro do gênero na época do PS1.
The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é mais um acerto em cheio da Square Enix. O jogo faz jus ao tremendo legado da publisher e resgata os pilares essenciais que tornaram a empresa uma das principais editoras do mercado.
Pontos Positivos
- Combate intuitivo e viciante
- Trilha sonora sublime
- Level design inteligente e com boa verticalidade
- Bons chefes
Pontos Negativos
- Sem PT-BR
- Poderia ter mais variedade de inimigos
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
