Particularmente, eu sempre vou advogar pelo relançamento de jogos de gerações passadas em plataformas modernas. Afinal, acredito que essa seja uma maneira de tornar esses jogos ainda mais acessíveis, possibilitando que pessoas que nunca os experimentaram possam enfim jogá-los — ou, ainda, que fãs de longa data revisitem seus jogos favoritos. Por esse motivo, eu fiquei bastante contente quando uma versão de Switch 2 de Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration foi anunciada — e lançada! — durante a Nintendo Direct de junho de 2026.
Lançado inicialmente no ano de 2015 para Xbox 360 e Xbox One (e chegando ao PS4 e PC um ano depois), Rise of the Tomb Raider se apresenta como o segundo capítulo da trilogia “survival” de Lara Croft, e funciona como uma sequência direta do título Tomb Raider, de 2013 (que também foi relançado para Nintendo Switch no ano passado).

Enquanto o primeiro título dessa trilogia moderna mostra a “origem” de Lara Croft como a famosa exploradora de tumbas, Rise of the Tomb Raider conta uma história inédita, que se passa um ano após a aventura inicial de Lara. Dessa vez, a narrativa se torna ainda mais pessoal, já que mostra uma Lara levemente mais madura, que decide seguir os passos de seu pai em busca de um tesouro lendário que ele nunca conseguiu encontrar em vida.
Todavia, como não poderia deixar de ser, existem diversos obstáculos no caminho de Lara, desde o clima gélido da Sibéria, até uma fauna perigosa composta por lobos e ursos. E, claro, também há uma misteriosa entidade chamada Trindade, um grupo para-militar de fanáticos religiosos que estão atrás do mesmo tesouro lendário que Lara Croft almeja encontrar. Nesse cenário cheio de perigos, o jogo apresenta uma campanha de cerca de 15 horas, que mistura segmentos de exploração, combate e cenas de ação à lá Uncharted.

A ascensão de Lara Croft
Caso você já tenha jogado o primeiro jogo da trilogia survival de Tomb Raider, Rise of the Tomb Raider não trará surpresas muito grandes, já que ele basicamente recupera boa parte das mesmas ideias do jogo anterior enquanto expande alguns conceitos bastante interessantes. O resultado é uma experiência familiar, mas que se mostra extremamente fresca e diferenciada nos dias atuais.
Digo isso, pois Rise of the Tomb Raider explora diversos elementos que eram muito típicos da geração passada, mas que não aparecem mais com tanta frequência em jogos atuais. Seus mapas, por exemplo, não são mundos abertos típicos de jogos AAA atuais, mas sim hubs expansivas que se conectam por caminhos específicos, que oferecem seus desafios de plataforma e travessia próprios.

Graças à essa estrutura, Rise of the Tomb Raider consegue entregar uma experiência bastante variada, no qual cada momento da campanha apresenta um feeling único. Em determinados segmentos, você tem à sua disposição mapas relativamente expansivos, com diversos objetivos secundários (incluindo missões paralelas), coletáveis e outros elementos que convidam à exploração. No instante seguinte, você passa por um trecho extremamente linear e cinematográfico, durante o qual Lara Croft precisa escalar, pular e se equilibrar por caminhos tortuosos.
Essa variedade também está presente no combate, que mescla momentos mais voltados para o stealth, durante os quais o jogador pode se esconder para derrotar inimigos um a um, e também momentos de ação direta e frenética. Nesse sentido, as mecânicas de combate puro do jogo são até um tanto quanto simplistas (o próprio arsenal da Lara é limitado), mas isso não chega a ser um problema quando você considera o modo como o jogo alterna o seu foco a todo instante.

Tumbas ocultas e uma pitada de metroidvania
Dentre todos os momentos presentes na campanha de Rise of the Tomb Raider, um dos grandes destaques, na minha opinião, está na presença de tumbas opcionais que funcionam basicamente como dungeons auto-contidas. Com um foco grande em solução de puzzle, cada uma dessas tumbas apresenta um desafio único que envolve as várias habilidades da Lara.
Em uma delas, por exemplo, você precisa encontrar uma maneira de erguer o nível da água, para conseguir então chegar à uma torre no topo das ruínas. Uma outra tumba, por sua vez, foca-se nos aspectos de escalada e nas habilidades de arco e flecha de Lara, já que ela precisa criar caminhos com cordas jogando flechas em pontos específicos do mapa. Encontrar essas tumbas no mapa e explorá-las em sua completude (ganhando uma habilidade especial ao fim) é um dos pontos altos do jogo.

Por falar nas habilidades de Lara, um dos aspectos mais interessantes de Rise of the Tomb Raider está em como ele apresenta leves elementos de metroidvania, que estão ligados às habilidades e equipamentos que a Lara conquista com o avançar do jogo. Determinados pontos do mapa estão bloqueados por portas amarradas ou ainda por postes em lugares de difícil alcance. Após encontrar cordas, polias e outros equipamentos, Lara ganha a habilidade de acessar esses espaços secundários, além de incorporar tais habilidades em seu kit básico.
Graças a esse elemento, até mesmo os segmentos lineares de travessia se tornam mais interessantes com o avançar do jogo, já que o jogo passa a exigir que você combine todo o arsenal de habilidades de Lara para conseguir avançar nas ruínas antigas que, seguindo o estilo de jogos do tipo, vão desabar no instante seguinte ao qual Lara puser seus pés em um tijolo ou pedaço de madeira. Quem está com saudade de Uncharted, vai se sentir em casa aqui.

Muito conteúdo em um port competente
Em termos visuais, Rise of the Tomb Raider é um jogo com momentos muito bonitos, mas que também mostra um pouco o peso do tempo por ser um jogo do início da geração passada. Isso significa que alguns aspectos do título, como as expressões faciais de personagens secundários, por exemplo, não estão no mesmo nível de títulos foto-realistas modernos. Não obstante, esse ainda é um jogo com visuais impressionantes, mesmo tanto tempo depois de seu lançamento original.
Nesse aspecto, inclusive, vale destacar que a Aspyr fez um trabalho bastante competente nessa conversão para o Nintendo Switch 2, já que o jogo apresenta total paridade gráfica com o título original, apresentando até mesmo algumas melhorias em determinados aspectos técnicos. No âmbito da performance, o jogo roda a 4K na TV e 1080p no modo portátil (resolução mais alta do que o jogo original, até mesmo quando ele rodava no PS5), porém a taxa de quadros foi mantida a 30 frames por segundo. O resultado, contudo, é bastante positivo, já que o jogo apresenta visuais belos, que realmente brilham em determinados cenários mais elaborados.

Como a titular versão 20 Year Celebration, o port de Switch 2 de Rise of the Tomb Raider traz todos os conteúdos já lançados para o título, incluindo missões secundárias extras, como a história da Baba Yaga (uma bruxa da Sibéria), e a mansão Croft totalmente explorável. Além disso, o jogo também oferece alguns modos extras secundários, que funcionam quase como um modo rogue-like, onde Lara precisa explorar determinados cenários enquanto dá o seu melhor para sobreviver.
Um outro aspecto brilhante que precisa ser destacado em Rise of the Tomb Raider é a sua localização. Mesmo sendo um jogo “mais antigo”, o título está inteiramente dublado e legendado e português do Brasil e, de modo geral, a qualidade da tradução e localização é bastante positiva, o que é um bônus muito bem-vindo para jogadores do nosso país.

Review de Rise of the Tomb Raider: 20 Year Celebration — um jogo de aventura refrescante
Mesmo sendo um jogo com mais de 10 anos de idade, Rise of the Tomb Raider continua apresentando uma campanha bastante divertida, que se destaca enormemente pela variedade de momentos distintos que são emaranhados em uma narrativa com cerca de 15 horas. Embora alguns aspectos da experiência demonstrem o passar dos anos, ele continua sendo um jogo bastante interessante até hoje.
Com uma conversão bastante positiva, a versão de Nintendo Switch 2 certamente se configura como uma opção bastante válida para pessoas que queiram experimentar o jogo pela primeira vez — ou ainda para fãs que desejam rejogá-lo em modo portátil. Para além dos aspectos técnicos, o jogo também aproveita algumas funções do Switch 2, incluindo opções para a utilização dos controles de mouse.
Além disso, em um contexto onde vemos muitas publicadoras relançando jogos antigos por preços bastante elevados, Rise of the Tomb Raider chega ao Switch 2 custando R$129,95 em seu lançamento, um preço muito mais acessível quando comparado ao valor de jogos AAA. Assim sendo, essa se torna uma opção extremamente válida para quem quer experimentar um jogo de aventura com essa pegada. Inclusive, saio animado desse review para a possibilidade de também lançarem Shadow of the Tomb Raider no Switch 2. Eu estou esperando, Aspyr!
PS: A análise foi feita em um Nintendo Switch 2 através de uma cópia cedida pela Aspyr.
Rise of the Tomb Raider chega ao Nintendo Switch 2 em uma versão bastante competente e bonita. Com todo o conteúdo já lançado, um preço acessível, e localização em nossa língua, esse é um ótimo jogo de aventura que mescla segmentos de stealth, combate, exploração e travessia durante suas 15 horas de campanha.
Pontos positivos
- Campanha variada
- Tumba secundárias muito divertidas
- Bons gráficos e performance
- Ótima localização e preço acessível
Pontos negativos
- Combate simples
- História previsível
- Alguns elementos visuais mostram a idade
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de arte
- Trilha sonora
