Me senti a vontade para realizar esta review de EA Sports UFC 6, pois sempre gostei de acompanhar o esporte. Talvez não consiga assistir a todos os eventos, mas é um esporte que acompanho há anos justamente porque nenhuma luta é igual à outra.
Não basta ter força ou acertar mais golpes que o adversário. Cada combate é um jogo de estratégia e paciência, em que uma decisão errada pode mudar completamente o rumo da luta.
Curiosamente, nunca tive a mesma paixão pelos jogos da franquia. Gostei bastante de EA Sports UFC 4, mas UFC 5 me passou a sensação de que ainda faltava alguma coisa para traduzir essa tensão do octógono para o controle. Por isso comecei EA Sports UFC 6 com a expectativa de descobrir se a EA Vancouver finalmente havia encontrado o equilíbrio entre simulação e diversão.
Depois de boas horas dentro do octógono, saí com uma resposta positiva. Ainda existem ajustes a serem feitos, mas esta é, sem dúvida, a evolução mais consistente que a série recebeu nos últimos anos.
Sem mais delongas, fica comigo nesta review de UFC 6, realizada no PS5 base e saiba se ele vale a pena ou não:

Quando a luta começa, fica difícil não admirar o trabalho da EA
A primeira impressão é excelente e cabe aplaudir o trabalho da EA com motor gráfico Frostbite e a Sapien Technology. Os modelos dos lutadores estão entre os mais realistas que já vi em um jogo de esporte. Basta olhar para nomes como Alex Pereira, Max Holloway ou Islam Makhachev para perceber o cuidado da equipe com expressões faciais, tatuagens, movimentação e até pequenos detalhes da pele.




Mas o que realmente vende a ilusão é a animação. Cada atleta se movimenta de forma muito natural, respeitando seu estilo de luta. As entradas, a apresentação dos eventos, a iluminação da arena e até a maneira como os golpes conectam ajudam a criar uma atmosfera muito próxima das transmissões oficiais do UFC.

Existe apenas um detalhe que poderia ser melhor. Os danos físicos durante as lutas ainda parecem discretos demais. Não estou dizendo que gostaria de ver algo próximo de Mortal Kombat, mas em diversas ocasiões apliquei longas sequências de ground and pound e o rosto do adversário praticamente não apresentava marcas relevantes. Um pouco mais de impacto visual deixaria as vitórias ainda mais convincentes.

Finalmente encontrei lutas que parecem realmente perigosas
Nos jogos anteriores era comum acertar uma sequência absurda de golpes limpos e ver o adversário continuar lutando como se nada tivesse acontecido. Sempre entendi que a EA precisava equilibrar realismo e diversão, afinal, ninguém quer que toda luta termine em dois chutes na cabeça, mas muitas vezes a resistência dos lutadores parecia exagerada.

Em UFC 6 senti que esse equilíbrio finalmente começou a aparecer.
Os golpes transmitem mais impacto e escolher o momento certo para atacar se tornou muito mais importante do que simplesmente pressionar botões.
O novo Flow State
Outro responsável por essa mudança é o novo Flow State ou “Estado de Foco” para os íntimos.
Cada lutador possui características próprias que permitem encher uma barra especial de acordo com seu estilo de luta. Max Holloway, por exemplo, recompensa jogadores que utilizam bastante a movimentação de cabeça antes de responder com contra-ataques.

Quando essa barra é preenchida, o atleta entra temporariamente em um estado de vantagem que fortalece alguns atributos. Não chega a revolucionar a jogabilidade, mas gostei bastante da ideia. Além de dar mais personalidade para cada lutador, o sistema ajuda a tornar os confrontos menos arrastados do que acontecia nas edições anteriores.
Mais fácil de aprender, sem deixar os veteranos de lado
Uma das mudanças que mais percebi em UFC 6 foi a preocupação da EA Vancouver em tornar o jogo mais amigável para quem está chegando agora à franquia. Durante muito tempo, principalmente nas disputas de grappling, a série acabou afastando novos jogadores por conta de comandos pouco intuitivos e de uma curva de aprendizado bastante alta.
Desta vez, a experiência é diferente. Logo nas primeiras lutas, o jogo oferece opções de acessibilidade e assistências que ajudam a entender as mecânicas sem tirar completamente o desafio. É possível ajustar diversos parâmetros de acordo com o seu nível de experiência, o que faz bastante diferença para quem nunca jogou um título da série.

A maior evolução, na minha opinião, está justamente no grappling. Ainda acho que essa mecânica pode evoluir, mas ela deixou de ser aquela barreira quase intransponível para iniciantes. Os comandos estão mais intuitivos e as assistências conseguem orientar o jogador sem transformar tudo em algo automático.

O melhor de tudo é que essas mudanças não simplificam a experiência para quem já conhece a franquia. Quem prefere desligar as assistências e aproveitar o sistema mais técnico continua encontrando um bom nível de profundidade, principalmente nas lutas mais equilibradas.
E os efeitos sonoros?
Se os gráficos impressionam, o trabalho sonoro acompanha o mesmo nível. O impacto dos socos e chutes soam como verdadeiras bombas nos adversários, a reação da torcida muda conforme o andamento da luta e os comentários ajudam a reproduzir o clima das transmissões oficiais do UFC.

É um conjunto que reforça bastante a imersão, principalmente nas disputas mais equilibradas, quando cada golpe parece alterar o comportamento do público.
O Legado é um modo “História” misturado com modo “Carreira”

A maior surpresa da minha experiência foi perceber que a EA Vancouver resolveu investir de verdade em conteúdo. O novo modo história, O Legado, acompanha a trajetória do lutador fictício Chris Carter antes de abrir caminho para o tradicional modo carreira. Ainda existe espaço para melhorias. Algumas sessões de treinamento acabam ficando repetitivas e, em certos momentos, passei mais tempo administrando minha preparação do que propriamente lutando.

Mesmo assim, terminei esse modo bastante otimista. Pela primeira vez tive a sensação de que existe uma base sólida para ser expandida nos próximos anos. Se a EA continuar desenvolvendo essa ideia em UFC 7 e UFC 8, acredito que o modo carreira poderá se tornar um dos grandes atrativos da franquia.

Felizmente, quem prefere criar o próprio lutador também continua muito bem servido. O modo Carreira tradicional mantém a essência das edições anteriores, mas agora conta com mais opções para moldar o atleta ao longo da jornada. Entre uma luta e outra é preciso administrar semanas de treinamento, aprender novos golpes, estudar adversários, lidar com patrocinadores e até responder a interações nas redes sociais.
O Hall das Lendas é muito interessante

Confesso que comecei esse modo sem grandes expectativas. Pouco tempo depois já estava completamente envolvido.
O Hall das Lendas transforma grandes nomes do UFC em pequenas homenagens interativas. Alex Poatan Pereira, Max Holloway e Zhang Weili recebem espaços próprios que funcionam quase como museus, onde podemos conhecer mais sobre suas carreiras antes de reviver algumas das lutas mais marcantes de cada um.

Para quem acompanha o esporte, esse conteúdo tem uma grande importância, afinal, não é apenas uma sequência de desafios. Existe um cuidado em contextualizar cada momento da carreira desses atletas, tornando tudo muito mais interessante do que simplesmente entrar em uma luta histórica pelo menu principal.

Foi, facilmente, uma das minhas partes favoritas do jogo.
A Academia
Outra novidade é a Academia, um espaço pensado para quem gosta de evoluir continuamente fora das lutas principais. Nele é possível recrutar atletas, acumular experiência, desbloquear treinadores, cosméticos e diversas recompensas.

A ideia é interessante porque oferece uma sensação de progresso, mas os menus poderiam ser mais ágeis. Em vários momentos a experiência acaba ficando burocrática demais para algo que deveria incentivar o jogador a voltar com frequência.
Modo Online agora conta com crossplay
Já no online, a chegada do crossplay era uma dívida antiga da EA com a comunidade e finalmente foi paga. Durante meus testes a experiência foi boa na maior parte do tempo, embora eu ainda tenha encontrado pequenas oscilações de conexão em algumas partidas.
Review de EA Sports UFC 6 – Vale a Pena?
Finalizo esta review de UFC 6 dizendo que ele é uma evolução clara da franquia, o ciclo de 3 anos entre um lançamento fez bem ao game.
Pela primeira vez em muitos anos, não fiquei pensando apenas no que ainda falta melhorar. Fiquei curioso para ver até onde a EA Vancouver consegue levar essa base nas próximas edições.
O jogo não reinventa a série e ainda possui mecânicas que precisam evoluir. Ainda assim, ele acerta justamente onde mais precisava: as lutas finalmente transmitem a sensação de estratégia e impacto que fazem do UFC um esporte tão interessante de acompanhar.
Se você é fã de MMA, dificilmente sairá decepcionado. E mesmo para quem acabou se afastando da franquia nos últimos anos, UFC 6 representa um ótimo motivo para voltar ao octógono.
EA FC 26 está disponível para PS5 e Xbox Series desde o dia 19 de junho de 2026.
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- Review: Flesh Made Fear (PS5)
- Review: Forgotlings (PS5)
- Review: The Adventures of Elliot – The Millennium Tales (PS5 Pro)
UFC 6 é uma boa evolução da franquia
Depois de passar várias horas com EA Sports UFC 6, fiquei com uma sensação que não tinha há bastante tempo com a franquia: vontade de continuar jogando. Não porque ele revolucionou tudo ou entregou um simulador perfeito, mas porque finalmente encontrei uma evolução que faz diferença de verdade dentro e fora do octógono.
As lutas estão mais naturais, os golpes passam muito mais impacto e o novo Flow State acrescenta uma camada interessante de estratégia sem complicar a vida de quem está começando agora.
Prêmio de melhor luta da noite
- Visual impressionante e animações muito realistas
- Lutas mais estratégicas e com golpes que finalmente passam sensação de impacto
- Flow State é uma boa adição
- O Legado é interessante
- Hall das Lendas é um dos conteúdos mais interessantes do pacote
Dedo no olho
- Modo carreira pode se tornar repetitivo
- anos visuais poderiam ser mais convincentes durante as lutas
- Pequenos problemas de latência no modo online
- Visuais
- História
- Jogabilidade
- Som
- Desempenho
