Lançado em 2024, Balatro não demorou pra se tornar um grande sucesso. Em apenas poucas horas, o título se tornou um dos mais comentados de sua época, algo que rendeu inclusive uma tonelada de premiações como o Jogo Indie do Ano. Obviamente, isso não acabaria por aí… Ainda mais porque estúdios tão sempre de olho nesses outliers.
Demorou uns meses, mas a Panik Arcade viu nisso uma oportunidade. Além de se inspirar no “jogo de cartinhas”, como alguns espertões por aí tavam dizendo, ele misturou conceitos de pôquer com os de Buckshot Roulette, dando vida a algo realmente surpreendente e único: CloverPit. E cara… que jogo viciante.
Depois de fazer muito barulho na Steam, onde chegou em setembro de 2025 e acumula avaliações muito positivas, o título chega hoje (13) aos consoles. E como tive a chance de jogá-lo por algumas boas horas, posso garantir, com plena tranquilidade, que é tão viciante quanto seus primos distantes.
Aposte sua própria vida
Preso em uma cela esquisita, você vê um aparato completo de apostas. Uma máquina caça-níqueis enferrujada, um caixa eletrônico, vários recipientes de vidro e uma caixa na parede com uma chave dentro. Nada ali dentro faz sentido, muito menos uma grande grade abaixo dos seus pés, preenchida com um poço sem fundo.
Aparentemente, essa prisão vai exigir que você aposte alto por sua vida. A cada rodada, suas chances de sobreviver aumentam ou diminuem… E a única chance de escapar dali pode estar por trás de uma voz que liga pra você de tempos em tempos. As questões são: quem é essa pessoa? Ela é confiável? Até isso parece depender do destino…

CloverPit é um jogo de apostas single player inteiramente baseado em caça-níqueis. Ao longo de algumas rodadas, você precisa ir batendo uma meta de pontos enquanto ganha amuletos que tornam as jogadas mais fáceis e/ou muito mais estratégicas. Temos basicamente um Dark Souls de Tigrinho.
Ele pode ter uma campanha longa ou curta; depende inteiramente de sua sorte. O objetivo é um só: escapar da prisão e descobrir o que existe lá fora. Mas pode se preparar pra uma jornada repleta de tentativas, principalmente se você é alguém que, de acordo com o próprio ditado, se deu melhor no amor.

Em termos gerais, CloverPit tem um excelente fluxo de jogabilidade. Você tem direito a rolar três ou sete fichas por rodada; respectivamente girar o caça-níqueis três ou sete vezes. A ideia é gerenciar essas ações, pois você gasta moedas pra girar; e como nem sempre você tem o suficiente pra avançar ou até mesmo pra arriscar de forma mais segura, há uma certa tática em controlar sua grana.
Depois de três tentativas, temos o resultado da fase. E aí, o telefone ao seu lado toca oferecendo coisas que podem te interessar, bem como há a contagem das moedas e quanto você deve (ou tá em crédito), pra poder escapar ileso do poço.

Tudo isso, reforçando, sem gastar grana real, hein? Então fique à vontade pra jogar com irresponsabilidade, pois CloverPit é 100% single player e não tem microtransações. Apenas uma grande quantidade de recursos úteis que te permitem avançar com certa segurança ou não.
Amuletos vão te proteger
Uma das mecânicas mais importantes de CloverPit são os amuletos. Através deles, é possível montar inúmeras builds ali dentro, com a possibilidade de mudar e adaptar (ou melhorar) sempre que você sentir necessidade.
Por exemplo, pra alcançar mais de um bilhão de moedas, fiz uma build de trevos. Com os poderes do telefone, dobrei muito a pontuação de cada trevo e tornei suas aparições mais frequentes. Já com os amuletos, fiz eles dobrarem a pontuação que fecharem um combo, aumentar a frequência e seus pontos base depois de um combo, e entregar tickets também sempre que fechar um combo.

Assim, meus tickets ficaram basicamente infinitos. Com um amuleto, quanto mais tickets eu tinha, mais aumentavam o valor base dos trevos, enquanto eu sempre podia comprar o amuleto de Cigarro, que aumenta cada valor do símbolo de acordo com seu número base, rejoga todos os amuletos da mesa (com exceção dele) e aparece lá infinitamente, mas sempre aumentando de preço.
E isso é um exemplo: você pode formar builds com 7s, diamantes e tesouros, que naturalmente valem mais que os outros ícones, com cerejas e limões, que têm frequência de aparição maior que os outros (mas valem menos pontos) e muito mais. Além disso, alguns amuletos também garantem mais moedas a cada jogada, chances extras de vida, possibilidade de pagar 30% do débito de uma vez… São muitas opções.

E como destravar os amuletos em CloverPit? Maior parte deles envolve jogar muito. Por exemplo, pontuar com trevos e sinos tantas vezes, comprar X tickets em amuletos… São espécies de desafios. No computador da cela, é possível ver o requisito pra cada um deles e rastrear-los; um recurso de acessibilidade muito interessante pra proposta do jogo.
Esses amuletos se juntam ao poder do telefone. Depois de três rodadas, uma voz vai te ligar fornecendo “ajuda”. Essa ajuda pode dobrar pontos de símbolos (ou reduzir), aumentar a frequência de aparecimento (ou diminuir), corromper amuletos pra que o número maldito, 666, apareça mais e remova todos os seus ganhos naquela rodada… é muito interessante e simples de entender.
Fator replay altíssimo
Uma das coisas mais legais de CloverPit fica por conta do fator replay. Sem spoilers da história, seu primeiro objetivo no jogo é destrancar quatro gavetas. Elas permitem que amuletos fiquem num “banco de reservas” sem se perderem, e você pode trocar a qualquer momento com um dos que já tá ativo.
Depois de destravar os quatro, uma nova fase narrativa se inicia: esse nível destrava uma tela de cirurgia, que permite fundir amuletos e criar alguns ainda mais poderosos, e ativa uma nova chave na parede. Essa chave tem o emblema de caveira e torna a dificuldade do jogo ainda maior.

Isso porque a nova fase de CloverPit se baseia em juntar cinco peças de um esqueleto e sobreviver com todas ao mesmo tempo. A cada uma que você encontra entre os amuletos (ou nas gavetas, quando um amuleto fica lá de uma tentativa pra outra), sua dívida aumenta em 5%. Resumindo: ter todas as peças faz o valor requerido pra passar de nível aumentar em 25%.
O endgame, então, consiste nesse método. Zerar várias vezes pra destravar todos os conteúdos do jogo; assim como acontece com Balatro. Além disso, um novo recurso é adicionado: os cartões de memória, que são modos de dificuldade que dão debuffs brutais e tornam a campanha muito, mas muito mais complicada.

Depois de escapar da prisão, você tem uma grande quantidade de coisas pra fazer. Destravar todas as cartas de memória, finalizar com cada uma delas e torná-las holográficas, encontrar todos os amuletos, descobrir segredos e easter eggs espalhados pela cela… CloverPit é um jogo extremamente criativo que premia tanto sua curiosidade quanto sua sorte.
Infelizmente, a história poderia ser mais detalhada. Ela é vaga e pretensiosamente interpretativa; algo que pode incomodar quem já passa horas e horas tentando fugir da cadeia.

Porém, com os recursos de acessibilidade que o jogo têm, como aumentar a velocidade das animações, acelerar os combos e pagar suas dívidas antecipadamente caso você já tenha muita grana em caixa, tudo fica bem mais divertido e, como eu já tinha dito antes, viciante.
CloverPit e a moda do Tigrinho
CloverPit mostra como seria o polêmico jogo do Tigrinho se ele fosse saudável. Single player, sem monetização e com uma ampla variedade no gameplay, o título é completo em sua proposta, e se torna ainda mais profundo ao reunir inspirações de Dark Souls, como o alto nível de dificuldade e a possibilidade de formar builds.
Seu sistema de áudio é excelente, enquanto ele traz um ótimo suporte ao DualSense. A atmosfera retrô do jogo também combina bem com seu conceito, enquanto o fluxo de jogabilidade é simples de compreender, especialmente por ser todo localizado em português do Brasil.
Jogar em um portátil, por sinal, é a melhor maneira de aproveitar CloverPit. Sem dependência de concentração, mas apenas da sorte e de estratégia, o jogo é agradável e nem de longe vai alienar sua mente. Como eu já havia dito lá em cima, fique livre pra jogar com total irresponsabilidade.
Viciante e com mecânicas simples de entender, CloverPit é a forma ideal de jogar jogos de azar sem acabar com sua sanidade; ou com sua grana.
Pontos positivos
- Quantidade absurda de segredos
- Endgame com altíssima rejogabilidade
- Recursos de acessibilidade muito úteis
- Fluxo de gameplay viciante demais
- Mecânicas narrativas bem interessantes
- Efeitos visuais em combos são muito massa
Pontos negativos
- História poderia ser melhor desenvolvida
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História
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Desempenho
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Jogabilidade
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Som
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Gráficos