Duskfade é um jogo maravilhoso e eu vou te explicar por que nesta review. Sabe aquele jogo que você termina e fica alguns minutos pensando em como uma experiência tão boa conseguiu passar despercebida por tanta gente?
Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Antes mesmo de escrever esta review, eu já tinha feito um post nas minhas redes sociais recomendando que todo mundo conhecesse Duskfade. E não foi por exagero. O jogo me surpreendeu pela qualidade, pelo cuidado em praticamente todos os seus detalhes e, principalmente, pelo preço que chega ao mercado brasileiro.
Desenvolvido pela Weird Beluga Studio e publicado pela Fireshine Games, o game chega em 13 de agosto de 2026 para PC, Xbox, Switch 2 e PlayStation.
A proposta é claramente uma carta de amor aos clássicos jogos de ação e plataforma 3D, especialmente aqueles que marcaram a era do PlayStation 2. E se você gosta de Ratchet & Clank, dos antigos jogos de plataforma, ou até encontra um pouco de Kingdom Hearts nessa mistura, existe uma grande possibilidade de Duskfade conversar diretamente com você.
Sem mais delongas, fica comigo nesta review de Duskfade e conheça esta obra-prima dos jogos indies. Caso prefira, segue a análise em vídeo:
Uma história sobre tempo, perda e arrependimento
Em Duskfade, controlamos Zirian, que parte em uma jornada para salvar sua irmã Allira depois que uma misteriosa Torre do Relógio mergulha o mundo em uma noite eterna.

Ao seu lado está Cuco, um pequeno pássaro mecânico que acompanha o protagonista durante praticamente toda a aventura. A premissa oficial já deixa claro que o relógio e os antigos Mestres Relojoeiros são fundamentais para entender aquele mundo.
A história começa com acontecimentos importantes envolvendo Allira e Tristan, o avô dos dois irmãos, e aos poucos vai explicando o que aconteceu com cada um deles.
O jogo não entrega todas as respostas de uma vez. Conforme avançamos pelos mapas, encontramos personagens importantes, conversamos com os Nuvenosos e descobrimos memórias que ajudam a entender melhor aquele mundo e os acontecimentos do passado.

Vamos entender pra onde foi a Allira, se ela foi raptada mesmo ou não, assim como, quem é o Cuco e entre outras questões que nascem assim que embarcamos na jornada de Zirian.
O que mais me chamou atenção é que Duskfade não está interessado apenas em contar uma aventura sobre relógios e dimensões temporais. A narrativa fala bastante sobre perda, culpa e arrependimento.
Muitos chefes representam sentimentos negativos que surgem quando perdemos alguém ou quando passamos a vida pensando no que poderíamos ter feito diferente.
A mensagem central é simples, mas funciona muito bem: o tempo que passou não volta. O jogo faz você refletir sobre valorizar as pessoas importantes e os ensinamentos que recebemos ao longo da vida. Foi uma história que me pegou justamente por isso.
Uma aventura com alma de PS2
Quando você pega o controle e começa a jogar, Duskfade mostra rapidamente onde estão suas maiores qualidades. Os mapas são lineares, mas possuem caminhos alternativos, áreas escondidas e recompensas para quem decide explorar. A Cidade Ponteiro funciona como o principal hub da aventura, onde encontramos NPCs, fazemos melhorias e nos preparamos para seguir para a próxima região.

O jogo também brinca com elementos de Metroidvania. Em alguns momentos você encontra passagens inacessíveis até conseguir uma habilidade específica. Mais tarde, pode voltar e descobrir upgrades ou colecionáveis escondidos. O importante é que isso não atrapalha o progresso da campanha. Você não precisa ficar voltando aos mapas para avançar na história.
Eu terminei Duskfade com cerca de 15 a 16 horas, alcançando aproximadamente 68% de conclusão. Ou seja, ainda deixei bastante coisa para trás. Quem gosta de explorar cada canto, pegar todos os colecionáveis e buscar a platina provavelmente vai passar das 20 horas com facilidade. Conheço pessoas que levaram mais de 30.

Colecionáveis que realmente têm função
Praticamente tudo que você encontra possui alguma utilidade. As Peças de Coração de Relógio aumentam a vida de Zirian, enquanto os Fragmentos de Núcleo Estelar ampliam sua energia temporal. Existem ainda Caixinhas de Música, Frascos de Pigmento, Lingotes Arco-íris, N1C0-moedas, Vitrais Quebrados, Gatinhos Perdidos e Engrenagens de Melhoria espalhados pelos cenários.


As Lascas Estelares funcionam como a moeda principal do jogo. Elas reaparecem depois de morrer, então existe até a possibilidade de farmar. Eu terminei a campanha com o limite máximo de 9.999 Lascas, então definitivamente não é algo com que você precisa se preocupar o tempo inteiro.
O único detalhe que poderia ser melhor é que algumas áreas difíceis oferecem recompensas simples demais para o esforço exigido. Não chegou a atrapalhar minha vontade de explorar, mas senti falta de itens mais especiais em determinados pontos secretos.

A Minuteira é o coração da gameplay
A arma de Zirian é a Minuteira, um ponteiro de relógio que também funciona como principal ferramenta de exploração. O Gancho permite se prender aos contrapesos espalhados pelo cenário. O Pêndulo serve tanto para atacar quanto para interagir com objetos de Brilho Dourado. O Relógio de Sol permite deslizar por estruturas semelhantes a corrimãos, enquanto as Asas podem ser ativadas depois de um salto duplo para planar.

O mais interessante é que essas habilidades raramente são usadas isoladamente. Em vários momentos, você precisa combinar salto duplo, avanço, planar, gancho e movimentação aérea em sequência para atravessar determinadas áreas. Isso faz com que as partes de plataforma sejam muito mais desafiadoras do que eu esperava.
Plataforma que exige atenção de verdade
Duskfade não é um jogo de plataforma “besta” ou automático. Existem sequências em que você realmente precisa dominar a movimentação. Em alguns momentos, tive até uma lembrança distante de God of War 2, especialmente pela sensação de atravessar áreas utilizando ganchos e estruturas espalhadas pelo cenário.
Você pode precisar realizar um salto duplo, usar o avanço para ganhar distância, planar, agarrar um ponto com o gancho, alcançar uma parede, mudar de direção e repetir tudo novamente até chegar ao outro lado. Quando você aprende a combinar essas habilidades, a exploração fica extremamente prazerosa.

Além disso, os dispositivos temporais adicionam ainda mais variedade. O Cronodisparo lança uma rajada de energia temporal.
O Cronômetro deixa Zirian invulnerável por alguns segundos antes de liberar uma explosão e ainda permite acessar fendas temporais escondidas.
A Bomba-Relógio funciona como um impulso vertical, enquanto a Queda Estela convoca uma chuva de meteoros capaz de eliminar todos os inimigos da área.
Combate rápido e divertido
O combate segue a mesma filosofia da movimentação: agilidade acima de tudo. Zirian pode pular, usar salto duplo, esquivar-se e executar uma esquiva dupla. A Minuteira recebe novas habilidades ao longo da campanha, e você também pode melhorar os atributos do personagem na Cidade Ponteiro.
Cuco participa das batalhas principalmente atacando inimigos à distância, mas não espere um companheiro controlável como Atreus em God of War. Ele ajuda de forma automática e também participa bastante dos diálogos e da história.

Uma dica importante: eu não recomendo usar o lock-on. Os inimigos são rápidos, cercam Zirian com facilidade e o sistema de trava acaba atrapalhando mais do que ajudando. Joguei praticamente a campanha inteira com a câmera livre e achei a experiência muito mais confortável.
Chefes criativos
Um dos pontos que mais gostei é como o jogo utiliza as habilidades recém-adquiridas. Normalmente você aprende uma mecânica nova durante o mapa e, pouco tempo depois, enfrenta um chefe que exige justamente o domínio daquela habilidade. Isso cria uma sensação constante de aprendizado e evolução.

Existem chefes gigantes, batalhas menores e confrontos em arenas, cada um com sua própria identidade. Duskfade também possui elementos que lembram RPG, mas felizmente não obriga o jogador a ficar farmando recursos para continuar avançando. Você pode melhorar vida, energia e habilidades da Minuteira, porém nunca senti que precisava passar horas acumulando Lascas para derrotar um chefe.
A variedade de inimigos comuns poderia ser um pouco maior, mas isso não chegou a prejudicar minha diversão. O combate me manteve entretido durante toda a campanha.

Nem tudo é perfeito
Duskfade me divertiu do começo ao fim, mas encontrei alguns problemas pontuais. O principal deles está no ritmo da reta final. Em determinado momento, enfrentei um chefe que parecia claramente o confronto final da campanha. Só que o jogo continuou por mais uma ou duas horas, incluindo uma longa sequência de fuga e plataforma.
O problema é que essa sequência não possui checkpoints intermediários suficientes. Se você cair perto do final, precisa repetir praticamente todo o desafio. Também existe um chefe específico cuja segunda fase obriga o jogador a refazer uma primeira fase bastante longa sempre que morre.
São decisões de design que poderiam ter sido melhor pensadas, mas em nenhum momento tive vontade de abandonar o jogo por causa delas.
Um mundo lindo de verdade
Agora precisamos falar dos visuais. Meu Deus, que jogo lindo. Duskfade traz um estilo de animação colorido e completamente distante do realismo. Se você procura gráficos ultrarrealistas, talvez ele não seja o jogo ideal. Mas se gosta de direção de arte forte e cenários criativos, prepare-se para uma experiência especial.

Eu parei várias vezes apenas para admirar o cenário de Duskfade enquanto jogava para a produção desta review. E acontecia algo curioso: sempre que eu achava que tinha encontrado o mapa mais bonito da aventura, o jogo apresentava outro ainda mais impressionante. Montanhas, desertos, regiões celestes, ambientes escuros e enormes estruturas mecânicas criam uma variedade visual fantástica.

Foi justamente durante um desses momentos de contemplação que pensei: “Esse jogo não pode custar só isso.” Existem produções muito mais caras que não demonstram nem uma fração desse cuidado em seus ambientes. Duskfade mostra que é possível criar um jogo bonito e visualmente memorável sem cobrar um preço absurdo. Para mim, o visual é facilmente nota 10.

Uma trilha sonora que fica na cabeça
A trilha sonora foi outra surpresa enorme. Existem músicas que me lembraram aquela sensação clássica dos jogos de plataforma, com um toque que remete a Donkey Kong, Mario e aos grandes jogos do Super Nintendo e do PS2. É o tipo de trilha que acompanha a gameplay sem ficar apenas preenchendo silêncio.
Os efeitos sonoros também são excelentes. Golpes, movimentação, escorregadas e até as interações entre Zirian e Cuco ajudam a dar personalidade ao jogo. Dá para perceber um cuidado muito grande em cada detalhe da apresentação.
Desempenho e fator replay
Joguei Duskfade no PS5 base e tive alguns momentos pontuais de queda de desempenho, com pequenas travadinhas em determinadas áreas. Também encontrei um bug em uma missão que continuou aparecendo como não concluída no menu mesmo depois de eu já ter feito o objetivo, embora isso não tenha impedido meu progresso.

Em outra situação, Zirian chegou a entrar parcialmente debaixo do chão, mas saiu rapidamente sem causar problemas maiores. Foram ocorrências muito pequenas durante toda a campanha e não atrapalharam minha experiência de forma significativa.
No fator replay, Duskfade não possui New Game+ no lançamento, e senti falta de um modo foto, algo que faria muito sentido em um jogo com cenários tão bonitos. O conteúdo pós-campanha está principalmente na exploração: voltar aos mapas anteriores, acessar áreas bloqueadas por habilidades novas, completar colecionáveis e buscar os 100%.

Review de Duskfade- Vale a Pena?
Eu comecei esta review dizendo que todo mundo deveria conhecer Duskfade. Depois de terminar a campanha, continuo pensando exatamente da mesma forma.
Esse jogo é uma das maiores surpresas que tive em 2026 e, até agora, uma das minhas principais escolhas para concorrer ao melhor indie do ano. Talvez eu seja suspeito porque tenho um carinho enorme por jogos de plataforma que lembram minha época de PS1 e PS2, mas Duskfade conseguiu resgatar exatamente aquela sensação de pegar o controle e simplesmente se divertir por horas.
Ele me lembrou Ratchet & Clank, trouxe um pouco da energia dos clássicos de plataforma 3D, colocou uma pitada de Kingdom Hearts na apresentação e ainda construiu uma identidade própria. Some isso a uma história que fala sobre tempo, perda, arrependimento e a importância de valorizar quem está ao nosso lado, e o resultado é uma experiência muito mais marcante do que eu imaginava.
Se você está cansado de videogame, sente que todos os jogos estão iguais ou simplesmente não encontra mais aquela vontade de jogar por horas, dê uma chance para Duskfade.
Eu não esperava gostar tanto, não esperava parar para admirar tantos cenários e certamente não esperava encontrar uma experiência desse tamanho pelo preço cobrado.
Duskfade é divertido, bonito, tem uma trilha sonora marcante, uma história que consegue dizer algo além da própria aventura e uma jogabilidade que me fez lembrar por que eu gosto tanto de videogame. Não poderia finalizar esta review de Duskfade sem dizer que ele é uma recomendação que faço de coração.
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Reviva a magia dos clássicos jogos de plataforma e ação
Duskfade é aquele jogo que faz você lembrar por que começou a amar videogame. Com uma mistura deliciosa de plataforma 3D clássica, exploração divertida, combate ágil e uma direção de arte simplesmente encantadora, a aventura de Zirian consegue transmitir magia sem parecer apenas uma cópia nostálgica.
Uma obra-prima
- Jogabilidade divertida do início ao fim
- Situações de plataformas desafiadoras e criativas
- Chefes variados e criativos
- Visual espetacular
- Trilha sonora ótima
- História com temas que vão além da aventura
- Ótimo custo-benefício
- Localização em português do Brasil
Nada que tire seu brilho
- Algumas recompensas de exploração poderiam ser melhores
- Variedade de inimigos poderia ser maior
- Cadê o modo foto? Só porque achei o visual espetacular
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Visuais
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História
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Jogabilidade
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Desempenho
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Som
