Uma das coisas mais legais da indústria dos videogames é ver a evolução. Nos anos 1990, alguns gêneros de jogos fizeram maior sucesso por serem apostas mais frequentes; com isso, naturalmente, os jogos de navinha, ou os shooter on-rails, tiveram mais oportunidades de brilhar.
Quem viu Spacewar! lá nos anos 1960 jamais imaginaria que algum dia chegaríamos a Truxton ou a Resogun. De fato, esse estilo evoluiu consideravelmente em diversos aspectos, mas sempre mantendo a essência de nostalgia que estimula jogadores de todo o planeta a buscarem sempre as mais altas pontuações.
Nesta semana, temos mais um jogo de navinha chegando. E fico feliz em dizer que Wild Blue Skies é mais um projeto indie que surge nessa esfera dos games que buscam inovar, seja por meio de gráficos caprichados ou por meio de um gameplay versátil que se torna muito satisfatório quando se domina.
Domine os céus
O domínio maligno de Grimclaw tá prestes a chegar ao fim. Bowie, Thorne, Chuck e Roe, os lendários Bombardeiros Azuis, se juntam em mais uma missão épica, e agora assumem seus caças pra invadirem os domínios do mal e derrubarem todos que estiverem ao seu lado.
Pra variar, a jornada não será fácil. O quarteto vai passar por todo tipo de ambiente e de cercos enquanto tentam se manter na batalha. E Grimclaw tá muito preparado: seus generais se equipam com grandes máquinas de guerra e oferecerão resistência a todo custo.

Wild Blue Skies é um jogo de navinha que vai direto ao ponto. Com uma campanha que pode chegar a menos de 1h, ele traz uma espécie de formato roguelite, mas determinado pelo jogador: pra completar a história, é possível selecionar mapas com o objetivo de concluir uma run com seis níveis distintos.
Cada missão dura no máximo 5 minutos, levando em conta que algumas delas são “abertas” e permitem que você explore 360 graus. Enquanto isso, os níveis tão repletos de armadilhas ambientais, caminhos alternativos e, obviamente, inimigos, trazendo evoluções consideráveis em relação aos jogos do gênero que se submetem a experiências mais planas.

No geral, Wild Blue Skies é um jogo simples. Sua história é clichê e de pouca importância, sua estrutura de progressão é intuitiva e não há qualquer opção pra armas alternativas, upgrades ou coisas do tipo. Apenas um jogo onde você tem vidas limitadas e precisa se superar enquanto ajuda os membros do esquadrão e tenta sobreviver.
Domine, se adapte e explore
Como um arcade por essência, Wild Blue Skies se vende tanto pra jogadores casuais quanto pra experientes. Porém, aqui temos uma das desvantagens do jogo: a curva de aprendizagem é moderada, e dominar não apenas os controles, mas o voo como um todo, pode obrigar você a repetir fases algumas vezes.
Isso não quer dizer que o esquema seja complexo, mas um remapeamento de botões seria interessante. Usar o míssil teleguiado, por exemplo, da mesma velocidade em que se atira com os blasters não funciona muito bem, pois um é segurando e soltando o botão “X” e o outro é segurando (ou apertando) o botão “Quadrado”.

Além disso, a mecânica de freio é útil em áreas abertas, mas inútil nos tradicionais on-rails. Assim, agir por instinto pode ser confuso nos primeiros minutos, e até você conseguir progredir bem pode levar um tempo e, em certo grau, uma espécie de mini dor de cabeça. Mas não desista.
Depois de aprender bem o gameplay, Wild Blue Skies fica satisfatório. O tiroteio é preciso, a navegação com o caça é simplesmente fluida e sensacional, enquanto agir rapidamente pra se esquivar de tiros e rastrear seu próximo alvo é o puro suco dos jogos de navinha.

Como se não bastasse, o desempenho do jogo tá excelente, com a performance correndo muito bem em um tipo de jogo onde a agilidade é essencial. Um ótimo trabalho dos desenvolvedores, especialmente quando temos uma grande quantidade de coisas acontecendo na tela e belíssimos efeitos ambientais de chuvas, lava, deslizamentos e muito mais. Mandaram muito bem.
Fator replay pros mais ousados
Wild Blue Skies é um jogo que foca muito na repetição. Como sua campanha é curta, o estímulo tá pra quem gosta de desafios pra além do normal. O jogo registra não apenas a pontuação total e de cada área, mas o tempo gasto pras missões, a coleta de segredos e a sobrevivência.
Falando brevemente sobre cada um deles, completar as missões rapidamente rende um prêmio, bem como encontrar todas as letras de WILD (que por sinal ficam muito bem escondidas). Além disso, há um registro interessante de garantir que seus outros três colegas do esquadrão sobrevivam.

A cada mapa, Thorne, Chuck e Roe podem ser vistos várias vezes atirando em inimigos ou fugindo. A ideia é que eles sempre sobrevivam e escapem do nível com você, mas nem sempre isso acontece. Perder um deles em combate significa que ele volta pra garagem na próxima missão e tá indisponível. E perder os três… Bom, aí é por sua conta em risco. Salvar todos também rende uma recompensa.
E assim o jogo segue. Wild Blue Skies também tem caminhos secretos, que abrem novos mapas pra selecionar durante a campanha. Mas infelizmente o jogo carece em acessibilidade e há pouquíssimas opções que poderiam facilitar uma experiência já desafiadora; incluindo a total ausência de localização em português do Brasil.
Wild Blue Skies sabe ser nostálgico e moderno
Não tenho como negar que Wild Blue Skies é um jogo caprichado. Temos aqui um jogo muito bem feito em termos técnicos, com um gameplay realmente estimulante caso você tenha dominado e entendido bem a forma ideal de combater.
Sua história é clichê e fica em segundo plano, então acaba não importando muito. Enquanto isso, a falta de acessibilidade e de localização em português do Brasil, bem como a moderada curva de aprendizagem, podem afastar o público mais casual que só quer ter algo mais leve e descompromissado pra jogar.
Como platinador de Resogun e alguém que gosta desse tipo de jogo (e olha que não sou velha guarda e muito menos fã de gerações antigas), saio satisfeito de Wild Blue Skies. Um título que faz o feijão com arroz, mas um prato bonito de se apresentar em um cardápio e que com certeza vai atrair quem só quer um almoço simples, mas cheio de sustância.
Wild Blue Skies é um jogo de navinha que soube se atualizar pras plataformas recentes, trazendo gráficos estilizados bem bonitos e um gameplay que satisfaz quando se domina sua moderada curva de aprendizagem.
Pontos positivos
- Jogabilidade satisfatória
- Campanha com alto fator replay
- Fases cheias de segredos
- Estrutura de semipermadeath bem funcional
- Performance de boa qualidade
Pontos negativos
- Sem localização em português do Brasil
- Curva de aprendizagem moderada
- História bastante clichê
-
História
-
Jogabilidade
-
Som
-
Gráficos
-
Desempenho