Reviver jogos da era PS3 costuma ser um risco. A nostalgia muitas vezes fala mais alto do que a memória real da experiência. Quando The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition reapareceu nos consoles e no PC, minha expectativa era encontrar um remaster caprichado.
O que encontrei foi algo diferente: uma reedição quase intacta de um RPG de ação de 2011, com algumas melhorias pontuais de qualidade de vida. E, sinceramente, isso não é necessariamente ruim.
Joguei no PS5 base, e a sensação foi exatamente a de abrir uma cápsula do tempo da geração PlayStation 3. O visual entrega isso imediatamente, mas o combate cooperativo e os elementos de RPG ainda conseguem sustentar boa parte da diversão.
Sem mais enrolação, vem comigo nesta review de Lords of The Rings: War in the North Legacy Edition e saiba se vale a pena revisitar este clássico do PS3. Caso prefira, segue abaixo a análise em vídeo:
Uma aventura paralela à Sociedade do Anel
A história acompanha Faren, Andreel e Eradan, três personagens inéditos que atuam nos bastidores dos acontecimentos clássicos de O Senhor dos Anéis. A campanha começa em Brie, poucos dias antes da chegada de Frodo, e rapidamente deixa claro que o foco não está nos heróis famosos da trilogia.

Aragorn, águias, anões e outros rostos conhecidos aparecem em vários momentos, mas funcionam mais como conexões com o universo de Tolkien do que como protagonistas da narrativa.
O enredo é linear e não oferece escolhas importantes. Ainda assim, gostei do cuidado dado aos diálogos. Dependendo do personagem controlado, as falas mudam, o que ajuda a dar personalidade ao trio principal. Não espere uma história memorável, mas para quem é fã da Terra-média ela funciona como uma aventura paralela interessante.

O combate ainda diverte
O coração do jogo é o hack and slash cooperativo. A estrutura lembra bastante os antigos jogos de O Senhor dos Anéis lançados na era PS2 e PS3: grandes arenas, ondas de orcs e muita pancadaria.
No início tudo parece um simples apertar de botões, mas o sistema ganha profundidade conforme desbloqueamos habilidades, magias, ataques carregados e finalizações. As execuções continuam sendo um dos pontos mais satisfatórios, com direito a desmembramentos e câmera lenta.

O combate não é perfeito. Alguns problemas ficaram evidentes, como os indicadores de execução acima dos inimigos podem ser difíceis de enxergar em batalhas lotadas, além disso, certos golpes têm um comportamento meio inconsistente e inimigos grandes apresentam hitboxes estranhas em alguns confrontos.
Mesmo assim, a jogabilidade é responsiva o suficiente para manter o ritmo divertido durante boa parte da campanha.
A melhor novidade da Legacy Edition
A mudança que mais senti diferença foi a possibilidade de trocar de personagem no meio das missões.
No jogo original isso só podia ser feito entre uma missão e outra. Agora posso alternar instantaneamente entre o guerreiro, o ranger e a maga, aproveitando melhor as habilidades de cada um.
Essa simples adição faz o modo single player parecer mais estratégico e mais dinâmico, além de incentivar o uso de todo o grupo em vez de focar apenas em um personagem.
Elementos de RPG surpreendentemente sólidos
Uma coisa que eu não lembrava tão bem era o quanto War in the North investe em sistemas de RPG.
Cada personagem possui:
- três árvores de habilidades;

- distribuição de atributos;
- equipamentos separados;
- armas com diferentes níveis de qualidade;
- poções de vida e mana;
- progressão de nível.
Para um jogo claramente focado em ação, a sensação de evolução é muito boa. Encontrar uma nova armadura ou uma espada melhor realmente faz diferença no desempenho do personagem.

Além disso, os mapas escondem áreas opcionais, baús e pequenos segredos, o que ajuda a quebrar um pouco a linearidade da estrutura principal.
O excesso de trolls cansa

Se existe um problema que ficou mais evidente com o passar das horas, é a repetição de certos inimigos gigantes, especialmente os trolls.
O jogo parece recorrer a eles sempre que precisa criar um pico de dificuldade antes do fim de uma missão. Os confrontos não são ruins individualmente, mas acabam se tornando muito parecidos entre si, o que prejudica a variedade da campanha.
Curiosamente, os chefes principais são bem mais interessantes. O confronto final, por exemplo, apresenta mecânicas mais elaboradas e mostra um potencial que o jogo poderia ter explorado com mais frequência.

Visual e desempenho no PS5 base
Aqui é importante ajustar as expectativas. A Legacy Edition não é um remaster gráfico. Texturas, animações e iluminação continuam praticamente os mesmos da versão de 2011. O aumento de resolução ajuda bastante na nitidez, especialmente em uma TV 4K, mas não espere modelos refeitos ou efeitos modernos.

No PS5 base, o desempenho foi estável durante a maior parte da experiência. Os carregamentos são rápidos e a resolução mais alta deixa o jogo mais agradável do que nas versões originais.
O problema é que a idade do projeto aparece o tempo todo, seja em animações faciais simples, em cenários com pouca interação, com texturas datadas ou uma apresentação geral claramente presa à geração passada.
Para alguns jogadores isso será charme retrô. Para outros, um obstáculo difícil de ignorar.
Vale a pena voltar para a Terra-média?
Depois de passar várias horas com The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition, fiquei com uma sensação curiosa. Ele está longe de ser um clássico perdido injustiçado, mas também está muito distante de merecer o esquecimento em que ficou por anos.
O jogo funciona melhor quando encarado como:
- um RPG de ação cooperativo da era PS3;
- uma aventura paralela para fãs de Tolkien;
- uma experiência descompromissada para jogar sozinho ou com amigos.
A campanha relativamente longa e o combate satisfatório conseguem compensar boa parte das limitações técnicas e da repetição de inimigos.
Review de Lords of The Rings: War in the North Legacy Edition – Vale a pena?
Finalizo esta review de The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition não entrega o remaster que muitos fãs gostariam de ver. Visualmente ele continua preso a 2011, e vários problemas de combate e repetição permanecem intactos.
Ainda assim, existe algo genuinamente divertido aqui. A combinação de hack and slash cooperativo, progressão de RPG e atmosfera da Terra-média continua funcionando surpreendentemente bem. A nova possibilidade de trocar de personagem durante as missões é uma melhoria simples, mas que realmente deixa a experiência single player mais agradável.
Se você procura uma produção moderna e tecnicamente impressionante, provavelmente vai se decepcionar. Mas se sente saudade dos RPGs de ação diretos da era PS3 e tem carinho pelo universo de O Senhor dos Anéis, esta reedição oferece uma oportunidade honesta de revisitar uma aventura que ainda guarda seu valor.
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War in the North retorna sem esconder suas raízes de 2011
The Lord of the Rings: War in the North Legacy Edition não é o remaster que muitos poderiam esperar, mas consegue provar que sua fórmula ainda funciona. A aventura mantém um combate divertido, bons elementos de RPG e uma campanha que ganha bastante com a possibilidade de trocar de personagem durante as missões.
Onde ele acerta
- Combate continua divertido
- Sistema de RPG com árvores de habilidades e equipamentos
- Possibilidade de trocar de personagem durante as missões
- Campanha interessante para quem gosta da Terra-média
- Desempenho estável no PS5
Poderia ser melhor
- Visual poderia ser melhor
- Repetição de inimigos, principalmente os trolls
- Algumas hitboxes e golpes apresentam inconsistências
- Animações e expressões faciais envelhecidas
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Visuais
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História
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Jogabilidade
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Som
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Desempenho
