Marathon é um jogo que sofre desconfiança por parte do público desde o seu anúncio, mas, mesmo com todas as polêmicas, tudo leva a crer que ele será um sucesso — pelo menos em um primeiro momento.
Desenvolvido pela Bungie, Marathon foi anunciado em 2023 e passou por diversos problemas. A princípio, a comunidade não aprovou o estilo de direção artística adotado, reagindo de forma negativa nas redes sociais.
Para piorar a situação, o jogo sofreu uma denúncia de plágio e recebeu feedbacks negativos durante sua fase de testes, o que levou a Bungie a adiá-lo por um período indefinido.
No entanto, após superar todos esses percalços, a desenvolvedora marcou seu lançamento para o dia 5 de março. Resta a dúvida: ele conseguirá conquistar espaço em uma indústria inundada de jogos multiplayer?
A resposta, ao que tudo indica, é positiva — e vou tentar explicar o porquê neste artigo.
Existem muitos GaaS, mas poucos jogos de extração
O mercado de jogos como serviço (GaaS) é frequentemente criticado por uma parcela da comunidade, já que títulos do gênero exigem dedicação quase diária dos jogadores e são projetados para mantê-los engajados por longos períodos, dificultando a exploração de outros tipos de jogos.
Paralelamente, porém, os jogos como serviço estão entre os títulos mais jogados todos os anos, com Fortnite, Call of Duty e Roblox dominando as listas de usuários ativos.

Por essa razão, muitas desenvolvedoras tentam emplacar um GaaS a qualquer custo, já que, quando um deles dá certo, pode se tornar uma verdadeira “mina de dinheiro” praticamente infinita.
De forma até paradoxal, essa aposta massiva em GaaS tem levado muitos estúdios ao fracasso. Ao tentar entrar nesse mercado altamente competitivo — especialmente no gênero shooter — diversas empresas acabam enfrentando gigantes já consolidados, como Call of Duty, Battlefield, Counter-Strike, Overwatch, Apex Legends e Rainbow Six.
Cada uma dessas IPs domina um segmento específico dentro do gênero de tiro e, na maioria das vezes, quando um jogo estreante tenta conquistar espaço, acaba rapidamente ofuscado. Afinal, o número de jogadores dispostos a se dedicar intensamente a um GaaS é limitado, e dificilmente eles migram para outro título do mesmo gênero ao mesmo tempo.
Existem exceções, como Marvel Rivals, que conseguiu encontrar seu espaço dentro dos hero shooters, muito em função do apelo de personagens amados por diferentes gerações.

Nesse cenário, surge um subgênero que ainda não enfrenta concorrência tão esmagadora: os jogos de extração. Atualmente, esse segmento é dominado principalmente por Escape from Tarkov e pelo recente e impactante ARC Raiders.
ARC Raiders mostrou o caminho das pedras
Escape from Tarkov foi lançado em beta ainda em 2017, e a versão final só chegou ao público em novembro de 2025.
Sim, foram necessários oito anos para que o jogo fosse oficialmente lançado. Mesmo com uma base de fãs engajada, seu pico máximo de jogadores na Steam foi de 47.800 simultâneos.

Muito disso se deve ao fato de o jogo não ser convidativo para novos jogadores, já que aposta em uma experiência mais hardcore, que exige dedicação para compreender suas mecânicas complexas.
Quase no mesmo período, ARC Raiders foi lançado. Desenvolvido pela Embark Studios, o jogo rapidamente atraiu o público graças à sua qualidade técnica e ao preço competitivo de 40 dólares.
ARC Raiders rapidamente se tornou um fenômeno, alcançando um pico de 481.966 jogadores simultâneos e mantendo uma média de 200 mil jogadores diários na Steam. Desde o lançamento, o estúdio tem se dedicado a lançar atualizações frequentes, implementando novos conteúdos e corrigindo problemas relatados pela comunidade.
O resultado não poderia ser diferente: entre outubro de 2025 até fevereiro de 2026, o jogo já havia vendido mais de 14 milhões de cópias ao redor do mundo, consolidando-se como um verdadeiro sucesso tanto nos consoles quanto no PC.
No entanto, Marathon possui um diferencial importante quando comparado a ARC Raiders: enquanto o título da Embark Studios é um shooter em terceira pessoa, o da Bungie será um FPS.
Apesar de ambos pertencerem ao mesmo subgênero de extração, tratam-se de formatos que atingem públicos bastante diferentes, especialmente no que diz respeito à imersão, ritmo de combate e preferência de perspectiva.

A Bungie tem o “Know-how”
A PlayStation tem apostado fortemente em jogos como serviço (GaaS) ao longo da atual geração. Até o momento, o saldo é o seguinte: conseguiu emplacar apenas um grande sucesso, Helldivers 2, enquanto outros projetos sequer chegaram às mãos dos jogadores.
Além disso, houve o caso de Concord, que pode ser considerado um dos maiores fracassos da história dos games.
Em 2022, a Sony decidiu adquirir a Bungie para integrá-la ao seu portfólio de estúdios e auxiliar na produção e consultoria de jogos como serviço.
A Bungie ficou mundialmente conhecida por desenvolver a franquia Halo, que, ironicamente, se tornou a principal IP do Xbox e um dos maiores símbolos da concorrência com o PlayStation.
Após deixar Halo em 2010 e se tornar independente, a Bungie conseguiu emplacar outro grande sucesso: Destiny.
Desde seu lançamento em 2014 — e posteriormente com Destiny 2, lançado em 2017 — a franquia conquistou uma legião de jogadores ao redor do mundo e, mesmo enfrentando altos e baixos nos últimos anos, ainda é elogiada por sua qualidade técnica.
Agora, Marathon será a nova aposta do estúdio dentro do gênero. Com o suporte de desenvolvimento e marketing do PlayStation, as atenções estão voltadas para o título.
Evolução visível e interesse do público
Em um cenário em que há frequentes pedidos por inovação e maior ousadia por parte das empresas, a decisão de produzir Marathon com um estilo artístico que foge do fotorrealismo, apostando em algo mais autoral, foi uma escolha corajosa da Bungie.

Se havia desconfiança quanto à qualidade técnica do jogo após seu anúncio, os novos trailers de gameplay divulgados recentemente ajudam a afastar essas dúvidas. Em comparações lado a lado, é possível notar uma evolução clara em diversos aspectos técnicos, especialmente na iluminação, na vegetação e nas texturas.
Na Steam, mesmo faltando semanas para o lançamento oficial, Marathon já conseguiu entrar no top 5 de pré-vendas. Além disso, seu teste de estresse dos servidores ultrapassou a marca de 150 mil jogadores simultâneos na primeira hora após ser liberado.
Isso demonstra que a comunidade — ao menos no PC — está atenta e interessada no jogo.
Bungie e PlayStation como parceiras
Jogos como serviço precisam constantemente de novos jogadores. Mesmo com sua política tradicional de exclusividade, a Sony já demonstrou entender que abraçar outras plataformas pode ser benéfico para seus títulos.
MLB The Show já era uma franquia da Sony com presença multiplataforma, mas o que realmente surpreendeu nos últimos anos foi a chegada de Helldivers 2 — publicado pela PlayStation — ao Xbox.
Mesmo anos após o lançamento original, essa movimentação ajudou a atrair novos jogadores e deu um fôlego extra ao jogo.
Já Marathon será lançado simultaneamente para PlayStation, Xbox e PC, ampliando consideravelmente a base de usuários que podem estar dispostos a experimentá-lo. Os jogadores de Xbox, inclusive, ainda têm forte identificação com a Bungie por conta da franquia Halo, o que naturalmente reduz a rejeição ao novo título.
Além disso, a PlayStation definiu o preço de 40 dólares em todas as plataformas, um valor competitivo e convidativo dentro do mercado atual.
Se não bastasse, a empresa está utilizando sua forte máquina de marketing para promover o jogo, garantindo visibilidade junto à maior parcela de jogadores nos consoles.
Marathon e o sucesso inicial
Por conta dos fatores pontuados neste artigo — preço competitivo, ausência de concorrentes de peso no subgênero, proposta diferenciada e lançamento multiplataforma — tudo indica que Marathon terá uma estreia forte.
A grande questão que precisa ser levantada é: por quanto tempo?
Jogos como serviço exigem suporte constante. Mesmo que apresentem um “boom” inicial de jogadores, caso a desenvolvedora não entregue atualizações consistentes e responda às demandas da comunidade, o título pode perder força rapidamente.
A Bungie já divulgou um roadmap detalhando os planos futuros para o jogo e prometeu tolerância zero contra hackers e cheaters. Pelo menos no curto e médio prazo, os sinais indicam que o projeto está bem encaminhado.
Se conseguirá se manter relevante no longo prazo é algo que só o tempo dirá. No entanto, todos os indicativos apontam que um novo Concord dificilmente se repetirá, e Marathon tem potencial para se consolidar como o próximo GaaS de sucesso da PlayStation.
Você acredita que o Marathon será um sucesso para a PlayStation ou está fadado a ser o “novo Concord”?
