Resolvi fazer este review de 1348 – Ex Voto querendo, no mínimo, encontrar alguma ideia interessante escondida ali. Sabe aquele jogo menor, meio cru, mas que ainda consegue te prender por algum detalhe? Pois é… não foi o caso aqui.
O que eu encontrei foi uma experiência cansativa, mal construída e, pior, difícil de aguentar até o final. E já deixando claro desde o início: esse jogo não vale a pena em nenhum cenário.
E digo mais, sem rodeio: 1348 EX Voto é um desrespeito. Um desrespeito ao seu dinheiro, ao seu tempo e aos videogames no geral. É também um desrespeito à cena indie, que vive entregando jogos excelentes.
Aqui, a sensação é oposta. Além disso, é difícil entender por que o jogo simplesmente ignorou o Xbox, já que não existe qualquer justificativa técnica ou de escopo para isso.
Soma-se a isso a ausência total de localização em português do Brasil — não tem legenda, não tem menu, não tem nada — o que só reforça essa impressão de descuido.
E antes que alguém tente puxar discussão paralela: isso não tem absolutamente nada a ver com a protagonista ser mulher ou com a relação dela com a Bianca. Isso pouco me importa.
O problema aqui é outro. O jogo já chegou cercado de polêmicas, e mesmo assim eu fui com a mente aberta, tentando dar uma chance e ver o que ele tinha de bom. No fim, é difícil encontrar algo positivo de verdade. Sem exagero: é o pior jogo que joguei esse ano, com folga.
Mas, calma, eu explico melhor nesta review de 1348 – Ex Voto:

Uma protagonista que não se cala (e cansa rápido)
Tudo começa com a Aita, protagonista da história. E aqui já aparece um dos maiores problemas do jogo: ela simplesmente não para de falar. Não é força de expressão. É literal.
A cada poucos segundos, ela comenta absolutamente tudo o que está acontecendo. Não importa se você acabou de entrar numa área, olhou pra uma árvore ou deu dois passos pra frente — ela vai narrar, opinar ou explicar o óbvio.

Com o tempo, isso deixa de ser um detalhe incômodo e vira um problema real de experiência. Não existe silêncio, não existe espaço para o jogador absorver o ambiente. Eu me peguei várias vezes pensando: cara, só fica quieta um pouco.
Porque o jogo não confia em você. Ele precisa te guiar o tempo inteiro, como se você não fosse capaz de interpretar nada sozinho. E isso pesa demais ao longo das horas.
Uma história que não faz sentido, nem quando tenta surpreender
A história é essa: Aita, uma cavaleira errante, em uma jornada para encontrar e salvar Bianca, em meio à uma Itália Medieval tumultuada, com confrontos políticos, onde se encontram mercenários, fanáticos religiosos (existem alguns cenários que podem incomodar algumas pessoas) e a peste se proliferando em vários lugares.

A narrativa até tenta criar algo mais dramático com a relação entre Aita e Bianca, mas tudo é muito raso.
A motivação gira em torno de uma promessa, o VOTO, que é repetida tantas vezes que perde completamente o impacto. Falta construção, falta contexto e, principalmente, falta evolução dos personagens ao longo da jornada.
E quando o jogo tenta dar uma virada na história, desanda de vez. A revelação envolvendo a Bianca não tem base suficiente pra funcionar. As motivações dela não fazem sentido dentro do que foi mostrado, e parece mais uma tentativa de surpreender do que algo realmente planejado.

Durante a campanha, ainda tem aquele ciclo repetitivo de:
- encontrar a Bianca
- perder a Bianca
- ir atrás de novo
Isso acontece mais de uma vez, e fica claro que é só um recurso pra esticar a história. No fim, nada evolui. Nem os personagens, nem o mundo, nem o conflito.
Gameplay limitado e sem profundidade
Se a história não segura, o gameplay poderia compensar. Mas não compensa. O jogo é extremamente linear, com quase nada pra explorar.
Você até encontra alguns itens — como amuletos, comida e partes de espada — mas o impacto deles é mínimo. Dá pra trocar peças, testar combinações, mas na prática, pouco muda. Eu mesmo fui testando durante o jogo e a sensação era sempre a mesma: tanto faz o que você equipa.

Além disso, não existe mapa, não existe qualquer tipo de orientação mais clara. Você simplesmente vai andando para frente, entra em caminhos secundários que muitas vezes não levam a lugar nenhum e volta para a rota principal.
Isso quebra o ritmo e passa uma sensação constante de tempo desperdiçado. Os itens no cenário também são mal indicados: pequenos, difíceis de ver, com ícones minúsculos que parecem pensados para uma tela gigante.
Você precisa ficar forçando o olhar o tempo todo para não deixar passar algo básico como uma maçã para recuperar vida.
O sistema de progressão também é básico. Você melhora vida, defesa e o poder de restauração dos alimentos. As árvores de habilidade são pobres, as quais você evolui pegando escassos pergaminhos pelo meio do caminho.
- Prudentia: onde você melhora os atributos da Aita
- Audatia
- Celeritas
- Fortitudo: aqui você pode adquirir o parry do game

Os menus são pouco intuitivos e até a leitura deles é ruim. Tudo parece simplificado demais, sem profundidade e sem impacto real na gameplay.
Até o gameplay de plataforma consegue ser problemático. Tem momentos em que você acha que vai conseguir pular e não consegue. Em outros, você chega onde não devia e o jogo te barra com parede invisível. É aquele tipo de coisa que quebra totalmente o ritmo.
Combate travado, câmera ruim e frustração total
O combate é, sem dúvida, o maior problema do jogo — e talvez um dos piores que eu já vi em um jogo desse tipo. E isso pesa ainda mais porque o jogo é basicamente só isso: combate o tempo inteiro. Era pra ser o ponto forte, mas é exatamente o oposto.

Além disso, a câmera, quando você fixa no inimigo, é simplesmente absurda de ruim. Sério, teve momento que me deu vontade de largar o controle. Eu inclusive cheguei a comentar com amigos, coisa que eu nem costumo fazer, de tão irritado que fiquei.

O jogo te obriga a travar a mira nos inimigos, só que quando aparecem três, quatro ou até cinco ao mesmo tempo, a câmera entra em colapso. Ela gira sozinha, troca de alvo sem sentido e bagunça completamente o combate. Já aconteceu várias vezes de eu estar prestes a finalizar um inimigo e, do nada, a câmera mudar, a Aita atacar o vazio e eu acabar tomando dano e morrendo.

Falhas básicas que irritam
Além disso, o sistema de combate falha em coisas básicas. O inimigo entra em estado de cansaço, faz a animação e quando você vai atacar, ele defende normalmente, como se nada tivesse acontecido.
A esquiva também é extremamente mal feita. Você desvia no tempo certo, mas não ganha vantagem nenhuma. Vai atacar em seguida e o inimigo simplesmente bloqueia tudo. Não existe lógica consistente. Em um momento ele não defende nada, no outro parece que virou um mestre absurdo e rebate tudo que você faz.
Outro problema é que você não pode fugir dos combates. Ficou preso ali? Tem que lutar. Não tem alternativa. E mesmo com upgrades, a sensação é que nada melhora de verdade. Eu morri várias vezes, não por dificuldade justa, mas porque o sistema simplesmente não funciona como deveria. É frustrante, inconsistente e, com o tempo, cansativo.
Problemas técnicos e otimização no PS5
Jogando no PlayStation 5 base, a experiência técnica também deixou a desejar. O jogo aparenta rodar travado em 30 FPS, sem opção de modo desempenho ou qualidade, e com quedas frequentes, principalmente em áreas abertas como florestas. Teve momento que lembrou problemas clássicos de lançamento de jogos mal otimizados.
Além disso, o áudio é extremamente baixo. Mesmo com o volume alto, fica difícil entender falas e efeitos. E, como já mencionado, não há suporte ao português do Brasil, o que agrava ainda mais a experiência para quem depende de legenda — que, inclusive, é pequena e sem opção de ajuste.
Visual bonito, mas desperdiçado
Se tem uma coisa que dá pra elogiar, são os cenários. A ambientação medieval na Itália tem momentos realmente bonitos, com boa iluminação e alguns detalhes interessantes. Em certos pontos, dá pra ver potencial ali.




Mas ao mesmo tempo, tudo parece um grande corredor. Lembra muito a sensação de jogos como The Order: 1886: visual bonito, mas extremamente limitado. Você vê objetos no cenário que parecem interativos, mas não são. É quase como andar dentro de uma pintura.
Os personagens, por outro lado, deixam a desejar. Animações faciais estranhas e um visual geral sem muito destaque.
Uma experiência vazia
No fim das contas, 1348 Ex Voto é um jogo que não entrega quase nada do que promete. A história não funciona, o combate não evolui, a exploração é rasa e os problemas técnicos estão sempre presentes. Contudo, eu terminei mais por insistência do que por vontade.
E o pior: não teve nem aquele fator “tão ruim que é divertido”. Teve uma hora que eu percebi que estava jogando no automático, sem esperar nada. E isso, pra mim, é o pior sinal possível.
Review de 1348 – Ex Voto: vale a pena?
Finalizo esta review de 1348 – Ex Voto já respondendo a pergunta acima com um belo “NÃO”. Nem pelo preço, nem pelo tempo investido. Dá pra gastar essas poucas horas com qualquer outra coisa — e provavelmente vai ser mais proveitoso. 1348 Ex Voto até tinha algumas ideias interessantes, mas claramente precisava de mais tempo, mais polimento e uma direção melhor.
Do jeito que foi lançado, é um jogo que simplesmente não funciona em sentido algum!
E como eu sempre falo em minhas análises, esta é minha opinião sobre o game, tudo o que senti jogando o título por mais de 8 horas. É claro que você pode gostar do jogo e discordar de tudo e tá tudo bem!
1348 – Ex Voto é desenvolvido pela Sedleo e distribuído pela Dear Villagers e está disponível desde o dia 12 de março de 2026 para PlayStation 5 e PC.
Curtiu esta review de 1348 – Ex Voto? Fica ligado em outras análises do nosso time:
- Review: Snoopy & The Great Mystery Club (Switch 2)
- Review: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection (PS5)
- Review: Toxic Commando (PS5)
1348 - EX Voto é um daqueles casos em que a ambição existe, mas nada ao redor sustenta a ideia. O jogo tenta se apoiar em combate, narrativa e ambientação histórica, mas falha nos três pilares. O combate é inconsistente e frustrante, a história não se desenvolve de forma convincente e os problemas técnicos quebram qualquer imersão que poderia existir. Mesmo sendo um projeto menor, isso não justifica a falta de polimento e de direção clara. No fim, é uma experiência que não respeita o tempo do jogador e dificilmente vai prender alguém até os créditos sem esforço.
Pior que tem
- Os visuais são interessantes
- A coragem de mostrar algumas cenas
Esse jogo não merece o seu VOTO
- Combate mal feito, travado e inconsistente
- Câmera problemática que atrapalha diretamente a gameplay
- Sistema de esquiva e defesa sem lógica clara
- História rasa, mal desenvolvida e com reviravolta sem sentido
- Estrutura linear com pouca ou nenhuma exploração relevante
- Interface, menus e sistemas pouco intuitivos
- Problemas técnicos e má otimização no PS5
- Áudio baixo e legendas ruins, sem suporte ao português do Brasil
- Falta geral de polimento e sensação de jogo inacabado
- Cenário bonito, mas engessado
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Trilha Sonora
