A menos que você more em uma caverna ou deteste RPGs, você já ouviu falar sobre a Obsidian ou uma das obras do estúdio. Neverwinter Nights 2, Alpha Protocol, Fallout: New Vegas, Dungeon Siege 3, Pillars of Eternity…
O estúdio foi conquistando espaço entregando alguns dos melhores RPGs da história, chegando em tempos mais atuais com Avowed. Lançado originalmente no Xbox Series e PC em fevereiro de 2025, o jogo chega 1 ano depois no PlayStation 5 trazendo várias melhorias e conteúdos inéditos. Mas será que a versão de PS5 merece seu tempo? É isso que você vai descobrir em nosso review de Avowed!
Um mundo em ebulição
Avowed se passa no mesmo universo de Pillars of Eternity, um outro RPG da Obsidian incrivelmente denso. Apesar da clara conexão entre as duas obras, é possível jogar Avowed sem nenhum conhecimento prévio da outra franquia do estúdio.
Na história do jogo, o protagonista, que é uma Deidade, é enviado pelo Imperador para investigar uma praga misteriosa nas Terras Férteis. Uma Deidade é um status obtido por um ser ao ser tocado por um Deus e ganhar habilidades especiais. Eu fiquei positivamente surpreso com a lore e a densidade narrativa de Avowed.

A investigação da praga é a trama principal, contudo, temos várias subtramas acontecendo de maneira simultânea que são tão importantes quanto. Os nativos das Terras Férteis não gostam do Império e seu colonialismo, passando a orquestrar uma revolução com grandes consequências, até mesmo para o nosso personagem. Graças a isso, precisamos navegar entre ser firme em nossa lealdade para com o Império, gerando represálias com os revoltosos, ou tomar partido a favor da revolução.
A linha de moralidade em Avowed é bem “cinza” e isso me agradou bastante. Existem embates que podem ser completamente evitados através do diálogo, o que ajuda a estabelecer um bom fator replay, afinal, você fica refletindo sobre as possibilidades das escolhas.
Além de transitar entre sua própria noção de certo e errado, escolhendo bem a quem você se alia, uma Voz misteriosa conversa com frequência com o protagonista. Essas interações cósmicas adicionam muito a trama e servem como um ponto de conexão com a trama geral de Eora, o mundo compartilhado entre Avowed e Pillars of Eternity.

Repleto de maquinações políticas, reviravoltas e diálogos que oscilam entre o tom sério e humorado, Avowed entrega uma ótima experiência narrativa dentro de um mundo de alta fantasia. É claro que é perceptível que a história e os termos foram simplificados para se adequar a um público mais generalista do que fãs de cRPGs mas o game não faz feio nesse departamento.
Os aliados são bem desenvolvidos e temos as tradicionais conversas nos Acampamentos que ajudam a dar luz nas motivações deles e, claro, expandir a relação do protagonista com quem o acompanha.
No quesito narrativo, duas coisas me incomodaram. As missões secundárias, em sua maioria, deixam bastante a desejar. Muitas delas se assemelham mais as famosas “fetch quests” e poderiam ser melhor trabalhadas. Quando o estúdio ousa um pouco mais, como na missão de Sargamis, o conteúdo secundário rivaliza facilmente com o principal.
O segundo ponto que me incomodou foi na oratória. Pode ser um pouco estranho falar isso, mas os personagens em Avowed falam como se morassem em Los Angeles e em 2026. Claro que sem as gírias, mas os diálogos carecem da eloquência e de uma conexão maior com a temática central de alta fantasia.
Veloz e Furioso
Você deve estar pensando, o que Toretto tem a ver com Avowed? Bom, muita coisa. Seguindo a dica de um amigo que jogou no lançamento do Xbox, eu comecei Avowed já no Caminho dos Condenados, a dificuldade mais alta.
Após passar muito perrengue nas horas iniciais, raiva e pensar em diminuir a dificuldade, agora defendo veementemente que o jogo foi feito para ser jogado nessa dificuldade. Ela te força a entender todos os sistemas do jogo, ler a descrição dos itens, procurar em todo canto por loot e comida e, claro, ter um foco nível laser nos embates.
Se movimentar e esquivar constantemente é uma peça fundamental na sobrevivência. Eu fiquei genuinamente surpreso ao notar que a dificuldade não transforma os inimigos em esponjas de dano, nem mesmo os chefes sofrem desse mal. O estúdio foi perfeito em incrementar mais a reatividade e, claro, o dano causado, deixando a experiência desafiadora mas não entediante.

E o sistema de combate brilha bastante por si só. Você pode jogar com os tradicionais arquétipos de um RPG, seja como um mago, caçador ou guerreiro, Avowed vai além permitindo que você tenha um grau de liberdade um pouco mais amplo.
Dá pra empunhar uma espada ou pistola junto com um grimório, permitindo que você atire e conjure magias. Essa liberdade se extende para a construção de builds, deixando o jogador escolher qual o caminho mais divertido pra ele. Eu costumo brincar que existem RPGs de ação que são mais ação do que um RPG propriamente dito e Avowed é um caso claro disso. Ao menos no combate.
O sistema de builds, apesar de ter uma diversidade interessante, é bem simples e direto ao ponto. Tudo pensando em atrair audiências e fazer com que o jogador foque na ação e na trama principal. Na dificuldade mais alta, os aliados são um reforço e tanto, pendendo a balança ao seu favor. Como um bom RPG, eles também apresentam arquétipos, o que facilita na composição da equipe e no acionamento de comandos durante as lutas.
Fiquei surpreso com os chefes do jogo. Em sua maioria, eles são mecanicamente ricos e passam bem o sentimento de que se trata de um inimigo único. Contudo, sinto que os chefes da campanha principal poderiam ter uma “apresentação” melhor no que diz respeito a arena.

Além da intuitividade do combate, independente da build escolhida, ele apresenta uma boa noção de impacto. A mecânica de aparar no jogo é bem prazerosa de ser acionada e dar tiros na cabeça dos inimigos gera interrupções nas ações, tornando-se algo vital nas dificuldades mais altas.
Mas nem tudo são flores. Pela duração do jogo, senti que ele poderia ter uma variedade maior de inimigos. Com poucas horas investidas já começamos a perceber esse excesso. E existem inimigos com ataques específicos que apresentam um hitbox estranho. Outro aspecto que eu notei, que não chega a ser um problema técnico de fato, é que os inimigos que atacam a distância no jogo são implacáveis. Mesmo de distâncias absurdas, eles não erram um ataque e são bem agressivos. Penso que eles precisavam de um pequeno ajuste de dano, ao menos na dificuldade mais alta.
O lado azul da força
Joguei Avowed no PS5 Pro e a experiência foi bem satisfatória. Não tive nenhuma queda de frame, bug ou coisa do tipo. O jogo está muito bonito, com cores vibrantes, um ótimo trabalho de iluminação e animações de ponta. Os ataques brutais acionados ao destruir a barra de stamina dos inimigos são muito bem feitos. As magias são lindíssimas cheias de efeitos e partículas. Curiosamente é um dos poucos jogos recentes que você realmente se sente empolgado em jogar de mago.

No Pro o jogador tem acesso a três tipos de renderização: o meu escolhido, o Modo Balanceado, que combina fidelidade gráfica e taxa de quadros estável para telas com suporte de 120 Hz, e os tradicionais Qualidade e Desempenho.
É algo bem particular mas em jogos de fantasia um aspecto importantíssimo pra mim é o design de armas e armaduras. E Avowed entrega isso muito bem. Os itens únicos são belíssimos e o visual passa que eles realmente são especiais. As armaduras também apresentam uma boa textura, ganhando uma camada de realismo.

Além da boa direção de arte, Avowed também entrega um trabalho estupendo em toda a parte sonora. As vozes dos personagens casam muito bem com suas personalidades, os efeitos sonoros são ótimos e a trilha sonora passa um sentimento perfeito que mescla mistério, aventura e fantasia. O jogo transita bem entre momentos de seriedade e humor e a música desempenha um papel importante em ser um veículo dessa transição.
Review de Avowed – Vale a Pena!
Encerro esse review de Avowed cravando que o jogo vale e muito o seu tempo, principalmente se você aprecia RPGs modernos com um foco maior na ação. Além de chegar pela primeira vez nas plataformas PlayStation, a atualização de aniversário adiciona novos conteúdos como raças inéditas e até um tipo de arma novo, além, claro, de trazer recursos muito solicitados como o NG+ e o modo foto. Com um preço honesto na PS Store pela experiência proposta, você dificilmente vai ser arrepender de dar uma chance ao jogo!
Avowed é um RPG muito competente da Obsidian que mescla a expertise do estúdio com modernidades necessárias dentro do gênero. É um prato cheio para quem busca um RPG mais voltado para ação!
Pontos Positivos
- Lore excelente
- Combate divertídissimo
- Trilha sonora impactante
- Belo design de armas e armaduras
Pontos Negativos
- Pouca variedade de inimigos
- Conteúdo secundário poderia ser melhor
- Expressões faciais deixam a desejar
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
