Quando Pokémon Legends: Z-A foi lançado, em outubro de 2025, eu comentei sobre como a série vive em uma dicotomia curiosa. De um lado, temos jogos que apresentam características técnicas muito aquém de outros títulos exclusivos do Nintendo Switch. Não obstante, esses mesmos títulos continuam alcançando números astronômicos de vendas. Fica claro que, embora tenham muitos motivos para reclamar, os fãs de Pokémon apresentam uma demanda grande por novos jogos todos os anos, e continuam comprando não importa o quê.
Para provar essa tese, Pokémon Legends: Z-A vendeu cerca de 6 milhões de unidades apenas na primeira semana de lançamento, e à essa altura deve ter atingido números muito maiores. Diante desses dados, não surpreende o fato de a GameFreak continuar a lançar títulos em uma cadência praticamente anual — tudo para continuar alimentando a gigantesca máquina de hype chamada Pokémon.

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Com o intuito de alimentar esses fãs sedentos, eis que a GameFreak resolveu expandir a experiência original de Pokémon Legends: Z-A por meio de um pacote de DLC pago. Com um foco muito grande em conteúdo de “pós-game”, Mega Dimension chega apenas depois meses depois do lançamento do jogo original, e expande o universo do jogo com novos monstrinhos, novas missões de história, além de uma quantidade expressiva de conteúdo secundário. Todavia, considerando o preço do jogo original, e o valor do DLC, será que realmente vale a pena explorar o que Mega Dimension tem a oferecer?

Um pacote para fãs hardcore
Acho que o aspecto mais relevante de Mega Dimension está em como quase todo o seu conteúdo está relacionado ao endgame de Pokémon Legends: Z-A. Mais do que isso, eu até diria que uma parcela considerável do que Mega Dimension tem a oferecer foi pensada especialmente nos fãs mais hardcore de Pokémon. Isso se dá por dois motivos: 1) a história do DLC começa depois que o jogo base termina e; 2) seu conteúdo secundário é focado em missões de alto nível, além de captura de monstrinhos novos com níveis que passam os limites anteriores.
Em outras palavras, eu diria que para sequer começar a aproveitar o conteúdo de Mega Dimension, é importante não só que você tenha finalizado o jogo base, mas que também tenha explorado boa parte de seu conteúdo secundário, evoluído várias criaturas para o nível máximo e completado boa parte da Pokédex. Somente assim é possível aproveitar o conteúdo de Mega Dimension em sua plenitude — conteúdo esse que é surpreendentemente vasto.

Eu levei cerca de 15 horas para finalizar a campanha principal do DLC, e o jogo adiciona a surpreendente quantidade de 80 novas missões secundárias (para efeito de comparação, o jogo base oferece 120 missões), o que pode facilmente dobrar o tempo de duração do DLC. Além disso, o DLC também adiciona 130 outros Pokémon para serem encontrados no mundo do jogo. Aqueles fãs mais hardcore de Pokémon, que gostam de completar a Pokédex e quem sabe até buscar alguns Pokémon shiny, certamente terão muito a aproveitar no DLC.
Um problema de estrutura
Todavia, existe, na minha opinião, um problema sério na estrutura de Mega Dimension, que pode comprometer um pouco o aproveitamento do conteúdo do DLC. Esse problema é a repetição. Em linhas gerais, a narrativa principal do DLC é construída ao redor da titular “Dimensão Mega”, composta por estranhos portais que começam a aparecer por toda a cidade de Lumiose. Com o intuito de descobrir o que está acontecendo, o time do qual seu personagem faz parte decide fazer incursões para dentro dos portais, pesquisando os Pokémon de lá para descobrir como parar esse estranho efeito.

O grande problema está em como a campanha principal do DLC é construída por meio de uma estrutura que carrega diversos elementos tirados diretamente de um roguelike. Funciona mais ou menos assim: para entrar em cada um dos portais que surgem aleatoriamente pela cidade, você precisa dar um Donut para o Pokémon Hoopa, que consegue usar sua energia para abrir esse portal. A duração desse portal bem como a força dos seus Pokémon dentro da Dimensão Mega é definida pela qualidade das frutas que você utilizou na confecção dos Donuts. Até aí, tudo bem. É um elemento de gerenciamento de itens, que reflete na dificuldade dos portais que você vai conseguir explorar.
O pulo do gato está no que você encontra em cada um dos portais: um pedacinho da cidade de Lumiose, que foi “deturpado” em uma versão meio onírica. Dentro desse espaço limitado e um tanto quanto visualmente desinteressante, você vai encontrar três espécies de Pokémon diferentes, alguns itens e três objetivos que devem ser concluídos para que você ganhe pontos que são utilizados para desbloquear a próxima missão de história. E basicamente é isso. Essa é a estrutura que vai se repetir durante quase toda a campanha principal do DLC.

Mais do mesmo, para o bem e para o mal
No início, entrar nos portais e explorar essas versões deturpadas da cidade é bastante divertido, pois a pressão do tempo, alinhada com os objetivos específicos, criam uma urgência que funciona bem em alguns momentos. Contudo, como boa parte dos portais funcionam dessa mesma maneira, não demora muito até você decorar exatamente quais layouts existem no jogo e como fazer cada um dos objetivos de maneira mais eficiente nesses cenários repetitivos.
É preciso ser dito que até existem algumas variações interessantes desses portais. Alguns deles são constituídos como zonas de batalha, por exemplo, onde você enfrenta outros jogadores à lá as Battle Zones do jogo base. Outras são mais únicas ainda, oferecendo sidequests especiais onde você encontrará desafios e batalhas únicas. Além disso, conforme você avança na campanha dos DLCs, você também é apresentado a novas batalhas contra Pokémon Mega Evoluídos, que funcionam como elaboradas batalhas de chefe, similar a alguns dos melhores momentos da campanha do jogo principal.

Não obstante, como você precisa de uma quantidade cada vez maior de pontos para avançar em cada etapa da campanha do DLC, é impossível evitar a repetição. Inclusive, a repetição de algumas missões específicas (principalmente aquelas relacionadas ao ato de coletar itens dentro dos portais) também não ajuda muito, já que você frequentemente encontra as mesmas missões de novo e de novo. A coisa fica um pouco tediosa depois da quinta vez que você entra em um portal e encontra o mesmo objetivo de “destruir Pokébolas voadoras” ou de “encontrar 10 itens brilhantes”. A variedade vem da sua vontade de capturar todos os monstrinhos.
Um Donut sem graça, com uma doce cobertura
Embora a estrutura das missões da campanha principal de Mega Dimension seja mais limitada do que eu gostaria, é preciso dar crédito ao que o DLC faz de melhor. Em minha análise do jogo base, eu comentei sobre os melhores aspectos de Pokémon Legends: Z-A que, na minha opinião, são o seu combate inovador e engajante, bem como a presença de personagens cativantes e divertidos.

Nesse sentido, Mega Dimension dá continuidade aos melhores elementos do jogo base, já que apresenta uma nova história onde podemos acompanhar esses personagens carismáticos em novas aventuras, ao mesmo tempo em que somos apresentados a alguns personagens novos que são igualmente charmosos. Além disso, o combate de Pokémon Legends: Z-A é levado a um novo nível durante o DLC, já que agora você é colocado diante de Pokémons que não apenas estão no nível máximo possível de jogo, mas algumas vezes podem apresentar níveis ainda maiores (algo inédito na franquia).
Vale ressaltar também que embora a história principal de Mega Dimension sofra bastante com repetição, o mesmo não acontece com as 80 novas sidequests que são introduzidas ao jogo. É claro que algumas delas são bastante simples e irrelevantes, mas existem diversas quests únicas, que funcionam como um interessante método de apresentar alguns dos Pokémon que foram trazidos ao jogo durante o DLC. Encontrar esses monstrinhos em situações hilárias e muitas vezes esquisitas configuram alguns dos melhores momentos do DLC.

Review de Pokémon Legends: Z-A – Mega Dimension – Um pacote extenso, mas repetitivo
No final das contas, eu diria que, se você gostou muito de Pokémon Legends: Z-A, vale sim a pena adquirir o DLC Mega Dimension, já que ele basicamente adiciona “mais Pokémon Legends: Z-A”. Essa afirmação, contudo, vem carregada de diversos pontos positivos e também negativos, já que o DLC continua a apresentar cenários visualmente desinteressantes e peca bastante no quesito repetição.
Vale ressaltar também que o DLC (tal qual o jogo base) infelizmente não possui legendas em português do Brasil, o que pode limitar o aproveitamento de alguns de seus pontos mais interessantes, como os carismáticos personagens de sua narrativa principal. Além disso, é bastante complicado justificar o preço desse pacote no Brasil, já que estamos falando de um DLC de R$200,00, que foi lançado apenas dois meses depois para um jogo que já custa um valor bastante alto na nossa moeda.

Dito tudo isso, eu tenho certeza que Mega Dimension tem tudo para agradar o fã mais hardcore da franquia. Para aqueles que querem mais da experiência de Pokémon Legends: Z-A, o pacote apresenta um conteúdo bastante vasto, e tem potencial para adicionar dezenas de horas à sua jogatina. Algumas dessas horas podem ser um pouco repetitivas, de fato, mas ainda há bastante o que se aproveitar com esse pacote.
PS: A análise foi feita em um Nintendo Switch 2 através de uma cópia cedida pela Nintendo.
Mega Dimension é um pacote de expanção para Pokémon Legends: Z-A que apresenta bastante conteúdo novo, mas que peca um bocado devido a sua estrutura repetitiva e preço elevado. Para aqueles que gostaram muito do jogo base, é a chance de visitar novamente a cidade de Lumiose e encontrar dezenas de criaturas novas.
Pontos positivos
- Uma quantidade expressiva de conteúdo
- Novos monstros para capturar
- O combate brilha com os Pokémon mais fortes
Pontos negativos
- Estrutura muito repetitiva
- Pacote caro considerando o que ele oferece
- Ausência de dublagem e localização em PT-BR
- Narrativa
- Mecânicas
- Conteúdo
- Performance
- Visuais
- Trilha Sonora
