Nem sempre o protagonista é realmente o mocinho da história. Em muitos jogos famosos, personagens tratados como heróis acabaram tomando decisões cruéis, egoístas e até perigosas ao longo da trama. Ainda assim, grande parte dos jogadores continuou enxergando esses nomes como símbolos de justiça.
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Com o passar dos anos, vários fãs começaram a perceber que alguns protagonistas causaram tanta destruição quanto os próprios vilões que enfrentavam. Além disso, muitas atitudes apresentadas nos games dificilmente seriam consideradas heroicas fora daquele contexto.
Mesmo assim, o carisma desses personagens e o sucesso das franquias ajudaram a manter essa imagem positiva por muito tempo. Porém, quando analisamos os acontecimentos com atenção, a história muda completamente. Pensando nisso, a República DG reuniu personagens icônicos dos videogames que talvez nunca tenham sido verdadeiros heróis.
James Sunderland (Silent Hill 2)

Entre os personagens mais perturbadores dos videogames, James Sunderland é um dos casos mais marcantes. Em Silent Hill 2, o jogo faz o jogador acreditar durante boa parte da campanha que ele está apenas tentando encontrar sua esposa após receber uma carta misteriosa. Tudo na narrativa leva o público a confiar nele.
No entanto, a verdade muda completamente a história. Aos poucos, Silent Hill 2 revela que James matou a própria esposa enquanto ela enfrentava uma doença grave. Depois disso, ele reprimiu a memória do crime e criou uma versão falsa da realidade para fugir da culpa.
Além disso, a cidade de Silent Hill funciona como uma representação da mente do protagonista, transformando seus traumas em criaturas assustadoras. Pyramid Head, por exemplo, simboliza justamente o desejo de punição de James.
Jin Kazama (Tekken 6)

Durante boa parte da franquia Tekken, Jin Kazama foi apresentado como o personagem que tentava fugir do destino sombrio da família Mishima. Mesmo carregando o gene demoníaco, ele parecia ser um dos poucos protagonistas dispostos a lutar contra a própria corrupção.
Só que Tekken 6 mudou completamente essa imagem. Após assumir o comando da Mishima Zaibatsu, Jin decide iniciar uma guerra mundial para colocar em prática seu plano contra Azazel, uma entidade ligada à maldição dos Mishima. O problema é que essa decisão provoca destruição em escala global, além de milhares de mortes ao redor do planeta.
Embora o objetivo fosse acabar de vez com o poder maligno que afetava sua família, os métodos usados por Jin transformaram o personagem em uma das figuras mais controversas da série.
The Hunter (Bloodborne)

Poucos protagonistas dos games são tão misteriosos quanto The Hunter, de Bloodborne. Durante a campanha, o jogador acredita que sua missão é apenas eliminar criaturas monstruosas que ameaçam Yharnam. Porém, conforme a história avança, fica claro que tudo é muito mais perigoso do que parece.
Ao derrotar chefes e explorar áreas proibidas, o personagem acaba interferindo diretamente nos rituais ligados aos Great Ones, entidades cósmicas centrais do universo do jogo. Além disso, cada descoberta aproxima ainda mais Yharnam de eventos cada vez mais sombrios.
O detalhe mais perturbador é que o próprio Hunter ajuda a acelerar o caos sem perceber. Enquanto tenta cumprir sua missão, ele destrói barreiras e desperta forças que estavam seladas por um motivo importante.
Joel Miller (The Last of Us)

Ao longo de The Last of Us, Joel Miller conquista os jogadores por sua relação com Ellie e pelo jeito brutal de sobreviver em um mundo destruído. Porém, o final do jogo revela um lado muito mais controverso do protagonista.
Para impedir que Ellie fosse usada na criação de uma possível cura, Joel invade o hospital dos Vaga-Lumes e mata todos que tentavam concluir o procedimento. Com isso, ele coloca o vínculo emocional acima da chance de salvar milhões de pessoas infectadas pelo fungo.
Além da violência, Joel ainda esconde a verdade de Ellie e cria uma mentira para justificar suas ações. Embora muitos fãs entendam sua decisão como um ato de amor, as consequências foram enormes para o universo da franquia.
Booker DeWitt (BioShock Infinite)

No começo de BioShock Infinite, Booker DeWitt parece apenas mais um protagonista clássico dos videogames. A missão é simples: entrar na cidade flutuante de Columbia e resgatar uma garota misteriosa. Porém, conforme a história avança, o jogo começa a revelar detalhes que mudam completamente a imagem do personagem.
Aos poucos, BioShock Infinite mostra que Booker possui uma ligação muito mais profunda com os acontecimentos da trama e com o principal vilão da franquia. Além disso, várias pistas indicam que suas escolhas do passado tiveram impacto direto no caos vivido em Columbia.
O detalhe mais surpreendente é que o jogo transforma herói e antagonista em versões diferentes da mesma pessoa, separadas por decisões tomadas em realidades distintas.
Cloud Strife (Final Fantasy VII)

Em Final Fantasy VII, Cloud Strife é apresentado como o protagonista que ajuda a AVALANCHE em uma luta contra a Shinra para salvar o planeta. No entanto, logo no início da história, suas ações já fazem parte de ataques a reatores de Mako localizados em áreas urbanas, o que acaba resultando em mortes de civis.
Apesar disso, Cloud segue a narrativa focado em sua crise de identidade e nos traumas ligados ao seu passado, o que faz muitos jogadores relevar suas consequências diretas no mundo de Gaia.
Além disso, conforme a história avança, ele se torna essencial na luta contra Sephiroth e na tentativa de impedir uma catástrofe global. Ainda assim, os eventos iniciais mostram que o personagem participou de ações extremas sem total consciência das implicações.
Link (Majora’s Mask)

Em Majora’s Mask, Link é novamente colocado como o herói encarregado de salvar um mundo em colapso. Porém, a origem do caos em Termina está diretamente ligada aos eventos anteriores de Ocarina of Time, onde suas ações ajudaram a desencadear uma ruptura no fluxo do tempo em Hyrule.
Logo no início da história, Link tem a Ocarina do Tempo roubada por Skull Kid, o que dá início à ameaça da lua caindo sobre o mundo de Termina. A partir disso, ele passa a tentar corrigir uma situação que, de forma indireta, se conecta aos eventos que ele próprio vivenciou no jogo anterior.
Além disso, toda a tensão e destruição iminente de Termina reforçam como pequenos eventos podem gerar consequências em larga escala dentro da franquia.
Dutch van der Linde (Red Dead Redemption 2)

Em Red Dead Redemption 2, Dutch van der Linde é apresentado inicialmente como uma figura carismática e quase filosófica, líder de uma gangue que promete liberdade no Velho Oeste. Durante boa parte da campanha, o jogo até sugere que ele pode ser um homem guiado por ideais, ainda que em um mundo cada vez mais caótico.
No entanto, conforme a história avança, fica evidente que suas decisões passam a gerar um efeito em cadeia extremamente destrutivo. Além disso, cada novo plano “infalível” resulta em perdas maiores para a gangue, mortes e colapsos internos que não param de se acumular.
Mesmo assim, Dutch continua insistindo em suas próprias estratégias, ignorando sinais claros de que tudo está saindo do controle. Por isso, Arthur e John passam a enxergar com mais clareza o impacto real de suas escolhas.
Nathan Drake (Uncharted)

Em Uncharted, Nathan Drake é apresentado como um aventureiro carismático, cheio de humor e sempre envolvido em expedições por tesouros e ruínas antigas. Com isso, ele rapidamente se consolida como uma espécie de “Indiana Jones moderno” dos videogames.
No entanto, quando analisamos os dados de combate ao longo da franquia, o cenário muda bastante. Estimativas da comunidade apontam que Drake acumula centenas, e em alguns casos até mais de mil eliminações por jogo, resultado direto dos confrontos constantes com mercenários e grupos armados.
Além disso, muitos desses conflitos acontecem durante invasões a locais protegidos, onde ele entra em busca de artefatos históricos. Em diversos momentos, esses mesmos itens acabam sendo perdidos ou destruídos no processo.
Kratos (God of War clássico)

Antes de sua fase mais recente na mitologia nórdica, Kratos em God of War clássico era um protagonista movido quase exclusivamente por vingança. Ao longo da trilogia original, ele não busca justiça ou equilíbrio, mas sim destruir tudo e todos que estiverem ligados ao seu sofrimento pessoal.
Além disso, sua jornada resulta na queda de todo o panteão grego, com consequências que afetam diretamente civilizações inteiras. Em diversos momentos, deuses e figuras mitológicas são eliminados sem que isso traga um propósito maior além da retaliação.
Um dos pontos mais extremos de sua trajetória acontece quando Kratos mata Hera, o que desencadeia efeitos colaterais severos no mundo, incluindo o colapso da natureza e o enfraquecimento do próprio planeta.
Arthas Menethil (Warcraft 3)

Arthas Menethil é um dos exemplos mais conhecidos de queda moral nos videogames. Em Warcraft III, ele começa como príncipe de Lordaeron e paladino respeitado, visto como um verdadeiro herói destinado a proteger seu povo contra as forças do mal.
No entanto, ao longo da campanha, suas decisões começam a se tornar cada vez mais extremas. Um dos momentos mais marcantes é o massacre de Stratholme, onde ele ordena a eliminação de toda a cidade, incluindo civis, como forma de impedir uma ameaça futura. Além disso, ele ainda impede o recuo de suas próprias tropas ao destruir seus meios de retorno.
Depois disso, Arthas aceita a Frostmourne, uma espada amaldiçoada que consome sua alma, e eventualmente assassina o próprio pai, culminando em sua transformação no Lich King.
