Jogos que colocam o jogador em perspectivas incomuns sempre chamam minha atenção. Seja explorando o mundo como um gato em Stray ou vivendo a jornada de uma raposa em Spirit of the North, esse tipo de experiência costuma entregar mais na imersão do que na ação tradicional.
É exatamente esse o caminho seguido por Adorable Adventures, novo projeto da Wild Sheep Studios em parceria com a PQube. O jogo chega no dia 30 de abril de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series, o jogo propõe uma jornada mais contemplativa, colocando o jogador no controle de um pequeno javali em busca da própria família.
Mas será que essa proposta consegue se sustentar do começo ao fim? Fica comigo nesta review de Adorable Adventures e saiba se ele vale o seu tempo e investimento. Caso prefira, segue abaixo a nossa análise também em vídeo:
Uma história simples, mas com uma boa densidade
Em Adorable Adventures, você controla Boris, um javali ainda filhote que precisa reencontrar seus irmãos após um incêndio florestal devastar o parque onde vivem. A missão inicial é reunir a família para, só então, conseguir salvar a mãe.

A narrativa é conduzida por um narrador, o guarda florestal Maxime, que acompanha a jornada com uma abordagem quase documental. À primeira vista, a história pode parecer simples, mas ela ganha força quando o jogador presta atenção nas entrelinhas.
O jogo aborda temas como queimadas, impacto ambiental e a interferência humana na natureza. Ao longo da jornada, Boris encontra outros animais afetados pela destruição, como uma mamãe coelho em busca dos seus filhotes, o que ajuda a dar densidade ao que está acontecendo.

Não é uma história que busca emocionar de forma direta, mas ela constrói bem sua mensagem — especialmente para quem se permite absorver o contexto além do objetivo principal.
Gameplay possui identidade própria com boas ideias
A gameplay gira em torno de exploração, pequenos puzzles e coleta. O mapa funciona como um “mundo aberto compacto”, com áreas bloqueadas que exigem a presença de mais javalis para serem liberadas. Isso cria uma progressão natural: encontrar irmãos não é só parte da história, mas também da mecânica.

Cada irmão encontrado envolve algum tipo de interação ou desafio leve, o que ajuda a variar o ritmo. Um precisa que Boris traga uma planta luminosa para iluminar a escuridão, fazendo com que ele perca o medo e se junto à jornada, outra irmã está precisando de plantas específicas para semear uma nova flora em um local de queimada, etc.

Ou seja, não é somente achar seus irmãos e irmãs, mas também resolver os “problemas” que estão ao redor deles, para que assim eles se juntem ao Boris em sua aventura.
O cheiro é tudo
O grande diferencial está no sistema de olfato. Como um javali, Boris utiliza o cheiro para localizar objetivos, itens e personagens. É uma mecânica central, funcionando quase como uma “bússola sensorial”.

Esse sistema tem boas ideias, como a possibilidade de bloquear certos cheiros para focar em outros, mas também pode gerar confusão em alguns momentos, principalmente quando muitos estímulos aparecem ao mesmo tempo.

A ação de bloquear certos olfatos é importante, mas isso não pode ser feito a qualquer momento. Para bloquear um odor específico, é necessário encontrar aquele mesmo elemento várias vezes no cenário, atingindo uma quantidade mínima exigida pelo jogo.
Só depois disso o Boris passa a ignorar aquele cheiro, permitindo um rastreamento mais limpo de outros objetivos. Esse mesmo sistema também se conecta aos colecionáveis: ao encontrar ainda mais unidades daquele item, ele pode ser transformado em um acessório visual, como um “chapéu” para o personagem.

Ainda assim, quando muitos cheiros estão ativos ao mesmo tempo, a leitura pode ficar confusa, especialmente nas primeiras horas.
Algumas atividdes parelelas
Outro ponto interessante são as atividades paralelas. O jogo inclui:
- Desafios de tempo

- Coleta de lixo pelo cenário (com recompensa narrativa)
- Fotografias

- Interações com outros animais
Além disso, elementos do cenário também impactam diretamente o gameplay. Áreas afetadas por queimadas, por exemplo, impedem o uso do olfato, criando um obstáculo contextual que conversa com a narrativa.

Por outro lado, é importante deixar claro: não há combate. Não existem inimigos, nem qualquer tipo de ameaça direta. É uma experiência totalmente focada em exploração e contemplação.
Um mapa que poderia ajudar mais
Um dos pontos mais fracos do jogo está na interface do mapa. Ele é pouco funcional e não oferece recursos básicos, como marcação de objetivos ou indicação clara de posição.

Para quem busca completar tudo, isso se torna um problema real. A falta de direcionamento em atividades como fotografia e coleta pode gerar frustração desnecessária.
É um sistema que claramente precisava de mais refinamento.
Visual bonito, mas com limitações técnicas
Visualmente, Adorable Adventures surpreende dentro do seu escopo. O parque de Cévennes, situado no sul da França, o qual serviu como inspiração real, é bem construído, com cenários agradáveis e momentos que convidam à contemplação.

Não é um jogo tecnicamente impressionante, mas entrega um resultado consistente e, em vários momentos, bonito de se observar.
No entanto, na versão de PlayStation 5, onde realizei todo o meu gameplay, há alguns problemas técnicos. Existem quedas de desempenho pontuais, especialmente na transição entre áreas mais escuras e abertas.

Além disso, alguns bugs chamam atenção, principalmente relacionados aos irmãos que acompanham Boris. Em certos momentos, eles apresentam movimentações estranhas ou até atravessam elementos do cenário.
Nada que quebre completamente a experiência, mas são problemas visíveis.
Som funcional, com destaque nos efeitos
A trilha sonora segue uma linha mais discreta, funcionando como apoio para a proposta contemplativa do jogo. Ela não se destaca muito, mas também não compromete.
Já os efeitos sonoros são mais bem trabalhados. Os passos do Boris, os sons do ambiente, e principalmente as interações com o olfato e os grunhidos do Boris ajudam a dar mais identidade à experiência.
Review de Adorable Adventures – Vale a pena?
Finalizo esta review de Adorable Adventures dizendo que ele me surpreendeu mais do que eu esperava. Eu fechei o jogo em cerca de quatro horas, mesmo vasculhando bastante o cenário em busca de colecionáveis, desafios e interações paralelas. Sim, é um jogo curto.
O que mais me pegou foi justamente a forma como a história se constrói nas entrelinhas. Se você só seguir o objetivo principal, pode parecer algo simples demais. Mas quando você observa o contexto das queimadas, dos animais afetados e tudo que o jogo tenta passar, a experiência ganha mais nuances.
A jogabilidade é agradável na maior parte do tempo, principalmente pela ideia do olfato e pela exploração, mesmo com alguns momentos de confusão e limitações claras no mapa e nos sistemas de colecionáveis. Tecnicamente, também tem pontos que poderiam ser melhor trabalhados, mas nada que tenha estragado minha experiência.
No fim das contas, é um jogo que eu recomendo, principalmente se você curte experiências mais contemplativas e diferentes do padrão. Não é algo que vai agradar todo mundo, mas dentro da proposta dele, entrega uma jornada honesta e bem construída.
Curtiu esta review de Adorable Adventures? Fica de olho em outras análises do nosso time:
Adorable Adventures é aquele tipo de jogo que depende muito de como você se conecta com a proposta. Aparentemente, é só a história de um javali procurando sua família. Mas quando você presta atenção nas entrelinhas, nas queimadas, nos animais afetados e no cuidado com o mundo ao redor, ele ganha uma densidade diferente. A gameplay é simples, mas tem boas ideias, especialmente no uso do olfato, mesmo com algumas limitações. Curto, contemplativo e com coração, é uma experiência que não vai agradar todo mundo, mas pode surpreender quem gosta de jogos neste estilo.
Onde ele é adorável
- Proposta diferente ao colocar o jogador na perspectiva de um animal
- História simples, mas com boas camadas nas entrelinhas
- Uso do olfato como mecânica central é criativo
- Visual bonito dentro do escopo do projeto
- Exploração recompensadora com atividades paralelas
Nem tão adorável assim...
- Sistema de olfato pode confundir com muitos estímulos ao mesmo tempo
- Mapa pouco funcional, atrapalha quem busca 100%
- Alguns problemas técnicos e bugs visuais
- Curta duração pode desagradar quem busca algo mais longo
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Efeitos Sonoros
