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    Home » Review: Aphelion (PS5)
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    Review: Aphelion (PS5)

    André CustódioAndré Custódioabril 28, 20267 Mins Read
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    aphelion
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    Don’t Nod, não brinque com os nossos corações. Depois de emocionar meio mundo de pessoas com as excelentes origens da franquia Life is Strange, você volta com algo ainda mais marcante; dessa vez explorando um campo que, pra muitos, poderia ser facilmente considerado ousado.

    Aphelion, game que chega nesta semana aos consoles e PC, é uma jornada espacial muito única. Cheia de embasamento científico e com uma boa proposta narrativa, ela foge muito das contações de histórias tradicionais pra investir em algo muito mais voltado pros protagonistas. E olha… baita protagonistas.

    Viajar ao espaço nunca foi tão remoto e desafiador. E sabendo que essa aventura está sob seu controle, não tem como negar que isso seria algo bem mais especial.

    Há vida em Persephone?

    Enviados pra uma missão de alto risco, os astronautas Ariane e Thomas, da Agência Espacial Europeia, chegam ao limite do Sistema Solar, mais precisamente ao planeta Persephone, onde devem executar uma varredura a fim de descobrir se a região é a melhor chance para a humanidade voltar a prosperar.

    Como até 2060 a Terra se tornará inabitável devido às condições climáticas, a missão da dupla é tratada com uma certa urgência. Porém, depois de um incidente com a nave espacial, tudo vira de cabeça pra baixo quando eles descobrem que algo no planeta resiste às suas ações e que pode estar respondendo com uma força inimaginável.

    Aphelion

    Agora, Ariante e Thomas devem encontrar respostas não apenas pra esse contra-ataque, mas pra uma série de eventos chocantes que começam a acontecer à medida que eles se aproximam cada vez mais da fonte de Persephone.

    Aphelion é um game de aventura, com foco narrativo, que leva de 7h a 8h pra ser finalizado. Ele possui uma estrutura bastante linear, mas algumas questões importantes podem abrir rotas alternativas (que levam ao mesmo lugar) e aumentar o sentimento de fator replay; apesar de não ser um fator replay em si.

    Ao longo da campanha, enquanto buscam suas respostas, os protagonistas atravessam cenários dos mais paradisíacos até os mais remotos, que conseguem passar tanto uma sensação de segurança quanto uma de desespero puro. E tudo isso ocorre com um excelente senso de cinematografia, pois tudo é retratado de forma quase perfeita, quando falamos em termos narrativos.

    A história de Aphelion, por sinal, é redonda por si só, mas pode ser muito expandida por meio de uma série de pistas. Elas incluem coletáveis, registros, quebra-cabeças muito simples e até mesmo detalhes nos ambientes, como enfeites, quadros, destruição e rastros de que algo ou alguém passou por lá.

    Por fim, o jogo se prende a cerca de 10 capítulos, transitando a jogabilidade entre os protagonistas e mostrando como a distância e seus objetivos distintos se prendem a um único interesse: encontrar, a todo custo, o que está impedindo aquele planeta de ser próspero.

    Objetivo em comum, mecânicas distintas

    Por conta do acidente com a nave espacial, Ariane e Thomas se separam e passam a percorrer trechos totalmente distintos. Essa escolha narrativa mexe não apenas com o destino de cada um deles, mas também com as próprias mecânicas de jogo, que abordam aspectos diferentes a depender da situação.

    Ariane, uma experiente montanhista, parte para um lado mais extremo do planeta, onde o gelo tomou conta praticamente de toda a região. Com isso, ela deve andar por trechos finos onde qualquer peso a mais pode fazer a camada ceder, correr de tempestades de raios e fugir desesperadamente de uma série de infortúnios.

    Porém, seu fundamento tá na escalada. Aphelion é um jogo quase casual de escalada, onde Ariane pode se prender a saliências para chegar a pontos de interesse, descobrir atalhos e encontrar colecionáveis e outros itens importantes. Porém, fique de boa, pois a mecânica é simples: sua única preocupação é ter cuidado pra não cair após saltos e apertar o quick-time event na hora certa.

    Outro ponto importante é a existência de um perseguidor que passa a ser chamado de Nêmesis no jogo. Ele é implacável e reage ao menor barulho que seja, principalmente durante saltos, escaladas e caminhadas na água. Esses trechos são essencialmente furtivos e até que funcionam bem, oferecendo recursos de distração e de proteção que conversam de forma ok com o game.

    Infelizmente, aqui vemos alguns problemas. As escaladas são cheias de inconsistências, com comandos sem responder e falhas nas animações de Ariane. Enquanto isso, as perseguições em Aphelion não são boas, pois a câmera trava e sua movimentação fica muito limitada, transformando o jogo em um Temple Run, ou seja, em uma experiência travada e sem qualquer tipo de fluidez.

    E Thomas?

    Quanto ao Thomas, ele é bem mais narrativo. Basicamente seu papel é interagir com pontos de interesse e sobreviver a uma região mais quente, mas nada que seja insuportável. Assim, devido a outro infortúnio, ele precisa, a todo instante, reabastecer seu filtro de oxigênio; senão não respirará mais.

    Os pontos de reabastecimento são bem distribuídos, mas nem todos são óbvios. Então, há um desafio em conseguir alcançá-los dentro de um determinado tempo, pois Thomas tem sua movimentação restringida devido ao acidente com a nave espacial.

    Outro elemento, agora em comum entre os protagonistas, diz respeito a um gancho. Ele não somente permite que ambos puxem estruturas mais pesadas e abram atalhos, como também que Ariane se balance entre abismos pra alcançar lugares mais distantes. Nesse caso, a limitação de Thomas é muito bem explorada pela narrativa e pela própria jogabilidade.

    O Pathfinder

    Outro recurso interessante usado por Ariane é o Pathfinder. Esse comando de varredura ambiental é uma tecnologia de ponta da Agência Espacial que permite se reencontrar no ambiente e definir as melhores rotas pro seu objetivo.

    Através dele, o jogo mostra não apenas pra onde ir, mas também outros locais alternativos que contam a história do jogo. Entre eles, estão desde antigas formações rochosas até estruturas alienígenas que destacam traços deixados em épocas onde aparentemente a vida ainda era uma lenda em Persephone.

    Visualmente falando, é um recurso muito interessante e muito bem construído. Quando falamos de escala ambiental, ele vai longe e mostra como a Don’t Nod foi ambiciosa em termos conceituais e artísticos, criando mapas realmente impressionantes que mostram como a natureza se formou em regiões muito distantes da Terra.

    Aphelion é muito mais que uma aventura interativa

    Aphelion é um ponto fora da curva na história da Don’t Nod por não ser um jogo interativo. Aqui, vemos quick-time events e alguns comandos que se assemelham ao que presenciamos em Life is Strange, mas as coisas vão além por existir, de fato, uma estrutura narrativa bem consolidada que conversa muito com a jogabilidade.

    O título possui uma excelente atmosfera, tornando a exploração geral, por mais simples que ela seja às vezes, em algo realmente fantástico. Aphelion, sem sombra de dúvidas, é uma experiência pra ser contemplada e que facilmente pode entrar no rol das grandes produções de ficção científica, fazendo frente até mesmo a premiados filmes e séries.

    Cientificamente honesto, o jogo é belo em tudo que propõe. Porém, algumas questões de desempenho afetam sua solidez, pois quedas de fps são nítidas, bem como bugs visuais e algumas falhas na animação. E pra além disso, as sequências de perseguição/fuga são bem travadas e sem graça.

    De toda forma, tive momentos emocionantes com Aphelion, e acredito fortemente que você terá. O jogo tem uma excelente história, e a forma como os fatos se desenrolam são simplesmente magníficos. Não tem jeito: quando se trata de narrativa, a Don’t Nod mostra que ainda tem o molho.

    8.2 Ótimo

    Emocionante e cinematográfica, Aphelion é uma bela aventura espacial que certamente vai ficar no coração de quem curte esse estilo de jogo.

    Pontos positivos
    1. Excelente ritmo narrativo
    2. Ótima atuação dos protagonistas
    3. Trilha sonora absurdamente boa
    4. Cenários muito bonitos e com boa profundidade de detalhes
    5. Boas opções de acessibilidade
    Pontos negativos
    1. Falhas de desempenho, com quedas de frames e popping ambiental
    2. Jogabilidade muito travada em momentos de perseguição/fuga
    3. Inconsistências nas mecânicas de escalada
    • História 9
    • Gráficos 9
    • Jogabilidade 7
    • Som 9
    • Desempenho 7,5
    aphelion DON'T NOD PS5 Review
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    André Custódio

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