Desde que vi o primeiro trailer de Constance, fiquei encantado e, claro, hypadíssimo pelo jogo da Blue Backpack. Como o título foi lançado em 24 de novembro de 2025 no PC, fiquei pacientemente esperando pela chegada aos consoles, fato que aconteceu exatamente hoje, 1º de maio.
Minhas expectativas pelo metroidvania eram tão altas que mergulhei nele e mal vi a hora passar, conquistando a primeira platina do jogo no mundo inteiro! Isso já dá um spoiler deste review de Constance… Sim, eu amei o game! Para conferir minha opinião de uma maneira mais aprofundada, confira o texto completo abaixo.
Uma história sobre suficiência
Constance é um jogo relativamente curto; vasculhei cada canto dele em cerca de 16 horas. Por conta disso, não darei tantos detalhes acerca da trama. Como o título do game sugere, acompanhamos a história de Constance, uma jovem que acaba indo parar em um mundo surreal cheio de criaturas místicas e um antagonista misterioso.
O jogo engenhosamente explica tudo o que se passa de maneira direta e bem expositiva; logo, a história e seus temas são bem fáceis de compreender. Mas, muito mais do que a fácil compreensão, preciso destacar aqui a coragem de abordar temas tão pertinentes.
A narrativa é quase como um grito de socorro do estúdio. A protagonista, que trabalha como designer no mundo real, está sobrecarregada de todos os lados. Com burnout e incapaz de exercer seu potencial criativo, Constance acaba entrando no que parece ser um estado de depressão.

É aí que o surrealismo entra em cena e acabamos indo parar em um “universo mágico”, aos moldes de A Viagem de Chihiro, dando o pontapé inicial em uma aventura que vou levar sempre comigo! O curioso é que a tinta, a arte e a cor são pautas importantíssimas no game, e isso me fez pensar em outro indie que eu amo: Chicory: A Colorful Tale. O mais curioso ainda é que Chicory trata de temas parecidos.
Além da campanha tradicional, podemos concluir missões secundárias para os habitantes desse mundo surreal. Fiquei positivamente surpreso com a complexidade de algumas delas. Algumas demandam que o jogador aplique o raciocínio lógico para saber como prosseguir. Como o game não apresenta uma quantidade elevada dessas tarefas, é nítido que o estúdio pensou bem em cada uma, afastando-se completamente das tradicionais fetch quests encontradas em títulos do gênero.
Tinta para todo lado
Constance é um metroidvania; logo, você já sabe o que esperar da jogabilidade: cenários intransponíveis até encontrar habilidades de travessia específicas, lutas contra chefes, seções de plataforma desafiadoras… A maior diferença de Constance em relação a metroidvanias recentes é que ele tem mais trechos de plataforma do que de ação propriamente dita.
E, vou te dizer, alguns desses trechos são surpreendentemente desafiadores. A progressão acontece de maneira simples. Precisamos vasculhar o mapa para encontrar partes de um coração que, quando completo, aumenta a barra de vida. O mesmo vale para a barra de tinta, recurso usado para acionar habilidades especiais.
Fiquei muito surpreso (e feliz) com o design dos chefes de Constance. Além de serem visualmente fantásticos, eles são mecanicamente ricos, tornando as lutas bem legais e com um nível de desafio justo. Cada bioma do jogo abriga novos cenários e tipos de inimigos, evitando a sensação de repetição que costuma aparecer no gênero.

A maior diferenciação de Constance em relação aos demais acontece por meio de sua temática. Ao concluir missões e encontrar telas específicas, aprendemos novas Inspirações — habilidades equipáveis com grande aplicabilidade no combate. Também senti falta de uma maior escala de poder. No final do jogo, mesmo com várias habilidades de travessia e de combate, não vi tanta diferença em relação a como iniciamos a jornada.
Por fim, mas não menos importante, o jogo pode ser um pesadelo para speedrunners (temos troféus de tempo para a platina). Caso você abra o menu, o jogo não é pausado e o tempo continua correndo, demandando que o jogador volte para o menu principal para impedir que as horas passem. O problema? Voltamos ao último ponto de salvamento visitado, e não ao local onde selecionamos a opção para fechar e voltar ao menu.
Bonito feito pintura em aquarela
A aquarela é considerada uma das técnicas mais difíceis da pintura. É necessário aprender e ter uma precisão fora do comum sobre a água e o pigmento. E, bom, isso define muito bem toda a parte técnica e artística de Constance.
Tudo no jogo existe com propósito, tem alma, sentido e funciona perfeitamente bem. Você ficaria surpreso com a quantidade de metroidvanias que eu já joguei com controles não tão responsivos, e fico muito feliz em dizer que não é o caso aqui.
Ele tem uma quantidade maior de seções de plataforma do que outros games do gênero; logo, a precisão é fundamental. Ainda mais com várias mecânicas de travessia: precisamos quicar em espinhos usando o pincel mágico da protagonista, além de bater em barreiras de corrupção. Em muitas das vezes, precisamos fazer várias coisas em sequência e numa velocidade absurda. A curva de dificuldade do jogo pode frustrar alguns, principalmente os novatos.

A trilha e os efeitos sonoros são formidáveis, aumentando o grau de rebuscamento em certos trechos da trama e aprimorando a experiência das lutas contra os chefes. No quesito técnico, platinei o jogo sem nenhum percalço. Não tive bugs, quedas de frames, problemas com áudio, absolutamente nenhum problema! Constance foi polido com esmero, e tudo nele grita a identidade e a paixão da equipe que o criou.
O elenco de NPCs remete perfeitamente aos personagens oníricos, casando muito bem com a proposta da aventura. Além de servirem como um ponto de conforto para Constance, eles aumentam o grau de imersão graças ao excelente design de criaturas.
Review de Constance: Um dos melhores do gênero!
Eu já esperava que Constance fosse ótimo; contudo, certamente não esperava que ele fosse um dos melhores do gênero. A meu ver, ele não fica devendo em nada a grandes nomes recentes, como Hollow Knight e Nine Sols, tornando-se, portanto, um jogo que considero obrigatório para todo e qualquer fã de metroidvanias.

Um ponto importante para o jogador brasileiro é que Constance chegou às lojas digitais por um preço convidativo: R$ 59,90 na PS Store, R$ 53,99 na Nintendo eShop e R$ 58,95 na Xbox Store.
Constance esbanja identidade, tratando de temas importantíssimos enquanto apresenta visuais belíssimos, uma jogabilidade altamente responsiva e uma excelente dose de desafio.
Pontos Positivos
- História excelente com temas necessários
- Direção de arte magistral
- Trilha sonora ótima
Pontos Negativos
- Contador do tempo não para mesmo com o menu aberto
- Alguns trechos de plataforma são extremamente frustrantes.
- Narrativa
- Jogabilidade
- Direção de Arte
- Desempenho
- Som
