Eu preciso começar esse review com uma confissão. Embora eu seja muito fã de JRPGs em geral, tendo jogado tanto franquias renomadas como Final Fantasy, Dragon Quest e Pokémon, quanto jogos mais nichados, como títulos da série Atelier e The Legend of Heroes, a franquia Tales of nunca clicou comigo de verdade. Por esse motivo, eu comecei a jogar Tales of Arise — Beyond the Dawn Edition no Nintendo Switch 2 com um misto de apreensão e curiosidade.
E eu preciso admitir que essa é uma reação estranha da minha parte, pois eu nunca soube explicar o motivo pelo qual não gostei de Tales of nas primeiras vezes que tentei a série. Em momentos distintos da minha vida, eu experimentei Tales of Vesperia e Tales of Berseria, especificamente, e em ambos os casos, eu acabei jogando por cerca de 10 horas antes de dropar os jogos por um motivo ou outro. Eles simplesmente não me prenderam o suficiente.

No caso de Tales of Arise, a minha experiência foi muito diferente, e isso aconteceu já desde os primeiros momentos de jogatina. Como um JRPG épico, com uma direção de arte belíssima e uma trilha sonora impactante, Tales of Arise apresenta logo de cara uma seleção de personagens muito interessantes, que se aventuram em uma narrativa que toca em temas surpreendentemente complexos e profundos. Com um sistema de combate igualmente divertido, Tales of Arise tem tudo o que qualquer fã de JRPG pode procurar. Agora, como será que está esse port para o Switch 2? É isso que vamos discutir nesta análise.
- Antes de continuar, clique aqui caso queira conferir o nosso review original da versão de PlayStation 5.

Robusto em conteúdo e performance
Começando pelo começo, é importante deixar claro que Tales of Arise — Beyond the Dawn Edition chega ao Switch 2 oferecendo um “pacote definitivo” da versão original. Em outras palavras, isso significa que o pacote básico do Switch 2 entrega não apenas o conteúdo original do jogo (lançado inicialmente como um título cross-gen em 2021), mas também inclui sua expansão intitulada Beyond the Dawn, além — é claro, de uma série de cosméticos, itens e outros bônus extras especiais.
Dito isso, embora a versão básica do Switch 2 já seja bastante robusta, existe também um pacote Premium que adiciona ainda mais cosméticos e outros elementos supérfluos, mas nada que faça realmente falta na experiência básica do jogo. Comparado com o que foi feito por outras empresas (como no caso de Persona 3 Reload, por exemplo, no qual absolutamente todos os DLCs e pacotes extras são oferecidos como compras separadas), o pacote de Tales of Arise no Switch 2 é bastante interessante, o que mostra um enorme respeito por parte da Bandai Namco para com seus fãs Brasileiros.

E por falar em respeito para com nosso país, vale ressaltar que todo o conteúdo de Tales of Arise, das 60 horas da campanha básica às 20 horas da expansão Beyond the Dawn, está inteiramente localizado em nossa língua, em uma adaptação brilhante que traduz perfeitamente termos e sotaques dos personagens. Em termos de áudio, o jogo apresenta opções de dublagem em inglês e japonês, o que funciona muito bem para fãs do “estilo anime”, que queiram jogar com a dublagem original, por exemplo, mas com texto em português do Brasil.
Em termos de visuais e performance, estamos falando de uma conversão extremamente satisfatória para o Nintendo Switch 2. O jogo roda a 1080p tanto no modo portátil, quanto no modo TV, o que funciona perfeitamente bem com a direção de arte distinta que o jogo apresenta, onde todos os ambientes são lindamente realizados com texturas que lembram um estilo aquarela muito particular. Enquanto cutscenes são apresentadas em uma taxa de quadros de 60 frames por segundo, os momentos de gameplay são travados a 30 — apesar da limitação, o jogo roda lindamente, sem engasgos, mesmo nos momentos mais caóticos de batalha.

Um conto de dois mundos
Quanto ao jogo em si, Tales of Arise — Beyond the Dawn Edition se divide em duas campanhas, que são apresentadas uma como sequência da outra. Na campanha principal, acompanhamos um conflito bastante complexo envolvendo dois planetas distintos. Rehna, um planeta tecnologicamente avançado, que possui acesso a magias extremamente poderosas, tem dominado e controlado a população de Dahna a força já tem 300 anos. Assumindo o papel do Máscara de Ferro — um misterioso protagonista sem memória —, nosso objetivo começa com uma rebelião rumo à liberdade.
Embora Tales of Arise brinque com alguns clichês do gênero de JRPG, o elenco de protagonistas que é apresentado aos poucos durante as 60 horas de campanha é extremamente cativante e divertido. Um dos grandes trunfos do jogo nesse sentido é a inclusão das chamadas “esquetes”, pequenos trechos narrativos opcionais que aparecem após determinados acontecimentos da trama. É por meio desses diálogos entre os personagens que suas personalidades são elaboradas e desenvolvidas de maneiras surpreendentes.

Com isso, cada um dos seis protagonistas que fazem parte da sua party traz uma personalidade única, que brilha em momentos distintos de uma trama que, por si só, explora temas e conflitos bastante complexos e interessantes. Dahna, como o planeta que abarca grande parte da narrativa, é quase que um segundo protagonista por si só, já que cada uma de suas cinco regiões apresentará visuais, acontecimentos e personagens únicos. Existem algumas pequenas soluções de conflito mais simplórias em certas subtramas, mas são momentos pontuais em uma história épica e grandiosa.
Para além dessa campanha principal, o conteúdo de Beyond the Dawn continua a história de Máscara de Ferro e seus amigos em uma aventura que busca atar as possíveis pontas soltas deixadas pela narrativa principal. É uma nova história que precisa ser jogada ao término da história principal, já que ela vai lidar diretamente com as consequências das ações dos protagonistas, e acrescenta um pouco mais de Tales of Arise para aqueles que terminarem a campanha principal com um gostinho de “quero mais”.

Uma dança em forma de combate
Para acompanhar uma narrativa bastante interessante, Tales of Arise apresenta um sistema de combate em tempo real que consegue ser, ao mesmo tempo, simples e engajante. Como um bom JRPG, é um sistema que começa bastante simplório, mas se torna progressivamente mais interessante conforme novas mecânicas são introduzidas durante as primeiras dez horas da campanha.
Basicamente, enquanto você controla um dos personagens da sua party (que pode ser o Máscara de Ferro, ou cada um dos outros quatro membros ativos a cada momento), todos os outros participantes da batalha são controlados pela inteligência artificial do jogo, que os comandará automaticamente, deferindo golpes, usando poderes especiais e magias. Você pode, nesse sentido, “programar” a sua party para agir de maneira mais moderada, ofensiva, ou defensiva, de acordo com a opção que você escolher.

Dentro desse sistema, a sua parte no combate se dá em tempo real, por meio de controles bastante responsivos, que estão inteiramente focados na combinação de combos simples, ataques especiais (ligados à pontos que são gastos quase como uma “stamina”), além de golpes de invocação, que podem ser ativados ao chamar os colegas de party. Isso, sem falar ainda nos ataques finalizadores especiais, que podem ser ativados quando inimigos ficam vulneráveis depois de receberem uma quantidade de dano expressiva.
Conforme você começa a dominar esses sistemas, ficando mais habilidoso ao encontrar maneiras de combar todas essas habilidades em uma sequência ininterrupta, o combate de Tales of Arise começa a brilhar de verdade, quase parecendo uma dança deliciosa de executar. Nesse sentido, novas habilidades vão tornando o combate cada vez mais divertido e engajante, já que você começa a encontrar maneiras de recuperar os seus pontos de stamina ao esquivar perfeitamente, ou derrotar um inimigo em meio às hordas.

Um pouquinho de clássico, uma pitada de repetição
Embora o combate de Tales of Arise seja divertido em um nível mecânico, existe um pequeno problema a nível estrutural que pode se tornar um pequeno porém à longo prazo: o jogo apresenta uma variedade de inimigos pequena, o que faz com que o combate se torne um tanto quanto repetitivo com o tempo.
Um dos motivos para isso é o quão “clássica” é a estrutura de jogo de Tales of Arise. Para o bem e para o mal, a progressão do jogo e exploração de cada um dos cenários da aventura segue uma abordagem mais clássica, com mapas relativamente lineares que são interligados por caminhos específicos. Diferentes de outros jogos mais modernos, que costumam apelar para uma estrutura de mundo aberto, Tales of Arise segue uma vibe um pouco mais antiquada.

Por um lado, eu acho isso refrescante em 2026, já que o jogo pode brincar com designs de mapas mais específicos. Hora você explora algo muito próximo de uma dungeon old-school, com portas que precisam ser abertas com as chaves corretas. Em outros momentos, você tem uma planície relativamente expansiva, com algumas opções diferentes de caminhos e segmentos secundários divertidos de encontrar.
A repetição vem do modo como inimigos são posicionados no mapa. Ao “encostar” em um ou mais inimigos, você é teleportado para um cenário de batalha padrão, onde fica durante o período da luta. Com um número relativamente baixo de inimigos diferentes, e cenários que não fazem muita diferença nas lutas em si, o combate (embora mecanicamente delicioso) se torna repetitivo com o tempo.

Review de Tales of Arise — Beyond the Dawn Edition: um JRPG com J maiúsculo
Como é de se esperar do gênero, Tales of Arise compensa um pouco essa possível repetição com uma gama absurda de atividades e conteúdos secundários. Isso inclui desde dezenas de side quests dos mais variados tipos, até mesmo atividades paralelas como a preparação de refeições, a manufatura de armas e acessórios, além de um minigame de pesca, como não poderia deixar de ser.
Com um pacote bastante robusto, que traz a experiência de Tales of Arise intacta em modalidade portátil, a versão do Nintendo Switch 2 não deixa nada a desejar quando comparada às versões de plataformas mais potentes e, assim, se torna uma opção extremamente válida para aqueles que queiram uma aventura que vai durar dezenas e dezenas de horas.
Se você, assim como eu, nunca tinha entrado de verdade na franquia Tales of, digo com tranquilidade que Tales of Arise — Beyond the Dawn Edition é uma das melhores portas de entradas para esse que é um dos melhores JRPGs lançados na plataforma. Se você gosta do gênero e procura uma narrativa vasta, com combate divertido, pode entrar de cabeça que você não vai se arrepender.
PS: A análise foi feita em um Nintendo Switch 2 através de uma cópia cedida pela Bandai Namco.
Com um estilo artístico muito único, trilha sonora impactante e uma narrativa que toca em temas complexos, Tales of Arise - Beyond the Dawn Edition oferece uma experiência épica e divertida no Nintendo Switch 2. Com um combate divertido mas levemente repetitivo, esse é um JRPG que vai oferecer dezenas e dezenas de horas para os apreciadores do gênero.
Pontos positivos
- Narrativa épica e complexa
- As esquetes dão profundidade aos personagens
- Combate mecanicamente divertido
- Performance sólida, com belos gráficos e trilha sonora
Pontos negativos
- A resolução de algumas subtramas é problemática
- Pouca variedade de inimigos torna o combate repetitivo
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de arte e trilha sonora