Na época em que mascotes disputavam espaço quase no soco entre Mario, Sonic, Gex e tantos outros nomes gigantes da geração 16-bits, o Bubsy nunca esteve entre os meus favoritos. Eu conhecia o personagem, obviamente.
Ele tinha certa fama, teve vários jogos e muita gente lembra dele até hoje, principalmente pelo jeito extremamente falastrão durante as fases. Mas, sinceramente, ele nunca entrou no meu “top mascotes” daquela época. Meu favorito sempre foi o Mario, então o Bubsy acabava ficando mais como aquele personagem curioso que aparecia aqui e ali.
Só que o mais engraçado é que o próprio Bubsy 4D parece reconhecer a fama meio conturbada do personagem. O jogo faz piada com isso o tempo inteiro.
Ele entende que Bubsy virou quase um personagem “difamado” dentro do mundo dos games depois de alguns títulos bem criticados, especialmente Bubsy 3D, lançado originalmente em 1996 e lembrado até hoje pelos controles confusos e pela tentativa de levar o mascote para o 3D sem muito sucesso.
Agora, em 2026, a Fabraz, junto da Atari — que adquiriu os direitos da franquia em 2023 — tenta novamente trazer o personagem de volta aos holofotes. E olha… apesar de vários problemas claros, eu admito que me diverti mais do que imaginava.
O jogo chega em 21 de maio para Nintendo Switch, PlayStation, Xbox e PC. Quer saber tudo o que eu achei dessa nova empreitada do personagem? Fica comigo nesta review de Bubsy 4D e, caso prefira, segue a análise em vídeo:
História simples, mas isso não é um problema
Começo esta review de Bubsy 4D pela história do game. Ela é extremamente simples, quase como uma desculpa para colocar você nas fases, mas sinceramente? Em jogo de plataforma isso raramente é um problema.

Os eternos inimigos da franquia, os Woolies, roubam todos as ovelhas da Terra. Só que as ovelhas acabam se rebelando contra os próprios captores e retornam como os BaaBots, criaturas armadas com tecnologia Woolie e determinadas a roubar o bem mais precioso do Bubsy: seu novelo dourado.
A partir daí, Bubsy reencontra personagens conhecidos da franquia, como Terri, Terry e Virgil enquanto segue numa jornada para derrotar novamente os vilões.

É uma história extremamente clichê e previsível, mas ela funciona como pano de fundo para a aventura. E sinceramente? Plataforma nunca precisou de uma narrativa ultra complexa para funcionar.
O mais divertido é justamente perceber que o próprio jogo brinca com a imagem meio caótica do Bubsy. Ele continua falastrão, continua soltando frases aleatórias e comentários o tempo inteiro, mas agora parece existir uma autoconsciência muito maior sobre isso.
O problema é que boa parte dessas piadas pode simplesmente passar batida para jogadores brasileiros, porque o jogo não possui qualquer localização em português. Nada. Nem legendas, nem interface, nem dublagem. E como o humor do Bubsy depende bastante de diálogos rápidos e piadas bobas, você acaba perdendo parte da experiência caso não entenda inglês.
Quando a movimentação encaixa, Bubsy 4D realmente fica divertido
O jogo possui três mundos principais divididos em cerca de 15 fases no total, cada um deles encerrando com um chefe. A estrutura lembra bastante algo próximo de Super Mario 3D World, com fases mais delimitadas, mas ainda oferecendo espaço para exploração, coletáveis e desafios opcionais.

Você pode simplesmente correr até o final da fase ou tentar completar objetivos extras, como pegar todos os colecionáveis, finalizar dentro de um determinado tempo ou procurar itens escondidos que desbloqueiam roupas e habilidades para o personagem.

Inclusive, o fator replay vem justamente daí. Embora a campanha principal seja relativamente curta — eu levei entre sete e oito horas para finalizar explorando bastante coisa — existe bastante conteúdo para quem quer fazer 100%, buscar platina ou focar em speedrun.

O game possui um modo chamado Nine Lives, o qual você não pode recever 9 hits, ou seja, levou 10 hits, já era! É Game Over. Bem legal pra quem busca um desafio maior!
O game possui pulo duplo, pode planar, escalar paredes usando as garras, se transformar numa bola gigante para ganhar impulso e ainda fazer um salto diagonal bem legal. Quando tudo isso começa a funcionar junto, o gameplay realmente flui.

Só que existe um problema: o jogo complica demais alguns comandos.
Para jogadores acostumados com plataforma, isso provavelmente não será um problema tão grande. Mas para alguém menos familiarizado, muita coisa pode parecer confusa. Você precisa combinar várias mecânicas ao mesmo tempo em certas plataformas, e isso acaba criando momentos meio desajeitados.
Caso você se perca em meio à vários movimentos, o game conta com um menu de movimentos, o Moveset Menu, onde você pode ver todos os comandos úteis.

A câmera atrapalha mais do que ajuda em vários momentos
Se teve algo que realmente me incomodou durante boa parte da experiência foi a câmera.
Ela frequentemente se perde sozinha, gira de forma estranha e atrapalha bastante em algumas sequências de plataforma mais precisas. Em speedruns isso fica ainda pior, porque você precisa constantemente reajustar a câmera apertando R3 para recentralizar tudo.

Dá até para perceber que os próprios desenvolvedores sabiam desse problema, porque o recurso de reset rápido da câmera claramente existe para minimizar isso. Só que ainda assim, em vários momentos eu acabava brigando mais com a câmera do que propriamente com a fase.
Outro ponto que também não funcionou muito bem para mim foi o uso do DualSense.
O jogo claramente tenta criar uma experiência mais imersiva usando os recursos do controle, principalmente os sons saindo do alto-falante enquanto Bubsy fala ou interage com o cenário. Só que sinceramente? Parece uma tentativa de replicar o que Astro Bot faz de maneira brilhante — mas sem o mesmo cuidado.

Não chega a estragar a experiência, mas também não adiciona praticamente nada.
Divertido, mas tecnicamente bem limitado
Visualmente, Bubsy 4D me decepcionou um pouco.
Eu entendo perfeitamente que estamos falando de um jogo com menor escopo, mas sinceramente, em pleno 2026, eu esperava algo mais caprichado visualmente. Alguns mundos possuem cores agradáveis e um visual simpático, mas o último mapa especificamente eu achei realmente feio. A paleta de cores é apagada e pouco chamativa.

Não é um jogo horrível visualmente, longe disso, mas também passa muito longe de impressionar.
Em compensação, a performance foi estável durante praticamente toda a experiência. Não tive quedas de FPS relevantes no PlayStation 5, mesmo em momentos mais movimentados.

Os problemas aparecem mais na parte técnica visual mesmo:pequenas falhas de colisão, Bubsy atravessando partes do cenário e um bug específico em que fiquei preso numa parede e precisei reiniciar o jogo.
Nada absurdo, mas são detalhes que claramente mostram certa falta de polimento.
A trilha sonora funciona, mas os efeitos sonoros roubam a cena
A trilha sonora segue um estilo mais puxado para jazz e blues, e sinceramente, combina bastante com a proposta do jogo. Não é nada memorável ou algo que eu vou sair ouvindo depois, mas funciona bem enquanto você joga.

Agora, os efeitos sonoros eu gostei bastante.
O Bubsy gritando quando cai de lugares altos, os sons exagerados durante movimentação, os efeitos das habilidades e até os barulhos enquanto ele fica parado ajudam muito a dar personalidade para o personagem e deixam a experiência mais imersiva.
Por outro lado, achei bem ruim a parte de áudio envolvendo diálogos com NPCs. Algumas vozes e efeitos parecem mal mixados ou simplesmente estranhos.
Review de Bubsy 4D – Vale a pena?
Finalizo esta review de Bubsy 4D dizendo que ele me surprrendeu, positivamente e dependendo do que você espera dele, isso pode acontecer contigo também.
A Fabraz claramente entendeu que precisava respeitar a identidade caótica do personagem, mas ao mesmo tempo atualizar sua jogabilidade para os dias atuais. E embora o jogo tenha vários problemas técnicos, uma câmera inconsistente e um visual apenas razoável, existe aqui um plataforma genuinamente divertido.
Quando você domina as mecânicas de movimentação, o gameplay fica muito satisfatório. Explorar as fases, fazer speedrun, coletar itens e testar habilidades realmente funciona.
Ele não tenta ser o próximo grande mascote da indústria. Não tenta competir com Mario. Não tenta reinventar o gênero. E talvez justamente por isso ele consiga funcionar melhor do que muita gente imagina.
Se você gosta de jogos de plataforma 3D mais simples, sente falta daquele clima de mascotes clássicos dos anos 90 ou simplesmente quer algo leve e divertido para jogar por algumas boas horas, Bubsy 4D consegue entregar isso.
Curtiu a review de Bubsy 4D? Fica com outras análises do nosso time:
- Review: Rune Dice (PS5)
- Review de LEGO Batman – O Legado do Cavaleiro das Trevas após a platina (PS5 Pro)
- Review: Black Jacket (PS5)
O retorno do lince falastrão
Bubsy 4D consegue fazer algo que eu sinceramente não esperava: transformar uma franquia que sempre foi cercada de críticas em uma experiência divertida e cheia de personalidade. A Fabraz e a Atari entenderam bem o que o personagem representa e entregaram um jogo de plataforma simples, mas carismático, com boas mecânicas de movimentação e um fator replay interessante para quem gosta de coletáveis e speedruns.
Bubsy mandando ver
- Gameplay divertida quando você domina as mecânicas de movimentação
- Boa variedade de habilidade de movimentação
- Chefes divertidos
- Efeitos sonoros que ajudam na imersão
- O jogo abraça a personalidade caótica e falastrona do Bubsy
Não deu certo
- Câmera atrapalha bastante em várias partes da plataforma
- Visual inconsistente e abaixo do esperado
- Uso do DualSense parece mal aproveitado
- Ausência total de localização em português
- Alguns bugs visuais e pequenos problemas de progressão
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Som
