A palavra Legado, de acordo com o dicionário, significa “o que uma pessoa deixa em testamento; último desejo de alguém; herança”. É indiscutível o tamanho e o impacto que a IP Batman deixou e deixa na humanidade.
Com incontáveis quadrinhos, desenhos, filmes, livros e jogos, o “Homem-Morcego” se tornou um símbolo marcante da luta contra a injustiça.
Após ter retratado uma das sagas mais emblemáticas do cinema, a Saga Skywalker, a TT Games resolveu assumir um desafio ainda maior: recriar e honrar o legado do Cavaleiro das Trevas. Será que o estúdio cumpriu a missão com êxito? É isso que você vai descobrir em nosso review de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas.
Eu sou a Vingança
A história do jogo aborda os passos iniciais de Bruce Wayne, sim, começando pelo fatídico dia em que seus pais são assassinados, até os anos em que a aposentadoria do herói se aproxima, mostrando os primórdios do que vem a se tornar a Batfamília.
Assim como em A Saga Skywalker, vemos aqui a recriação de cenas fantásticas da franquia Batman, sejam elas de filmes, desenhos ou dos quadrinhos.

Elas foram organizadas em uma ordem cronológica que facilita o entendimento geral da trama e, claro, adaptadas para o universo LEGO. É muito importante lembrar que o jogo mira no publico infanto-juvenil, afinal, é um LEGO e ele não esconde isso em nenhum segundo da aventura.
O humor galhofa que marca os jogos LEGO é constante e essas cenas emblemáticas são retratadas com piadas e leveza. Considero importante ressaltar isso pra que expectativas sejam bem aplicadas aqui. Se você busca profundidade narrativa, é melhor ir rejogar a franquia Arkham!
No geral, achei a história bem competente mas sinto que o estúdio poderia ter inserido colecionáveis com a finalidade de educar os jogadores um pouco mais sobre o herói e o processo de criação dele.
Um elemento fantástico é que o game conta com localização completa em nosso idioma e vozes marcantes dos desenhos retornam, elevando a experiência e trazendo um senso maior de imersão!
Apesar de ser uma aventura LEGO, o estúdio fez questão de manter a essência de todos os personagens do panteão Batman. É engraçado ver Bane e o Coringa mandando umas piadocas de quinta série enquanto eles mantém a compostura de vilões.
Eu levei 28 horas para platinar o jogo mas sinto que um ritmo normal de jogatina vai colocar a platina em 35 a 40 horas para a maioria dos jogadores.
A duração é menor do que a Saga Skywalker mas essa redução foi uma decisão super acertada da equipe. Mais algumas horas e o jogo sairia do campo da diversão e entraria no vale da repetitividade.
De Volta à Arkham
Se a história do jogo honra vários momentos icônicos do legado do cavaleiro das trevas, o combate é quase que uma réplica da trilogia Arkham, uma das trilogias mais cultuadas no mundo dos games. Os personagens podem socar, usar gadgets, desviar, realizar abates furtivos e dar contra-golpes. O medidor de combo também se faz presente.
As lutas são tão Arkham que você desbloqueia uma habilidade que amplifica o dano ao acionar a cadeia de golpes no momento certo. Apesar da inspiração, o combate se torna muito repetitivo e logo nas primeiras horas por conta da enorme simplicidade que ele carrega. Não temos um sistema de combos complexo aqui.
A TT Games acaba subestimando seu público alvo, entregando um sistema de combate que até crianças de 4 anos conseguem jogar, mas que acaba sendo inexpressivo pra idades maiores. O estúdio tenta combater a repetitividade ao adicionar ferramentas e múltiplos personagens jogáveis mas isso acaba sendo insuficiente para variar os embates.
É legal jogar com Jim Gordon, Robin, Asa Noturna, Batgirl e Talia mas esperava uma variedade maior de golpes e combos. Felizmente a parte técnica das lutas é fantástica. Os golpes tem peso e o controle é altamente responsivo, tornando o ato de enfrentar múltiplos inimigos algo bem satisfatório.
A equipe até pensou e implementou opções para quem prefere abordagens furtivas e as animações de eliminações são bem engraçadas. É memorável ver Batman fazendo uma enterrada com uma lata de lixo na cabeça de um capanga! Por falar em memorável, temos várias batalhas contra chefes e, surpreendentemente, eles são bem ricos mecanicamente falando.
A trilha sonora dos chefes poderia ser mais emblemática mas não chega a ser algo que incomoda. Outro ponto que foi bastante simplificado foi a progressão. Ela acontece em duas grandes vias – através do aprendizado de novas habilidades e ao melhorar os gadgets de cada personagem.
Os pontos de habilidades são obtidos ao concluir missões secundárias e principais, já os dispositivos são melhorados ao abrir Cápsulas Wayne espalhadas por Gotham e em certas missões principais. Eu entendo que é um jogo para a criançada mas sinto que a progressão poderia fugir um pouco da mesmice que conhecemos bem dos jogos de mundo aberto da década passada.
Agora em um lado positivo, o level design. As missões são bem legais e brincam a todo momento com o caráter interativo das peças de LEGO. Cada personagem tem seus dispositivos e expertises e isso é explorado bem tanto nas missões principais quanto no mundo aberto.
A Mulher-Gato por exemplo é a única que consegue cortar vidros. Batman consegue usar o Spray Explosivo para explodir paredes. Asa Noturna consegue energizar dispositivos, Bat-Girl consegue hackear… a individualidade de cada herói é respeitada e podemos trocar livremente entre eles no mundo aberto, o que torna tudo ainda mais especial.
Uma Gotham Vibrante
Um grande protagonista de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é a própria Gotham. A cidade aqui é vibrante e pulsa vida (e crimes é claro).
A TT Games fez um trabalho fantástico em recriar uma das cidades mais icônicas do entretenimento e podemos visitar várias localizações que ficaram eternizadas na mente dos fãs do Morcegão.

O mais impressionante (e meio que esperado) é a enorme interatividade do cenário. Por ser um jogo LEGO, podemos quebrar quase tudo e obter peças, além, claro, de se divertir bastante interagindo com coisas variadas, sejam bancos, caixas-eletrônicos, foguetes de brinquedo e muito mais.
Quase toda esquina da cidade tem alguma coisinha pra gente “brincar” e isso reforça muito a própria essência LEGO. A travessia pelo mapa acontece de três formas – através da viagem rápida, divertidamente chamada aqui de Subwayne – através do gancho + planagem, coisa que está tão satisfatório quanto em Arkham, e através dos veículos.
O jogo conta com 30 veículos diferentes no total e temos veículos específicos para cada personagem. O fantástico aqui, além dos visuais em LEGO, é que o time se atentou até ao som emitido pelos veículos, gerando uma imersão fantástica.
Usar a turbina do Tumpler proporciona uma baita experiência sonora! Se locomover rapidamente é importante aqui. Temos centenas de colecionáveis e atividades secundárias que vão levar boa parte do tempo para a platina.
A variedade é absurda… destruir plantas carnívoras, ajudar Bullock em um caso importante, ajudar Sofia Falcone com um problema, colocar rastreadores em animais que fugiram do zoológico… é bastante coisa e a variedade impressiona.
A cereja do bolo são os enigmas do Charada e do Mestre das Pistas. São mais de 100 enigmas ao todo e que surpreendentemente variam bem no design, desafiando o raciocínio lógico de quem joga. Diferente do combate, os desenvolvedores não seguraram a mão aqui e alguns enigmas são incrivelmente complexos. Temos jogos da memória, puzzles matemáticos, puzzles de “engenharia” e muito mais.

Outro ponto de destaque é a Batcaverna. O centro de operações de Batman é super charmoso, exibindo todos os trajes obtidos na aventura, veículos e permitindo um grau elevado de customização, fazendo com que cada jogador deixe o QG do jeito que preferir!
A TT Games sabe o que faz
O estúdio responsável pelo jogo adquiriu uma expertise absurda ao longo dos anos. Eles conseguem recriar mundos inteiros dentro do contexto LEGO com um nível de precisão absurdo, mantendo, claro, a essência interativa do brinquedo. Isso se repete aqui. Os visuais estão belíssimos, impulsionadas pela Unreal Engine 5.
É estranho falar isso e parece improvável, mas constantemente eu esquecia que estava jogando um LEGO visualmente falando. Após algumas horas, você acaba tão imerso naquele mundo que ele se torna realista na medida do possível.
Como já mencionei, a parte sonora está incrível, tanto dos veículos quanto dos diálogos. A localização completa em nosso idioma ajuda na imersão. O DualSense também se faz presente. Os avisos de crimes no rádio da polícia por exemplo são emitidos no alto-falante do controle.
Apesar disso, eu senti que os recursos do controle poderiam ser mais usados no combate, amplificando a sensação de impacto.
No campo do desempenho, não tive nenhuma queda de frame perceptível, contudo, tive dois bugs em missões que me fizeram ter que voltar para o menu principal para resolver o problema. Também tive um crash. Vale mencionar que joguei antes do lançamento, logo, um patch pontual pode resolver esses problemas!
Review de LEGO Batman: O Cavaleiro das Trevas – Vale a Pena!
Respondendo à pergunta lá do começo do review, sim, a TT Games cumpriu a missão com êxito e entrega um baita jogo que faz jus ao legado de um dos maiores ícones do entretenimento. Apesar de ser uma aventura projetada majoritariamente para crianças, todo fã adulto do Batman vai encontrar algo positivo aqui, suprindo um pouco a saudade deixada pela trilogia Arkham.
A TT Games entrega uma aventura que faz jus ao legado de um dos maiores personagens do entretenimento, suprindo um pouco a saudade deixada pela trilogia Arkham no mundo dos games.
Pontos Positivos
- Mapa altamente interativo
- Momentos icônicos da franquia recriados do jeito LEGO
- Muitos trajes e veículos emblemáticos
- Grande variedade de atividades secundárias
- Gotham pulsante
Pontos Negativos
- Combate muito repetitivo
- Sistema de progressão muito simples
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
