Produzir esta review de Beastro foi como está dentro de um “liquidificador de estilos”. Sei bem que existe uma tendência cada vez maior de misturar gêneros que, em teoria, não têm nada a ver entre si.
Alguns jogos tentam combinar gerenciamento com RPG, outros unem exploração com construção de cidades, mas poucos parecem tão improváveis quanto Beastro. Afinal, como um jogo pode juntar fazenda, minigames de culinária e batalhas com cartas em uma única experiência?
Lançado em 11 de junho de 2026 pela Timberline Studios, Beastro aposta justamente nessa ideia. A proposta pode parecer estranha em um primeiro momento, mas bastam alguns minutos para perceber que existe uma lógica por trás desse mundo onde cozinhar é tão importante quanto enfrentar monstros.
Joguei imaginando encontrar apenas mais um cozy game relaxante, mas acabei descobrindo uma experiência que tenta ir além da fórmula tradicional do gênero.
Nem tudo funciona perfeitamente, como você verá nesta review de Beastro, mas há personalidade suficiente para fazer o jogador querer descobrir o que vem no próximo dia dentro daquele ciclo de exploração e preparo de receitas.
Ressalto que o jogo não possui nenhuma localização para o português do Brasil, ou seja, pode prejudicar a experiência para quem tem dificuldade de ler outros idiomas.

Tudo nas mãos do Panko
O universo de Beastro se passa na vila de Palo Pori, um lugar pequeno e pacífico, cercado por uma rotina centrada em artesãos e na vida comunitária. Esse equilíbrio, no entanto, começa a ruir quando criaturas passam a avançar além dos muros da região, colocando em risco o que resta de estabilidade no local.

É nesse cenário que o jogo posiciona Panko, um jovem chef que acaba assumindo não apenas a cozinha do restaurante da vila, mas também um papel direto na dinâmica entre moradores e os chamados Guardiões, os aventureiros responsáveis por enfrentar as ameaças fora das muralhas.

Quando cozinhar se torna tão importante quanto lutar
A estrutura de Beastro gira em torno de uma rotina bastante simples. Durante o dia, exploramos áreas selvagens, coletamos ingredientes, pescamos, conversamos com personagens e enfrentamos criaturas. Quando a aventura termina, voltamos ao restaurante para transformar tudo o que encontramos em pratos capazes de fortalecer nossos heróis.
É um ciclo que lembra diversos jogos do gênero cozy, mas aqui existe um diferencial importante: cozinhar não é apenas uma atividade casual.

Os pratos preparados servem como combustível para as batalhas, influenciando diretamente o desempenho durante os confrontos. Isso faz com que explorar o mapa e encontrar novos ingredientes seja tão importante quanto vencer uma luta.
Essa ligação entre exploração e culinária acaba dando bastante personalidade ao jogo. Em vez de simplesmente acumular recursos, existe uma sensação de que cada ingrediente pode abrir novas possibilidades dentro da cozinha.

Alimente os guardiões
Um dos pilares de Beastro está na forma como o jogo trata os Guardiões. Eles não são apenas aventureiros enviados para o combate, mas personagens que dependem diretamente da sua cozinha para funcionar bem fora da vila.
Cada um deles traz preferências próprias, ligadas a sabores específicos e também à origem de cada região. Isso influencia diretamente o que faz sentido servir em cada refeição. Não se trata só de “alimentar bem”, mas de entender o perfil de cada Guardião e ajustar o preparo de acordo com isso.

E como bons guardiões, cada um tem seu gosto preferido de prato, alguns preferem os amargos, outros preferem as refeições mais doces, e seguimos assim, adaptando a nossa cozinha ao paladar de cada um deles.
Deckbuilding inteligente deixa os combates mais interessantes
Talvez a maior surpresa de Beastro esteja justamente no sistema de combate. Em vez da ação em tempo real, o jogo utiliza mecânicas de deckbuilding, onde cartas representam ataques e habilidades durante os confrontos.

A ideia funciona melhor do que eu esperava. Existe um ritmo agradável entre atacar e administrar recursos criando confrontos que exigem um pouco mais de planejamento do que normalmente vemos em jogos desse estilo.
Não chega a ser um sistema extremamente profundo, mas consegue prender a atenção e evita que as lutas se tornem apenas um obstáculo entre uma exploração e outra. Essa mistura entre cartas e culinária acaba sendo um dos aspectos mais criativos da experiência.

Um ciclo repetitivo, mas que consegue prender pela curiosidade
Depois de jogar algumas horas para a produção desta review de Beastro, ficou muito claro que Beastro segue uma estrutura bastante definida. O jogador acorda, aceita pequenas missões, coleta ingredientes, enfrenta monstros, retorna ao restaurante, pesquisa novas receitas e começa tudo novamente no dia seguinte.
Em muitos jogos isso poderia rapidamente se tornar cansativo. Aqui, porém, a sensação é diferente. Sempre existe um novo ingrediente para descobrir ou uma melhoria para desbloquear. Isso cria uma curiosidade sobre o que ainda pode aparecer nas próximas áreas.

É aquele tipo de jogo que frequentemente faz o jogador pensar: “vou jogar só mais um dia”. Ao mesmo tempo, também é impossível ignorar que a estrutura pode acabar repetitiva para quem busca uma aventura mais variada ou cheia de grandes acontecimentos. Boa parte do progresso acontece justamente pela repetição desse ciclo principal.
Direção de arte é um dos grandes destaques
Se existe um aspecto que chama atenção desde os primeiros minutos, é o visual. Beastro entrega uma direção artística extremamente simpática, com criaturas carismáticas, ambientes coloridos e personagens que parecem saídos de um livro infantil.



Os ingredientes, os monstros e até os cenários transmitem uma sensação acolhedora que combina perfeitamente com a proposta do jogo. É justamente esse estilo artístico que ajuda a tornar a rotina diária mais agradável, mesmo quando estamos realizando atividades parecidas pela décima vez.
A trilha sonora também acompanha bem esse clima relaxante, funcionando como um complemento discreto para a exploração.

Review de Beastro – Vale a pena?
Finalizo esta review de Beastro cravando que ele é um daqueles jogos que dificilmente chamarão atenção pelo tamanho da produção ou pelo orçamento milionário, mas conseguem conquistar espaço graças à criatividade.
Misturar fazenda, culinária e deckbuilding parecia uma ideia arriscada, mas a Timberline Studios encontrou uma forma interessante de conectar todas essas mecânicas. Existe repetição, algumas atividades poderiam oferecer mais variedade e a estrutura diária pode não agradar todo mundo.
Ainda assim, a combinação entre exploração, pesquisa de receitas, gerenciamento de ingredientes e batalhas estratégicas cria uma experiência bastante agradável para quem gosta de jogos cozy com um toque diferente.
Talvez Beastro não revolucione nenhum dos gêneros que utiliza como inspiração, mas consegue misturá-los de maneira competente e entregar uma aventura charmosa e cativante.
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- Review: NBA The Run (PS5)
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- Review: Yoshi and the Mysterious Book (Switch 2)
Cultive, cozinhe, monte seu baralho e alimente o povo em Beastro
Beastro é aquele tipo de jogo que não tenta competir por complexidade ou escala, mas sim por identidade. Ele constrói sua experiência em cima de um ciclo simples: cultivar, cozinhar, montar seu deck e preparar seus guardiões e encontra força justamente nessa repetição bem amarrada.
Sempre parece existir um ingrediente novo e uma receita diferente para descobrir e isso pode te prender por horas.
O prato perfeito
- Boa conexão entre cozinha, exploração, combate e construção de baralho
- Identidade visual agradável
- Curiosidade por novos ingredientes prendem o jogador
- Boa trilha sonora
- Personagens cativantes
Faltou sal
- Loop de gameplay pode ficar repetitivo com o tempo
- Combate em cartas é funcional, mas pouco profundo
- Falta de localização em português do Brasil
- Visuais
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Som
