Eu quero começar essa review de Rune Dice com uma dica. Na verdade, um aviso: fuja desse jogo se você não quer se viciar. Fazia muito tempo que um indie não me prendia dessa forma.
Estou há dias jogando no PlayStation e, sem exagero, toda vez que eu desligava o console eu continuava pensando nas builds que queria testar, nos personagens que ainda precisava desbloquear e nas combinações de dados que poderiam funcionar melhor numa próxima run. Rune Dice simplesmente entrou na minha cabeça de um jeito que poucos jogos conseguem hoje em dia.
Desenvolvido pela Smart Raven Studio e distribuído pela Kwalee, o game chega no dia 19 de maio para PC, Xbox, Nintendo Switch e PlayStation. O título já possui uma demo disponível na Steam para quem quiser experimentar antes do lançamento completo, e sinceramente? Eu recomendo bastante testar. Essa review, inclusive, foi feita na versão de PlayStation, onde o jogo rodou muito bem durante todo o tempo que passei jogando.
Rune Dice não possui história. O foco aqui é totalmente na jogabilidade, e honestamente, eu acho que essa foi a decisão certa. Portanto, o jogo entende perfeitamente aquilo que quer ser: um roguelike extremamente viciante focado em estratégia, física de dados e construção de builds.
Fica comigo nesta review de Rune Dice e saiba os motivos que podem fazer esse game fazer você ficar grudado no controle. Além disso, caso prefira, segue abaixo a nossa análise em vídeo:
Quando você entende os dados, Rune Dice simplesmente te prende
A mecânica dos dados é, sem dúvida, o coração da experiência. Você normalmente começa uma rodada com um dado número 1 — embora existam runas específicas que permitam iniciar com um dado número 2 — e precisa mirar esse dado em outro dado de mesmo valor espalhado pelo cenário.
Quando o dado 1 acerta outro dado 1, ele evolui para um dado 2. Depois disso, esse dado automaticamente salta para o dado 2 mais próximo, transformando-o em um dado 3. Em seguida, o dado 3 pula para outro dado 3 que esteja mais perto, e assim sucessivamente.

Parece complicado lendo pela primeira vez, mas quando você entende como a mecânica funciona, tudo começa a fazer sentido de uma maneira quase absurda. O interessante é que você não pensa apenas no lançamento inicial.
Você precisa pensar na cadeia inteira de acontecimentos. Qual dado está mais próximo? Qual será o próximo salto? Vale mais a pena focar em dano? Recuperar vida? Gerar moedas? E o mais importante: a soma desses combos e habilidades é justamente o dano que você causará nos inimigos posicionados na parte superior da tela.
Isso transforma Rune Dice quase num jogo de sinuca misturado com roguelike. Em vários momentos eu me pegava calculando ângulos, pensando em ricochetes e planejando jogadas futuras enquanto tentava sobreviver aos chefes. E é justamente aí que o jogo começa a mostrar o quanto ele é estratégico.

Cada personagem muda completamente sua forma de jogar
Outro ponto que me surpreendeu bastante foi a variedade dos personagens. Cada classe possui habilidades próprias, tipos de dados diferentes e estilos únicos de gameplay.
O mago trabalha muito com dano elemental e controle de grupo. O arqueiro consegue afastar inimigos perigosos. Já o ladrino utiliza veneno, esquiva e combos rápidos. Além disso, a build que eu mais gostei foi justamente uma focada em esquiva com recuperação de vida.

Aliás, essa acaba sendo uma dica importantíssima para quem for jogar: priorize itens e habilidades de recuperação de vida sempre que possível, porque os chefes punem demais qualquer erro.
Rune Dice é um daqueles jogos em que você constantemente pensa no futuro da run. Muitas vezes eu deixava de finalizar um combate imediatamente apenas para usar a última jogada coletando vida ou moedas antes da próxima batalha.

Além das diferenças mecânicas, eu gostei muito do humor presente nos nomes dos personagens. Claramente a equipe se inspirou em figuras famosas da cultura pop e fantasia.
Temos Albus Bumbledore, referência evidente ao universo Harry Potter, Nikola Eletresla lembrando Nikola Tesla, John Wicky inspirado em John Wick, Arahorn Passocurto remetendo diretamente ao personagem de Senhor dos Anéis e Maximus Vigesumis, que claramente brinca com Gladiador e muitos outros que não irei citar para não estragar a experiência.
Meu favorito foi o bardo Dan Deliono, uma referência muito divertida ao personagem de The Witcher. São detalhes simples, mas que ajudam bastante a dar personalidade ao jogo.

Rune Dice parece simples, mas exige muita estratégia
O jogo constantemente te obriga a pensar. Os inimigos possuem comportamentos diferentes e você precisa entender como cada um funciona para conseguir avançar. Arqueiros, por exemplo, ficam no fundo da fila causando dano constante enquanto outros inimigos fazem a linha de frente protegendo eles. Então muitas vezes a melhor decisão é usar relíquias que alteram a ordem dos inimigos para trazer os arqueiros para frente e eliminá-los rapidamente.

Já os inimigos corpo a corpo ficam avançando lentamente até você, mas quando conseguem chegar perto o dano costuma ser muito alto.
E tem ainda uma mecânica que eu achei genial: os inimigos bomba-relógio. Eles possuem um contador e vão avançando rodada após rodada. Se o contador acabar antes deles chegarem até você, eles explodem e causam dano nos próprios aliados. Ou seja, em certos momentos você literalmente usa os próprios inimigos como arma, e isso deixa as batalhas ainda mais interessantes.

Tudo em Rune Dice parece pensado para incentivar estratégia. Desde a ordem dos inimigos até o tipo de relíquia que você escolhe carregar. Em muitos momentos eu precisava decidir entre focar em dano imediato ou construir uma run mais segura pensando nos chefes futuros. E isso cria aquele ciclo viciante de sempre querer tentar “só mais uma vez”.

Mesmo com poucos mapas, o fator replay segura tudo
Atualmente, Rune Dice possui três regiões principais: Floresta Próxima, Areias Desoladas e o Círculo do Vazio. Cada mapa possui três chefes, totalizando nove chefes no conteúdo atual do jogo. Aqui entra minha principal crítica construtiva. Eu realmente gostaria que existissem mais mapas. Quando você derrota os nove chefes, praticamente concluiu o conteúdo principal disponível no momento.

Ainda assim, o fator replay consegue compensar bastante essa limitação graças à enorme quantidade de builds, personagens desbloqueáveis e modos difíceis presentes em cada região.
Os próprios desbloqueios ajudam muito nisso. Diversos personagens exigem desafios específicos para serem liberados, incentivando você a testar novas estratégias e estilos de gameplay constantemente.
Então mesmo após concluir os mapas, ainda existe aquela vontade de voltar para experimentar uma build diferente ou desbloquear uma nova classe. Foi exatamente isso que me manteve preso ao jogo por tantas horas. E sinceramente? Eu realmente espero que o jogo faça sucesso e receba novos mapas futuramente, porque potencial ele claramente tem para isso.

Pixel art bonita, boa performance e uma trilha sonora que me cansou rápido
Visualmente, Rune Dice aposta numa pixel art simples, mas muito agradável. O jogo não tenta impressionar com gráficos ultra realistas, e sinceramente, nem precisa. A direção artística funciona muito bem para aquilo que a proposta entrega. Os efeitos sonoros também são bons e ajudam bastante na sensação de impacto durante os combos.

Já a trilha sonora acabou sendo um ponto mais fraco para mim. Depois de algumas horas jogando, as músicas começaram a ficar repetitivas e até um pouco cansativas. Inclusive, eu acabei diminuindo bastante o volume da soundtrack durante as partidas. Não chega a prejudicar a experiência, mas é um aspecto que poderia melhorar futuramente.
Em relação ao desempenho, o jogo rodou muito bem no PlayStation durante toda a análise. Não encontrei travamentos que atrapalhassem a experiência.

Review de Rune Dice – Vale a Pena?
Concluo esta review de Rune Dice dizendo que ele é altamente VICIANTE e foi uma das maiores surpresas indie que joguei recentemente. É um jogo simples visualmente, mas extremamente inteligente em suas mecânicas e criativo nas possibilidades.
Mesmo com poucos mapas atualmente, ele consegue sustentar dezenas de horas graças ao enorme fator replay e à quantidade absurda de estratégias possíveis. Dá pra perceber claramente que existe muita criatividade e muito carinho da equipe no desenvolvimento desse projeto.
Eu realmente espero que Rune Dice cresça, receba novos conteúdos e encontre seu público, porque ele merece bastante atenção.
Curtiu esta review de Rune Dice? Então fica com outras análises do nosso time:
- Review de LEGO Batman – O Legado do Cavaleiro das Trevas após a platina (PS5 Pro)
- Review: Black Jacket (PS5)
- Review: Call of the Elder Gods (PS5)
Viciante ao extremo
Rune Dice é aquele tipo de indie que parece simples nos primeiros minutos, mas rapidamente domina sua cabeça com builds, estratégias e combinações de dados extremamente viciantes.
A mistura entre roguelike, física e gerenciamento de habilidades funciona muito melhor do que parece, criando uma experiência difícil de largar. Se a Smart Raven Studio continuar expandindo esse universo, Rune Dice tem tudo para conquistar um público muito fiel.
Viciante, totalmente viciante
- Grande variedade de personagens com estilos realmente diferentes
- Mecânica de dados extremamente criativa e viciante
- Fator replay enorme
- Referências divertidas nos nomes dos personagens
- Pixel art simples, mas muito agradável visualmente
- Ótima sensação ao encaixar combos e sequências de dados
Poderia ser melhor
- Trilha sonora fica repetitiva depois de muitas horas
- Falta identificação mais clara dos inimigos comuns
- O conteúdo principal acaba relativamente rápido caso você não ligue para replay
- Visuais
- Jogabilidade
- Desempenho
- Som
- Fator replay
