Quando alguém me perguntasse, alguns anos atrás, se eu imaginava fazer uma review de um jogo da franquia Halo no PlayStation, provavelmente eu responderia que isso seria impossível. Estamos falando de uma das maiores marcas da história do Xbox, uma série que sempre esteve diretamente ligada à identidade da Microsoft, assim como God of War representa o PlayStation.
Por isso, é no mínimo curioso estar aqui hoje realizando esta review de Halo: Campaign Evolved no PlayStation 5. As mudanças de estratégia da Microsoft nos últimos anos abriram espaço para que jogadores de outras plataformas finalmente conhecessem algumas das suas principais franquias.
E, sinceramente, isso é algo muito positivo. Mais pessoas podem descobrir uma série gigantesca, entender por que Halo marcou uma geração e experimentar um dos FPS mais importantes da indústria.
Desenvolvido pela Halo Studios em parceria com a SkyBox Labs, Halo: Campaign Evolved será liberado em 23 de julho para jogadores com acesso antecipado, enquanto o lançamento para todos acontece em 28 de julho, chegando ao PlayStation 5, Xbox Series, PC e também ao Game Pass.
E antes de começar essa análise, preciso deixar claro um detalhe importante: eu não estou falando de Halo apenas como alguém que jogou este remake. Eu zerei Halo: Combat Evolved em 2021, então tenho uma lembrança recente da experiência original. Isso foi essencial para perceber melhor o que mudou, o que foi mantido e principalmente se esse remake realmente precisava existir.
Afinal, um remake sempre caminha em uma linha muito delicada. Ele precisa respeitar a obra original, preservar aquilo que fez aquele jogo ser especial, mas também precisa trazer novidades suficientes para justificar sua existência.
Sem mais enrolação, confira a minha review completa de Halo: Campaign Evolved. Caso prefira, você pode conferir a nossa análise em vídeo:
Uma história preservada, mas que continua fascinante
Uma das maiores preocupações dos fãs quando um remake é anunciado é a possibilidade de mudanças exageradas na história. Felizmente, esse não é o caso aqui.
Halo: Campaign Evolved mantém praticamente toda a estrutura narrativa de Combat Evolved. A desenvolvedora deixou claro que não pretendia modificar a história principal, e isso realmente aconteceu. O jogo continua contando a jornada do Master Chief, um supersoldado criado através do Projeto Spartan II, uma iniciativa da humanidade para desenvolver soldados capazes de proteger as colônias humanas espalhadas pela galáxia.

O universo de Halo sempre teve uma escala gigantesca. A humanidade avançou para outros planetas depois de consumir boa parte dos recursos disponíveis na Terra, criando novas comunidades fora do planeta natal. Porém, essa expansão colocou os humanos no caminho dos Covenant, uma aliança de espécies alienígenas guiada por um forte fanatismo religioso.
Os Covenant enxergam a humanidade como uma ameaça e iniciam uma guerra para eliminar completamente a raça humana. Nesse cenário surge o Master Chief, o principal resultado do Projeto Spartan II, um soldado criado para enfrentar ameaças que seriam impossíveis para qualquer humano comum.
A campanha ainda mantém aquele mistério envolvendo o Halo, a instalação gigantesca encontrada durante a jornada, e todos os elementos que fizeram a franquia se tornar tão importante.

Não se limite aos jogos
Mas vale lembrar: a história de Halo nunca ficou limitada aos jogos. A franquia possui livros, animações, séries e diversos outros materiais que expandem sua mitologia. Entender completamente tudo que envolve esse universo exige uma dedicação maior, porque a lore criada pela Bungie sempre teve essa característica de construir algo muito maior do que apenas uma campanha.
Isso é algo que também vemos em Destiny, outra franquia criada pela Bungie, que aposta bastante na construção de universo e em histórias que vão muito além do que é apresentado diretamente ao jogador.
Por isso, não vou avaliar a narrativa de Halo: Campaign Evolved como se fosse uma história totalmente nova. O objetivo deste remake não era reinventar o enredo, mas apresentar novamente uma das campanhas mais importantes da história dos videogames para uma nova geração de jogadores.
E nesse ponto ele faz exatamente o que precisa fazer.
Um remake visualmente impressionante
Quando os primeiros trailers de Halo: Campaign Evolved foram divulgados, uma coisa ficou clara: o salto visual seria enorme. E realmente é.
Comparar esse remake com Combat Evolved ou até mesmo com Halo: Anniversary mostra uma diferença gigantesca. Enquanto a versão Anniversary era basicamente uma remasterização que colocava uma camada visual moderna sobre o jogo original, Campaign Evolved reconstrói essa experiência do zero.
E isso fica evidente desde os primeiros minutos. Existem momentos em que eu simplesmente parei para observar os cenários. As áreas abertas, as praias, as instalações do Halo e principalmente os momentos no espaço mostram um cuidado enorme com direção artística e iluminação.

O design das armas também recebeu bastante atenção. Quem já achava o visual das armas e dos inimigos marcante no jogo original vai encontrar uma evolução enorme aqui. Cada detalhe está mais trabalhado, desde as armaduras dos Covenant até os equipamentos utilizados pelo Master Chief.
Os efeitos visuais são outro ponto que impressiona bastante. As explosões, as partículas voando pela tela, os disparos de plasma, os inimigos sendo atingidos e todo o caos criado durante os combates deixam os confrontos muito mais impactantes.




Principalmente em ambientes fechados, quando existe uma troca intensa de tiros, granadas explodindo e objetos destruídos ao mesmo tempo, o remake mostra todo o poder visual dessa nova versão.
Eu joguei no PlayStation 5 base e, visualmente falando, Halo: Campaign Evolved é um jogo muito bonito. Ele consegue entregar momentos que facilmente fazem você parar para admirar o cenário.
Nem tudo é perfeito…
Em alguns momentos, quando você aproxima bastante a câmera de determinados objetos, algumas texturas deixam a desejar. O próprio Master Chief, quando você olha para a parte inferior da armadura durante a gameplay, mostra alguns detalhes que poderiam ter recebido um acabamento melhor.
Sim, é um jogo em primeira pessoa, mas estamos falando de um remake feito completamente do zero. Esses pequenos detalhes acabam chamando atenção justamente porque o restante do trabalho visual é muito caprichado.
Também encontrei alguns problemas de pop-in durante a campanha e achei que a água poderia ter recebido um tratamento melhor. Não chega a comprometer a experiência, mas são pequenos pontos que mostram que ainda existia espaço para mais refinamento.
No geral, porém, Halo: Campaign Evolved entrega exatamente aquilo que se espera de um remake moderno. Ele transforma um clássico de 2001 em um jogo visualmente atual, mantendo a identidade da franquia e mostrando por que Halo continua sendo uma referência quando falamos de FPS nos consoles.
Jogabilidade é o coração de Halo
Se existe uma coisa que sempre definiu Halo ao longo dos anos é a sua jogabilidade. Mais do que gráficos, mais do que qualquer elemento visual, a franquia ficou conhecida pelo seu gunplay, pela sensação de controlar o Master Chief e pela forma como cada combate acontece.

E posso dizer que Halo: Campaign Evolved entende isso muito bem, portanto, logo nos primeiros minutos, você sente que está jogando Halo. Existe aquele feeling característico da franquia, aquela sensação de peso das armas, da movimentação e da forma como os confrontos acontecem. É difícil explicar, mas quem já jogou algum Halo sabe exatamente o que estou falando.
O remake mantém a essência do original, mas traz diversas melhorias que deixam a experiência mais moderna. O combate continua frenético, dinâmico e oferece liberdade para escolher como enfrentar cada situação.

Você pode trocar constantemente entre armas, buscar munição dos inimigos, utilizar diferentes equipamentos e encontrar a melhor estratégia para cada confronto. Essa liberdade sempre foi uma das maiores qualidades de Halo, e Campaign Evolved consegue preservar isso.
Além disso, o remake adiciona novidades importantes ao arsenal. Uma das grandes diferenças em relação ao Combat Evolved original está justamente na quantidade de armas disponíveis.
Mais armas…
Agora temos equipamentos vindos de outros jogos da franquia, como a Espada de Energia, o Rifle de Batalha, entre outros, aumentando bastante as possibilidades durante a campanha. Eu gostei bastante da nova variedade, principalmente porque algumas armas mudam completamente a maneira como você encara os combates.
Uma das minhas favoritas foi a espingarda, que funciona praticamente como uma escopeta tradicional e entrega aquele impacto que esperamos de uma arma de curto alcance. Porém, a minha maior surpresa foi o Needler Rifle, uma variação de uma arma icônica da franquia que agora aparece nessa campanha.
A arma dos projéteis roxos, com aqueles espinhos característicos, sempre chamou atenção pelo design, mas poder utilizá-la de uma forma mais presente durante a campanha foi uma ótima adição.

Só essas novas armas já seriam um motivo interessante para revisitar Halo novamente.
A estrutura permanece a mesma
A estrutura das missões continua seguindo o formato clássico da franquia. Você avança pelos objetivos, participa de alguns momentos de narrativa com a Cortana e o Sargento Avery Johnson, enfrenta grupos de inimigos e acompanha pequenas divisões dentro das próprias fases.

Não temos aquelas batalhas contra chefes tradicionais, como encontramos em outros jogos. O foco sempre está no combate contra os Covenant e na maneira como cada arena é construída para criar diferentes situações de batalha.
As missões costumam durar entre 30 minutos e uma hora, dependendo da dificuldade e do quanto você explora os cenários. Eu terminei a campanha completa, incluindo as três novas missões adicionadas ao remake, em aproximadamente 12 a 13 horas.
Esse tempo aconteceu porque eu explorei bastante os ambientes, procurei alguns colecionáveis e também morri bastante durante a jornada.
E aqui existe um ponto importante: Halo não é um jogo fácil.

Apesar de o Master Chief ser um dos personagens mais poderosos dos videogames, ele não é um tanque de guerra que simplesmente atravessa todos os inimigos sem preocupação. O escudo ajuda bastante, mas quando ele acaba, qualquer descuido pode significar a morte.
Eu morri muitas vezes durante a campanha, principalmente em situações onde tentei avançar sem pensar muito.
Se você já conhece Halo, domina os combates e não perde tempo explorando cada canto do mapa, provavelmente consegue finalizar a campanha com as três missões inéditas em algo próximo de sete ou oito horas. Porém, para quem está chegando agora, o jogo exige atenção.
Crânios e novos conteúdos
Uma das maiores novidades de Halo: Campaign Evolved está nos Crânios, ou na diversidade e quantidade deles.
Para quem não conhece, eles são itens escondidos pelos mapas que liberam modificadores especiais para alterar a experiência da campanha. Eles são muito importantes para aumentar o fator replay e oferecer desafios diferentes para quem quer continuar jogando depois de terminar a história.

E aqui existe uma mudança importante: os Crânios não estão nos mesmos locais das versões anteriores.
Isso significa que aquele guia antigo de Combat Evolved ou Anniversary não vai ajudar completamente. A própria desenvolvedora explicou que a mudança aconteceu por causa das alterações no design dos mapas e na reconstrução visual das fases.
Agora existem três Skulls por fase, além de novas opções adicionadas ao remake. O problema é que eles são extremamente difíceis de encontrar.
Durante minha campanha, encontrei pouquíssimos. Alguns ficam tão bem escondidos no cenário que você praticamente precisa estar procurando por eles de maneira específica.
Existe um Crânio em uma praia, por exemplo, que fica praticamente camuflado no ambiente. Eu só percebi que estava ali porque apareceu a opção de interação na tela.
Além dos Crânios, também temos os Terminais espalhados pelas fases, que adicionam mais informações sobre a história e o universo de Halo.

Outro detalhe interessante é a possibilidade de jogar em terceira pessoa através de um Crânio específico chamado Perspectiva. Eu tentei encontrar esse item durante minha campanha, mas infelizmente não consegui desbloquear essa opção para testar.
Mesmo assim, a inclusão dessa possibilidade mostra como o remake tentou trazer novidades para jogadores antigos.
Veículos recebem melhorias, mas ainda possuem problemas
Os veículos sempre tiveram um papel importante em Halo, e Campaign Evolved traz algumas melhorias interessantes nesse aspecto.
Temos novamente o clássico Warthog, o Banshee e outros veículos conhecidos da franquia. Além disso, uma das novidades mais interessantes é a possibilidade de controlar o Wraith.

Essa mecânica vem de outros jogos da série e permite algo que não existia no Combat Evolved original: roubar veículos inimigos. Você pode se aproximar, subir no veículo, eliminar o piloto e assumir o controle. É uma adição que combina muito bem com a filosofia de liberdade da franquia.
Porém, existe um problema: o controle dos veículos continua sendo uma das partes mais antigas da experiência. Mas vou falar mais sobre isso na parte dos defeitos, porque apesar das melhorias, ainda existe uma sensação de peso exagerada em alguns momentos.

No geral, quando falamos da jogabilidade, Halo: Campaign Evolved entrega exatamente o que os fãs esperavam. Ele moderniza vários elementos, adiciona conteúdo novo, mas continua sendo aquele Halo que conquistou milhões de jogadores.
A Operação Meteorito é uma das melhores coisas de Halo
Se existe um conteúdo que, para mim, realmente justifica a existência de Halo: Campaign Evolved, são as três missões inéditas adicionadas ao remake.
Eu já estava gostando bastante da campanha principal. O jogo entrega uma experiência muito bonita, porém, quando comecei essas novas missões, tive aquela sensação de estar realmente jogando algo novo.

E esse é um dos maiores méritos do remake. Não são fases colocadas apenas para aumentar a duração da campanha. Elas possuem identidade própria, apresentam novos acontecimentos e expandem um pouco mais a relação entre Master Chief e o Sargento Avery Johnson antes dos eventos de Combat Evolved.
Essas missões acontecem antes da história principal do primeiro Halo e mostram um momento em que os dois personagens trabalham juntos para descobrir mais informações sobre os Covenant. O objetivo é se infiltrar em locais específicos, coletar dados e entender melhor onde essa ameaça está localizada.

E falando em inimigos, temos aqui uma das adições mais interessantes: o Brute Berserker. Esse inimigo funciona de uma maneira diferente dos Covenant tradicionais. Ele possui um ponto específico que pode ser atingido e, quando você consegue acertá-lo, ele entra em um estado de fúria ainda maior.

O mais interessante é que essa mecânica pode ser usada a seu favor. Em algumas situações, eu consegui fazer com que ele perdesse completamente o controle e atacasse até mesmo outros inimigos ao redor.
É uma pequena mudança, mas mostra que a equipe não simplesmente colocou novos inimigos por colocar. Existe uma tentativa de criar novas situações durante os combates. Mas, para mim, o grande destaque dessas três missões é a sequência no espaço.
Uma missão de encher os olhos
Existe uma missão em uma nave que foi facilmente um dos momentos mais marcantes de toda a campanha. Eu parei várias vezes apenas para observar o cenário. O espaço ao redor, os destroços de outras naves, a escala daquele ambiente e toda a sensação de estar no meio de um grande conflito ficaram incríveis.

É aquele tipo de momento em que você percebe o quanto a tecnologia atual permite transformar uma cena que antes era limitada pelas condições da época em algo muito mais grandioso.
E uma coisa que chamou minha atenção é que, mesmo com muitos elementos acontecendo ao mesmo tempo, como objetos destruídos e vários detalhes espalhados pelo cenário, eu não senti aqueles problemas de desempenho que encontrei em outras partes da campanha.
Visualmente, essa missão é espetacular. No total, essas três novas fases adicionam aproximadamente uma hora ou uma hora e meia cada, dependendo da forma como você joga. É um conteúdo que acrescenta bastante ao pacote e, sinceramente, eu gostei mais dessas novas missões do que de alguns momentos da campanha principal.
Também temos uma nova personagem apresentada durante essas missões. Não vou entrar em detalhes para evitar spoilers, mas acredito que ela tem bastante potencial dentro do universo de Halo.
Inclusive, eu não ficaria surpreso se futuramente ela recebesse algum tipo de projeto próprio dentro da franquia. É algo parecido com o que outras séries fizeram recentemente, expandindo seus universos através de personagens secundários, como aconteceu com a expansão do universo de God of War com a história de Laufey em outros materiais da franquia.
Claro que isso é apenas uma expectativa minha, mas a personagem deixou uma boa impressão.
Campanha Remix aumenta o fator replay
Além das três missões inéditas, Halo: Campaign Evolved também adiciona o modo Campanha Remix.
A ideia é simples: pegar as missões tradicionais da campanha e modificar alguns elementos para criar uma experiência diferente.
Com os modificadores ativados, podemos encontrar:
- novos posicionamentos de inimigos;
- alterações no arsenal disponível;
- inimigos mais fortes;
- mudanças na quantidade de recursos;
- diferentes combinações durante os combates.
É uma boa alternativa para quem terminou a campanha e quer retornar aos mesmos cenários com uma experiência diferente. Porém, preciso dizer que esse tipo de recurso nunca foi algo que me atraiu muito.

Alguns filtros visuais e modificadores específicos não fazem muito meu estilo. Isso não é um problema do jogo, é simplesmente uma preferência pessoal minha. Eu não costumo gostar desse tipo de alteração em outros títulos também.
Por isso, testei algumas dessas opções apenas para entender como funcionavam, mas não fiquei muito tempo jogando dessa maneira. Ainda assim, é uma excelente adição para quem gosta de explorar todas as possibilidades de uma campanha.
E falando em explorar tudo, quem pretende buscar a platina de Halo: Campaign Evolved precisa estar preparado. A conquista dos 100% não será uma tarefa simples. Com desafios envolvendo dificuldades maiores, Crânios, modos alternativos e objetivos específicos, essa é uma platina que vai exigir bastante dedicação.
Áudio continua sendo um dos pontos fortes
Outro aspecto que merece destaque é o trabalho sonoro. A trilha sonora clássica de Halo continua presente, e isso por si só já é uma ótima notícia. A música sempre foi uma das marcas registradas da franquia, e Campaign Evolved mantém esse impacto.
Mas a grande evolução está nos efeitos. Os sons dos disparos, explosões, veículos e movimentação dos inimigos ficaram muito mais claros. Jogando com um bom fone de ouvido, a experiência melhora bastante.
Uma das coisas que mais gostei foi ouvir os Covenant durante os combates. Eles continuam tratando o Master Chief como uma ameaça quase sobrenatural, chamando ele de “demônio” e gritando enquanto avançam para atacar.
Esses pequenos detalhes deixam os confrontos muito mais vivos. Você escuta os inimigos se comunicando, percebe quando eles estão se aproximando, identifica melhor de onde vêm os tiros e sente mais impacto em cada explosão.
A trilha sonora continua maravilhosa e os novos efeitos ajudam a transformar uma campanha clássica em uma experiência muito mais moderna. Nesse aspecto, Halo: Campaign Evolved acerta em cheio.
Uma experiência que poderia ser mais polida
Se existe um ponto em que Halo: Campaign Evolved me decepcionou bastante, foi justamente no desempenho.
Antes de entrar nos problemas, preciso reforçar novamente: eu joguei uma versão bastante antecipada do jogo. Isso significa que alguns desses problemas podem ser corrigidos com atualizações antes ou depois do lançamento oficial. Porém, uma análise precisa mostrar a experiência que eu tive durante meu período de teste, e infelizmente encontrei dificuldades técnicas que impactaram bastante a campanha.
Em alguns momentos, o desempenho chegou a ser realmente preocupante. Tive várias quedas de FPS durante a jornada, principalmente em combates maiores, quando existiam muitos inimigos na tela, explosões acontecendo ao mesmo tempo e diversos efeitos visuais sendo exibidos.
E não estou falando de pequenas oscilações. Em determinados momentos, a experiência ficou bastante prejudicada, chegando ao ponto de eu pensar em desligar o console porque estava difícil continuar jogando.
O problema ficou ainda mais estranho porque meu PlayStation 5 apresentou avisos de superaquecimento algumas vezes durante a campanha.
Isso aconteceu cerca de três ou quatro vezes enquanto eu jogava Halo: Campaign Evolved. Eu não acredito que seja um problema do meu console, principalmente porque isso nunca aconteceu com outros jogos que testei no aparelho. O aviso apareceu exclusivamente durante minha experiência com Halo.
E os bugs?

Claro que isso pode ser algo específico dessa versão antecipada, mas é um ponto que precisa ser mencionado. Além das quedas de desempenho, também encontrei alguns problemas relacionados a bugs.
O principal envolveu o Warthog, um dos veículos mais famosos da franquia. Em algumas situações, ele simplesmente ficou preso em pedras do cenário.
Eu não conseguia movimentar o veículo, virar ou encontrar uma maneira de tirá-lo daquele local. Como o jogo possui um sistema de salvamento extremamente frequente, reiniciar o checkpoint nem sempre resolvia o problema.

Em algumas ocasiões, precisei abandonar o veículo e seguir a missão andando, algo que prejudica bastante o ritmo de uma campanha onde a movimentação com veículos faz parte da experiência.
Também encontrei alguns pequenos problemas de cenário, como inimigos atravessando paredes ou ficando presos em determinadas áreas, mas nada tão grave quanto os problemas de desempenho.
Para mim, o maior problema técnico de Halo: Campaign Evolved foi justamente a estabilidade.
Um remake desse tamanho precisa entregar uma experiência mais consistente, principalmente considerando que estamos falando de um lançamento que chega para plataformas atuais.
Uma estrutura que ainda carrega problemas do passado
Esse é um ponto interessante porque envolve justamente a discussão sobre remakes. Como falei no início da análise, um remake precisa respeitar o original, mas também precisa entender onde aquele jogo pode evoluir.
E aqui Halo: Campaign Evolved acaba carregando alguns problemas que já existiam em Combat Evolved. As fases de Halo sempre tiveram uma característica diferente de muitos FPS da época. Elas não são simplesmente corredores onde você segue uma linha reta até o próximo objetivo.
Existem áreas mais abertas, onde você pode explorar caminhos diferentes, encontrar inimigos fora da rota principal e observar melhor os cenários.
A ideia é boa. O problema é que essa exploração nem sempre é recompensada. Durante minha campanha, eu estava procurando os Skulls e, por isso, fui para vários locais afastados do objetivo principal. Muitas vezes encontrei áreas grandes, cavernas escondidas e caminhos alternativos que pareciam indicar que existiria alguma recompensa.

A sensação era: “Se o jogo deixou eu chegar até aqui, deve existir alguma coisa.” Mas muitas vezes não existia nada.
Para mim, a essência de um bom jogo que incentiva exploração é justamente recompensar o jogador que decide sair do caminho principal. Quando você encontra um lugar escondido, espera que exista algo esperando por você.
Isso me deixou frustrado
Um exemplo que me marcou aconteceu em uma área com várias prisões onde era possível libertar ou eliminar inimigos.
Eu pensei: “Se eu tenho a opção de ir até aqui e enfrentar esses inimigos, provavelmente existe alguma recompensa.”
Então fiz isso. Morri algumas vezes, tentei novamente, consegui eliminar todos os inimigos e fui verificar se havia alguma coisa escondida. Não tinha nada.
O jogo simplesmente não recompensava aquela decisão. E esse é um problema porque Halo: Campaign Evolved também não possui um sistema de progressão tradicional. Você não ganha experiência, portanto, não evolui o Master Chief.
Então quando você passa por uma situação difícil, enfrenta vários inimigos e explora um local distante, espera pelo menos algum retorno. Quando isso não acontece, a sensação é de que você apenas perdeu tempo.
Meu irmão, que estava acompanhando minha jogatina e nem costuma jogar videogames, comentou uma coisa interessante: “Por que o jogo deixou você ir até esse lugar se não tem nada? Parece que é só para fazer você perder tempo.”
E é curioso porque, mesmo sem ter experiência com jogos, ele percebeu exatamente o problema. Esse tipo de situação acaba cansando principalmente quando você joga sozinho, como foi meu caso.
Halo: Campaign Evolved possui cooperativo local e online, mas eu fiz toda a campanha solo. E nessas situações em que você perde um veículo, precisa atravessar grandes distâncias novamente ou explora uma área vazia, o ritmo acaba sendo prejudicado.
Não é algo que destrói a experiência, mas é uma oportunidade perdida. Um remake feito do zero poderia ter aproveitado melhor esses espaços, adicionando pequenas recompensas, novos encontros, armas escondidas ou até momentos extras de narrativa. Seria uma maneira de fazer o jogador sentir que explorar realmente vale a pena.
Alguns problemas herdados do passado ainda aparecem no remake
Apesar de todas as melhorias feitas em Halo: Campaign Evolved, alguns problemas do jogo original continuam presentes. E isso fica mais evidente justamente porque estamos falando de um remake construído do zero.
Um dos pontos que mais senti falta de uma evolução maior foi no controle dos veículos.
Halo sempre teve veículos marcantes, principalmente o Warthog, que se tornou praticamente um símbolo da franquia. Porém, controlar esses veículos ainda passa uma sensação muito pesada e pouco precisa.

O Warthog, por exemplo, parece carregar toneladas de peso. Em alguns momentos, fazer curvas ou acertar determinados caminhos se torna uma verdadeira luta.
Existe uma sequência clássica no final da campanha em que você precisa escapar utilizando o veículo, e mesmo sendo uma cena extremamente conhecida pelos fãs, controlar o Warthog ainda foi uma experiência complicada.
A sensação é que a física continua muito próxima do jogo original. Existe uma pequena evolução em relação ao passado, mas eu esperava algo mais moderno para um remake lançado atualmente. O mesmo vale para outros veículos. O controle do Banshee e de alguns equipamentos ainda poderia ter recebido um cuidado maior.
Não precisava transformar Halo em outro jogo, mas uma atualização na resposta dos comandos teria deixado a experiência muito mais confortável para novos jogadores.
O DualSense poderia ser melhor aproveitado
Outro ponto que me chamou bastante atenção foi o uso do DualSense. Quando a Microsoft decidiu levar Halo para o PlayStation 5, uma das curiosidades era justamente descobrir como a franquia aproveitaria os recursos do controle da Sony.
E, infelizmente, achei essa utilização muito abaixo do potencial. Existe suporte ao controle, mas ele é bastante limitado. Os gatilhos adaptativos aparecem pouco, o feedback háptico é discreto e, na maior parte do tempo, você praticamente esquece que está utilizando um DualSense.
O alto-falante do controle, por exemplo, é usado principalmente em momentos como a recarga do escudo do Master Chief, reproduzindo aquele som característico enquanto a energia retorna. Mas além disso, faltou uma integração maior.
Jogos que utilizam bem o DualSense conseguem transformar a maneira como você sente uma arma, um impacto ou uma ação dentro da tela. Halo: Campaign Evolved tinha uma oportunidade enorme aqui, principalmente por estar chegando justamente a uma nova plataforma.
Inimigos continuam sendo esponjas de bala
Outro ponto que poderia ter recebido melhorias está nos inimigos. A inteligência artificial continua funcionando bem e os Covenant ainda possuem comportamentos interessantes durante os combates. Eles se movimentam e reagem ao jogador de maneiras diferentes.
Porém, a resistência deles ainda incomoda em alguns momentos. Muitos inimigos continuam funcionando como verdadeiras esponjas de bala. Você atira, atira novamente, quebra o escudo e continua atirando, mas nem sempre existe uma sensação real de impacto.
Eu entendo a justificativa dentro do universo do jogo. Afinal, os Covenant utilizam uma tecnologia de escudos semelhante à do próprio Master Chief, e isso faz parte da identidade da franquia. Mesmo assim, acredito que o remake poderia ter trabalhado melhor essa sensação.
Depois de tantos anos e com tantas evoluções nos jogos de tiro, seria interessante sentir mais diferença entre acertar um inimigo protegido, um inimigo sem escudo ou uma unidade mais resistente.
Conclusão da review – Halo: Campaign Evolved vale a pena?
Finalizo esta review de Halo: Campaign Evolved com uma certeza: depois de passar horas explorando este remake de Halo: Combat Evolved, a pergunta que fica é: ele realmente precisava existir? Na minha opinião, sim.
Mesmo carregando alguns problemas, principalmente relacionados ao desempenho e algumas escolhas de design que vieram do jogo original, esse remake consegue fazer algo muito importante: apresentar Halo para uma nova geração de jogadores.
O jogo apresenta uma campanha divertida, um universo gigantesco, personagens marcantes e um dos melhores gunplays já criados para um FPS. A essência de Halo continua aqui.
As três missões inéditas são, para mim, o grande destaque do remake. Elas mostram que a equipe não queria apenas reconstruir um clássico visualmente, mas também adicionar conteúdo que realmente justificasse uma nova experiência.
Claro que nem tudo funciona perfeitamente. Os problemas de desempenho que encontrei precisam ser corrigidos. A exploração poderia ser mais recompensadora. O uso do DualSense poderia ser muito mais aproveitado. Os veículos continuam com controles pouco confortáveis.
Mas nenhum desses problemas consegue apagar a qualidade da experiência como um todo. Halo: Campaign Evolved é um remake que entende o passado, respeita o legado de Combat Evolved e consegue modernizar uma campanha histórica sem perder aquilo que fez a franquia conquistar milhões de jogadores.
Para quem é fã antigo, existe conteúdo suficiente para retornar. Para quem nunca jogou Halo, principalmente jogadores de PlayStation, essa é uma das melhores portas de entrada possíveis.
O Master Chief finalmente chegou a novas plataformas, e a estreia não poderia ser mais simbólica: justamente com o jogo que iniciou uma das maiores franquias dos videogames.
Curtiu esta review de Halo: Campaign Evolved? Fique com outras análises do nosso time:
A melhor porta de entrada para o mundo de Halo
Halo: Campaign Evolved respeita o legado de Combat Evolved enquanto adiciona novidades suficientes para justificar seu remake. Apesar dos problemas de desempenho e de algumas limitações herdadas do original, a excelente jogabilidade, o visual renovado e as missões inéditas fazem desta a melhor forma de conhecer o início da jornada do Master Chief.
Seja um demônio para os Covenant
- Remake respeita a essência de Halo sem deixar de trazer novidades.
- As três missões inéditas são facilmente o melhor conteúdo do pacote.
- Visual reconstruído do zero, com cenários e efeitos de explosão muito bonitos.
- Novas armas, Crânios e mecânicas deixam a campanha mais interessante até para veteranos.
- Gunplay continua extremamente divertido e satisfatório.
- Trilha sonora e efeitos sonoros continuam excelentes.
Rolou uma D.R entre o Chief e a Cortana
- Desempenho apresentou quedas de FPS e bugs durante a análise.
- Exploração raramente recompensa o jogador.
- Veículos ainda têm controles pesados e pouco precisos.
- Aproveitamento do DualSense ficou bem abaixo do esperado.
- Alguns inimigos continuam sendo verdadeiras Esponjas de Balas
- Visuais
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Som
