Produzir esta review de Teeto matou um pouco da saudade de um gênero que eu amo: plataforma. Em meio a mundos abertos gigantescos, RPGs com centenas de horas de conteúdo e jogos focados em gráficos cada vez mais realistas, os bons e velhos jogos neste estilo acabaram se tornando uma raridade.
E talvez seja justamente por isso que, quando um título do gênero realmente acerta, ele consiga despertar uma sensação difícil de explicar: a de voltar a ser criança por algumas horas. Foi exatamente isso que senti ao começar Teeto.
Confesso que fazia tempo que um jogo de plataforma não me divertia tanto. O último havia sido Astro Bot, que mostrou como ainda existe espaço para aventuras criativas e leves sem abrir mão de mecânicas inteligentes.
Desde então, joguei outros títulos do gênero, alguns bons, outros nem tanto (Bubsy 4), mas nenhum conseguiu despertar aquele sorriso espontâneo que só um bom plataforma proporciona, mas Teeto conseguiu.
Desenvolvido pela Eat Pant Games, ele chega no dia 15 de julho de 2026 para PC, Switch e PS5. O jogo não tenta reinventar a roda nem criar um novo padrão para o gênero. Em vez disso, aposta em criatividade, bom humor e uma jogabilidade extremamente divertida para entregar uma aventura que entende exatamente o que faz esse estilo de jogo ser tão querido pelos jogadores.
Se você gosta de explorar cenários e experimentar mecânicas diferentes a todo momento, vale a pena acompanhar esta review de Teeto e te garanto que ele pode te surpreender. Caso prefira, você pode conferir a análise em vídeo abaixo:
Uma história simples, mas que surpreende mais do que eu esperava
Normalmente, quando começo um jogo de plataforma, não espero encontrar uma narrativa elaborada. Na maioria dos casos, a história existe apenas para justificar a aventura, enquanto todo o restante fica por conta da jogabilidade.
Com Teeto, a surpresa foi bastante positiva.

Tudo começa quando um experimento realizado em um laboratório sai completamente do controle. O desastre provoca um colapso que leva à extinção da humanidade e transforma diversos objetos inanimados em seres vivos. Ao mesmo tempo, criaturas conhecidas como Sombras passam a ameaçar o pouco que restou desse mundo.

É nesse cenário que conhecemos Nory, uma coelhinha que decide criar uma última esperança para restaurar o equilíbrio. Dessa experiência nasce Teeto, uma pequena criatura gelatinosa extremamente carismática que recebe uma mochila especial capaz de absorver diferentes elementos espalhados pelo cenário.
A missão parece simples no início: impedir o avanço das Sombras e descobrir uma forma de salvar aquele mundo. No entanto, conforme a aventura avança, a narrativa começa a apresentar novas informações sobre Nory, sobre o experimento que deu origem ao protagonista e sobre tudo o que aconteceu antes do colapso.

Não espere uma história tão complexa quanto a de um RPG, mas também não imagine uma desculpa qualquer para justificar as fases. Teeto consegue construir uma narrativa interessante e ainda reserva algumas revelações que tornam a reta final muito mais envolvente do que eu esperava.
Foi uma grata surpresa perceber que os desenvolvedores dedicaram atenção a esse aspecto, mesmo sabendo que a jogabilidade seria o verdadeiro destaque da experiência.
Salve os Michaels

Além da campanha principal, existe uma missão paralela bastante divertida envolvendo os chamados Michaels.
Antes de criar Teeto, Nory realizou outros experimentos que acabaram fugindo pelo laboratório. Agora, cabe ao jogador encontrar essas pequenas criaturas espalhadas pelos cenários.
Cada Michael possui uma aparência diferente, com profissões, roupas e personalidades próprias. Existem surfistas, mecânicos, cantores, atletas e diversas outras versões extremamente criativas.
Essa busca funciona como um dos principais colecionáveis do jogo e incentiva bastante a exploração de cada fase. Funciona muito como vimos em Astrobot.
Jogabilidade que entende perfeitamente o espírito dos jogos de plataforma
Se existe um aspecto em que Teeto realmente brilha, é na jogabilidade.
Logo nos primeiros minutos fica evidente que os desenvolvedores entenderam exatamente o que torna um bom jogo de plataforma divertido. O grande diferencial está na mochila utilizada por Teeto.
Ao longo da campanha, ela ganha a capacidade de absorver diferentes elementos encontrados pelo cenário, e cada um deles abre novas possibilidades de exploração e resolução de pequenos desafios ambientais.
É uma mecânica simples de entender, mas incrivelmente criativa na execução.
Ao absorver uma flor, por exemplo, Teeto pode lançar cipós para alcançar plataformas mais altas. Já o fogo permite incendiar determinados objetos para abrir novos caminhos. A pedra serve para destruir obstáculos resistentes, enquanto o papelão possibilita atravessar frestas extremamente estreitas.

Outros elementos também entram em cena conforme a aventura avança. O gelo permite congelar jatos d’água para criar plataformas improvisadas, enquanto a eletricidade ativa máquinas espalhadas pelos cenários.
O mais interessante é que essas habilidades nunca parecem estar ali apenas para cumprir tabela.
Cada fase encontra maneiras diferentes de utilizá-las, criando desafios inéditos o tempo inteiro. Quando você acredita que já viu tudo o que uma determinada habilidade pode fazer, o jogo apresenta uma nova situação que obriga o jogador a enxergar aquela mecânica de outra forma.

Esse cuidado impede que a aventura se torne repetitiva. Em vez de simplesmente repetir as mesmas ideias até o final da campanha, Teeto mantém a sensação constante de descoberta, algo fundamental para qualquer jogo de plataforma.
Use a Aerobusca
Além disso, existe uma ferramenta extremamente útil chamada Aerobusca. Sempre que você fica perdido, basta acioná-la para que um pequeno avião de papel indique o caminho correto até o próximo objetivo. É uma solução elegante para evitar frustrações sem comprometer a exploração, já que o recurso só entra em ação quando o próprio jogador decide utilizá-lo.
A Hub central e a progressão da aventura
Entre uma fase e outra, Teeto conta com uma área central que funciona como o ponto de encontro de toda a aventura. A Hub não serve apenas como um menu bonito entre os capítulos, já que ela reúne diversos recursos que incentivam o jogador a continuar explorando e coletando itens durante a jornada.
É nesse espaço que ficam armazenados todos os Michaels encontrados pelo caminho. Depois de resgatá-los durante as fases, o jogador pode voltar para a Hub e interagir com eles, criando uma relação maior com esses personagens que fazem parte do universo do jogo.

Além disso, o local possui uma loja de roupas para o Teeto. Ao todo, são 51 opções de personalização disponíveis, permitindo mudar o visual do protagonista conforme o progresso. As peças podem ser compradas utilizando as estrelas coletadas durante as fases, mas algumas roupas exigem objetivos específicos para serem liberadas.

Determinados trajes ficam disponíveis ao completar missões oferecidas pelos NPCs espalhados pelo jogo ou ao encontrar moedas especiais escondidas pelos cenários. Dessa forma, a personalização acaba funcionando como uma recompensa extra para quem decide explorar cada canto das fases.
A própria Hub também apresenta o mapa geral da aventura, mostrando as quatro grandes fases do jogo. Cada uma delas é dividida em capítulos, com áreas que possuem entre quatro e cinco partes diferentes até chegar ao confronto contra o chefe daquela região.
Variedade das fases e referências aos clássicos de plataforma
A estrutura das fases é um dos pontos que mais chama atenção no game. Apesar de manter uma identidade própria, o jogo claramente busca inspiração em grandes nomes do gênero plataforma, principalmente quando muda sua perspectiva e apresenta desafios diferentes durante a campanha.
Em alguns momentos, a aventura lembra bastante Crash Bandicoot, especialmente nas fases em que o jogador precisa fugir de algum perigo enquanto avança em uma visão vertical. Essas sequências colocam o foco nos reflexos e no tempo dos movimentos, criando momentos mais acelerados em comparação com a exploração tradicional.

Já em outras situações, o jogo muda para uma visão lateral, trazendo uma experiência que remete aos antigos jogos da franquia Super Mario. Essa mudança de perspectiva altera a forma de enfrentar os obstáculos e mostra uma tentativa do estúdio de variar o ritmo da campanha.
Cada fase traz uma ideia nova, e isso faz toda a diferença
Depois de algumas horas, percebi uma coisa que me fez gostar ainda mais de Teeto: ele nunca parece confortável em repetir a mesma ideia por muito tempo.
É comum encontrar jogos de plataforma que apresentam uma mecânica interessante e passam o restante da campanha explorando aquilo até cansar o jogador. Aqui acontece o contrário. Sempre que eu começava a pensar “acho que já vi tudo o que esse poder faz”, a fase seguinte encontrava um jeito diferente de utilizá-lo.
A fase da casa, por exemplo, foi uma das minhas favoritas. O cenário parece comum à primeira vista, mas rapidamente começa a brincar com tudo o que você aprendeu até aquele momento.
Em poucos minutos eu estava congelando um jato d’água para criar uma plataforma, atravessando um espaço apertado transformado em papelão e procurando um Michael escondido em cima de um armário. Tudo acontece de forma tão natural que você quase não percebe como o jogo está ensinando novas possibilidades.
Cada ambiente tem personalidade própria e faz questão de apresentar um pequeno desafio diferente. Você passa por florestas, construções abandonadas e outros cenários que conseguem mudar o ritmo da aventura sem precisar recorrer a grandes reviravoltas.
Talvez o maior mérito da Eat Pant Games esteja justamente aí. Em vez de apostar em fases enormes, o estúdio preferiu criar cenários mais compactos, mas cheios de pequenas ideias espalhadas pelo caminho. Funcionou muito bem. Em nenhum momento tive a sensação de que estava apenas caminhando para chegar ao final da fase.
Explorar vale a pena
Quem conhece o meu estilo de jogador já sabe: eu simplesmente não consigo seguir em frente enquanto sinto que deixei alguma coisa para trás.
Em Teeto, isso virou quase uma regra. Antes de atravessar qualquer portal para a próxima fase, eu fazia questão de olhar cada canto do cenário. E o jogo recompensa esse comportamento.
Os Michaels são o melhor exemplo disso. Eles funcionam como um grande colecionável da campanha, mas cada um aparece de um jeito diferente. Alguns ficam escondidos atrás de pequenos quebra-cabeças, enquanto outros exigem que você use corretamente determinada habilidade da mochila.
É impossível não sorrir quando encontra um deles.
Cada Michael possui um visual próprio, inspirado em profissões, esportes ou situações curiosas. Tem surfista, cantor, mecânico, atleta… São detalhes simples, mas que dão muito charme à exploração e fazem você querer encontrar todos.
As Vionitas cumprem outro papel importante. Além de servirem para a progressão da aventura, elas praticamente conduzem o jogador pelo cenário. Quando eu ficava em dúvida sobre qual caminho seguir, bastava observar onde elas estavam espalhadas para entender que estava na direção certa.

E quando nem isso resolvia, bastava usar a Aerobusca. Em vez de transformar o jogo em uma sequência de marcadores gigantes na tela, Teeto opta por um sistema muito mais elegante. O pequeno avião de papel aponta a direção sem tirar o prazer da exploração.
Um mundo cheio de pequenos detalhes
Outro aspecto que me chamou atenção foi o cuidado colocado nos cenários.
Enquanto explorava as fases, encontrei diversas referências escondidas. Algumas fazem homenagem a filmes bastante conhecidos. Outras aparecem em cartazes inspirados em pintores famosos. Não são elementos que interferem diretamente na jogabilidade, mas ajudam a dar personalidade ao mundo.

Esse tipo de detalhe costuma passar despercebido por quem corre até o final da fase. Como gosto de explorar tudo com calma, acabei encontrando várias dessas pequenas homenagens pelo caminho.
Os próprios NPCs ajudam bastante nisso. Como os objetos ganharam vida depois do desastre que atingiu o mundo, você acaba conversando com sofás, utensílios domésticos e diversos outros personagens inusitados. Alguns apenas fazem comentários engraçados. Outros oferecem pequenas missões secundárias que rendem Vionitas e incentivam ainda mais a exploração.
Um jogo que sabe a hora de terminar
Hoje em dia parece existir uma obrigação de fazer qualquer jogo durar dezenas de horas. Felizmente, Teeto não cai nessa armadilha.
Levei aproximadamente nove horas para terminar a campanha explorando praticamente tudo o que encontrava pelo caminho. Não fiz 100%, mas porque encontrei alguns problemas relacionados aos troféus, assunto que vou comentar mais adiante.
Sinceramente, achei uma duração excelente. A aventura entrega conteúdo suficiente para desenvolver todas as suas ideias sem começar a repetir situações apenas para aumentar artificialmente o tempo de jogo. Quando os créditos sobem, a sensação não é de alívio por finalmente ter terminado.
O Charme Visual e a Identidade de Teeto
Basta dar os primeiros passos no game para sacar que o maior trunfo do jogo não está na contagem de pixels ou em gráficos realistas, mas sim na sua direção de arte.
E essa estética conversa perfeitamente com a narrativa. A premissa de objetos que ganham vida após um experimento maluco abre margem para muita criatividade, e o jogo abraça isso no level design e nos NPCs. Os Michaels que a gente encontra pelo caminho são a prova viva disso.
O próprio Teeto é um acerto. O design do nosso protagonista é simples, quase minimalista, e é exatamente aí que mora o charme. Ele tem aquela carinha clássica de mascote da era de ouro dos jogos de plataforma: simpático o suficiente para os momentos relaxantes de exploração, mas com um visual dinâmico que combina perfeitamente quando o bicho pega e o jogo exige mais precisão e habilidade no controle.

Acompanhando tudo isso, a trilha sonora faz um trabalho de fundo bem “ok”.
No fim das contas, a identidade visual de Teeto se sustenta muito bem sozinha. Dá para ver que o jogo bebe, sim, de várias fontes e clássicos do gênero, mas ele não se escora na nostalgia alheia.
Desempenho, bugs e experiência no PS5
Durante minha experiência com Teeto no PS5, o jogo apresentou um desempenho satisfatório na maior parte da campanha. O game roda de forma estável.
Os carregamentos são rápidos e os comandos respondem bem durante a exploração. Mesmo nas fases que mudam a perspectiva e trazem desafios mais próximos de outros clássicos do gênero, Teeto consegue manter uma boa jogabilidade, sem apresentar problemas técnicos que prejudiquem o controle do personagem.
No entanto, alguns problemas acabam afetando a experiência, principalmente para quem pretende buscar todos os troféus. Durante a campanha, encontrei bugs relacionados às conquistas do jogo, com alguns troféus que não foram desbloqueados mesmo após cumprir os requisitos necessários.
Também tive um problema de progressão durante a campanha. Em determinado momento, um item necessário simplesmente desapareceu, impedindo que eu continuasse a interação esperada naquela parte da fase. A solução acabou sendo simples, bastando fechar o jogo e abrir novamente para que o item voltasse a aparecer, mas a situação mostrou que ainda existem alguns pontos que precisam de ajustes.
Esse tipo de problema merece atenção, principalmente porque Teeto possui uma estrutura que incentiva bastante a exploração. O jogador passa horas procurando Michaels, coletando estrelas, completando missões de NPCs e buscando itens escondidos, então encontrar uma conquista travada depois de realizar todo o processo acaba sendo frustrante.
Review de Teeto – Vale a Pena?
Cravo, ao final desta review de Teeto, que ele foi uma das boas surpresas que encontrei em 2026. O jogo não tenta ser uma aventura extremamente difícil ou criar desafios que vão testar a paciência do jogador, como acontece em alguns títulos de plataforma mais exigentes.
Durante a campanha, fica claro que o foco está na exploração e na sensação de descoberta. Encontrar novos Michaels, voltar para a Hub para interagir com eles, liberar roupas para o Teeto e procurar todos os segredos espalhados pelas fases fazem parte de uma jornada que recompensa quem gosta de explorar cada canto do cenário.
As fases também conseguem variar bastante, trazendo momentos que lembram clássicos como Crash Bandicoot e os antigos jogos do Super Mario, principalmente quando mudam a perspectiva e apresentam desafios diferentes. Além disso, a possibilidade de jogar em cooperativo local aumenta ainda mais o potencial do jogo para quem procura uma aventura para aproveitar em família ou com amigos.
É claro que Teeto não está livre de problemas. Os bugs encontrados, principalmente envolvendo troféus e pequenos problemas de progressão, mostram que o jogo ainda precisa de alguns ajustes. Felizmente, essas situações não foram suficientes para tirar o brilho da experiência ou impedir que a aventura fosse concluída.
No fim, Teeto entrega exatamente aquilo que se propõe: uma aventura leve, carismática e divertida. Se você gosta de jogos como Astro Bot e procura uma experiência mais tranquila, com foco na diversão e na exploração, ele merece sua atenção.
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Aquela sensação gostosa de Astro Bot
Teeto é aquele tipo de jogo que chega sem fazer muito barulho, mas consegue conquistar pela simplicidade e pelo carinho colocado em cada detalhe. Durante minha jornada, encontrei uma aventura de plataforma divertida, com boas ideias de exploração, um mundo cheio de personagens carismáticos e uma estrutura que recompensa quem gosta de procurar cada segredo.
Coisas boas
- Fases distintas e criativas
- Boa quantidade de itens para coletar
- Os Michaels são interessantes
- Bom tempo de duração da campanha
- Coop local divertido
- História simples, mas que surpreende
- Boas referências
Não deu certo
- A dificuldade baixa pode frustar quem busca mais desafio
- Falta de variedade nos Sombras
- Bugs em troféus e bugs de progressão
- Trilha sonora não é tão marcante quanto poderia
- Visuais
- História
- Jogabilidade
- Som
- Desempenho
