Assassin’s Creed é, sem a menor sombra de dúvidas, uma das maiores e mais conhecidas franquias da indústria. Iniciada em 2007, a saga já nos levou para vários locais e períodos icônicos, abordando períodos como a Segunda Revolução Industrial, a Revolução Americana e mais.
Mas entre tantos períodos e personagens, um deles conquistou um espaço enorme no coração da comunidade – Assassin’s Creed IV: Black Flag. A jornada de Edward em busca de uma vida melhor conquistou o mundo e, graças à sua enorme popularidade, resultou no desenvolvimento de Black Flag Resynced, um remake que chega 12 anos após o original.
História se sustenta mesmo após anos
Uma história bem escrita é atemporal. Ainda mais se tratando de uma narrativa com temas que se conectam com a realidade. A busca por uma vida melhor é uma jornada quase que universal, ainda mais se tratando de um homem vivendo em plena época da era de ouro da pirataria.
Para tornar a experiência ainda mais marcante, e com cara de novidade, a Ubisoft adicionou novas missões de história e 3 oficiais inéditos que podem ser recrutados para o Gralha, o navio de Edward.
As cadeias de missões desses oficiais estão ótimas e conseguem manter o nível de qualidade do roteiro original, servindo como um complemento muito positivo para a experiência. Todos os textos do jogo estão localizados e o game está dublado, contudo, confesso que não achei a dublagem das melhores no sentido de imersão.

Uma mudança impactante diz respeito ao design das missões principais. Em certos casos, precisamos ouvir conversas estando escondido, por exemplo. No original, ser visto gerava a dessincronização, o que não é mais o caso aqui. O design das missões foi modernizado, pensando nos mais variados estilos de jogo.
A remoção das seções do Animus e da Abstergo também deixam lacunas na narrativa. Eu entendo perfeitamente que o produto foi pensado para os fãs existentes da franquia, contudo, preciso destacar que o processo de onboarding para novatos não é dos melhores. Alguns trechos da história ficam um pouco soltos com a remoção desses trechos.
Combate e exploração refinados
Um dos principais temores da comunidade é que Black Flag Resynced seguisse o DNA de RPG dos jogos recentes. Contudo, para a alegria de muita gente, esse não foi o caminho escolhido pelos desenvolvedores.
O combate está mais agressivo e ágil, fazendo uso do conhecido sistema de ataque leve, pesado, aparo e esquiva. Somado a isso, podemos usar as pistolas e vários dispositivos, como bombas de fumaça, para causar terror nas ondas dos inimigos.
Tudo funciona bem no começo e é divertidíssimo, contudo, após 5-6 horas, o combate se torna incrivelmente repetitivo e você passa a fazer de tudo para evitar as lutas ou ao menos terminar elas da maneira mais rápida possível. A pouca variedade de animações de ataques finalizadores também decepciona e reforça o sentimento de repetição.
Outro sistema que exala simplicidade é o da progressão de Edward. Precisamos caçar animais para obter peles, fabricando novas bolsas. Além disso, podemos obter armamentos com diferentes níveis de raridade.

Assim como no original, o combate naval continua sendo a estrela do jogo. É incrivelmente viciante comandar o Gralha e afundar os navios adversários. A jornada de comandar o navio do zero e ir evoluindo ele aos poucos continua prazerosa. Por ser um remake, eu confesso que esperava mudanças na customização estética, mas o time de desenvolvedores apostou na simplicidade.
Os novos oficiais trazem consigo bônus passivos interessantes que adicionam muito à jogabilidade. Outro ponto é a implementação de tiros secundários, tornando as batalhas ainda mais táticas e cinematográficas. Um aspecto que melhorou e muito foi a movimentação. Edward é mais ágil, os movimentos e animações são fluídas, tornando a experiência mais prazerosa.

Somado a isso, temos novas ilhas para serem exploradas, tirolesas para agilizar a navegação e verticalidade, a possibilidade de nadar livremente (com a limitação da barra de oxigênio). Até o esconderijo Grande Inagua foi refeito, com novos segredos e missões.
Motor ANVIL revitalizado brilha
O remake de Black Flag é impulsionado por uma revitalização completa do motor ANVIL. Praticamente todos os assets foram recriados, com texturas aprimoradas, novas técnicas de iluminação com ray tracing e muito mais.
O jogo é lindíssimo, dando um charme extra para o Caribe fictício da Ubisoft, contudo, não se empolgue tanto. Apesar de ser bonito, temos múltiplos games recentes com visuais e uma direção de arte mais impactante.
Posso estar sendo exigente aqui, mas a nível gráfico e de texturas, eu esperava um trabalho melhor. Ainda mais no departamento das expressões faciais, pelos e cabelo. A narrativa teria um impacto ainda maior e cenas icônicas certamente seriam imortalizadas com um polimento visual premium.

O motor atualizado também possibilita que o combate ganhe um peso bem mais perceptível. Sentimos cada aparada, explosão e ataque pesado, ganhando pontos na imersão. A trilha continua fantástica e os efeitos sonoros foram amplificados, tornando os embates navais por exemplo ainda mais épicos.
No campo do desempenho, eu surpreendentemente não tive nenhum bug, mas tive 3 crashes. Vale mencionar que eu comecei a jogar bem antes do lançamento e um patch Day One pode resolver definitivamente o problema. O poder dos consoles da geração atual também permitem viagens rápidas e a eliminação quase que completa dos loadings, o que é algo muito bem vindo!
Review de Assassin’s Creed: Black Flag Resynced – Vale a Pena?
A resposta para a pergunta é: depende. Se você se considera um fã de Assassin’s Creed ou busca por uma nova experiência de ação e aventura com calibre de AAA, é uma boa pedida. Se você não se enquadra em nenhuma das opções, Resynced não tem muito a oferecer além do que o game original já entregou 12 anos atrás.
Olhando de maneira macro, quase não existem jogos desse tipo e proposta com a temática de piratas. É louco pensar que mesmo uma década depois, Resynced continua sendo a experiência single-player definitiva dentro desse tema. Com o remake, a Ubisoft mostra, com novos conteúdos e visuais repaginados, os motivos.
Assassin's Creed Black Flag Resynced é o macarrão com carne moída bem feito. Simples, gostoso, popular. Vai agradar praticamente a qualquer paladar.
Pontos Positivos
- Combate naval
- Movimentação repaginada
- Narrativa continua ótima
Pontos Negativos
- Combate repetitivo
- Narrativa
- Jogabilidade
- Desempenho
- Direção de Arte
- Som
