Preciso começar essa review de Invincible VS sendo bem direto: eu não sou jogador profissional de jogo de luta. Não sou aquele cara de campeonato ou de ficar estudando frame por frame, mas também não sou iniciante.
Jogo esse gênero desde sempre, cresci com Mortal Kombat e Street Fighter, e também passei por Fatal Fury, The King of Fighters e Killer Instinct. Ou seja, sei reconhecer quando um jogo de luta funciona e/ou quando ele ainda precisa evoluir.
Eu gosto de jogo com impacto, com violência e muito sangue. Por isso, um título baseado em Invincible, obra do Robert Kirkman, me chamou atenção na hora.
O game chega no dia 30 de abril para PC, PlayStation 5 e Xbox Series. É o título de estreia do estúdio Quarter Up, o primeiro estúdio interno da Skybound Games, comandado por antigos membros da equipe que desenvolveu Killer Instinct.
Depois de jogar bastante, posso cravar: é um jogo muito divertido, mas que ainda não entrega tudo que poderia no lançamento.
Sem mais enrolação, fica comigo nesta review de Invincible VS, realizada na versão de PlayStation 5 base e saiba se ele vale o seu tempo e seu dinheiro suado. Caso prefira, segue abaixo a nossa análise em vídeo:
Modo história curto e esquecível
O modo história existe, mas está longe de ser um diferencial. Joguei no normal e terminei em cerca de uma hora e meia. Se você jogar bem e morrer pouco, esse tempo cai ainda mais. E isso pesa, porque além de curto, ele também não consegue prender.
A narrativa é mediana, embora seja um roteiro original de um dos criadores da série, não cria momentos marcantes e passa mais a sensação de algo feito para cumprir tabela. Fica aquela impressão de que deixaram espaço para expandir depois, seja com DLC ou continuação e vimos, em outros exemplos, que isso nem sempre funciona bem.
Se a ideia for comprar o jogo pelo modo história, não vale. É simples assim.
Invincible VS é muito gostoso de se jogar
Aqui está o coração do jogo e onde ele mais acerta. Invincible VS é brutal e escrachado, sim. Tem sangue, impacto e finalizações que combinam com a proposta da animação. Talvez não seja o nível mais extremo possível, confesso que eu queria mais violência ainda, mas funciona bem e agrada quem busca esse tipo de experiência.




O sistema 3 contra 3 ajuda muito no ritmo das lutas. A troca de personagens acontece o tempo todo e abre espaço para estratégias variadas, principalmente quando você começa a entender melhor cada lutador.
Os personagens, inclusive, são um ponto positivo. Cada um tem seu estilo e mobilidade, o que deixa a montagem de times interessante e evita aquela sensação de que todo mundo joga igual.
Por exemplo, o Invencível ele é o mais balanceado, afinal é agil e forte ao mesmo tempo, já o personagem Menina Monstro é pesado, mas cada golpe é devastador, no melhor estilo Zangielf de Street Fighter.
Acessibilidade vs complexidade
O jogo tenta facilitar a vida do jogador em alguns pontos. Não existe aquele comando clássico de meia-lua para fazer um Radouken como em Street Fighter. Aqui, muitos especiais saem com apenas um botão, e os auto combos ajudam bastante quem não quer decorar sequência longa.
Por outro lado, ele compensa isso com uma quantidade grande de mecânicas. Assistências, troca de personagens, gerenciamento de barra, variações de golpes, combo breakers à todo tempo… é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.
No começo, isso confunde. Não tem como fugir dessa curva de aprendizado. Portanto, eu indico que você passe pelo modo treino antes de encarar as lutas. Me agradeça depois.
Mapeamento de botões confuso
Esse foi um ponto que me incomodou bastante. Algumas combinações de botões simplesmente não são naturais, principalmente no meio da luta. Em momentos de pressão, fazer certos comandos pode atrapalhar mais do que ajudar.

Para você ter uma noção, na hora de soltar o especial de cada personagem, é preciso segurar o R1+X+O no controle do PlayStation 5 e qualquer jogador sabe o quanto essa sequência pode ser complicada de fazer, ainda mais no calor de uma luta frénetica. Isso só pra citar um exemplo!

Dá para se adaptar com o tempo? Dá. Eu mesmo me adaptei. Mas isso não muda o fato de que poderia ser mais simples e melhor pensado.
Mas, quando o jogo encaixa…
Depois que você aprende as mecânicas e se acostuma com os comandos, o jogo muda completamente. O combate começa a fluir, as decisões fazem mais sentido e a experiência melhora muito. É aí que você percebe o potencial real de Invincible VS. Ele passa a ser divertido até quando você perde, justamente porque você entende o que aconteceu.

Modos de jogos e o conteúdo raso no lançamento
Aqui entra, pra mim, uma das principais críticas de Invincible VS: o jogo chega no lançamento com pouco conteúdo. Não é que não tenha modos, mas a sensação geral é de um pacote raso, principalmente pelo preço cobrado.
O modo história, como já falei, você termina em cerca de uma hora e meia. É muito pouco. E quando você sai dele, o que sobra basicamente é repetir modos tradicionais ou partir pro online.
O principal deles é o modo arcade, que funciona de forma bem parecida com as torres de Mortal Kombat. Você escolhe um time com três personagens e enfrenta uma sequência de oponentes, até ver o final do primeiro lutador selecionado.

Esse modo é dividido em quatro progressões:
- Progressão Rápida, com cerca de 5 oponentes
- uma padrão, com 7 lutas
- Progressão dos Guardiões, com 10 oponentes
- e a mais difícil, com 12 lutas, a Progressão Invencível, exigindo bem mais domínio do jogo
Na prática, é um conteúdo que funciona, mas não traz novidade. É aquele tipo de modo que você joga algumas vezes com personagens diferentes, vê os finais… e pronto.
Além disso, o jogo conta com modo versus (local e online), modo treino e sistemas de progressão para liberar extras. E é justamente nessa progressão que o jogo tenta segurar o jogador por mais tempo.

Você vai liberando skins, músicas, títulos, emblemas e personalizações para o seu perfil. Existe também um sistema de evolução dos personagens, que libera conteúdos visuais conforme você joga.

Quantidade de personagens
O jogo chega com 18 personagens no lançamento, o que é um bom número e já existe um passe com novos lutadores planejados. E aí entra outro ponto importante: pra ter acesso a esse conteúdo futuro, você precisa investir mais. Entre os lutadores estão: Invencível, Omni-Man, Rex-plosão, Menina Monstro, Robô, Eve Atômica, entre outros.

A versão base já chega perto dos R$300, enquanto a versão Deluxe — que inclui o passe — sobe ainda mais. Ou seja, além de um conteúdo inicial limitado, ainda existe a expectativa de gastar mais pra ter a experiência completa no futuro.

E é exatamente por isso que a sensação de conteúdo raso fica ainda mais evidente.
Se você for um jogador casual, principalmente alguém que busca campanha ou variedade offline, você vai zerar o principal modo em poucas horas e depois vai ficar repetindo atividades que não têm tanta profundidade.
Gráficos, desempenho e som
Visualmente, o jogo é bonito e fiel à animação. Os efeitos de dano durante a luta são bem feitos e ajudam na imersão. Os cenários, por outro lado, deixam a desejar. São poucos e acabam se repetindo, e as transições poderiam ser mais trabalhadas.

No desempenho, rodou liso no PS5 base, sem problemas técnicos. Já o online, pelo menos na minha experiência, ficou prejudicado por ping alto.

A trilha sonora e os efeitos sonoros são um destaque. Impacto dos golpes, vozes e especiais são bem trabalhados e ajudam bastante na imersão. Ponto muito positivo da experiência.
Review de Invincible VS – Vale a pena?
Finalizo esta review de Invincible VS dizendo que ele é um jogo que tem qualidade e diverte bastante, principalmente quando você aprende suas mecânicas e entra no ritmo dele. O combate funciona, os personagens são variados e existe um potencial claro de crescimento.
O problema está no pacote de lançamento. O conteúdo ainda é limitado, o modo história é curto e algumas decisões de design atrapalham o ritmo das lutas. Com o preço atual no Brasil, fica difícil recomendar de imediato para todo mundo.
Se você gosta muito de jogo de luta e curte essa proposta mais brutal, vale a pena ficar de olho. Agora, se a ideia é custo-benefício, o melhor caminho é esperar uma promoção ou a chegada em algum serviço.
Porque no fim, é isso: qualidade ele tem e muita, só ainda não entrega tudo o que poderia pelo preço que cobra hoje.
Curtiu esta review de Invincible VS? Fica com outras análises do nosso time:
- Review: Moomintroll: Calor do Inverno (Switch 2)
- Review: Adorable Adventures (PS5)
- Review: Aphelion (PS5)
Invincible Versus é um jogo de luta que acerta na base. O combate é divertido, brutal na medida certa e ganha força conforme você entende suas mecânicas e o estilo de cada personagem. Existe um sistema interessante aqui, com boas ideias e um potencial claro de crescimento, principalmente para quem gosta de jogos mais dinâmicos e com foco em equipes.
O problema é que, no lançamento, o pacote não acompanha essa qualidade. O modo história é curto e pouco envolvente, os modos são limitados e a sensação de repetição chega rápido, especialmente para jogadores mais casuais.
Se você curte o gênero, pode encontrar aqui boas horas de diversão. Caso contrário, talvez seja melhor esperar o jogo crescer em conteúdo.
Brutal
- Combate divertido e com boa sensação de impacto
- Violência bem representada e fiel à proposta da série animada
- Personagens variados, com estilos distintos
- Boa trilha sonora e efeitos sonoros de qualidade
- Desempenho sólido, sem problemas técnicos relevantes
- Potencial claro de evolução com futuras atualizações
Aqui ele foi vencido
- Conteúdo raso no lançamento
- Modo história muito curto e pouco envolvente
- Mapeamento de botões pouco intuitivo
- Excesso de mecânicas pode confundir no início
- Uso frequente de combo breaker quebra o ritmo das lutas
- Pouca variedade de cenários
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Som
