Poucas franquias atravessaram tantas gerações quanto James Bond. Dos filmes aos videogames, o agente 007 sempre encontrou espaço para se reinventar. Ao longo dos anos, tivemos adaptações diretas dos cinemas, histórias originais e até tentativas de seguir tendências do mercado.
Com o novo 007 First Light batendo às portas, faz sentido olhar para trás e entender como a franquia evoluiu nos games, passando por altos muito marcantes e alguns tropeços difíceis de ignorar.
Fica comigo nesse especial e conheça todos os jogos de 007 já lançados:
James Bond 007: The Living Daylights – 1987

Um pouco antes de Licence to Kill, os jogos da franquia 007 já tinham dado seus primeiros passos nos videogames com The Living Daylights. Lançado em 1987 e baseado no filme The Living Daylights, esse foi um dos primeiros jogos a tentar adaptar diretamente uma aventura de James Bond.
Diferente do que viria anos depois, aqui não existe aquela ideia de missão aberta ou múltiplas abordagens. O jogo segue uma estrutura bem mais simples, com fases que alternam entre momentos de tiro e sequências mais lineares, sempre puxando para o estilo arcade que dominava a época.
A proposta era colocar o jogador em cenas inspiradas no filme, mas com limitações claras. Os movimentos são duros, a resposta dos comandos não é das melhores e tudo acontece em um ritmo que hoje parece travado. Ainda assim, dentro do contexto dos anos 80, isso era relativamente comum.
007: Licence to Kill – 1989

Antes da era dos jogos em 3D, James Bond já marcava presença nos videogames com títulos bem diferentes do que a gente conhece hoje. Licence to Kill é um bom exemplo disso.
Lançado no fim dos anos 80 e baseado no filme Licence to Kill, o jogo segue uma proposta mais arcade. Em vez de explorar missões com liberdade ou elementos de espionagem, aqui a experiência é direta, focada em ação constante.
A câmera usa uma visão isométrica, algo comum na época, e cada fase traz uma situação diferente inspirada no filme. Tem trechos a pé, perseguições e momentos que tentam variar o ritmo, mas sempre dentro de uma estrutura simples.
GoldenEye 007 – 1997

Lançado para o Nintendo 64, GoldenEye 007 não foi só mais um jogo licenciado. Ele ajudou a definir o que um FPS poderia ser nos consoles. Inspirado pelo filme GoldenEye, o game trouxe missões com objetivos variados, uso de stealth e um multiplayer que virou referência.
Mesmo com limitações técnicas da época, a resposta dos controles e a sensação da gunplay ainda impressionam. O jogo vendeu milhões de cópias e segue lembrado como um dos títulos mais importantes da história.
A primeira queda com Tomorrow Never Dies – 1999

Dois anos depois, a série tentou mudar a fórmula. Baseado no filme Tomorrow Never Dies, o jogo adotou visão em terceira pessoa e incluiu missões com veículos.
Na prática, a execução ficou abaixo do esperado. A movimentação era travada e a inteligência artificial limitada, além disso, cadê o multiplayer?. Foi um título que acabou ficando esquecido com o tempo.
Ajustes com The World Is Not Enough – 2000

A franquia voltou ao estilo em primeira pessoa com uma adaptação de The World Is Not Enough. A versão de Nintendo 64, em especial, se destacou com gráficos melhores e multiplayer para até quatro jogadores.
O jogo foi melhor recebido e conseguiu recuperar parte do prestígio perdido, principalmente pela sensação mais próxima de GoldenEye.
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Agent Under Fire – 2001

Aqui a série deixa de depender dos filmes e aposta em uma história original. A mudança funcionou. O jogo trouxe variedade de armas, gadgets e diferentes formas de completar objetivos, além das chamadas interações com o cenário.
Mesmo sendo curto, fez sucesso suficiente para consolidar uma nova fase da franquia.
Nightfire – 2002

Para muitos, um dos melhores da saga. Nightfire expandiu tudo que o anterior apresentou. Missões mais abertas, uso de veículos bem trabalhado e multiplayer divertido.
A campanha variava bastante de cenário e abordagem. A versão de consoles foi bem recebida, enquanto a de PC acabou ficando marcada por mudanças negativas.
Everything or Nothing – 2004

Esse aqui mudou novamente a perspectiva, adotando terceira pessoa e um foco mais cinematográfico. Com elenco de peso, incluindo Pierce Brosnan e Willem Dafoe, o jogo trouxe uma narrativa que poderia facilmente funcionar como filme.
A gameplay ficou mais linear, mas compensava com variedade de situações, veículos e ferramentas. Até hoje, é um dos favoritos de muitos jogadores.
From Russia with Love – 2005

Baseado no clássico From Russia with Love, o jogo trouxe de volta Sean Connery ao papel de Bond. A estrutura seguiu o estilo do título anterior, mas com menos ambição.
Ainda assim, era um jogo competente, com sistema de progressão e multiplayer, mesmo que mais simples.
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Quantum of Solace – 2008

Já na geração seguinte, a franquia passou a seguir outra tendência. Inspirado em Casino Royale e Quantum of Solace, o jogo adotou um estilo muito próximo de Call of Duty.
A campanha era linear e focada em tiroteios, com pouca variação. Mesmo vendendo bem, ficou a sensação de que a identidade de 007 estava se perdendo.
GoldenEye 007 Reloaded – 2010

Uma releitura moderna do clássico, agora com Daniel Craig como Bond. O jogo manteve a base do original, mas adaptou tudo para um estilo mais contemporâneo.
Funcionou como uma atualização competente, mesmo que bastante influenciada pelo padrão dos FPS da época.
Blood Stone – 2010

Uma tentativa de resgatar a essência da era anterior. Em terceira pessoa e com foco maior em stealth e combate corpo a corpo, o jogo trouxe uma história original e uso mais frequente de veículos.
Apesar da boa recepção em alguns aspectos, vendeu pouco e acabou não ganhando sequência.
007 Legends – 2012

Criado como uma celebração da franquia, reuniu missões inspiradas em vários filmes. A ideia parecia boa, mas a execução não acompanhou.
Campanha confusa, gameplay repetitiva e falta de identidade pesaram. O resultado foi um dos jogos mais criticados da série e um encerramento ruim para aquela fase.
Um hiato longo e o futuro da franquia
Depois de 2012, os jogos de 007 praticamente desapareceram. A franquia ficou anos sem novos lançamentos relevantes, algo incomum para uma marca tão forte.
Agora, com 007 First Light, desenvolvido pela IO Interactive, a expectativa volta a crescer. O estúdio já mostrou domínio em experiências de espionagem com Hitman, o que combina bem com o universo de Bond.
A proposta de focar mais em stealth, liberdade de abordagem e uso ferramentas pode recolocar a série no caminho certo.
Vale a pena revisitar os jogos de 007?
Depende do que você procura. Alguns títulos envelheceram, outros ainda funcionam bem hoje.
GoldenEye continua sendo essencial para entender a evolução dos FPS. Nightfire e Everything or Nothing mostram o auge criativo da franquia. Já os jogos mais recentes servem como registro de uma fase em que 007 tentou acompanhar o mercado, nem sempre com sucesso.
Com um novo jogo no horizonte, esse histórico ajuda a entender o que deu certo e o que precisa mudar.
