Eu preciso começar esta review de Call of the Elder Gods com uma confissão: eu tenho uma relação meio complicada com Call of the Sea.
Quando joguei o primeiro game da Out of the Blue Games lá em 2020, gostei bastante da ambientação e das referências ao universo de Lovecraft, mas a gameplay nunca conseguiu me prender por muito tempo. Os puzzles eram simples demais e, depois de algumas horas, tudo começava a parecer repetitivo.
Por isso, comecei Call of the Elder Gods com um pé atrás. Só que dessa vez a proposta é diferente. O jogo mergulha muito mais no horror cósmico e tenta criar uma experiência mais pesada, focada em mistério, insanidade e puzzles bem mais elaborados.
Depois de zerar a campanha em cerca de seis ou sete horas, fiquei com sentimentos bem mistos. Tem muita coisa legal aqui. Em vários momentos eu realmente queria descobrir o que estava acontecendo naquele mundo. Só que também teve hora em que eu fiquei completamente cansado do jogo, principalmente por causa de alguns puzzles absurdamente confusos.
Lembrando que o game chega agora no dia 12 de maio para PS5, Xbox Series, PC e Switch 2, sendo distribuído pela Kwalee e desenvolvido pela mesma desenvolvedora do seu antecessor, a Out of the Blue Games. Ah! Ele estará disponível Day One no Xbox Game Pass e o primeiro capítulo pode ser jogado, gratuitamente, na Steam.
Quer saber tudo o que eu achei do game? Então fica comigo nesta review de Call of the Elder Gods e saiba se ele vale o seu tempo e investimento e, caso prefira, segue a análise em vídeo:
Uma história que demora demais pra engrenar
A trama acompanha Evangeline Drayton e o professor Harry Everhart enquanto os dois investigam acontecimentos ligados a artefatos antigos e fenômenos estranhos. Harry começa a enxergar sombras pelos cantos da visão, enquanto Evangeline passa a ter sonhos bizarros envolvendo uma descoberta feita anos atrás.

E olha… o jogo bebe MUITO da fonte do Lovecraft. Muito mesmo. Quem gosta daquela pegada de horror psicológico, personagens perdendo a sanidade e criaturas além da compreensão humana provavelmente vai curtir bastante o rumo da história. O problema é que o começo é bem arrastado.
Teve momentos nas primeiras horas em que eu sinceramente estava achando tudo meio sem graça. O jogo demora muito para mostrar o que realmente quer contar e fica segurando mistério demais sem entregar quase nada interessante no começo. Só depois de algumas horas é que a narrativa realmente melhora.
Quando as peças começam a se encaixar, Call of the Elder Gods finalmente encontra sua identidade. A atmosfera fica mais pesada, os cenários começam a ficar mais estranhos e aquela sensação de paranoia passa a funcionar muito melhor.

A narradora ajuda bastante nisso também. Em vários momentos ela conversa diretamente com o jogador, questiona acontecimentos e faz você duvidar do que acabou de ver. Gostei bastante dessa escolha porque ajudou a criar uma sensação constante de desconforto. Só que, infelizmente, o final não me agradou tanto quanto eu esperava.
Não é um final ruim e ele faz sentido dentro da proposta do jogo. O problema é que faltou impacto. Depois de toda a construção envolvendo entidades cósmicas e mistérios sobrenaturais, eu esperava algo mais marcante.
No fim, fiquei com a sensação de que a história melhora bastante no meio da campanha, mas perde força novamente perto do encerramento.
Cenários bonitos, mas exploração limitada
Uma coisa que eu gostei bastante foi da ambientação. Tem cenários muito bonitos aqui. Mansões antigas, bibliotecas, escritórios, cidades estranhas e locais que parecem completamente fora da realidade ajudam muito a criar o clima Lovecraftiano que o jogo quer passar.

Conforme a campanha avança, a direção de arte também melhora bastante. O começo do jogo tem uma estética meio esquisita e até colorida demais em alguns momentos, mas depois tudo vai ficando mais sombrio e interessante.
Também gostei da troca entre Harry e Evangeline durante alguns capítulos. Existem puzzles e situações específicas em que você precisa alternar entre os dois personagens, e isso ajuda a dar uma variada legal no ritmo da gameplay.

Só que existe um problema grande aqui: o jogo é extremamente linear. Extremamente. Os cenários até parecem grandes visualmente, mas quase sempre você está preso em corredores disfarçados de áreas abertas. O excesso de paredes invisíveis incomoda bastante e quebra muito da imersão.

Teve várias horas em que eu olhava para algum canto do cenário e pensava “claramente dá pra passar ali”, mas o jogo simplesmente não deixava. Isso acabou me incomodando mais do que eu imaginava.
Alguns puzzles são ótimos, mas outros são simplesmente irritantes
Call of the Elder Gods praticamente vive dos puzzles. A campanha inteira gira em torno disso e da narrativa. E aqui entra minha maior crítica ao jogo.
Existem puzzles MUITO legais. Alguns realmente fazem você parar, analisar documentos, juntar informações e pensar um pouco antes de chegar na solução. Quando isso funciona, é muito satisfatório. Só que o jogo exagera demais em vários momentos.

Tem puzzles aqui que eu sinceramente não consegui enxergar lógica nenhuma. E eu gosto bastante de jogos de puzzle. Me considero alguém acostumado com esse tipo de gameplay, mas mesmo assim teve hora em que eu fiquei completamente perdido sem saber o que o jogo queria de mim.
Teve um puzzle específico perto do final que me deixou genuinamente irritado. Nem os documentos ajudavam direito e as próprias dicas do jogo eram confusas. Parecia mais tentativa e erro do que raciocínio lógico. E isso começa a cansar.

Muitas vezes eu abria o jogo já pensando “lá vem mais um puzzle maluco”. Então aquela vontade de continuar jogando começava a diminuir porque eu sabia que provavelmente ficaria preso em algum desafio extremamente complicado.
Existe uma linha muito tênue entre puzzle desafiador e puzzle chato. E sinceramente? Acho que Call of the Elder Gods cruza essa linha várias vezes.
O sistema de dicas praticamente resolve os puzzles pra você
O jogo possui dificuldade normal e difícil. No difícil, quase todas as assistências são removidas e os puzzles ficam ainda mais complicados. Sinceramente, eu não consigo imaginar muita gente zerando isso sem usar dicas em alguns momentos.

E o próprio jogo parece saber disso. Logo na primeira vez que você abre o menu de ajuda, ele avisa que não existe punição nenhuma por usar dicas. Você não perde troféus, progresso ou qualquer outra coisa.
Só que tem um detalhe meio estranho nisso tudo: várias dicas praticamente entregam a solução completa do puzzle. Se você precisa abrir um cofre, por exemplo, muitas vezes o próprio sistema te dá o código exato no final das dicas.

Eu entendo a intenção da desenvolvedora em evitar frustração, mas acho que isso tira bastante da graça. Talvez fosse melhor dar orientações mais inteligentes ao invés de simplesmente entregar a resposta.
Review de Call of the Elder Gods – Vale a pena?
Finalizo esta review de Call of the Elder Gods dizendo que ele me intrigou em sua narrativa e me fez bater muita cabeça com certos puzzles. Ele é aquele tipo de jogo que eu consigo recomendar com várias ressalvas.
Se você gosta de horror cósmico, mistério e histórias claramente inspiradas nas obras do Lovecraft, existe uma boa chance de você se envolver bastante com a campanha. A atmosfera funciona, alguns cenários são muito bonitos e a narrativa realmente melhora bastante depois das primeiras horas.
Só que também é um jogo que me cansou em vários momentos. A exploração é limitada demais, o começo da história demora para engrenar e muitos puzzles acabam sendo mais irritantes do que divertidos.
Mesmo assim, eu não achei uma experiência ruim. Muito pelo contrário. Tem personalidade aqui e dá pra perceber que a Out of the Blue Games tentou fazer algo mais ambicioso do que em Call of the Sea. Só acho que faltou um equilíbrio melhor entre desafio e diversão.
Curtiu esta review de Call of the Elder Gods? Fica com outras análises do nosso time:
Call of the Elder Gods é um jogo com ideias interessantes e uma atmosfera Lovecraftiana que funciona muito bem quando a narrativa finalmente engrena. A ambientação e o clima de descoberta conseguem prender bastante, principalmente para quem gosta de horror cósmico e histórias envolvendo insanidade e mistérios sobrenaturais.
Ao mesmo tempo, o jogo sofre com uma exploração extremamente limitada e puzzles que muitas vezes deixam de ser desafiadores para se tornarem cansativos. Alguns quebra-cabeças são realmente inteligentes, mas outros parecem complicados apenas por exagerar na dificuldade.
Mesmo com esses problemas, consegui me envolver com a campanha e fiquei curioso para descobrir os mistérios daquele universo até o final. Só acho que a experiência teria funcionado muito melhor com puzzles mais consistentes e uma narrativa que demorasse menos para mostrar seu verdadeiro potencial.
Onde ele acerta
- Atmosfera Lovecraftiana funciona muito bem nos melhores momentos da campanha
- Alguns puzzles realmente conseguem ser criativos e satisfatórios
- Cenários bonitos e com boa direção de arte
- Interação entre Harry e Evangeline ajuda a variar a gameplay
- Totalmente localizado em português
- Boa ambientação sonora
Poderia ser melhor
- História demora demais para engrenar
- Final poderia ser mais impactante
- Exploração extremamente linear
- Vários puzzles são frustrantes e sem lógica clara
- Sistema de dicas muitas vezes entrega a solução completa
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Som
