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    Home » Review: 007 – First Light (PS5 Pro)
    Reviews

    Review: 007 – First Light (PS5 Pro)

    Ruancarlo SilvaRuancarlo Silvamaio 26, 2026Updated:maio 26, 202610 Mins Read
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    review 007 first light
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    Eu preciso começar esse review deixando claro que eu sou fã de 007. Fã em um nível de assistir todos os 27 filmes anualmente, como se fosse um ritual mesmo.

    Meu contato com a franquia começou de um jeito simbólico. Através de meu pai. Ele adora os filmes antigos de James Bond e acabei nutrindo a mesma admiração.

    Acho importante deixar isso claro pra ilustrar o tamanho das minhas expectativas para o jogo. Inicialmente, lá na época do anúncio, eu estava cautelosamente otimista.

    Apesar da IO Interactive ser um estúdio renomado, não conseguia enxergar a equipe entregando um jogo memorável de James Bond. Nos games, a IP estava simplesmente abandonada. Felizmente, eu estava redondamente enganado.

    A IO Interactive entrega um jogo que faz jus ao legado gigantesco do personagem e que se posiciona facilmente como um dos melhores games do gênero em toda a história. Confira abaixo meu review de 007: First Light e saiba por que eu achei a aventura fantástica!

    A Serviço Secreto de Sua Majestade

    Interpretar James Bond, mesmo que em um jogo eletrônico, não é nada fácil. O personagem apresenta vários maneirismos e um charme que o ajudaram a se tornar um símbolo cultural.

    Para a minha surpresa, Patrick Gibson não só brilha no papel como rivaliza com grandes nomes que assumiram o manto, como Roger Moore e Pierce Brosnan. First Light é uma história de origem mas, apesar disso, a IO teve o cuidado em escrever James já com um nível elevado de autoconfiança e carisma.

    A escrita precisa ser destacada aqui. O roteiro como um todo do jogo rivaliza com os maiores filmes da saga. Temos vários personagens muito bem escritos e setpieces de tirar o fôlego que se espalham em países conhecidos e exóticos.

    O panteão de 007 é revitalizado. Moneypenny, Q, M… todos eles marcam presença na obra de um jeito novo mas mantendo as características centrais que eternizaram esses personagens no imaginário popular.

    É impossível um fã de 007 não lembrar de Judi Dench com a atuação de Priyanga Burford. Ela serve como uma necessária dose de controle para a impulsividade enebriante de James. A versão escolhida de Q, interpretada por Alastair Mackenzie, lembra muito a de Desmond Llewelyn.

    Uma mudança que me agradou bastante é a relação entre James e Moneypenny. A personagem tradicionalmente era colocada em um papel secundário, muitas vezes de secretária apaixonada, mas em First Light ela tem um papel ativo, servindo como o suporte de TI e meio que a central de inteligência entre missões. A relação entre os dois é divertidíssima graças à um roteiro impecável e diálogos inteligentes.

    Um ponto que me deixou em cima do muro foram os antagonistas. Suas motivações, mesmo que atreladas à temas atuais como inteligência artificial e controle de mercados, acabam sendo mal exploradas, o que acaba dando a eles um ar meio caricato e de superficialidade.

    Seria fantástico se a equipe fugisse um pouco do esperado para um jogo como esse. Considerando que a franquia apresentou alguns dos vilões mais icônicos do entretenimento como Blofeld, Zorin, Dr. No e Stromberg, eu esperava um pouco mais nesse departamento.

    Vale mencionar que não estou afirmando que o game entrega vilões ruins e sim que optaram por jogar um pouco mais no seguro. Também preciso exaltar o tremendo respeito e conhecimento que a IO Interactive demonstrou com a franquia.

    Em muitos momentos você se vê jogando um dos filmes da franquia, mas de um jeito extremamente positivo e amplificado. A qualidade da escrita, os Aston Martin e Range Rover, os drinks, os flertes com belas damas… cada peça, pequena ou grande, do que compõe o “mythos” de 007 é apresentada de maneira genial.

    É um desafio hercúleo construir um James que ainda está se tornando o lendário 007 mas a equipe sorriu para o perigo e soltou o: Sem Tempo Para Falhar. Poder ver um pouco do treinamento do Programa 00 e o início do que pode se tornar uma das franquias mais icônicas dos games é um privilégio.

    No mais, a duração do jogo é bem interessante. São 17 capítulos ao todo e muitos deles possuem um elevado fator replay graças ao brilhantismo da IO Interactive. Uma jogatina em um ritmo normal vai levar entre 14 a 16 horas.

    Na maior parte das vezes, os objetivos podem ser concluídos de várias maneiras diferentes. Por exemplo, em uma das missões iniciais, eu precisava garantir o acesso aos andares superiores de uma boate. O próprio jogo sugere subir pela sacada ou passar sorrateiramente pela área dos funcionários.

    Eu andei um pouco pela boate e surgiu uma oportunidade de escutar uma das pessoas da boate. Na conversa, ela fala sobre uma lista e avisa pra pessoa falar o nome Jones na bilheteria para conseguir o acesso ao “lounge premium”.

    Com a informação, Bond consegue ir até a bilheteria, falar o nome e cumprir o objetivo de um jeito completamente diferente. Outra opção seria entrar sorrateiramente na bilheteria, distrair os funcionários e roubar o carimbo com o selo do lounge vip.

    Isso se repete em praticamente todas as missões e objetivos principais, permitindo que o jogador exerça sua criatividade. O level design é inteligente e variado, trazendo um frescor e uma lição importante para a indústria como um todo.

    Licença para Matar

    A jogabilidade de 007: First Light bebe da fonte de IPs conhecidíssimas. Temos inspirações diretas em Hitman, outro jogo da IO Interactive, Watch Dogs, Uncharted e surpreendentemente Batman: Arkham.

    Com a campanha promocional, milhares e milhares de jogadores mundo afora compararam o jogo à Uncharted mas essa é uma das inspirações mais tímidas do game.

    Os trechos furtivos e o design aberto das missões lembram muito o que vimos no game mais recente do Agente 47. Pra quem estava preocupado no game ser uma skin de Hitman, a diferenciação é cristalina aqui.

    A campanha dosa bem entre espionagem e combate frenético, mas você pode concluir praticamente todos os trechos de combate do jogo indo pra cima dos inimigos. A furtividade é completamente opcional.

    Eu joguei na dificuldade Normal e achei que ela proporciona uma experiência justa. Os inimigos conseguem te detectar razoavelmente fácil quando você entra no campo de visão deles, mas existe tempo o suficiente para tomar medidas em relação a isso.

    O combate corpo a corpo lembra, surpreendentemente, uma evolução do que vimos em Batman: Arkham. Aparar e desviar de golpes é vital para nocautear os inimigos. É absurdo o quanto o combate, tanto corpo a corpo, quanto com armas, está prazeroso. Tudo tem impacto, com animações de ponta e um leque amplo de opções.

    James Bond é versado em várias artes de combate e o título deixa isso claro. Podemos agarrar inimigos e lançar eles de parapeitos e temos uma interatividade bem alta entre o combate e o ambiente. Arremessar inimigos em janelas de vidro faz elas quebrarem e atordoarem o adversário. Jogar eles em direção à um extintor de incêndio causa uma “explosão” e tanto, e por aí vai!

    Os abates ambientais são divertidíssimos e funcionam como um charme a mais. No quesito armas de fogos, temos opções como pistolas, submetralhadoras, fuzis, escopetas… a balística de cada arma está excelente, com o devido impacto ao atingir os inimigos. O uso de armas de fogo não é livre! James só recebe a famosa “Licença Para Matar” caso um inimigo empunhe e use uma arma de fogo.

    Somado a isso, os gadgets lendários de Bond retornam. Temos inserções inéditas pensadas exclusivamente para o game e outros dispositivos que se tornaram uma marca registrada da saga. Não vou mencionar em específico quais são, mas se você for um fã de Bond, prepare-se para sorrir bastante.

    Agora, você deve estar se perguntando, tá, mas e onde Watch Dogs entra nisso? Bom, o dispositivo central de James é seu super relógio Omega. O relógio usa bateria e consegue hackear dispositivos, disparar feixes de laser e mais. Ele é uma peça essencial para a progressão em certas fases, criando distrações para os adversários e proporcionando uma espécie de Visão de Detetive para quem busca os colecionáveis.

    Um ponto que preciso mencionar é que aplicaram melhorias significativas na dirigibilidade dos veículos e os trechos de perseguição estão fantásticos, parecendo ter sido retirados diretamente dos filmes.

    Tem uma parte com o caminhão de lixo que, quando combinada com a trilha sonora, se torna um momento incrivelmente emblemático! O estúdio teve cuidado até com as marcas dos veículos, revelando um licenciamento coerente com o legado de 007. A Range Rover e a Aston Martin são presenças constantes ao longo da trama.

    Uma grande surpresa na jogabilidade é a existência do TacSim, um simulador de missões e operações que funciona como um modo arcade e adiciona uma bela dose de fator replay no jogo. Através do TacSim podemos obter recursos para desbloquear cosméticos e melhorias para os dispositivos.

    Os fãs de Hitman vão se esbaldar nesse modo! São dezenas de desafios que obrigam o jogador a pensar fora da caixa e dominar todos os sistemas do jogo!

    Batido, não mexido

    A célebre frase de 007 pode ser perfeitamente usada para explicar o quão absurda é a experiência que a IO Interactive criou. Chega a ser engraçado, por que é um jogo com um valor de produção de Hollywood.

    As cutscenes são fantásticas e bem editadas, as performances estão absurdas, evidenciando um trabalho impecável de mocap… a trilha sonora tem o mesmo nível de qualidade dos filmes e os efeitos e música-tema tocam em momentos chave, deixando tudo mais épico…

    Eu não tive nenhuma queda de frame ou crash durante minhas quase 30 horas com o jogo. A única coisa que notei, com bastante frequência, foram texturas sendo carregadas em tempo real. Um patch aplicado recentemente diminuiu o problema mas ele ainda acontece. Fora isso, toda a parte técnica beira o absurdo.

    A Glacier Engine entrega um nível de realismo muito bem-vindo para esse tipo de jogo. Os cenários são ultradetalhados e metódicos, reforçando o nível de paixão aplicado pela equipe no projeto.

    Em várias ocasiões eu entrava em salas e ficava admirando os elementos ao redor, como quadros, o acabamento das paredes e mais. O luxo é um elemento constante dentro do universo Bond e por isso visitamos locais emblemáticos repletos de arquitetura e história.

    Também fiquei impressionado com a quantidade de NPCs na tela. Tem missões que vemos 150-200 pessoas na tela de maneira simultânea e todas são bem únicas. Visitar um baile lotado aumenta e muito a imersão na aventura.

    No mais, 007: First Light entrega uma experiência cinematográfica de altíssima qualidade, com setpieces absurdos e tudo que se espera de um jogo protagonizado por James Bond. Roteiro, engine, game design.. tudo aqui se encaixa para entregar uma experiência digna da atual geração.

    Review de 007: First Light – Candidato ao GOTY

    007: First Light é o melhor jogo que eu joguei em 2026 até agora. É incrivelmente difícil trabalhar com uma IP tão impactante e importante para o entretenimento, mas a IO Interactive faz isso com maestria, respeitando o legado do maior espião do mundo enquanto entrega uma história de origem que parece ter sido liderada pelo próprio Ian Fleming.

    9.6 Obrigatório

    007: First Light não somente é o melhor jogo de 007 já feito, como rivaliza facilmente com os melhores games do gênero. A IO Interactive entrega uma experiência especial que honra o legado do maior espião da história do entretenimento.

    Pontos Positivos
    1. Respeito máximo ao legado de James Bond
    2. Level design inteligente
    3. Trilha sonora fantástica
    4. Atuações de ponta que rivalizam os próprios filmes
    5. Combate super responsivo e com bastante impacto
    6. Setpieces absurdos
    Pontos Negativos
    1. Texturas carregando em tempo real
    2. Antagonistas deixam um pouco a desejar
    • Narrativa 9
    • Jogabilidade 10
    • Desempenho 9
    • Direção de Arte 10
    • Som 10
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    Ruancarlo Silva
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