Desde o momento em que comecei a jogar Kusan: City of Wolves para a produção desta review, uma comparação veio imediatamente à cabeça: Hotline Miami. A inspiração é evidente e o próprio jogo faz questão de abraçar esse estilo de ação frenética, em que um único erro pode colocar tudo a perder.
Felizmente, Kusan não vive apenas dessa semelhança. Depois de concluir a campanha, percebi que ele também traz boas ideias próprias, principalmente na progressão do personagem e na forma como incentiva o jogador a montar sua própria estratégia.
Desenvolvido pela Circle From Dot e publicado pela PQube, Kusan: City of Wolves chega em 30 de julho de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC via Steam. O game tem uma demo liberada em todas as plataformas.
Antes de qualquer coisa, já deixo um aviso: este definitivamente não é um jogo para todos. Se você procura uma experiência relaxante depois de um dia cansativo, talvez seja melhor escolher outro título. Agora, se gosta de desafios, de repetir fases dezenas de vezes até dominar cada movimento e sente satisfação ao superar obstáculos aparentemente impossíveis, Kusan pode ser exatamente o que procura.
Quer saber mais? Fica comigo nesta review de Kusan: City of Wolves e saiba se ele vale seu investimento ou não. Caso prefira, segue a análise em vídeo:
Uma história simples, mas acima da média para o gênero
A campanha coloca o jogador no controle de Jin, um ex-soldado que agora atua como mercenário em uma cidade tomada pela corrupção e pela violência. Sua missão é proteger Haru, uma jovem que possui um poder capaz de provocar uma enorme destruição. Naturalmente, nem tudo sai como esperado, e uma traição coloca o protagonista no centro de uma conspiração muito maior.
A narrativa é apresentada por meio de quadros em estilo HQ. Não existe dublagem, mas o jogo conta com localização em português, permitindo acompanhar toda a trama sem dificuldades. Entre uma missão e outra, as páginas dos quadrinhos ajudam a desenvolver os personagens e explicar os acontecimentos.

O roteiro não chega a ser o principal atrativo, mas surpreende positivamente. Jogos desse estilo normalmente utilizam a história apenas como desculpa para a ação, enquanto Kusan consegue construir uma narrativa interessante, com boas reviravoltas e personagens que despertam curiosidade. Não espere algo extremamente profundo, mas há conteúdo suficiente para manter o interesse até os créditos.

Jogabilidade frenética exige paciência e estratégia
É no gameplay que Kusan realmente mostra sua força.
Toda a campanha é dividida em três capítulos, compostos por 54 salas repletas de inimigos. A regra é que praticamente tudo funciona no sistema “hit kill”. Você leva um tiro, morre. Os inimigos também. Isso faz com que cada tentativa seja extremamente rápida e “maluca”.
A boa notícia é que a desenvolvedora entendeu perfeitamente esse conceito. Sempre que você morre, basta apertar um botão para voltar imediatamente ao combate. Não existe tela de carregamento, o que reduz bastante a frustração causada pelas inúmeras mortes. E sim, você vai morrer muito.

Mas, diferente de outros jogos difíceis, quase sempre fica evidente que o erro foi seu. Aos poucos você aprende o posicionamento dos inimigos e começa a executar tudo quase automaticamente.
Depois de algumas horas, minha cabeça já fazia tudo no automático. Em vários momentos, me senti jogando Guitar Hero, porque os dedos simplesmente começam a dançar no controle.
É L1 para lançar a faca, L1 de novo para recuperá-la, R1 para dar um soco, analógico para desviar e R2 para eliminar outro inimigo. Tudo acontece em questão de segundos e, quando você pega o ritmo, o combate fica extremamente frenético e muito gostoso de jogar.

Entrar em uma sala atirando para todos os lados simplesmente não funciona. É preciso observar o cenário, decidir qual inimigo eliminar primeiro, quando utilizar a faca quântica, quando economizar munição e qual caminho seguir. Existe uma camada estratégica muito maior do que aparenta nas primeiras horas.
Sistema de evolução é um dos grandes destaques
Em vez da tradicional árvore de habilidades, Kusan utiliza uma espécie de compartilhamento inspirado em quebra-cabeças. Cada melhoria ocupa um espaço específico e cabe ao jogador organizar essas peças para montar a melhor combinação possível. Lembra muito a franquia Tetris.

Você pode fortalecer armas, aumentar a munição, melhorar habilidades da faca quântica ou investir em diversas outras vantagens. Conforme desbloqueia novos espaços no tabuleiro utilizando parafusos e núcleos encontrados durante a campanha, mais possibilidades surgem.
O arsenal também oferece uma boa variedade de abordagens. Ao longo da campanha, Jin desbloqueia a Pistola, Revólver, Espingarda, Besta, Mão de Guerra e a poderosa Faca Quântica, que acaba funcionando como uma das mecânicas mais marcantes do jogo. Cada arma possui características próprias e pode ser aprimorada conforme você investe recursos no sistema de progressão.
No meu caso, a Pistola virou minha melhor companheira. Gostei tanto da cadência de tiro e da versatilidade dela que praticamente concluí toda a campanha utilizando essa arma como principal. Mesmo tendo opções mais pesadas, nunca senti necessidade de abandoná-la.

O interessante é que evoluir uma arma não significa apenas deixá-la mais forte. Cada melhoria aumenta o tamanho da peça correspondente dentro do compartimento de habilidades de Jin. Ou seja, quanto mais poderosa ela fica, mais espaço ela ocupa no tabuleiro.
Isso obriga o jogador a fazer escolhas constantes, removendo melhorias menos importantes para encaixar outras que façam mais sentido para seu estilo de jogo. Achei essa decisão de design extremamente inteligente.
Outro detalhe inteligente é que os parafusos coletados permanecem com o jogador mesmo após a morte. Na prática, você acaba evoluindo Jin naturalmente enquanto aprende cada fase, sem precisar parar exclusivamente para fazer farming.
Núcleos são essenciais
Outro elemento essencial da progressão são os Núcleos, encontrados através dos chamados Limbus. Essas áreas escondidas ficam espalhadas pelos mapas e normalmente exigem pequenos puzzles para serem acessadas. Vale muito a pena procurar cada uma delas.
Os Núcleos servem para expandir o espaço disponível no compartimento de Jin, permitindo encaixar mais melhorias simultaneamente. Além disso, conforme novos espaços são liberados, novas armas, habilidades e upgrades passam a ficar disponíveis na árvore de evolução.
Em outras palavras, explorar os cenários em busca dos Limbus não é apenas um bônus para quem gosta de completar tudo: é praticamente obrigatório para quem deseja aproveitar todo o potencial do sistema de progressão.
Da mesma forma, nunca deixe de coletar os parafusos espalhados pelas fases. Como eles permanecem com você mesmo após a morte, o jogo acaba recompensando naturalmente cada tentativa, tornando a evolução constante mesmo durante os momentos mais difíceis.
Alto fator replay para quem busca perfeição
Mesmo depois dos créditos, Kusan: City of Wolves ainda oferece um bom motivo para continuar jogando.
Cada sala recebe uma avaliação baseada no seu desempenho. Quanto melhor sua execução, maior será a nota recebida, sendo SS o ranking máximo. Isso incentiva revisitar fases para reduzir o número de mortes, otimizar o tempo e encontrar estratégias mais eficientes.

Para mim, esse sistema representa o principal fator replay do jogo. A campanha pode ser concluída relativamente rápido, mas alcançar notas máximas em todas as salas exige muito domínio das mecânicas, tornando a experiência bastante desafiadora para quem gosta de buscar 100% de aproveitamento.
Pixel art poderia oferecer mais clareza
Minha principal crítica fica para o visual. Não é uma questão de gostar ou não de pixel art. Pelo contrário, gosto bastante desse estilo. O problema é que, em Kusan, alguns cenários acabam comprometendo a leitura da ação.
Durante momentos mais movimentados, tive dificuldade para identificar rapidamente se determinado elemento era parte do cenário ou um inimigo. Em um jogo onde qualquer disparo significa morte instantânea, essa falta de clareza atrapalha demais.

Também senti que alguns ambientes acabam repetindo bastante sua identidade visual ao longo da campanha. Existem momentos diferentes, como uma fase envolvendo motocicletas, mas boa parte das salas passa uma sensação de familiaridade maior do que eu gostaria.
Por outro lado, toda a violência gráfica lembra bastante Hotline Miami. Sangue, corpos espalhados pelo chão e muito caos ajudam a construir a atmosfera brutal proposta pelo jogo.

Trilha sonora excelente e desempenho impecável
A trilha sonora merece elogios. Produzida pelo artista sul-coreano Looptimist, ela acompanha perfeitamente o clima sombrio da aventura.

Existe apenas um pequeno detalhe curioso: como você morre tantas vezes nas mesmas fases, acaba ouvindo as mesmas músicas repetidamente. É aquele caso clássico de uma música excelente que perde parte do impacto simplesmente porque você a escuta dezenas de vezes seguidas.
Durante meus testes no PS5 também não encontrei qualquer problema técnico. O desempenho permaneceu estável durante toda a campanha, sem bugs, travamentos ou quedas perceptíveis de desempenho.

Review de Kusan: City of Wolves – Vale a Pena?
Finalizo esta review de Kusan: City of Wolves cravando que ele sabe exatamente qual experiência deseja entregar e faz isso muito bem. É um jogo difícil, extremamente punitivo e que exige concentração o tempo inteiro, mas é uma delícia de jogar.
Nem todas as escolhas funcionam perfeitamente. O visual poderia facilitar melhor a identificação dos elementos na tela e alguns cenários acabam repetitivos. Ainda assim, esses problemas não diminuíram minha diversão.
Se você gostou de Hotline Miami ou procura um indie desafiador capaz de testar seus reflexos e sua paciência, Kusan merece entrar na sua lista. Só faça um favor a si mesmo: não comece a jogar depois de um dia estressante. Você provavelmente vai passar mais tempo morrendo do que gostaria, mas, quando finalmente superar uma fase complicada, a sensação de recompensa faz todo o esforço valer a pena.
No PS5, finalizei a campanha em aproximadamente 8 a 10 horas, embora boa parte desse tempo tenha sido consequência das incontáveis mortes ao longo do caminho. Jogadores mais habilidosos certamente conseguirão terminar antes, enquanto quem buscar os rankings mais altos terá muitas horas extras pela frente.
Com lançamento marcado para 30 de julho, Kusan: City of Wolves chegará à PlayStation Store por R$ 68,40 para assinantes do PlayStation Plus e R$ 85,50 para os demais jogadores.
Considerando a qualidade da experiência, acredito que seja um preço bastante justo para quem aprecia jogos desafiadores. Só tenha em mente que este é um título que exige paciência e disposição para morrer inúmeras vezes. Se esse tipo de desafio faz parte do seu gosto, há grandes chances de você se divertir tanto quanto eu me diverti.
Curtiu esta review de Kusan: City of Wolves? Fica com outras análises do nosso time:
Kusan: City of Wolves abraça sua inspiração em Hotline Miami, mas encontra espaço para criar sua própria identidade. Com combates extremamente frenéticos, um excelente sistema de progressão e uma boa história para o gênero, o jogo recompensa quem insiste em dominar suas mecânicas. Os problemas de legibilidade do visual incomodam em alguns momentos, mas não impedem que este seja um ótimo indie para fãs de desafios hardcore.
Um verdadeiro lobo
- Excelente sistema de progressão com upgrades estratégicos.
- Combate frenético e extremamente satisfatório.
- História acima da média para o gênero.
- Bom desempenho no PS5
- Boa trilha sonora, mas pode se tornar enjoativa devido a quantidade de mortes
Não deu certo
- Pixel art prejudica a leitura da ação em alguns momentos.
- Alguns cenários apresentam pouca variedade visual.
- Nível de dificuldade elevado pode afastar jogadores casuais.
- Pouca variedade de armas
- Visuais
- História
- Jogabilidade
- Desempenho
- Som
