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    Home » Review: Starfield (PS5)
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    Review: Starfield (PS5)

    Sherman CasteloSherman Castelojulho 14, 2026Updated:julho 14, 202613 Mins Read
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    Review Starfield PS5
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    Quando Starfield foi lançado em 2023, parecia que qualquer discussão sobre o jogo acabava nos mesmos argumentos. De um lado estavam aqueles que o tratavam como a evolução natural dos RPGs da Bethesda. Do outro, quem enxergava uma enorme decepção diante da expectativa criada ao longo dos anos. No meio dessa disputa, muita gente acabou deixando o jogo de lado antes mesmo de conhecê-lo de verdade.

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    Agora, com a chegada ao PlayStation 5, tive a oportunidade de revisitar o universo de Starfield para produzir esta review em uma versão muito diferente daquela que estreou há alguns anos. Não falo apenas da estreia no console da Sony. Starfield desembarca acompanhado de diversas atualizações que melhoraram sistemas importantes, corrigiram problemas e deram mais consistência à experiência.

    Depois de passar dezenas de horas explorando planetas, entrando para facções, construindo minha própria nave e me perdendo em missões que surgiam quando eu menos esperava, saí com uma conclusão bem diferente daquela que costumava ler nas redes sociais.

    Starfield continua tendo defeitos. Alguns deles, inclusive, ainda são bem fáceis de perceber. Mas também encontrei um RPG gigantesco, capaz de transformar uma simples missão em uma aventura que dura horas, simplesmente porque a curiosidade fala mais alto do que o objetivo principal.

    Sem mais enrolação, fica comigo nesta review de Starfield para PS5 e saiba o que esperar da versão para os consoles da gigante japonesa.

    O universo demora a engrenar, mas recompensa quem insiste

    A Bethesda nunca teve pressa para apresentar seus mundos, e Starfield segue exatamente essa filosofia.

    A aventura começa quando um simples minerador encontra um artefato misterioso durante uma escavação. A partir desse momento, acontecimentos inesperados colocam o protagonista no caminho da Constellation, uma organização dedicada a investigar esses objetos espalhados pela galáxia.

    Nos primeiros minutos, tudo parece relativamente simples. Você conhece personagens, aprende as mecânicas básicas e começa a entender como aquele universo funciona. Se existe uma crítica que ainda faço à campanha, é justamente esse início mais lento. Quem espera um RPG cheio de acontecimentos logo nas primeiras horas talvez estranhe o ritmo.

    Comigo aconteceu exatamente isso.

    Nas primeiras missões eu ainda tentava entender para onde a história queria me levar. Só que, conforme novas cidades aparecem e outras facções entram em cena, a narrativa cresce bastante. O jogo deixa de ser apenas uma busca por respostas e passa a construir um universo cheio de conflitos políticos, interesses diferentes e personagens que acabam cruzando seu caminho de maneiras inesperadas.

    Foi nesse momento que comecei a ver Starfield de um jeito diferente. Não porque a campanha principal virou uma sequência de grandes reviravoltas, mas porque o mundo ao redor passou a parecer muito mais interessante do que o próprio objetivo inicial.

    E essa sempre foi uma das maiores virtudes da Bethesda.

    O melhor da aventura quase nunca está na campanha principal

    Perdi a conta de quantas vezes iniciei uma missão simples e terminei a noite fazendo algo completamente diferente.

    Em um momento eu seguia um objetivo da Constellation. Pouco depois, encontrava um pedido de ajuda em uma estação espacial, aceitava uma missão secundária e, quando percebia, já estava envolvido em uma história totalmente nova. Horas haviam passado e eu sequer lembrava qual era minha missão original.

    Poucos estúdios conseguem criar esse tipo de sensação. Em Starfield, a curiosidade quase sempre vence o planejamento.

    Você pousa em uma cidade apenas para vender equipamentos e acaba conhecendo um personagem que abre uma nova linha de missões. Decide investigar um laboratório abandonado e encontra documentos que levam a outro planeta. Resolve atender um chamado de emergência e termina participando de uma sequência inteira de eventos que nem imaginava existir.

    Essa naturalidade faz muita diferença. Não é o jogo que empurra conteúdo para você. É o próprio jogador que começa a se distrair porque sempre existe alguma coisa chamando sua atenção.

    Um universo enorme que exala qualidade

    Durante o período de divulgação, um dos números mais repetidos era a presença de mais de mil planetas exploráveis. Naturalmente, muita gente imaginou que cada um deles teria algo memorável para oferecer.

    Na prática, não é exatamente assim.

    Ainda existem mundos que parecem existir apenas para reforçar a escala do universo. Alguns utilizam geração procedural de forma bastante evidente, repetindo estruturas e oferecendo pouca recompensa para quem decide explorá-los por completo. Essa característica continua presente. A diferença é que hoje ela pesa muito menos na experiência.

    As atualizações lançadas desde 2023 conseguiram tornar a exploração mais dinâmica. A inclusão dos veículos terrestres mudou completamente a forma como atravessamos grandes áreas, reduzindo um problema que era bastante criticado no lançamento. Os encontros aleatórios durante as viagens também ajudam a quebrar a sensação de vazio que alguns sistemas transmitiam.

    Mesmo assim, o que realmente faz Starfield brilhar continua sendo o conteúdo criado manualmente.

    As grandes cidades, as bases abandonadas, os laboratórios esquecidos e as estações espaciais espalhadas pela galáxia demonstram um cuidado que dificilmente aparece nos ambientes gerados proceduralmente. Sempre que o jogo aposta nesses cenários, a exploração ganha outra dimensão.

    Foram justamente esses momentos que mais ficaram na minha memória. Não pelos combates ou pelas recompensas, mas pela sensação constante de descobrir uma nova história escondida em algum canto da galáxia.

    E, quando isso acontece, Starfield lembra por que a Bethesda continua sendo uma das maiores referências quando o assunto é construir mundos que convidam o jogador a simplesmente sair andando para ver o que existe depois da próxima porta.

    A liberdade continua sendo a maior estrela da aventura

    Quanto mais eu avançava na campanha, mais ficava claro que Starfield nunca quis contar apenas uma história. A missão principal serve como ponto de partida, mas é o próprio jogador quem decide o rumo da jornada. Em muitos momentos, deixei a campanha de lado por horas simplesmente porque outra situação chamou mais minha atenção.

    Foi exatamente isso que mais gostei enquanto preparava esta review de Starfield. O jogo não tenta controlar o seu ritmo. Ele apenas oferece possibilidades e espera que a curiosidade faça o restante do trabalho.

    As facções são um excelente exemplo disso.

    Assim como aconteceu em Skyrim e Fallout, elas não existem apenas para aumentar o número de missões disponíveis. Cada grupo possui personagens bem escritos, interesses próprios e conflitos que acabam funcionando como campanhas paralelas. Em alguns casos, tive a impressão de que aquelas histórias receberam tanto cuidado quanto a narrativa principal.

    Entrar para a UC Vanguard, trabalhar ao lado da Freestar Collective ou me infiltrar na Crimson Fleet mudou completamente a forma como enxerguei aquele universo. Não eram apenas missões extras para ganhar experiência ou equipamentos melhores. Cada escolha apresentava novos personagens, locais inéditos e situações que faziam sentido dentro daquele contexto.

    O mais curioso é que várias dessas histórias começaram quase por acaso. Eu chegava a uma cidade para vender equipamentos, conversava com um NPC sem muita expectativa e, quando percebia, já estava envolvido em uma sequência inteira de missões.

    O combate evoluiu, mas ainda respeita a identidade da Bethesda

    Nunca considerei o combate o ponto forte dos RPGs da Bethesda. Sempre enxerguei seus jogos como experiências focadas na exploração e na liberdade, deixando a ação em segundo plano. Starfield melhora bastante esse aspecto, embora ainda carregue algumas características típicas do estúdio.

    Os confrontos são mais dinâmicos do que eu esperava. Existe uma boa variedade de armas, a movimentação transmite mais agilidade e alternar entre primeira e terceira pessoa continua sendo uma opção interessante para adaptar a experiência ao estilo de cada jogador.

    Também gostei da forma como o arsenal evolui durante a campanha. Conforme você encontra equipamentos mais raros e investe em melhorias, cada arma passa a desempenhar um papel diferente. Em vez de simplesmente substituir um rifle por outro com números maiores, comecei a montar equipamentos específicos para determinadas situações, principalmente nas missões envolvendo inimigos mais resistentes.

    Ainda assim, nem tudo funciona perfeitamente.

    Em alguns momentos, a inteligência artificial dos adversários deixa a desejar. Alguns inimigos insistem em repetir o mesmo comportamento durante o combate e determinados confrontos acabam se parecendo mais do que deveriam. Não chega a comprometer a diversão, mas mostra que esse ainda não é o principal foco do jogo.

    E, sinceramente, acho que nem precisava ser.

    Em nenhum momento tive a sensação de que Starfield queria competir com shooters modernos. Seu objetivo sempre foi oferecer liberdade para explorar, construir personagens e contar histórias. O combate cumpre bem esse papel dentro da experiência proposta.

    Explorar o espaço ficou muito mais prazeroso

    Uma das críticas mais frequentes feitas ao lançamento original estava relacionada às viagens espaciais. Muita gente esperava uma exploração totalmente livre entre planetas e acabou encontrando uma estrutura bastante dependente de carregamentos e viagens rápidas.

    Depois das atualizações, essa sensação diminuiu bastante.

    Os veículos terrestres tornaram a exploração das superfícies muito menos cansativa, enquanto os eventos aleatórios distribuídos pelos sistemas criam situações que quebram a rotina das viagens. Em diferentes momentos fui surpreendido por pedidos de socorro, comerciantes oferecendo mercadorias raras, emboscadas de piratas e pequenas histórias que surgiam sem qualquer aviso.

    Esses acontecimentos parecem simples quando analisados individualmente, mas fazem uma enorme diferença depois de dezenas de horas. Eles criam a impressão de que o universo continua existindo mesmo quando você não está seguindo uma missão específica.

    Os combates espaciais também ganharam meu respeito. Administrar escudos e escolher o melhor momento para atacar exige um pouco mais de atenção do que eu imaginava. Não chega a ser um simulador, nem tenta competir com jogos especializados no gênero, mas entrega batalhas divertidas e que combinam muito bem com a proposta do RPG.

    Outro detalhe que gostei foi a liberdade para ganhar dinheiro. Em uma campanha investi mais no comércio tradicional, ampliando a capacidade de carga da nave.

    Em outros momentos experimentei transportar contrabando e vender produtos ilegais em locais específicos da galáxia. São caminhos completamente diferentes para alcançar o mesmo objetivo, e essa flexibilidade faz com que cada jogador construa uma história própria.

    Foi justamente essa sensação que me acompanhou durante toda a campanha. Quanto mais eu explorava, menos parecia estar seguindo um roteiro pronto, e mais tinha a impressão de que estava escrevendo minha própria aventura espacial.

    A direção de arte continua sendo um dos maiores acertos

    Mesmo depois de tantas horas explorando a galáxia, houve momentos em que simplesmente parei para observar o cenário.

    Starfield não aposta naquela ficção científica exagerada, cheia de cidades iluminadas por neon ou tecnologias impossíveis. A Bethesda preferiu seguir um caminho mais próximo do chamado NASA Punk, criando equipamentos, naves e estações espaciais que passam a impressão de que poderiam existir algumas décadas no futuro. Essa escolha dá personalidade ao universo e ajuda bastante na imersão.

    Cada cidade também possui uma identidade própria. New Atlantis transmite a sensação de uma capital moderna e organizada. Akila City segue um estilo completamente diferente, enquanto Neon parece viver sob suas próprias regras. Em poucos minutos caminhando por esses lugares já é possível perceber que cada um foi pensado para contar uma história diferente.

    Foi justamente esse cuidado que me fez explorar cada canto das cidades. Eu entrava em lojas sem precisar comprar nada, conversava com NPCs que provavelmente muita gente ignoraria e acabava encontrando pequenas histórias escondidas em missões secundárias ou simples diálogos.

    A iluminação também merece elogios. Em vários momentos, principalmente durante a exploração de alguns planetas, parei apenas para observar o horizonte. Ver uma lua surgindo ao fundo enquanto minha nave estava estacionada ou acompanhar o nascer de uma estrela em um planeta distante são cenas que ajudam a construir aquela sensação de estar realmente viajando pelo espaço.

    Claro que a idade da Creation Engine ainda aparece em alguns momentos.

    As animações faciais continuam longe do nível apresentado por outros RPGs modernos e alguns NPCs ainda demonstram certa rigidez durante os diálogos. Não chega a comprometer a experiência, mas evidencia que a tecnologia utilizada pela Bethesda já começa a mostrar algumas limitações.

    O PlayStation 5 ainda convive com alguns problemas técnicos

    Embora Starfield tenha recebido diversas atualizações desde o lançamento original, minha experiência no PlayStation 5 mostrou que ainda existe trabalho a ser feito na parte técnica.

    Joguei a maior parte da campanha no Modo Desempenho, justamente buscando uma taxa de quadros mais estável. Ainda assim, encontrei quedas de FPS em diferentes momentos da aventura. Elas não acontecem o tempo inteiro, mas surgem principalmente em áreas mais movimentadas, durante alguns combates ou em cidades com muitos personagens na tela.

    Outro detalhe que chamou minha atenção foi a quantidade de pop-ins. Em vários planetas, elementos do cenário como pedras, vegetação e outras estruturas eram carregados poucos metros à minha frente conforme eu avançava pela exploração.

    Os velhos bugs característicos da Bethesda também continuam presentes. Felizmente, durante minha campanha não encontrei nada que impedisse a progressão da história, mas presenciei algumas situações curiosas.

    Em uma conversa, por exemplo, um NPC simplesmente atravessou outro personagem enquanto ambos continuavam falando normalmente, como se nada tivesse acontecido. São aqueles momentos que muitos jogadores já associam aos jogos do estúdio e que, de certa forma, acabam arrancando até uma risada.

    Os tempos de carregamento, por outro lado, são bastante rápidos graças ao SSD do PlayStation 5. Como Starfield alterna constantemente entre planetas, cidades, estações espaciais e o interior das naves, essa agilidade ajuda a manter o ritmo da aventura, mesmo com a grande quantidade de telas de transição que fazem parte da estrutura do jogo.

    O DualSense também recebeu uma boa implementação. Os gatilhos adaptáveis oferecem diferentes níveis de resistência dependendo da arma utilizada, enquanto o feedback háptico acompanha disparos, explosões e alguns momentos das viagens espaciais.

    Review de Starfield no PS5 – Vale a pena?

    Finalizo esta review de Starfield dizendo que, por mais que ele tenha evoluído desde o lançamento, alguns problemas continuam presentes.

    A geração procedural ainda cria planetas que pouco acrescentam à exploração. Depois de muitas horas, é natural encontrar estruturas semelhantes e atividades que acabam repetindo ideias já vistas anteriormente. Isso diminui aquela sensação de descoberta constante que o jogo consegue oferecer quando aposta em conteúdo criado manualmente.

    Também senti falta de uma inteligência artificial mais elaborada durante alguns confrontos. Existem situações em que os inimigos tomam decisões pouco convincentes, o que reduz um pouco o desafio dos combates.

    Nada disso, porém, muda aquilo que Starfield realmente pretende entregar.

    Enquanto escrevia esta review de Starfield, ficou cada vez mais claro para mim que o jogo nunca quis competir com RPGs extremamente cinematográficos. A proposta sempre foi diferente. A Bethesda criou um enorme universo para ser explorado no seu ritmo, deixando que cada jogador encontre suas próprias histórias durante a jornada.

    Se você entrar esperando uma campanha totalmente linear, talvez saia frustrado. Mas, se aceitar a ideia de simplesmente escolher uma direção e descobrir o que existe pelo caminho, dificilmente ficará sem algo interessante para fazer.


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    A versão definitiva

    7.8 Bom

    Starfield chegou ao PlayStation 5 em sua melhor forma. Depois de diversas atualizações, o RPG da Bethesda oferece uma aventura gigantesca, com liberdade para explorar, ótimas missões de facções e um universo que recompensa a curiosidade do jogador. Ainda existem limitações, como a geração procedural repetitiva, quedas de desempenho, pop-ins e alguns bugs típicos do estúdio, mas nada disso ofusca a qualidade da experiência. Se você gosta de RPGs que permitem criar sua própria história e seguir o próprio ritmo, esta é uma viagem espacial que merece ser vivida.

    Coisas boas
    1. Excelente sensação de liberdade para explorar a galáxia.
    2. Missões secundárias e facções tão interessantes quanto a campanha principal.
    3. Personalização profunda de naves e personagens.
    4. Universo rico e ótima direção de arte.
    5. Atualizações melhoraram a experiência desde o lançamento.
    Não deu certo
    1. Quedas de FPS frequentes, inclusive no Modo Desempenho.
    2. Pop-ins constantes durante a exploração dos planetas.
    3. Geração procedural cria locais repetitivos.
    4. IA dos inimigos ainda poderia ser mais inteligente.
    5. Bugs ocasionais continuam aparecendo durante a campanha.
    6. Muitas telas de carregamento ainda quebram um pouco o ritmo da exploração.
    • Visuais 9
    • História 8
    • Desempenho 6
    • Jogabilidade 8
    • Som 8
    PS5 Review Starfield
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