Eu quero começar essa review de Realm of Ink com uma comparação simples: se você gosta de Hades e procura outro roguelite capaz de prender por horas em personagens diferentes e runs seguidas, existe uma boa chance desse jogo chamar sua atenção.
Desenvolvido pela Leap Studio, o game chega no dia 26 de maio para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e PC. O jogo já estava disponível em acesso antecipado desde 2024 no PC, onde acumulou avaliações muito positivas na Steam, e agora finalmente estreia em sua versão completa nos consoles.
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Depois de quase 10 horas jogando no PlayStation 5, ficou fácil entender por que tanta gente gostou do projeto. Realm of Ink possui um loop de gameplay viciante e um fator replay muito forte. Ao mesmo tempo, também apresenta alguns problemas que impedem o jogo de alcançar um nível ainda melhor.
Fica comigo nesta review de Realm of Ink e entenda o que funciona tão bem no jogo e quais pontos ainda precisam de ajustes. Caso prefira, segue a análise em vídeo:
Os personagens carregam boa parte do jogo

Logo nas primeiras runs, fica claro que o principal destaque de Realm of Ink está nos personagens jogáveis. São 10 personagens diferentes, cada um com armas e estilos próprios de combate.
Existem personagens focados em ataques rápidos corpo a corpo, outros mais voltados para magia e até personagens focados em ataques à distância.
O fator replay nasce justamente daí. Em vários momentos eu terminava uma run e já queria começar outra apenas para testar um personagem diferente.
E sinceramente, esse é um dos maiores acertos do jogo.
Builds e relíquias fazem as runs funcionarem muito bem
A estrutura das runs segue aquele modelo clássico do gênero. Você avança por salas derrotando inimigos, enfrenta mini-chefes e bosses principais e escolhe recompensas no final de cada combate.

As builds possuem bastante profundidade graças ao sistema de elementos. Fogo, água, terra e metal, madeira, entre outros, alteram bastante o funcionamento da gameplay e permitem estilos diferentes de construção. Durante boa parte do meu tempo jogando, por exemplo, eu utilizei builds focadas em queimadura e dano contínuo.
O jogo também trabalha com uma grande quantidade de relíquias, elixires, vantagens e melhorias passivas. Por isso, ler os efeitos dos itens faz bastante diferença, principalmente nas dificuldades mais altas. Não é um roguelite onde você pode simplesmente escolher qualquer upgrade no automático esperando que tudo funcione.




Outro ponto positivo está justamente na quantidade de conteúdo. Realm of Ink oferece dezenas de relíquias, muitos NPCs, mascotes, upgrades permanentes e sete níveis de dificuldade. Sempre existe algo novo para desbloquear ou testar.Foi exatamente isso que me manteve jogando por tantas horas seguidas.

Pense bem em como vai evoluir
Constantemente, durante as runs, eu passei pela HUB do game, um local onde ficam os NPC’s prontos para evoluir nosso personagem e/ou ajudar em algo e, aqui fica uma parte crucial para se dá bem em Realm of Ink.

É a hora de tomar as melhores decisões possíveis, qual runa evoluir, como gastar suas suadas moedas, qual comida ingerir, etc.. Fica ligado nisso, vai por mim, é muito importante saber qual decisão tomar.
Os principais NPC’s que estão sempre na HUB pra te ajudar são:
- Grace: Melhora suas relíquias
- Golda: mercador de reliquias e vantagens
- Chefe Jade: prepara os suplementos

- Quilin de tinta: troca pedras por vantagens
O combate diverte, mas a tela vira bagunça em vários momentos
A gameplay é rápida e funciona muito bem quando tudo está sob controle. O problema começa quando a build evolui e o jogo enche a tela de efeitos visuais e partículas acontecendo ao mesmo tempo.
Em vários momentos eu simplesmente não conseguia diferenciar meus ataques dos golpes inimigos. Inclusive, recomendo bastante desativar os números de dano nas configurações e aumentar a transparência dos efeitos. Isso ajuda um pouco na leitura visual do combate.

Mesmo assim, Realm of Ink exagera nos efeitos em diversos momentos. Teve partes em que eu só desviava e apertava os botões quase no instinto porque a tela estava confusa demais. Atrapalha demais e deixa a gente no automático.
As dificuldades finais poderiam ser melhor balanceadas
O game possui sete níveis de dificuldade, e até o quinto nível a progressão funciona bem. O problema aparece na transição para os níveis 6 e 7. A dificuldade sobe muito de uma vez.
Os inimigos passam a absorver bastante dano e o jogo começa a exigir builds muito mais específicas. Até aí tudo bem, porque esse tipo de desafio faz parte do gênero. O problema real está no funcionamento do endgame.
Depois de derrotar o chefe principal nas dificuldades maiores, o jogo libera uma área extra com novos desafios e um chefe verdadeiro. Só que essa parte final praticamente não entrega recursos suficientes para melhorar sua build.

Os NPCs continuam aparecendo normalmente na Hub, mas quase não existem materiais ou moedas suficientes para comprar melhorias relevantes. Em vários momentos eu chegava até os comerciantes sem conseguir fazer praticamente nada.
Foi uma decisão que deixou essa parte final estranha em termos de progressão.
Chefes e cenários ajudam na variedade das runs
Apesar disso, Realm of Ink acerta bastante nos cenários e nos chefes. As áreas possuem boas diferenças visuais entre si, variando entre ruínas, florestas, montanhas, jardins e oásis. O jogo utiliza um estilo inspirado em pinturas tradicionais chinesas e consegue construir uma identidade própria.

Alguns cenários das dificuldades finais são especialmente bonitos.
Já os chefes conseguem variar bem as batalhas. Existem bosses focados em velocidade, outros com invocações e até lutas contra múltiplos inimigos ao mesmo tempo. Os mini-chefes também ajudam a quebrar o ritmo das runs.




A história existe, mas dificilmente será o motivo para continuar jogando
Realm of Ink tenta trabalhar uma narrativa envolvendo a protagonista Espadachim Vermelho (Red) e sua busca por liberdade dentro do chamado Caminho Celestial.Só que a história acaba sendo simples demais.
O jogo tenta seguir aquela estrutura em que NPCs liberam novos diálogos após cada run, mas aqui isso acontece de forma muito limitada. Depois de algumas partidas, vários personagens praticamente deixam de ter algo interessante para dizer.

Os finais também acabam decepcionando bastante e passam longe de entregar um encerramento marcante.Não considero a narrativa ruim, mas ela claramente não foi o que me manteve interessado no jogo.
Visual agradável, boa performance e trilha sonora pouco memorável
Visualmente, Realm of Ink possui personalidade própria graças ao estilo inspirado em pinturas orientais, falando especificamente dele, o mesmo usa o Ink-wash painting, ou Shui-mo, uma pintura tradicional chinesa. O resultado funciona bem, principalmente nos cenários mais avançados.




Em relação ao desempenho, o jogo rodou bem no PlayStation 5 durante praticamente toda a análise. Não encontrei quedas de FPS durante os combates, o que é importante para um roguelite tão rápido.

Por outro lado, senti alguns engasgos em menus, principalmente ao trocar personagens ou substituir relíquias. Também encontrei pequenos problemas de tradução e textos cortados na interface. Nada grave, mas são detalhes que ainda poderiam receber ajustes.
Já a trilha sonora acabou sendo um ponto fraco para mim. Os efeitos sonoros funcionam bem durante o combate, mas as músicas rapidamente começaram a ficar repetitivas. Em boa parte do tempo, eu preferi abaixar o volume do jogo e ouvir música enquanto jogava.
Review de Realm of Ink: vale a pena?
Finalizo esta review de Realm of Ink cravando que ele é um roguelite divertido e com bastante conteúdo para quem gosta do gênero. A variedade dos personagens e a quantidade de builds que podem ser criadas conseguem sustentar muitas horas de jogo.
Ao mesmo tempo, o jogo também sofre com problemas claros de poluição visual, algumas decisões estranhas de progressão nas dificuldades finais e uma narrativa pouco interessante.
Mesmo assim, Realm of Ink consegue acertar justamente no ponto mais importante para um roguelite: a vontade constante de começar mais uma run e nisso ele acerta na mosca. Resumindo, ele pode fazer uma bela pintura na sua biblioteca gamer.
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Uma bela e divertida pintura
Realm of Ink faz um golaço no fator replay. Os variados personagens jogáveis mudam bastante a forma de jogar, as builds funcionam muito bem e o combate consegue viciante na medida certa. É aquele tipo de roguelite que facilmente faz você pensar “só mais uma run” antes de perceber que já perdeu horas testando novas combinações.
Da Vinci teria inveja
- Os personagens realmente mudam a gameplay e fazem cada run parecer diferente
- Boa variedade de builds
- Boa quantidade de relíquias, vantagens e upgrades permanentes
- Chefes possuem boas mecânicas e conseguem variar bem as batalhas
- Visual inspirado em pinturas chinesas dá personalidade ao jogo
- Boa performance durante os combates no PS5
Errou na tinta
- Poluição visual atrapalha bastante a leitura da ação em várias lutas
- História e diálogos dificilmente conseguem prender o jogado
- Dificuldade sobe de forma brusca nos níveis mais elevados de dificuldade
- Alguns upgrades e mecânicas parecem mal aproveitados
- Pequenos problemas de tradução e textos cortados na interface
- Visuais
- História
- Desempenho
- Jogabilidade
- Som
